segunda-feira, 12 de abril de 2010

A QUESTÃO dos Transportes Públicos em Belém, Pará







O TEXTO postado a seguir foi enviado por este escriba para o jornal paraense “O Liberal”, veículo de grande circulação no Estado, a exemplo do “Diário do Pará”. Na época, ainda não haviam escolhido as cidades-sedes do Campeonato Mundial de Futebol de 2014, e o povo paraense mantinha esperanças de que Belém poderia ser uma das doze; não foi a escolhida – a felizarda foi Manaus, mais inserida geograficamente no contexto amazônico; e naturalmente não se pode somente culpar o trânsito louco reinante em Belém e região pela desclassificação da cidade – outras questões certamente concorreram para tal. Porém a sugestão publicada – pequena contribuição de um cidadão –  representa assim, digamos, um passo, dado no sentido de ver melhorada a vida do povo de lá, com um tráfego de veículos mais humano; feito para benefício do ser humano lá vivente.
                TODOS sairiam ganhando ao final. Sei que outras obras viárias e providências várias – que não somente obras físicas – estão sendo implementadas, porém ainda insuficientes, tímidas, distantes da solução do problema, que é mais grave ainda para as camadas mais humildes da população, gente sofrida. Porém todos estão no mesmo barco, como falo na carta, e donos de automóveis um dia não vão nem poder tirar o carro da garagem, de tanto carro novo que a cada dia vai se comprando e das mesmas ruas e avenidas do tempo dos nossos avós. Como digo, há mais de cem anos a única via de saída da grande Belém é a mesma: a avenida Almirante Barroso, antiga Tito Franco.
                NENHUMA cidade, evidentemente, precisa melhorar sua estrutura urbana somente para um determinado evento. Pelo menos, não deveria ser assim; porém, um evento dessa magnitude forçosamente motivaria a execução de tantas outras obras de vulto que, ao final de tudo, ficariam, e o beneficiado maior seria o povo. Certamente a questão do trânsito seria um dos problemas a ser atacado.
                TODOS os grandes estudiosos no assunto são unânimes em afirmar que, para solucionar o problema da circulação de pessoas nas grandes cidades brasileiras, só há um caminho: melhorar o transporte coletivo. Portanto, não sou que quero, é uma necessidade, e a cidade em que nasci ainda está muito distante da solução para o problema. Não adianta apenas dar uma melhorada nas vias atuais, ajeitando uma ou outra avenida; a solução tem de ser firme, e não resolve somente a Prefeitura agir, até porque várias cidades da Região de Belém são interligadas, com boa parte de sua gente trabalhando em Belém e morando em Ananindeua, Marituba, Benevides, ou o oposto, gente que mora em Belém mas tem de se deslocar para esses municípios.
                O TEXTO, como disse, refere-se à minha morena Belém, capital importante no cenário amazônico, juntamente a Manaus, porém se aplica a qualquer outra cidade, ainda que de menores dimensões geográfica e populacional, porquanto a problemática urbana da circulação de veículos e de pessoas é um fato universal – raríssimas exceções à parte – no contexto da maioria das cidades de porte do nosso querido Brasil.
                SEGUE o texto, com algumas correções ortográficas e de estilo, publicado em O Liberal, edição de 31 de maio de 2008.

“Sugestões para o transporte público

                NADA de metrô, uma ideia cara e demorada. Eliminar (ou, pelo menos, reduzir ao máximo possível) o caos reinante no trânsito da Região Metropolitana de Belém – RMB não me parece assim tão impossível. Passa necessariamente pela melhoria dos transportes coletivos. Mais eficientes os transportes coletivos, menos carros nas ruas.
                O interesse público deve estar acima de tudo. Portanto, sem vaidades, desde que se reúnam vontade política de governos do Estado e dos municípios da RMB, somadas à boa-vontade de empresários e de empregados (de transportes coletivos), dos poderes Legislativos Estadual e municipais, e contando ainda com repasses financeiros da União Federal (Ministério das Cidades), tudo reunido com vistas às melhorias esperadas, facilitando a vida de todos, transeuntes, ciclistas, enfim, todos, motorizados ou não.
                É triste ver o usuário fazer sinal para o ônibus, que para 50 metros depois (quando pára!), obrigando-o a correr, ou a desistir, e esperar o próximo. E, se estiver com uma criança, a cena é ainda mais deprimente (sem contar o caso do idoso ou do deficiente físico). Parece-me óbvio que um dos problemas é que carros e ônibus trafegam no mesmo espaço físico. É ônibus disputando o mesmo espaço com outros ônibus, pois usam de itinerários diferentes. Elementar, meu caro Watson! Nada de cavar buraco nem desapropriações milionárias. Que tal aproveitar duas vias largas que já existem há mais de cem anos: a Almirante Barroso e a Rodovia BR 316, transformando as duas faixas centrais em um corredor exclusivo de ônibus, uma em cada sentido.
                Depois é ativar dois ou três terminais de integração (em Manaus, quando morei lá, há vinte anos, já existiam dois), sendo um em São Brás (pode ser na rua que passa atrás do Chapéu do Barata, atrás do antigo IAPI), outro no Entroncamento (se não exatamente lá por causa do complexo, perto do Castanheira Shopping) e um último em Marituba, tudo conforme estudos técnicos necessários.








            Com corredor exclusivo de ônibus e três terminais de integração, haveria de se criar a 'linha integradora' (ou outro nome que possa se dar) e esta poderia ser administrada pelo sindicato das empresas de transporte, as maiores interessadas no lucro do negócio. Cada empresa cederia um ou dois ônibus - conforme a demanda estimada – que, saindo de um dos terminais (São Brás e Marituba) a cada dois minutos, ou até mesmo um minuto, na hora do rush, solucionariam ao mesmo tempo o problema da superlotação, da demora e – principalmente – do desrespeito ao usuário, parando em locais fixos. Completando o sistema, teríamos as  'linhas alimentadoras', que sairiam de seus bairros – pontos iniciais –  com destino final a um dos três terminais, e destes retornariam ao bairro em itinerário inverso, naturalmente.


(continua amanhã, querendo Deus ...).



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