sexta-feira, 26 de agosto de 2016

CLÁSSICOS do Valentim

Toquinho e Vinícius: Na Tonga da Mironga do Kabuletê





EU CAIO de bossa
eu sou quem eu sou
eu saio da fossa
xingando em nagô

Você que ouve e não fala
você que olha e não vê
eu vou lhe dar uma pala
você vai ter que aprender

a tonga da mironga do kabuletê
a tonga da mironga do kabuletê
a tonga da mironga do kabuletê

Eu caio de bossa
eu sou quem eu sou
eu saio da fossa
xingando em nagô

Você que lê e não sabe
você que reza e não crê
você que entra e não cabe
você vai ter que viver

na tonga da mironga do ka buletê
na tonga da mironga do kabuletê
na tonga da mironga do kabuletê


Você que fuma e não traga
e que não paga pra ver
vou lhe rogar uma praga
eu vou é mandar você

pra tonga da mironga do kabuletê
pra tonga da mironga do kabuletê
pra tonga da mironga do kabuletê

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

CADA coisa no seu tempo

TUDO tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu:
tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de colher;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de destruir e tempo de construir;
tempo de chorar e tempo de rir;
tempo de lamentar e tempo dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar;
tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de guardar e tempo de jogar fora;
tempo de rasgar e tempo de costurar;
tempo de calar e tempo de falar;
tempo do amor e tempo do ódio;
tempo da guerra e tempo da paz.
(Eclesiastes 3, 1 - 8) 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

CLÁSSICOS do Valentim

Caetano Veloso: Superbacana, 1968



TODA essa gente se engana
Ou então finge que não vê que eu nasci
Pra ser o superbacana
Eu nasci pra ser o superbacana
Superbacana, superbacana
Superbacana super-homem
Superflit, supervinc
Superhist, superbacana
Estilhaços sobre Copacabana
O mundo em Copacabana
Tudo em Copacabana, Copacabana
O mundo explode longe, muito longe
O sol responde
O tempo esconde
O vento espalha
E as migalhas caem todas sobre
Copacabana me engana
Esconde o superamendoim
O espinafre, o biotônico
O comando do avião supersônico
Do parque eletrônico
Do poder atômico
Do avanço econômico
A moeda número um do Tio Patinhas não é minha
Um batalhão de cowboys
Barra a entrada da legião dos super-heróis
E eu superbacana
Vou sonhando até explodir colorido
No sol, nos cinco sentidos
Nada no bolso ou nas mãos
Um instante, maestro
Super-homem, supervinc
Superflit, superhist
Superviva, supershell
Superquentão

domingo, 14 de agosto de 2016

MEU PAI, meu herói!

Manoel Valentim Moreira: 1933 - 2011

MEU pai morava na roça produzindo farinha de mandioca, que é um produto muito apreciado na região Norte brasileira. Ele tinha, portanto, a profissão mais importante do mundo. Com o ofício criou seus cinco filhos: três militares - um da Força Aérea Brasileira, outro da Marinha do Brasil e uma terceira, da Polícia Militar do Pará - e mais dois servidores públicos - um do Judiciário e outro do Executivo.

Seus três primeiros filhos nasceram na década de 1960; e os dois caçulas, na década seguinte. 

Com muito sacrifício, eu, os manos e mamãe ficávamos na cidade. Somente assim, podíamos estudar. O velho Duca, porém, se obrigava a permanecer no sítio a fim de prover os meios de sustento à família. Nas férias escolares, eu e o mano Walter íamos para a roça e assim podíamos ajudá-lo na dura lida de campo. Acordávamos com os primeiros raios de sol, somente descansando à boca da noite.

Fazíamos o que estava ao alcance de dois garotos na faixa dos oito aos doze anos. Cortávamos a maniva (a planta da mandioca), tangíamos a égua com a carga, descascávamos a mandioca, peneirávamos a massa. Participávamos enfim de quase todas as etapas da produção, dentro obviamente das nossas limitações.