terça-feira, 27 de junho de 2017

MAURO Tavernard lança hoje livro sobre Alcino

PARA quem não viu, é a chance de conhecer. Para quem o viu jogar, é a oportunidade de recordar. A história de Alcino Neves dos Santos, tratado como maior ídolo da história do Remo, está descrita no livro “Alcino Negão Motora – A História do Gigante do Baenão”, do jornalista Mauro Tavernard. O lançamento ocorre nesta terça-feira (27), a partir das 19 horas, na sede social do Leão, na avenida Nazaré, em Belém. A entrada é gratuita.

São 580 páginas de conteúdo, com 64 fotos, 32 ilustrações e um minipôster, que descrevem parte da história do atacante azulino que é o segundo maior artilheiro do Remo com 177 gols marcados entre 1971 e 1975, temporadas em que defendeu a camisa azulina. Conquistou o tricampeonato paraense invicto em 1973, 1974 e 1975 e foi artilheiro das três edições do estadual. No total, foram cinco títulos oficiais. Além de ter sido também o melhor marcador em todas as participações do Remo em Campeonatos Brasileiros naquela década. Um carioca com coração e alma paraense.

O jornalista Mauro Tavernard participou do programa Unama Esportes, da rádio Unama FM 105.5. Ele disse que o livro apresenta boa parte da história de Alcino. “Eles podem esperar um livro completo. Procurei dividir a vida dele em cinco partes. Cada capítulo é curto. Então é um livro indicado para todos os tipos: para quem é remista, para quem não é, até para quem não gosta de futebol”, disse o jornalista. Segundo ele, a característica que diferencia o “Negão Motora”, apelido dado a Alcino, era a irreverência misturada com irresponsabilidade e folclore.

domingo, 25 de junho de 2017

BLOGUE do Valentim há 6 anos!

ESSA era a pergunta que o Brasil fazia em 1978, ano em que fez enorme sucesso nacional a telenovela O Astro, da Rede Globo de Televisão. Janete Clair era a rainha das novelas, e tudo o que ela escrevia fazia sucesso, e o país inteiro ficava às 8 e pouco da noite em frente à tevê, somente saindo da sala nos intervalos.

O Astro foi uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo entre 6 de dezembro de 1977 e 8 de julho de 1978, às 20 horas. Foi escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho e Gonzaga Blota, com 185 capítulos. Daniel Filho acumulou a direção geral. 

A bela DINA SFAT, uma das atrizes preferidas de Janete Clair
Francisco Cuoco encarnava Herculano Quitanilha, um suposto vidente... Na verdade um vigarista que conquistou o Brasil. Anos 70, a melhor década de novelas na Globo, que ainda tinha como concorrente a ótima Rede Tupi de Televisão.

No capítulo 42, dá-se a notícia: Salomão Hayalla, um magnata, está morto. Seu carro fora encontrado em destroços no Alto da Boa Vista. Depois descobriu-se que morreu antes.

QUEM MATOU Salomão Hayalla? A pergunta só foi respondida no último capítulo. O autor foi o personagem vivido por Edwin Luise. Por onde andará esse ator?

Veja agora o tema de abertura da novela original:




Tempos bons, que não voltam mais.

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

(BLOGUE do Valentim em 25jun2011)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

CLÁSSICOS do Valentim

Chico Buarque: Deixa a menina





quinta-feira, 15 de junho de 2017

MALBA Tahan e seus contos maravilhosos!

O depositário do rei





-- SENHOR cádi, -- murmurou Iussuf, pálido e trêmulo de espanto -- juro pelo túmulo do Profeta! Juro pelo Alcorão! O que digo é verdade! Antes de partir para Meca, deixei em vosso poder um saco de couro com mil e novecentos dinares de ouro. E vi perfeitamente, ó cádi, quando guardastes o meu dinheiro ali, no grande cofre que ainda está naquele canto!

-- Estás delirando, ó infeliz -- replicou o cádi. -- Juras como um insensato sobre o que há de mais sagrado para os muçulmanos! Estás com certeza envenenado pelo haxixe e tens a mente presa a miragens enganadoras. Ali, naquele cofre, guardo apenas as pequenas migalhas que possuo. Achas então que eu, o cádi de Basra, seria capaz de conservar em meu poder um dinheiro que não fosse meu? É uma infâmia que lanças, inconsciente, sobre mim!

E como Iussuf insistisse na afirmativa, o governador interrompeu-o com severidade:

-- Repito-o, ó insensato, não guardei dinheiro algum! E se algum dia voltares à minha presença, com essa ideia tola e descabida, a exigir um dinheiro que nunca me entregaste, mando-te recolher para sempre à prisão dos loucos! Vai-te daqui, ó comedor de haxixe!

Iussuf, quase a chorar de desespero, retirou-se do palácio do cádi. Considerava perdido o seu dinheiro. Se perseverasse na ideia de recuperá-lo iria acabar os seus dias no fundo e um prisão. O desonesto governador de Basra tinha nas mãos a força e o poder.

Profundamente abalado pelo rude e impiedoso golpe que acabara de sofrer, sentindo-se ao desamparo, sem ter a quem apelar, roubado, dilapidado e ainda sob ameça de prisão, vendo diante de si a sombra da miséria, pôs Iussuf a caminhar sem rumo pelas ruas de Basra.

Ao se aproximar da mesquita de Otmã cruzou casualmente com um rico xeique que acabara de sair do famoso templo maometano. Ostentava o nobre belíssimo turvante cor-de-cinza. Seus trajes eram de seda. Em seus dedos rebrilhavam gemas de alto valor. Mal acabara de avistar o desventurado Iussuf, o xeique parou abrindo os braços num gesto largo e afetuoso. Exclamou arrebatado:

-- Alá seja louvado! Até que enfim, encontrei o meu bom amigo e protetor!

Iussuf encarava o desconhecido sem compreender o sentido daquelas exclamações de júbilo. 

-- Não te lembras mais de mim, ó peregrino? -- falou o xeique, abraçando carinhosamente Iussuf. -- Eu sou aquele Hussein Et-Tay, o velho mendigo que, há três anos, generosamente auxiliaste. Procurava-te, ansiosamente, para agradecer-te o que fizeste por mim. Segui o teu conselho. Fui ao califa e contei-lhe tudo. O Emir dos Crentes declarou que os sacos haviam sido retirados por ordem sua do tesouro, unicamente para que ele pudesse ajuizar, com segurança, acerca da minha honestidade. E, como estava, então, certo de que eu procedera com a máxima correção e dignidade, ordenou que eu fosse indenizado de todo o meu dinheiro; restituiu-me as minhas propriedades; deu-me belos presentes e nomeou-me para o lugar de tesoureiro do califa. Sou hoje, graças ao teu auxílio, o homem mais rico de Bagdá.

Notando, porém, o rico hussein que Iussuf parecia triste e  abatido, perguntou-lhe:

-- Que te aconteceu, ó irmão dos árabes? Por que estás tristonho e preocupado?

Iussuf contou, então, ao generoso xeique a desonestidade do cádi e a situação de miséria em que se achava.

-- Por Alá! -- exclamou o bom Hussein. -- O teu caso é muito simples de se resolver. Amanhã, ao cair da tarde, depois da terceira prece, irás à casa do cádi e -- como se nada tivesse acontecido -- reclamarás novamente o teu dinheiro. Eu estarei lá nessa ocasião; deverás, porém, fingir que não me conheces.

E eis o que aconteceu:

No dia seguinte o cádi recebeu a visita de Hussein El-Tay, tesoureiro do sultão Harun-al-Raschid.

-- O que me traz aqui, senhor cádi -- começou o xeique -- é um assunto da maior importância. O nosso gloriosos Emir Harun-al-Raschid (que Alá sempre conserve!) deseja fazer uma peregrinação a Meca. Não quer, porém, partir sem deixar, sob a guarda de uma pessoa digna e honesta, os seus imensos tesouros, as suas arcas cheias de lavores e tapeçarias. Lembrei o vosso nome porque a justa fama da vossa honestidade, do vosso belo caráter, já está espalhada pelo país inteiro. Inútil será dizer que o califa aprovou desde logo a minha indicação. Declarou-me: "Não quero partir sem deixar nas mãos do honesto cádi de Basra, o íntegro Machome El-Hadjazi, não só os tesouros, como o governo de Bagdá!". E, foi por isso, que aqui vim para consultar-vos e saber se vos sentis com coragem para prestar ao nosso generoso califa esse inestimável serviço.

O cádi, surpreendido por tão extraordinário oferecimento, desmanchou-se em salamaleques, mesuras afetadas e gestos de gratidão.

-- Sinto-me profundamente honrado -- disse ele ao xeique -- com as generosas palavras que a meu respeito proferiu o Comendador dos Crentes. Tudo tenho feito por merecer a confiança que em mim depositou o nosso grande soberano.

Estas palavras era ditas quando surgiu à porta do salão o jovem Iussuf.

-- Senhor cádi, -- exclamou, respeitoso -- o meu nome é Iussuf Abdallah Ben-Nahin. Há três anos, antes de partir para Meca, deixei em vosso poder, confiado aos vossos cuidados, um saco de couro com mil e novecentos dinares-ouro. E agora...

-- Pois não, meu filho! -- exclamou o cádi, risonho e amável. -- Lembro-me perfeitamente do teu nome. Iussuf Abdallah Ben-Nahim, o fabricante de móveis. Muitas vezes pensei: "quando virá aquele bom peregrino buscar o dinheiro que deixou sob minha guarda? Queira Alá que ele volte cheio de vida e feliz. Queira Alá que nada de mal lhe aconteça". Sinto-me feliz pelo teu regresso. 

E o cádi, no mesmo instante, abrindo o grande cofre, tirou de dentro um saco de couro que parecia bem pesado e, a conter ouro, encerraria uma bela quantia.

-- Aqui está -- continuou, entregando o valioso depósito a Iussuf -- o teu dinheiro. Eu seria incapaz de ficar com um dinar que não fosse meu. Alá me livre de praticar semelhante infâmia.

O rico Hussein observava com a maior atenção todos os gestos e palavras do cádi.

Sem saber como explicar aquela extraordinária mudança, o peregrino, de pois de agradecer ao cádi, retirou-se muito contente com o seu dinheiro.

Momentos depois o rico xeique de Bagdá deixou também o palácio do cádi e Basra.

Passaram-se meses.

Vendo o cádi que o califa não mandava chamá-lo, foi procurar o rico Hussein, que ainda se achava em Basra, a comprar tapetes para os palácios do sultão.

O judicioso xeique, ao receber o cádi, perguntou-lhe o que desejava.

-- Quero saber -- respondeu este -- quando devo seguir para Bagdá, a fim de guardar os tesouros do nosso sultão Harun-al-Raschid, Emir dos Crentes.

-- Senhor cádi -- acudiu o velho Hussein -- devo dizer-vos que meditei melhor no caso. Se, para devolver o pequeno pecúlio de um peregrino, foi preciso que vos prometesse os tesouros do califa e o governo de Bagdá, que não seria preciso prometer-vos, futuramente, para obter de vós a devolução dos tesouros do sultão, quando eles já estivessem bem seguros em vosso poder? 

CLÁSSICOS do Valentim

Chico Buarque: Partido alto, 1972




DIZ QUE deu, diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ó nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ó nega
Diz que Deus diz que dá
E se Deus negar, ó nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dará, Deus dará

Deus é um cara gozador, adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro
Na barriga da miséria nasci batuqueiro
Eu sou do Rio de Janeiro

Jesus Cristo inda me paga, um dia inda me explica
Como é que pôs no mundo esta pobre coisica
Vou correr o mundo afora, dar um canjica
Que é pra ver se alguém se embala ao ronco da cuíca
E aquele abraço pra quem fica

Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio
Mas se alguém me desafia e bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro e nem me despenteio
Que eu já tô de saco cheio

Deus me deu mão de veludo pra fazer carícia
Deus me deu muitas saudades e muita preguiça
Deus me deu pernas compridas e muita malícia
Pra correr atrás de bola e fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia