quarta-feira, 26 de maio de 2010

SE Mister Bean fosse ...


O Lula...



Um bebê...
   
Osama Bin Laden...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O LADO IRÔNICO das cantigas de ninar

Recebemos pela internet o diálogo adiante que, antes de qualquer coisa, reflete o lado irônico das cantigas de ninar. 

- E aí, véio?

- Beleza, cara?

- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.

- Quer conversar sobre isso? – É a minha mãe. Sei lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?

- Como assim?

- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido aí. Mandou eu dormir logo senão uma tal de Cuca ia vir me pegar. Mas eu nem sei quem é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém?

- Nunca.

- Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas tipo, o que meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?

- Sabe a sua vizinha ali da casa amarela? Minha mãe diz que ela tem uma hortinha no fundo do quintal. Planta vários legumes. Será que sua mãe não quis dizer que seu pai deu um pulo por lá?

- Hmmmm. pode ser. Mas o que será que ele foi fazer lá? VIXE! Será que meu pai tem um caso com a vizinha?

-  Como assim, véio?

- Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!

- Calma, maninho. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.

- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.

- Tipo o quê?

- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato. Assim, do nada. Puta maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!

- Caramba! Mas por que ela fez isso?

- Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.

- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara..

- E sabe a Francisca ali da esquina?

- A Dona Chica? Sei sim.

- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá, paradona, admirada vendo o gato berrar de dor.

- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.

- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe, né? Ela me contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, né. Aí ela começou a falar que ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora.


- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com o filho.

- Mas é ruim saber que o casamento deles é essa zona, né? Que meu pai sai com a vizinha e tal. Apesar que eu acho que ele também leva uns chifres, sabe? Um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama ele de “Anjo”. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração dela. Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele pode passar desfilando e tal.

- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.

- É. só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes ela fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo veio me falar que a vizinha cria perereca em gaiola, cara. Vê se pode? Só tem louco nessa rua.

- Ixi, cara. Mas a vizinha não é sua mãe?

- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.

 


 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
  

quarta-feira, 19 de maio de 2010

UMA VÍRGULA faz muita diferença


MUITO já se falou acerca da importância da pontuação para a escrita. Sem a pontuação, cujo elemento mais abundante é a vírgula, certamente muita confusão ocorreria, visto que a língua escrita não tem os recursos de entonação de voz da língua falada. E nesta, quando paira alguma dúvida de entendimento, logo se faz correção. Ademais, se faz necessária a pausa para a respiração.


A clássica frase: ‘Moro só, com um criado’, do romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, sem vírgula, ficaria assim: ‘Moro só com um criado’. Como se vê, uma vírgula muda o sentido da frase.

Um zombador, falando, poderia mudar o sentido de uma pergunta: ‘Esse cachorro é seu, Parente?’ para ‘Esse cachorro é seu parente? Já escrevendo, não poderia sobrevir dúvida, desde que pontuasse corretamente a oração.

Sobre a vírgula, excelente a campanha dos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa.

“Vírgula pode ser uma pausa... ou não. 

Não, espere. 
Não espere.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O LAGO e o copo

O VELHO Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
– Qual é o gosto?
– Ruim! – respondeu o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.
– Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
– Qual é o gosto?
– Bom! – respondeu o rapaz.
– Você sente o gosto do sal?
– Não. – disse o jovem.
O Mestre, então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
– A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras:
"É deixar de ser copo para tornar-se um LAGO".

Uma colaboração da amiga Flávia Corrêa, via correio eletrônico.



Caso tenha algo interessante para divulgar neste blogue, contate-nos: valentim1574@yahoo.com.br 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A HIPÉRBOLE em expressão

ATIRE a primeira pedra o vivente que na vida nunca disse algum exagero. Sem contar exageros do tipo ‘A pior coisa do mundo é ...’, ou ‘a pior doença é ...’, e coisas desse gênero, é próprio do ser humano exagerar às vezes na expressão verbal como forma de dizer que algo é muito grande, muito pequeno, muito engraçado, muito distante. Sim, uns mais, outros menos, mas todos nós algum dia já falamos algo assim, que, se parássemos para pensar, notaríamos o exagero em ação. Às vezes só notamos depois.

Eu - macaco velho da parte infra-posterior desprovida de pelos - cá, fico a observar, garimpeiro de palavras que sou (Macacos me mordam, se eu exagero, que não é do meu feitio, longe de mim exagerar!) os dizeres do povo - e também dos poetas. Na música, por exemplo, uma prática comum dos poetas é fazer comparações, e quando se trata de amor – o tema predileto – então, é uma grandeza. Beth Carvalho já disse que ‘subia mais de 1800 colinas’, e Antonio Carlos e Jocafi já choraram um ‘toró de lágrimas’. Mas, em termos de música popular, o maior exagero que eu já vi (ou melhor, que já ouvi) foi Ivan Lins dizer a Madalena, que o peito dele percebeu que o ‘mar é uma gota’ comparado ao pranto dele (oh, coitado! Deve ter chorado muito por causa da moça!). Meu Deus, será que existe exagero maior que esse: o mar é só uma simples gota se for comparado ao que ele já chorou por Madalena. Olhe que há muitos outros, é só procurar.




No campo das expressões populares, quase sempre ditas com o fito de causar risos e gargalhadas – e nisso os humoristas são mestres – existem tantas e tantas expressões que precisaríamos escrever um livro (perdoem-me porque este também é um grande exagero, temos muitas mas um livro já seria muito, não acham?!). Certa vez escrevi que existem duas coisas impossíveis no mundo: nós homens entendermos as mulheres e o homem dar à luz, porém com o avanço da medicina ... Isto, naturalmente, é um exagero, porquanto, embora seja impossível aos homens entender as mulheres – e isso é uma verdade absoluta – também não é possível ao homem dar à luz, uma dádiva divina à fêmea da espécie humana.

Para fechar, vou enumerar algumas expressões que o meu povo fala e que são na verdade exageros, a famosa hipérbole, estudada na língua portuguesa:

- Mais perdido que cego em tiroteio;
- Mais folgado que colarinho de palhaço;
- Mais parado que olho de vidro;
- Mais fraco que correnteza de poço;
- Mais demorado que arroto de girafa;
- Mais grosso que motorista de ônibus (perdoem-me todos os motoristas de ônibus);
- Mais pedinte que filho de viúva;
- Mais alegre que pinto no lixo (na verdade a palavra é outra, mas não quero dizer aqui);
- Mais por dentro que bicho da goiaba;
- Mais por fora que bunda de índio (os mais velhos diziam: ‘mais por fora que umbigo de vedete’);
- Mais quebrado que arroz de terceira;
- Mais por baixo que barriga de cobra;
- Mais sofrido que sovaco de aleijado;
- Mais velho que Matusalém;
- Mais duro que (...) de noivo em véspera do casamento;
- Mais cheio de furo que tábua de pirulito (oh dizer antigo esse, hein! Do tempo em que havia tábua de pirulito, e do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça – outro);
- Mais enfeitado que burra de cigano em dia de feira (esse é bom, e antigo também; acho que tô ficando véio!);
- Mais enrolado que papel higiênico;
- Mais cheiroso que filho de barbeiro;
- Mais sujo que pau de galinheiro.



POR HOJE é só, pessoal! Vou parar por aqui, pois quem fala - ou escreve, como é o caso agora - dá bom dia a cavalo, e eu não quero falar de corda em casa de enforcado. Agora me dêem licença que vou ali no escritório, passar UM FAX.

VOCÊ leu postado abaixo, no dia 11 maio 2010 (A lâmpada escondida), o DIÁLOGO de um casal ainda no início da convivência! AGORA vamos ver o diálogo após 10 anos de convivência:

— Querido!
— Sim.
— Posso confiar em você?
— Você está doida? Não sou desse tipo de homem!
— Você seria capaz de me bater?
— Evidente! Sempre que possível!
— Me beija?
— Não! Por quê? Ainda pergunta?
— Alguma vez você já me traiu?
— Claro! Muito e muito.
— Você me ama?
— Não! Nem pense nisso.
— Você quer que eu vá embora?
— Finalmente!!! Custou tanto esperar por este momento.
(É exatamente o contrário do texto postado anteriormente, bastando apenas invertê-lo).
(Extraído do Jornal de Beltrão, edição de 11 maio 2010)





DURMA-SE com um barulho desses!

EXISTEM três frases que vão levar sua vida a diante: 1) Não diga que fui eu, 2) Já estava assim quando cheguei; e 3) Oh que boa idéia, chefe!


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

terça-feira, 11 de maio de 2010

A LÂMPADA escondida


UM DIA passava certa mulher e se deixou a observar um acidente de trânsito. Era um caminhão acidentado, que, ao tombar, veio a atingir outros carros. Havia muitas pessoas em volta, igualmente curiosas. Chegaram os bombeiros, ambulância e polícia. Minutos depois chegaram também equipes de reportagens: jornais, televisão e rádio, todos ávidos por notícia. Para os curiosos, um assunto para a semana inteira com os familiares, amigos, vizinhos, conhecidos. Apenas mais um acidente com vítimas, entre tantos e tantos na cidade grande. Mais uma notícia nas páginas policiais, mais uma matéria nos telejornais. Morte, coisa tão banal.

Os bombeiros foram retirando as vítimas, uma a uma. De repente, um semblante a modificar-se: a curiosidade se mudando em desespero, horror, pânico, lágrimas, um sentimento de impotência, enfim. Uma das vítimas era filho da dita senhora, filho único.

É muito comum agirmos como a aquela senhora. A vida e seus meandros – alegrias e tristezas – naturalmente seguindo seu curso inexorável. Se conosco, desnorteados, sem rumo ficamos, sem ideia de para onde seguir; nenhuma noção de que atitudes tomar, inseguros. Quantas vezes na vida nos sentimos assim? E ao menor contratempo.

Recentemente – escrevo o texto ainda em janeiro de 2010 – os meios de comunicação social deram conta de duas catástrofes naturais: no Brasil, pela passagem de ano, deslizamentos de terra no estado do Rio de Janeiro, enchentes em São Paulo e no Rio Grande do Sul; no Caribe, Haiti, uma de proporções gigantescas, um terremoto que destruiu todo um país, afligindo todo um povo, não deixando esperança, e que veio a desolar a todos nós. Haiti, um país pobre, o mais pobre das Américas, um povo sofrido, miserável, vítima há mais de dois séculos de toda a sorte de problemas: da natureza ou provocados pela mediocridade da alma humana.

Temos a sensação de que as tragédias, os infortúnios – qualquer que seja a natureza – acontecem apenas com os outros; fatos (muitas vezes novelescos), de tão distantes de nós, que são apenas notícias, avidamente buscadas pelos profissionais de imprensa, friamente digeridas por nós ao café da manhã na leitura do jornal, um programa rotineiro após o almoço, ou jantar, nos telejornais. Coisas distantes da nossa vida, do nosso dia a dia.

Fatos se sucedem nesse corre-corre, nessa vida louca e agitada deste século XXI da informação imediata dos meios eletrônicos, dos comportamentos celeremente mutáveis a cada nova tecnologia divulgada. A tragédia do ontem já foi esquecida, substituída pela do hoje, que, por sua vez, será também facilmente por nós esquecida quando se tornarem públicos outros fatos, preferencialmente trágicos, qualquer que seja a sua natureza: política, por ter sido descoberta outra pessoa pública desviando dinheiro público; policial, por ter saído na tevê algum confronto de polícia versus bandido; de catástrofe natural, por algum tsunami, terremoto ou enchente de grandes proporções, preferencialmente com muitas vítimas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

ORAÇÃO da manhã

SENHOR, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria, a força.
Quero ver hoje o mundo com os olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente. Ver além das aparências teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, não ver senão o bem de cada um.
Cerra meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênção se encha meu espírito. Que todos os que a mim se achegarem sintam a Tua presença. 
Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que no decurso deste dia eu Te revele a todos. AMÉM.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

TERAPIA do elogio

RENOMADOS terapeutas que trabalham com famílias divulgaram uma recente pesquisa onde se nota que os membros das famílias brasileiras estão cada vez mais frios: não existe mais carinho, não valorizam mais as qualidades, só se ouvem críticas. As pessoas estão cada vez mais intolerantes e se desgastam valorizando os defeitos dos outros.
            Por isso, os relacionamentos de hoje não duram. A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias de média e alta renda. Não vemos mais homens elogiando suas mulheres ou vice-versa, não vemos chefes elogiando o trabalho de seus subordinados, não vemos mais pais e filhos se elogiando; amigos, etc.
            Só vemos pessoas fúteis valorizando artistas, cantores, pessoas que usam a imagem para ganhar dinheiro e que, por conseqüência são pessoas que tem a obrigação de cuidar do corpo, do rosto.
            Essa ausência de elogio tem afetado muito as famílias. A falta de diálogo em seus lares, o excesso de orgulho impede que as pessoas digam o que sentem e levam essa carência para dentro dos consultórios. Acabam com seus casamentos, acabam procurando em outras pessoas o que não conseguem dentro de casa.
            Vamos começar a valorizar nossas famílias, amigos, alunos, subordinados. Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza de nossos parceiros ou nossas parceiras, o comportamento de nossos filhos. Vamos observar o que as pessoas gostam. O bom profissional gosta de ser reconhecido, o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe gostam de ser reconhecidos, o bom amigo quer se sentir querido, a boa dona de casa valorizada, a mulher que se cuida, o homem que se cuida, enfim vivemos numa sociedade em que um precisa do outro; é impossível um homem viver sozinho, e os elogios são a motivação na vida de qualquer pessoa.
            Quantas pessoas você poderá fazer feliz hoje elogiando de alguma forma?
            Comece agora!


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Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!



quarta-feira, 5 de maio de 2010

O CLÁSSICO rei da Amazônia

POR FORÇA de nossas atividades funcionais na Força Aérea, moramos por mais de 30 anos em uns seis ou sete estados brasileiros. Escrevemos, portanto, embasado nessa experiência pessoal, aliada ao interesse por futebol, com ênfase ao do Pará, nossa terra querida.
O paraense se orgulha das coisas próprias do seu estado: a culinária regional, o Círio de Nazaré, o cupuaçu, o açaí, as férias no mês de julho e até a chuva à tarde. Mas, como o futebol corre nas nossas veias, uma peculiaridade se sobressai entre tantas outras: a paixão por Remo e Paysandu, onde quer que esteja o paraense.
Quando morávamos em Brasília, nos deliciávamos ao ver lá na feira da Torre de TV a barraca do Pará, que se destacava ao longe, por exibir três bandeiras: do Pará, do Remo e do Paysandu. Era a única diferente, a ostentar tal particularidade.
Desfilando pelas superquadras com a camisa do Remo, muitas vezes éramos interpelado por outros paraenses (torcedores do Remo e também do Paysandu), naturalmente saudosos da terrinha, e isso para nós era razão de envaidecimento, ficávamos faceiro, como dizem os paranaenses. Perto da quadra havia uma mercearia, cujo proprietário era paraense, que também exibia as bandeiras de Remo e Paysandu, no meio a de Oriximiná, sua cidade natal do dono.
O paraense ama suas tradições e, quanto ao esporte bretão, contamos nos dedos comportamento igual de gente de outros estados do Brasil: Ceará, Pernambuco, Bahia, Paraná, Santa Catarina e, claro, o primeiro mundo futebolístico (SP, RJ, MG e RS). Nas demais unidades federativas não vemos esse amor do paraense, tratando-se de futebol; deslocam sua preferência a equipes consagradas no cenário esportivo nacional, como os quatro do Rio de Janeiro e os quatro de São Paulo, salvo poucas exceções.
A razão é simples. Nesses estados não há clássicos locais da qualidade e da tradição de um Remo e Paysandu (jogado desde 1914), Ceará e Fortaleza, Bahia e Vitória, Atlético e Coritiba, Ponte Preta e Guarani, e assim por diante, daí a grande parte do público interessado em futebol migrar para outras camisas consagradas nacionalmente como Flamengo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Vasco, São Paulo e, no sul do país, Grêmio e Internacional. Espaço pequeno sobra, portanto, para prestigiar o clube local (da cidade ou do estado). Isso é um fato.
Alguém, nascido, criado e morando em Brasília, por exemplo, pode até a vir a torcer por um clube do Distrito Federal quando este passar a ter, eventualmente, algum destaque a nível brasileiro, como o fenômeno recente do Brasiliense – cuja febre já está passando, a nosso ver. Um amazonense, a no âmbito da sua cidade, até vem a torcer pelo São Raimundo, time que no Amazonas desbancou a dupla Nacional e o Rio Negro. Uma das causas da falência de clubes de futebol outrora tradicionais como Nacional (AM), Rio Negro (AM), Operário (MS), Desportiva (ES), e aí pelo interior do Brasil adentro, e também pelo Nordeste, foi exatamente a indiferença do público esportivo local, que, sem ver motivação nas equipes locais, migrou sua paixão para equipes do Rio e de São Paulo.
É um fato, fenômeno digno de estudos, que o brasileiro das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e, talvez o interior de Minas, tem simpatia por mais de um clube de futebol. Tem gente que tem um time em cada estado, sem exagero. Seu coração tende à equipe local – da cidade ou do estado – conforme justifique campanha do time, ou seja, sazonalmente, conforme a safra. No restante do tempo seu coração é preenchido pelo Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Vasco etc.
Diferente é o gaúcho, povo cioso de suas tradições.  Gosta mesmo é do Grêmio ou do Inter, exemplo que deveria ser seguido pela maioria do torcedor brasileiro, independente de seu time ganhar ou perder.
Voltemos à terrinha amada. A nossa opinião é que não tem nada de o torcedor paraense (paraense, nós dissemos, e não um paulista ou carioca que esteja morando em Belém) estar 'se rasgando' pelo Palmeiras, Santos, Vasco ou Botafogo. O contrário não acontece, pois quando Remo ou Paysandu vão a outras praças recebem tratamento de apenas mais um adversário. Não são superestrelas, diferentemente do que ocorre a atletas de equipes do centro econômico do país.
Em razão da extrema rivalidade reinante no futebol paraense, é comum notarmos doses elevadas de exageros (com o perdão da redundância), coisa que nada soma ao nosso futebol. E, conforme a sua predileção clubística, existem profissionais de rádio – principalmente este veículo – que puxam mais para um em desfavor do outro, levando o ouvinte menos esclarecido a visualizar um quadro irreal. Como exemplo desse particular, uma equipe hoje pode ser excessivamente valorizada, conforme seus últimos resultados em campo, porém, bastando um resultado desfavorável – sendo esse resultado no clássico rei –  para o quadro ser revertido, uma incoerência a ser corrigida. A opinião deve ser pautada pela coerência, já que um clube de futebol não é o melhor do mundo por ter vencido um ou dois jogos, nem o pior time quando perde; nem tanto ao mar nem tanto à terra. O cronista da década de 1960 já não convence tanto assim.
Um assunto polêmico. Voltemos à questão dos números, conforme já postamos neste meio eletrônico no último 5 de abril. Assunto quixotesco esse. Esse é o maior embate do mundo – não há dúvida – envolvendo dois clubes de futebol da mesma cidade, tradicionalíssimos rivais, que, segundo a mídia esportiva do Pará, vai chegar à edição de 706 jogos. Cremos haver um lapso nessa contagem, uma pequena diferença de dez partidas. Pela nossa pesquisa pessoal vamos chegar ‘apenas’ à edição de número 696, já que na contagem ‘oficial’ estão levando em conta jogos que efetivamente não ocorreram, os tais WO em que uma das equipes sequer compareceu a campo. Há outros jogos festivos, contrários às regras da International Board, órgão da Fifa, que também estão levando em conta. Nossos números estão embasados nos exaustivos trabalhos de pesquisadores como Júlio Lynch, já falecido, e Ferreira da Costa, presidente da Aclep.
Que no próximo Remo vs. Paysandu vença o melhor. Fiquem com o bom Deus.

DURMA-SE com um barulho desses!

'O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.'  Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians, ao recusar a oferta dos franceses.



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Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!