segunda-feira, 5 de abril de 2010

REMO vs. PAYSANDU, recorde de edições


DILETOS amigos e leitores. O que me motiva esta postagem é o recorde de edições do Clássico Remo e Paysandu. Digo “recorde” porque acredito ser o mais disputado no mundo, salvo prova em contrário, embora o Guiness (livro que registra os recordes mundiais) ainda não o tenha registrado. Esse clássico me enche de orgulho como paraense, onde quer que eu esteja.

Muito se tem propagado pela mídia esportiva paraense acerca da quantidade de edições do clássico Clube do Remo vs Paysandu Sport Club. 704 é o número a que se chegou no último 21 mar.



Passei então a acompanhar todas as edições do clássico desde 1990, registrando-as a cada peleja em planilha de computador própria. Antes, de 1914 até então, tomei como base uma publicação de J. Lynch, sob o título “570 jogos de Remo e Paysandu”, salvo falha de memória. Em 2003, o jornalista Ferreira da Costa, atual presidente da Aclep, estudioso do assunto, fez publicar um livro em que dá riqueza de detalhes como escalações, locais dos jogos, árbitros, público etc, artilheiros, enfim, um trabalho bastante criterioso, em comparação ao anterior, ainda que feitas algumas ressalvas. Certamente muitas horas de lazer sacrificadas em exaustivas pesquisas, em prejuízo das horas de lazer e do convívio de seus familiares e amigos.

De posse do livro, passei a comparar seus dados com as minhas anotações anteriores, chegando às minhas próprias conclusões, e, onde havia divergência ou dúvida, acabei por dar crédito, até por uma questão de justiça, ao trabalho exaustivo de Ferreira da Costa.

Como sabem, meus amigos, todo trabalho humano carece da perfeição, esta somente a cargo do bom Deus. O homem vive sob a égide de toda sorte de variáveis, desde a mera distração momentânea até mesmo o apego excessivo às paixões mundanas. Portanto, natural haver alguma omissão ali ou um exagero acolá, porém, nada disso desmerece o trabalho em questão.

Mas vamos ao cerne da questão, objetivo maior destas linhas, que é o número exato de Re-Pa. V. Sa. sabe, como todos sabemos, que uma partida de futebol para existir deve, além de uma bola, haver duas equipes de futebol, além do trio de arbitragem (partida de futebol association nos moldes da Fifa, naturalmente). A mídia diz que houve 704 Re-Pa disputados até hoje, e eu digo que houve ‘somente’ 694 até agora. Tudo com base nas anotações anteriores e também no livro de F. da Costa.

Explico. Com base no próprio livro de F. da Costa, em que estão registrados 13 WO, digo que desses somente em 6 (seis) houve bola rolando, duas equipes competindo. No decurso do jogo, houve algum desentendimento (incontornável) e uma das equipes saiu de campo, restando a equipe remanescente vencedora por WO.

Caso o leitor amigo disponha do livro de 2003 do autor aludido, a fim de confirmar os números ora informados, vou relacionar agora as 6 partidas que ocorreram e por isso as considero na contagem. Não foram concluídas, porém chegaram a ter início (as duas equipes efetivamente chegaram a se confrontar no campo de jogo). Eis a relação:

1) 20 abr. 1919 – Paysandu WO. HOUVE JOGO. "Quando o placar estava em 1 x 1, o Clube do Remo desistiu, ... (pág. 12);

2) 05 maio 1930 - Remo WO. HOUVE JOGO. " ... O Paysandu se retirou de campo. ..." (pág. 24);

3) 13 mar. 1939 - Remo WO. HOUVE JOGO. "... O Paysandu abandonou o gramado. ..." (pág. 31);

4) 31 ago. 1952 - Remo WO. HOUVE JOGO. "O Paysandu ..., retirou o time de campo, aos 13 minutos da etapa complementar. ..." (pág. 62);

5) 06 nov. 1955 - Remo WO. HOUVE JOGO. "... Os jogadores do Paysandu não aceitaram a decisão do árbitro e impediram a cobrança. ..." (pág. 69); e

6) 23 jul. 1970 - Paysandu WO. HOUVE JOGO. "... Alcyr Braga, presidente do Remo, ... Ao chegar ao estádio, no intervalo da partida, deu ordens para que o time azulino não voltasse mais ao campo de jogo, para cumprir o segundo tempo. ...". (pág. 107).

Cinco jogos não existiram de fato, por razão de uma das equipes não ter aparecido para o jogo (Não houve jogos entre REMO e PAYSANDU, consequentemente). Para efeito de justiça, entretanto, foi arbitrado vitória de WO para a equipe presente, em desfavor da equipe ausente. Eis a relação:

1) 05 out. 1919 - Remo WO. NÃO HOUVE JOGO. "O Paysandu desistiu de ir a campo. ..." (pág. 13);

2) 28 nov. 1920 - Paysandu WO. NÃO HOUVE JOGO. "O Clube do Remo não compareceu para jogar. ..." (pág. 14);

3) 31 ago. 1924 - Remo WO. NÃO HOUVE JOGO. "Atletas do Paysandu se rebelaram e decidiram não ir a campo ..." (pág. 17);

4) 05 ago. 1976 - Paysandu WO. NÃO HOUVE JOGO. "...O Clube do Remo ... decidiu que sua equipe não compareceria para enfrentar o Paysandu. ..." (pág. 124); e

5) 03 nov. 1988 - Remo WO. NÃO HOUVE JOGO. "... O Clube do Remo ingressou no gramado e esperou pelo Paysandu. ..." (pág. 149).


Para 2 (dois) jogos - 01 maio 1926 e 13 maio 1930, páginas 19 e 24 - o livro não dá detalhes, e isso é, na minha opinião, estranho que os jornais da época não tenham se manifestado acerca de circunstâncias tão peculiares, ainda mais sendo jogos polêmicos, que não tiveram um desfecho normal (os amigos leitores haverão de convir). Por essa razão, não se tem convicção da existência desses 2 jogos, sendo que outros 5 de fato jamais existiram, como o jornalista mesmo diz em seu livro.


Por conclusão, não podemos considerar na relação dos jogos entre Remo e Paysandu 7 (sete) dos treze jogos WO.

Houve até agora, portanto, ‘apenas’ 688 jogos, somados a 6 (seis) considerados WO pela entidade mediadora responsável, jogos estes que por razões circunstanciais acabaram por não ser concluídos. Por isso, chego à conclusão de que, de 10 jun. 1914 até 21 mar. 2010, foram jogadas um total de 694 (seiscentos e noventa e quatro) contendas entre Remo e Paysandu, salvo melhor entendimento.

Sei que a mídia esportiva paraense e, pode ser que também o próprio Ferreira da Costa, pode estar considerando, engordando assim artificialmente os números, pelejas festivas, jogos de 30 ou 40 minutos, outros em que um ou mais atletas trocaram de camisa no segundo tempo, passando a defender o adversário, ou coisas assim, bem conflitantes com as regras da International Board.

Sendo assim, correríamos o risco de registrar até as peladas de final-de-semana e jogos de torneio início, um absurdo que pode depor contra as pretensões do jornalista em fazer constar o clássico – de cuja existência e longevidade nós nos orgulhamos – no livro dos Recordes (que deve ter seus escrúpulos). O clássico detém o recorde de edições na categoria, não tenho dúvidas, e o número de 694 já é por si só expressivo.



Vejam, diletos amigos, que não estou descobrindo a pólvora; ela já estava lá, no excelente trabalho de Ferreira da Costa, a quem não tenho a pretensão de atribuir deméritos. Somente não a enxergávamos.


Um fraterno abraço. Fiquem com o bom Deus e L.s.N.S.J.C.!!! 

3 comentários:

  1. parabéns pela pesquisa
    e quanto ao número de vitórias?
    acho que meu bicola tá na frente, né

    um abraço

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  2. Caro Amigo.
    Sou pesquisador do futebol e moro em São Paulo.
    Estou tentando adquirir os livros: História do Paysandu Sport Club 1914-1995, por Ferreira da Costa e Enciclopédia do Futebol Paraense, também do Jornalista Ferreira da Costa.

    Aí em Belém consigo contato com alguém para comprar estes livros?
    Tentei em todos os sites na Net e não consegui.
    Já enviei vários e-mails para várias pessoas aí de Belém e até agora não obtive sucesso.
    Tenho um amigo que jogou de 1980 a 1983 no Paysandu (Goleiro Sérgio Gomes) e gostaria de adquirir estes livros para presenteá-lo.
    Hoje o Sérgio mora em Campinas/SP e é treinador de goleiros da Ponte Preta.
    Somos amigos de Infância e sua carreira tanto está no nosso site do bairro (www.boleirosdaaguarasa.com ) como, também, no site do Milton Neves desde 2005 - Que Fim Levou.
    Agradeceria a ajuda dos amigos.
    Muito obrigado.
    Waldevir Bernardo - Vie da Água Rasa.
    Tel. (11) 2919-1364 -
    E-mail: waldevir@gmail.com ou boleirosdaaguarasa@yahoo.com.br

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  3. Oh amigo Waldevir, eu realmente não tenho contato com Ferreira da Costa, que era presidente da ACLEP até o último mês de fevereiro.
    NO ENTANTO, deixei um comentário no blog do Gerson Nogueira, que é bastante visível, e creio que alguém saberá dizer, enviando e-mail a você com as informações sobre os livros pretendidos.
    Obrigado por visitar nosso humilde blog. Também costumo escrever para o BLOG DO DJ LEÃO (http://blogdodjleao.blogspot.com) e faço, quase que diariamente, comentários no blog do Gerson (http://blogdogersonnogueira.wordpress.com)
    Obrigado e fique com Deus, esperando que consiga adquirir os livros.

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