quinta-feira, 29 de abril de 2010

ESSAS pesquisas, hein!

EXISTEM neste Brasil assuntos realmente polêmicos. Um deles é futebol. Recentemente os jornais divulgaram uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, que mostra a torcida do Flamengo com 17% dos brasileiros contra 14% de corinthianos. Como a margem de erro é de 2%, teoricamente os dois clubes estão empatados tecnicamente em popularidade No entanto, também pode ser 19% para o Flamengo contra 12% para o Corinthians. O que dá pra rir dá pra chorar, diz o saber popular. Os milhões de adeptos do Sport Club Corinthians Paulista festejam os números recentes do Datafolha, o que é uma questão de justiça.
Pois bem, vamos ao xis da questão. Causa estranheza, observando atentamente os números relativos aos aficionados da Portuguesa de Desportos, que se apresentam maiores que os de outros clubes reconhecidamente bem mais populares como Coritiba, Atlético Paranaense, Bahia, Fortaleza e Ceará. Ora, pelo sucesso recente dos times paranaenses, queremos crer que esses números não estejam dentro da realidade; o mesmo dizemos quanto a alguns times muito populares de outros centros do país, como Goiás, Vitória, Sport Recife, Paysandu e Remo.
Tenho agora a notícia de que o Datafolha reconheceu o erro nos números da Portuguesa e já pediu desculpas ao Clube. Esse deslize por si só já depõe contra o trabalho divulgado pelo instituto de pesquisa. Outra estranheza é a diferença apresentada entre o número de simpatizantes do Cruzeiro em relação ao Atlético Mineiro, seu rival histórico em Minas. 4,4 contra 2,5% (?!).  Será que a torcida do Atlético, outrora o mais popular das Minas Gerais envelheceu tanto assim?
Desconfiados desses números, fomos atrás de outras pesquisas. Achamos uma outra, promovida pelo Instituto Gallup (http://gallupnobrasil.blogspot.com), há apenas dois anos, por encomenda da Editora Ática, bem mais representativa, e, na nossa opinião, consequentemente mais digna de crédito. Primeiro que não cometeu uma lambança dessas, divulgando números enganosos para depois vir a público pedir desculpas (o leite já está derramado). Outros dados  nos inclinam ao trabalho do Gallup, mais minucioso: Ouviu 34.687 pessoas, contra 2.600 do Datafolha; pesquisou em 1.940 municípios contra somente 144 do Datafolha; a pesquisa começou em janeiro e foi concluída em maio de 2008, enquanto a do Datafolha consumiu somente dois dias; na pesquisa do Gallup foram citados 419 clubes de todo o Brasil, incluindo interior; na do Datafolha, não sabemos.
A quem interessa esta última pesquisa? Acreditamos nós que ao Corinthians, até porque neste ano completa um século de existência, e tem no seu elenco jogadores do nível de Ronaldo e Roberto Carlos, investimentos de vulto. De fato, tudo indica que realmente ocorreu um crescimento da torcida corinthiana nos últimos anos, aproximando-se à flamenguista. São duas grandes equipes do desporto brasileiro, marcas poderosas e extremamente populares. Como tudo, o futebol não poderia ser diferente: do centro (econômico) para a periferia (demais unidades da federação brasileira); é assim que a banda toca. Quanto a isso, nenhuma objeção. O que discordamos, todavia, é quanto ao número de adeptos, simpatizantes ou torcedores das centenas de outros clubes espalhados pelo Brasil adentro, cujos números apresentados pelo instituto  nos parecem estranhos. Aí está o xis do problema.
Sabemos, pela experiência, que o brasileiro, em boa parcela, simpatiza por mais de um clube, principalmente sendo habitante das regiões situadas fora do eixo Rio – São Paulo. Quem mora no interior do Ceará, por exemplo, torce por um time do seu Estado ou da sua cidade, outro do Rio e outro de São Paulo. Isso é um comportamento bastante comum no torcedor brasileiro. Nesse sentido o trabalho do Gallup, por ter sido mais abrangente merece de nós o crédito. Vejamos:
A pesquisa traz uma grande diferença em relação às outras, pois considera o verdadeiro torcedor e não apenas o que simpatiza com o clube. Torcedores que se declaram simpatizantes de mais de um clube definiram também qual ordem de preferência entre eles, sendo considerada a primeira como dado fundamental da amostra. (blog do Gallup).

Fiquem com Deus. Agora vou lavar a louça do almoço.

E DURMA-SE com um barulho desses!

'A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto.' (Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo) 




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Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O BARCO e o transatlântico

SEM MEDO de ficar discutindo o sexo do anjos, trato neste nosso blogue da invasão abusiva de palavras estrangeiras ao labutar diário do falante da língua portuguesa, habitante humilde aqui deste Brasil nosso. Para tal me utilizo de uma matéria divulgada pela excelente revista Língua Portuguesa (foto ao lado)publicação bacana, supimpa mesmo, que nos foi presenteada pelo professor Xisto Praxedes, um estudioso desta última e maltratada flor do Lácio. 
O título é “A fatia estrangeira do idioma”, que apresenta logo a seguir, em destaque, um comentário curto, como uma espécie de subtítulo, “Câmara dá fôlego a projeto avesso a estrangeirismos”. O assunto serve de ilustração a um ensaio de um professor do Departamento de Lingüística da USP, sumidade no assunto, tendo como base um discurso feito por um senador da República em 1998, ocasião em que este protestava contra o excesso de expressões inglesas no idioma. Fala a matéria que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, na época (dezembro de 2007), aprovou projeto de parlamentar proibindo o uso de estrangeirismos no país. O projeto, já aprovado pelo Senado, deveria ir ao plenário da Câmara. Confesso que sobre esse projeto em si não nos interessamos por acompanhá-lo, visto que, provavelmente, não deve ter dado em nada, sob talvez o argumento de que ‘há coisas mais importantes para se votar’. Visualizo nessa batalha inglória algo de quixotesco, coisa assemelhada à visão de um barquinho ao lado de um transatlântico.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

BOTAFOGO, o glorioso!

“HÁ COISAS que só acontecem ao Botafogo” –  essa expressão pessimista era muito propagada antigamente. Lembro-me até de uma música que dizia assim: “Se o Botafogo daqui é assim, imagine na Jamaica”. De fato, tudo dava errado para o time da estrela solitária, tendo amargado um jejum de 21 anos. Ainda bem que esse período funesto ficou para trás. Não sou torcedor do Botafogo, porém há times no Brasil que a gente acaba por adotar, e aquele Botafogo, o Glorioso, de Garrincha (caricatura) e Nilton Santos (estátua), ficará eternamente em nossos corações.
Adiante reproduzo um texto de autoria do internauta RAIMUNDO SODRÉ, um acriano de Xapuri, radicado na morena Belém, Pará.   
"O glorioso
Guardo até hoje, integro, o sentimento do primeiro encontro. Foi no minúsculo estádio de General Severiano, na tarde do dia 10 de setembro de 1944. Tinha eu acabado de chegar de Xapuri (...) O Botafogo é bem mais que um clube - é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus”.
O trecho acima foi extraído da crônica “O Botafogo e eu”, do jornalista Armando Nogueira. Meu conterrâneo era um apaixonado pelo clube, “e com tal zelo” que no final da crônica afirma: “O Botafogo sou eu mesmo, sim senhor”. No último domingo, os torcedores botafoguenses, mesmo aqueles dispersos no mais improvável rincão do Xapuri, avalizaram o sentimento do cronista. No gramado do Maracanã, estávamos todos, junto ao guarda-meta Jefferson, ali, abrigados no peito do goleiro, sob a égide da Estrela Solitária. E saltamos destemidos para, com um tapinha instintivo, provedor, dispersarmos o fogo inimigo para longe da nossa área. ‘O Botafogo somos nós, sim’ e saltamos junto com o Jefferson para honrar as tradições do glorioso.
O Botafogo tem esta capacidade de suscitar insuperáveis paixões. De reger fidelidades, instituir amores. Ratificar loucas e imponderáveis opiniões.
Mas, “há sempre um pouco de razão na loucura”. Os meus porquês para este apego sem regras ao Botafogo, não são tão celestiais (ou são?) assim, como os do ilustre jornalista acreano. Estão ali do lado direito do campo. E nem vou contar com o Garrincha. Quando cheguei aqui, (vindo, assim como o Armando Nogueira, das terras encantadas do Xapuri), e tomei termo nesta Belém amada, o Garrincha já havia deixado o Botafogo (jogou no Botafogo de 1953 a 1965). O grande astro do alvinegro carioca, por aqueles dias, era o Jairzinho, que com muito vigor e estilo reiterava a missão sagrada de jogar na ponta-direita do Botafogo. Naquele tempo as jogadas de fundo, o talento exibido em espaços exíguos do campo, os guizas e os dribles curtos e devastadores ainda eram valorizados (depois veio o overlap, o ponto futuro, a tal da tática positivista, o obediente ‘Búfalo Gil’... e o ponta reduziu-se acanhado e sem sal, até sumir). Tanto que a crônica esportiva reconheceu que para atuar ali o jogador tinha que ter a essência, tinha que ter o dom. Tinha que ser um ‘ponta nato’. Tinha que nascer com a chama, com o brilho. E tinha que provocar espanto, deslumbre, êxtase e encantamento. O Botafogo, naqueles tempos, produziu uma sequência memorável de jogadores. Era de impressionar (e quem viu o jairzinho jogar na copa de 70, vai me dar razão. O cara arrebentou. Foi o nome, dentre os nomes daquela seleção. Parecia que estava possuído por uma força estranha. Fez gol em todos os jogos daquela grande conquista. Um fenômeno!).
Impressionei-me e virei um botafoguense ali, ó, no jeito.
Logo depois do Jairzinho, o Botafogo lançou o Zequinha. Era o tipo do ponta serelepe. Sassariqueiro. Era um espetáculo. Dava gosto de ver o zequinha jogar. No templo sagrado do futebol, Zequinha jogava como se estivesse com a minha pariceirada, no sábado de manhã, lá no campo do Asas do Brasil. À vontade, muito à vontade para ir até a linha de fundo, cruzar e nos fazer felizes.
As minhas razões para morrer de paixão pelo Botafogo são meio que uma gratidão pelos momentos em que o clube nos presenteou com a arte pura do futebol. (E também, remetem aos surpreendentes Fischer e Ferreti, nossos ‘El loco Abreu’ de antes. Mas isso é outra história).”
Uma colaboração de Raimundo Sodré, via correio eletrônico.



Por incrível que pareça!

'No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias.'

(Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)




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Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

MEUS CLÁSSICOS favoritos: F... COMME Femme, avec Salvatore Adamo

O LEÃO e a Hiena


 UMA DAS diversões da minha infância era assistir pela televisão aquelas séries de desenhos animados, inesquecíveis para um quase cinquentão como eu. Um de meus preferidos era um leão e uma hiena. Lippy era o leão, e Hardy, a hiena. Detalhe: Hardy era uma hiena que nunca ria, uma hiena pessimista. Viviam na cidade, sempre famintos. Lippy e Hardy, como é normal nos desenhos animados, desde as fábulas de Jean De La Fontaine, eram animais antropomórficos, ou seja, andavam como gente, falavam como gente, enfim agiam como gente. E, igual a maioria, viviam na cidade, para onde migraram, naturalmente expulsos pelo homem de seu habitat: a selva.
Os bichos personificavam o comportamento humano, sendo no fundo uma crítica à sociedade humana, principalmente a americana e seu ‘American Way of Life’, que copiamos por aqui no hemisfério sul. Lippy, um eterno otimista; Hardy, sempre pessimista – ou realista, conforme a ótica de cada um. Seu bordão predileto era assim: ‘oh dia, oh vida, oh azar’, ou então ‘nunca sairemos daqui com vida’, ou ainda ‘morreremos de fome’. Ao passo que Lippy sempre tentava confortá-lo, dizendo: ‘sossegue, Hardy, logo encontraremos comida’. Às vezes completava: ‘nem que tenhamos de fazer uma coisa horrível: trabalhar’.
Há no contexto outras facetas, somente visíveis a olhos adultos, mais experimentados, o que não era o nosso caso, que somente estávamos a procura de diversão ingênua, indiferentes aos problemas dos adultos. No seu íntimo, os autores, ainda que inconscientemente, queriam mostrar uma questão, que naquela época sequer era mencionada: a ecologia. Ecologia, naquela década, já distante, uma coisa impensável – não era moda –, quando o assunto maior era a guerra do Vietnã, e ainda os movimentos pacifistas ‘paz e amor’ dos hippies. Claro, a ideia reinante de progresso era derrubar árvores e construir estradas e prédios. Campos e selvas eram coisas inesgotáveis, para que se preocupar com isso?
Pela moral da série de desenho animado, com a invasão das matas pelo predador bicho-homem, os bichos tinham de buscar comida, já tão escassa, e com isso acabavam por invadir as cidades, arriscando-se, e o resultado era uma série interminável de perseguições e situações difíceis, vivenciadas pelos nossos heróis, Lippy, o leão, e Hardy, a hiena, que ao final sempre sobreviviam. E hoje ainda é comum nas estradas vermos raposas, tatus ou camaleões esmagados pelas rodas dos caminhões e automóveis.
Emblemática, e igualmente invisível aos nossos olhos infantis, era a simbologia ali embutida naqueles dois animais. De um lado, um leão, forte, imponente – ainda que, por estar como um peixe fora d’água, vivesse em condição humilhante na cidade –, significando comportamentos positivos como a força, a temperança, a altivez, a persistência, virtudes louvadas no ser humano. Em contraponto, a hiena, animal necrófago, repugnante, covarde, aproveitador que se alimenta dos restos deixados pelo leão e outros animais selvagens. Na sociedade ocorre a mesma coisa, convivendo pessoas dos mais diversos tipos de conduta, vícios e virtudes. A hiena evidenciando a fraqueza moral, incluindo aí a apatia e o pessimismo, comportamentos tão comuns no bicho-homem. Na selva de pedra, a exemplo da hiena, o homem, em significativa parcela, de certa forma também se alimenta de restos, restos que ele mesmo produz. Aproveita-se da força de trabalho alheia, explorando maquiavelicamente o seu semelhante. Alguma dúvida até aqui? O que dizer da criança pedindo esmola nos semáforos, cena degradante tão comum nas cidades grandes? O que dizer da prostituição infantil e das propagandas de bebidas, que mostram sorrisos e rostos e corpos bonitos? De certa forma, a sociedade acaba sobrevivendo dos restos.
De outro lado, a realidade comportamental dessas duas espécies apresenta-nos uma outra faceta: o comodismo. Sim, porque o leão na realidade é um bicho preguiçoso, explorador, acomodado com a fama de rei dos animais. Vive da força de trabalho da fêmea, encarregada de caçar e de lhe servir a melhor parte, para somente depois disso, servir a si mesma e aos filhotes. O comportamento de muitos humanos nesta selva de pedra também se assemelha ao do rei dos animais. O trabalho, para muitos, é apenas um castigo, como ficava patente na expressão de Lippy: ‘nem que tenhamos de fazer algo horrível: trabalhar’.
Mas, voltando às fantasias de nossa infância, era tudo diversão e, nós, na nossa meninice ingênua, porém feliz, não tínhamos olhos para enxergar esses problemas que não eram nossos, e que os adultos da época ainda não conseguiam ver. Meio ambiente agredido era uma coisa tão distante naquela época, ainda que o leão e a hiena, seres díspares, já estivessem na cidade em busca de alimento, igualmente ao homem do campo na cidade, perdido, em busca da sobrevivência. Tempos bons, que não voltam mais, como dizia o Lilico.
Agora, com licença, vou tomar um cafezinho.



Por incrível que pareça!

Vicente Mateus acompanhava o time do Corinthians, chefiando a delegação, para mais um jogo no interior pelo Campeonato Paulista. Como o ônibus quebrou, tiveram que pernoitar em um hotel da cidadezinha mais próxima até que outro ônibus fosse providenciado. O atendente então perguntou:
‘Vocês têm reservas?’
Mateus, irritado, respondeu: ‘Que reserva que nada, aqui no Corinthians todo mundo é titular!.’  



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Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

PROGANDA de Um Pintor Português

PALAVRAS são palavras, nada mais que palavras, como dizia o grande filósofo popular Valfrido Canavieira (criação de Francisco Anysio), e brincar com as palavras sempre foi um dos passatempos favoritos do meu tio Pancrácio. Ficava mais feliz que pinto no lixo quando, nas suas já raras leituras, encontrava algo interessante, diferente, fascinante, como, por exemplo, um trava-língua, um palíndromo longo ou até mesmo um simples anagrama. Uma de suas brincadeiras mais conhecidas era aquela em que reproduzia um diálogo entre um garçom (ou talvez o maitre) e um cliente fanático por palavras que começam com a letra F.


"— Bom dia, senhor ...
— Formalidades! Francisco Filipe Fernandes Ferreira Ferraz, freguês frequente.
— Seja bem-vindo ao nosso restaurante. Essa deve ser a sua família? Seu pai se chama ...
Fernando Ferdinando Fonseca Ferraz.
E sua mãe?
Felisberta Filomena Ferreira Ferraz.
— Naturalmente, a sua esposa ...
Francisca Felizarda Flor Ferraz.
Seus filhos?
— Filharada: Flaviano, Fernanda, Françoise, Fábio, Fabrício. Família feliz, fecunda.
Todos do Ceará?
Fortaleza. Francisca, Florianópolis; Françoise, fluminense.
Profissão?
Forçosamente, funcionário forense; Francisca, figurinista.
Mais alguma profissão?
Faço fretes.
Ocupado, hein! E para passar o tempo?
Fotógrafo formado, faceiro.
— Vejo pela camisa que gostam de esportes?
Futebol, flamenguista fanático.
Outro time?
— Flaviano, fortalezense fiel. Francisca, Figueirense feliz.
Tem carro?
Fusca.
Mais outro?
Ford Fiesta; Francisca, Fiat.
Que vai por hoje?
— Fundamentalmente frugal. Faro funcionando: família farejou fígado. Fatiado.
E na falta?
Faisão.
Se não tiver?
Frango frito.
— Para acompanhar?
Farofa, farinha, feijão.
Opção?
Filé fumegante; Francisca, filhote.
E como sobremesa?
Frutas frescas.
Quais?
Figos; Francisca, framboesas.
Pão?
Francês.
Todos com apetite, hein!
Fome forte.
Meia hora mais tarde ...
Que acharam da comida?
— Firme, fabulosa, formidável, fascinante. Fartos, fivelas frouxas.
Vai um cafezinho?
— Facultativo? Faça fineza. Fase final.
Um pouco depois ...
Faces franzidas? Não gostaram do cafezinho?
Falando francamente?
Sim.
Faz favor! Frio, fraco, fedorento, falso, fajuto. Fica fiado?
Assim não dá, freguês folgado. Eis a conta:
Ferroada feia! Facada feroz! Fortuna!
Que se há de fazer?!
Fé, força!
Já vão tarde!
— Fim. Felicidades!... Fui, fomos !!!"
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    FICAVA eu assim impressionado com a curiosa sucessão de efes. Certa vez, porém, encontrei algo que superava em muito o diálogo reproduzido por meu tio. Não lhe contei, naturalmente, para lhe não ferir a vaidade; o causo era, entre tantos outros, como um troféu, que orgulhosamente ostentava ante os sobrinhos.  Tratava-se da propaganda de um pintor português, texto que li em um jornal cerca de trinta ou quarenta anos atrás, e que, a propósito dos 510 anos de achamento do Brasil pela frota de Cabral, aqui vai editada neste espaço. A diferença a favor deste último é que não há um diálogo, e assim todas as palavras do texto iniciam com a letra P, sendo que a sucessão de palavras começando com a mesma letra supera em muito o texto contado por meu macróbio tio.




"PREZADA população portuense, presentemente passando pelo Porto, Pedro Paulo Pereira Pinto Praxedes Peixoto, perito pintor profissional português, prestes partir para Paris, por pretender pelejar por premiação preponderante, promete pintar prontamente pinturas para paredes, perfeitamente parecidas, preferencialmente peristilos para pomposos palacetes, propriedades particulares, pagodes pequineses, panoramas paradisíacos pitorescos, palcos prateados, pedras preciosas, patrimônios pessoais, pessoas poderosas, pregadores presbiterianos, prelados paramentados, pastores protestantes, patrões paternalistas, projetistas projetando prédios, provectos professores politécnicos, paxás persas pertinazes, pitonisas petulantes, psiquiatras paranormais prósperos, psicólogos praticantes, paraquedistas preparados, promotores públicos, párocos proeminentes, pesquisadores poliglotas, presidentes promovendo progresso, parlamentares probos, políticos populares, pedindo previamente polpudo pagamento.
Para pessoas pobres, pede, porém, pouco preço por paisagens panteístas, palmeirais, parreirais, portões, portais, porteiras, peitoris, pontes pênseis, prisões plebeias, paletós pretos, padrinhos pachorrentos, padrastos  pacholas, painéis pampeanos, palafitas peruanas, paladinos pávulos palpiteiros, paliçadas, palhaços pândegos  patinando, panelas plúmbeas, pangarés pançudos, poetisas parcimoniosas praticando panegíricos, pescadores pescando pargos, pacus pantaneiros, peixarias praianas, pantufas  pscodélicas, panturrilhas protuberantes, paquetes panamenhos, parábolas padronizadas, parafernálias parabólicas, padeiros produzindo pães, prendas paraguaias, paralelepípedos paralelos, pardais pipilantes, passistas passionais, palafreneiros  puxando parelhas, peões preparando potros, porcas prenhes, patas poedeiras, patrulheiros patrulhando parques, pedintes precavidos, pseudos pavilhões prussianos, polvos pavorosos, pavões penachados, penitentes pagando pecados, pianistas pacíficos, pequenos pecuaristas pechincheiros, pistas pavimentadas, policiais policiando pedestres, piratas pernetas  perversos, pássaros pardacentos, pelicanos pedreses, pequerruchos peraltas, piás, pimpolhos, pergaminhos perfumados, perdigueiros perseguindo perdizes, pirilampos passeadores, poetas paupérrimos, polacos ponderados, paranaenses peneirando pinhão.
Para propostas pertinentes, podeis, portanto, procurar Praxedes Peixoto, pintor português, pousada Pantera Parda, Praça Pimentel Pestana, primeiro pavimento, parte posterior, portando, por precaução, para prevenir perturbações perniciosas, papéis passados pela polícia positivando perfeita probidade pessoal".

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DURMA-SE com um barulho desses!

Na bodega da esquina: “Você pede fiado, eu não vender: você brabo. Você pede fiado, eu vender, você não pagar: eu brabo. MELHOR você brabo! (Provérbio chinês).




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