terça-feira, 6 de abril de 2010

OS PROFISSIONAIS de saúde nas Forças Armadas

UMA DAS grandes injustiças desta sociedade é, na singela opinião deste escriba de plantão, a pequena valorização que se faz a dois profissionais de altíssima relevância na vida de todos nós, em todas as etapas de nossa vida: o professor e o profissional de saúde.
Quanto ao primeiro, a ação deste profissional dispensa qualquer comentário meritório adicional, pois sem ele eu mesmo não estaria aqui em frente a esta tela digitando estas palavras, e você – que está aí do outro lado – não teria as mínimas condições de ler estas palavras e compreender seus conceitos. E nem um médico seria médico; um engenheiro, engenheiro. Meras palavras elogiosas e tudo o mais seria como chover no molhado, portanto. E somente pela inversão de valores - da qual padece a sociedade atual - este profissional não está nos patamares superiores da sociedade em termos de valorização salarial, equivalente à sua real importância. Digo mais: de todos eles, os alfabetizadores – nossas heroínas e heróis de primeiras séries – deveriam estar no topo. Ou será que alguém põe em dúvida a importância deles para todos nós, ainda nos nossos anos iniciais de letras e números?
Com relação ao segundo profissional, nossos homens e mulheres da área de saúde, tenho a falar um pouco mais. Devido a minha atividade na Aeronáutica, tive a honra de conviver com eles sob uma tríplice ótica: cliente, colega e chefe.
Nas Forças Armadas, o médico, o dentista, o farmacêutico, o enfermeiro ou auxiliar não guarda em seu armário somente o branco do cotidiano hospitalar. Muitas vezes ele tem de, ao mesmo tempo, ser médico e detentor de material carga, dentista e oficial-de-dia, farmacêutico e encarregado de sindicância, enfermeiro e motorista. É o profissional de saúde, e suas múltiplas atividades, uma versatilidade cada vez mais exigida não só nas Forças Armadas, como no próprio mundo moderno.
Como cliente, pude testemunhar a dedicação dessas mulheres e homens de branco a nós – enquanto pacientes – e às nossas famílias, buscando sempre nossa saúde e bem-estar.
Há toda uma infraestrutura de saúde colocada à disposição com vistas ao cumprimento da missão: manter-nos saudáveis física e psicologicamente, bem assim a família, sem a qual certamente não cumpriríamos a missão. De nada adiantaria dotarmos hospitais, clínicas e laboratórios de equipamentos de última geração tecnológica, sem a necessária formação, o preparo e – fundamentalmente - o comprometimento dessas pessoas. Tudo tive a honra de testemunhar com estes olhos que a terra haverá de consumir um dia.
Como colega, vi em cada um deles as desenvolturas e as suas dificuldades, principalmente nas suas atividades de rotina que não se relacionassem à sua formação técnica, às quais naturalmente não estavam habituados. E estávamos lá para somar a nossa experiência, mostrando ou sugerindo como se fazer esta ou aquela função. Vivíamos, pois, como irmãos.
Igual honra coube-nos nas raras oportunidades em que tínhamos como missão instruí-los, dar-lhes o mínimo de preparo para as funções da caserna, quer nas instruções teóricas como nas práticas. Orientá-los significava ajudá-los a servir-nos. O maior prêmio era ver nos seus olhos a gratidão. Eu, particularmente, via ali uma outra virtude: a humildade.
Engana-se quem pensa no médico ou dentista apenas consultando o exercendo a nobilíssima atividade para a qual se preparou nos bancos escolares. Engana-se igualmente quem vê esses profissionais de branco apenas nas organizações de saúde, um sacerdócio inato. Vi homens e mulheres que se Engajam com freqüência em missões humanitárias, tão comuns na Aeronáutica, Força a qual me orgulho de pertencer. Que o diga a população mais humilde lá dos confins amazônicos, para a qual o único elo de integração ao Brasil foi tão-somente o avião, de tantas epopéias dos nossos bravos heróis anônimos, aí incluídos jovens médicos, dentistas e enfermeiros, tanto nas missões de misericórdia quanto nas sistemáticas Operação Aciso (Ação Cívico-Social).
QUAL a recompensa? Um salário mais gordo ao final do mês? Não. Apenas a noção do dever cumprido, um sorriso de uma criança, coisas que não têm preço.
A história enaltece seus heróis e respeita os homens comuns, anônimos do dia-a-dia. Você, profissional de saúde, é respeitado.

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