quarta-feira, 5 de maio de 2010

O CLÁSSICO rei da Amazônia

POR FORÇA de nossas atividades funcionais na Força Aérea, moramos por mais de 30 anos em uns seis ou sete estados brasileiros. Escrevemos, portanto, embasado nessa experiência pessoal, aliada ao interesse por futebol, com ênfase ao do Pará, nossa terra querida.
O paraense se orgulha das coisas próprias do seu estado: a culinária regional, o Círio de Nazaré, o cupuaçu, o açaí, as férias no mês de julho e até a chuva à tarde. Mas, como o futebol corre nas nossas veias, uma peculiaridade se sobressai entre tantas outras: a paixão por Remo e Paysandu, onde quer que esteja o paraense.
Quando morávamos em Brasília, nos deliciávamos ao ver lá na feira da Torre de TV a barraca do Pará, que se destacava ao longe, por exibir três bandeiras: do Pará, do Remo e do Paysandu. Era a única diferente, a ostentar tal particularidade.
Desfilando pelas superquadras com a camisa do Remo, muitas vezes éramos interpelado por outros paraenses (torcedores do Remo e também do Paysandu), naturalmente saudosos da terrinha, e isso para nós era razão de envaidecimento, ficávamos faceiro, como dizem os paranaenses. Perto da quadra havia uma mercearia, cujo proprietário era paraense, que também exibia as bandeiras de Remo e Paysandu, no meio a de Oriximiná, sua cidade natal do dono.
O paraense ama suas tradições e, quanto ao esporte bretão, contamos nos dedos comportamento igual de gente de outros estados do Brasil: Ceará, Pernambuco, Bahia, Paraná, Santa Catarina e, claro, o primeiro mundo futebolístico (SP, RJ, MG e RS). Nas demais unidades federativas não vemos esse amor do paraense, tratando-se de futebol; deslocam sua preferência a equipes consagradas no cenário esportivo nacional, como os quatro do Rio de Janeiro e os quatro de São Paulo, salvo poucas exceções.
A razão é simples. Nesses estados não há clássicos locais da qualidade e da tradição de um Remo e Paysandu (jogado desde 1914), Ceará e Fortaleza, Bahia e Vitória, Atlético e Coritiba, Ponte Preta e Guarani, e assim por diante, daí a grande parte do público interessado em futebol migrar para outras camisas consagradas nacionalmente como Flamengo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Vasco, São Paulo e, no sul do país, Grêmio e Internacional. Espaço pequeno sobra, portanto, para prestigiar o clube local (da cidade ou do estado). Isso é um fato.
Alguém, nascido, criado e morando em Brasília, por exemplo, pode até a vir a torcer por um clube do Distrito Federal quando este passar a ter, eventualmente, algum destaque a nível brasileiro, como o fenômeno recente do Brasiliense – cuja febre já está passando, a nosso ver. Um amazonense, a no âmbito da sua cidade, até vem a torcer pelo São Raimundo, time que no Amazonas desbancou a dupla Nacional e o Rio Negro. Uma das causas da falência de clubes de futebol outrora tradicionais como Nacional (AM), Rio Negro (AM), Operário (MS), Desportiva (ES), e aí pelo interior do Brasil adentro, e também pelo Nordeste, foi exatamente a indiferença do público esportivo local, que, sem ver motivação nas equipes locais, migrou sua paixão para equipes do Rio e de São Paulo.
É um fato, fenômeno digno de estudos, que o brasileiro das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e, talvez o interior de Minas, tem simpatia por mais de um clube de futebol. Tem gente que tem um time em cada estado, sem exagero. Seu coração tende à equipe local – da cidade ou do estado – conforme justifique campanha do time, ou seja, sazonalmente, conforme a safra. No restante do tempo seu coração é preenchido pelo Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Vasco etc.
Diferente é o gaúcho, povo cioso de suas tradições.  Gosta mesmo é do Grêmio ou do Inter, exemplo que deveria ser seguido pela maioria do torcedor brasileiro, independente de seu time ganhar ou perder.
Voltemos à terrinha amada. A nossa opinião é que não tem nada de o torcedor paraense (paraense, nós dissemos, e não um paulista ou carioca que esteja morando em Belém) estar 'se rasgando' pelo Palmeiras, Santos, Vasco ou Botafogo. O contrário não acontece, pois quando Remo ou Paysandu vão a outras praças recebem tratamento de apenas mais um adversário. Não são superestrelas, diferentemente do que ocorre a atletas de equipes do centro econômico do país.
Em razão da extrema rivalidade reinante no futebol paraense, é comum notarmos doses elevadas de exageros (com o perdão da redundância), coisa que nada soma ao nosso futebol. E, conforme a sua predileção clubística, existem profissionais de rádio – principalmente este veículo – que puxam mais para um em desfavor do outro, levando o ouvinte menos esclarecido a visualizar um quadro irreal. Como exemplo desse particular, uma equipe hoje pode ser excessivamente valorizada, conforme seus últimos resultados em campo, porém, bastando um resultado desfavorável – sendo esse resultado no clássico rei –  para o quadro ser revertido, uma incoerência a ser corrigida. A opinião deve ser pautada pela coerência, já que um clube de futebol não é o melhor do mundo por ter vencido um ou dois jogos, nem o pior time quando perde; nem tanto ao mar nem tanto à terra. O cronista da década de 1960 já não convence tanto assim.
Um assunto polêmico. Voltemos à questão dos números, conforme já postamos neste meio eletrônico no último 5 de abril. Assunto quixotesco esse. Esse é o maior embate do mundo – não há dúvida – envolvendo dois clubes de futebol da mesma cidade, tradicionalíssimos rivais, que, segundo a mídia esportiva do Pará, vai chegar à edição de 706 jogos. Cremos haver um lapso nessa contagem, uma pequena diferença de dez partidas. Pela nossa pesquisa pessoal vamos chegar ‘apenas’ à edição de número 696, já que na contagem ‘oficial’ estão levando em conta jogos que efetivamente não ocorreram, os tais WO em que uma das equipes sequer compareceu a campo. Há outros jogos festivos, contrários às regras da International Board, órgão da Fifa, que também estão levando em conta. Nossos números estão embasados nos exaustivos trabalhos de pesquisadores como Júlio Lynch, já falecido, e Ferreira da Costa, presidente da Aclep.
Que no próximo Remo vs. Paysandu vença o melhor. Fiquem com o bom Deus.

DURMA-SE com um barulho desses!

'O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.'  Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians, ao recusar a oferta dos franceses.



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Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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