sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ano de 2011

RECEBI, via internet, de uma amiga a mensagem adiante e quero compartilhar com os amigos que visitam esta página:

"Amigo
Dentro de alguns dias estaremos no último dia do ano de 2010...
e depois da meia-noite, virá o Ano Novo...
O engraçado é que - teoricamente - continua tudo igual...
Ainda seremos os mesmos.
Ainda teremos os mesmos amigos.
Alguns o mesmo emprego.
O mesmo parceiro(a).
As mesmas dívidas (emocionais e/ou financeiras).
Ainda seremos fruto das escolhas que fizemos durante a vida.
Ainda seremos as mesmas pessoas que fomos este ano...
A diferença, a sutil diferença, é que quando o relógio nos avisar que é meia-noite, do dia 31 de dezembro de 2010, teremos um ano IN-TEI-RI-NHO pela frente!
Um ano novinho em folha! Como uma página de papel em branco, esperando pelo que iremos escrever.
Um ano para começarmos o que ainda não tivemos força de vontade, coragem ou fé...
Um ano para perdoarmos um erro, um ano para sermos perdoados dos nossos...
365 dias para fazermos o que quisermos...
Sempre há uma escolha...
E, exatamente por isso, eu desejo que vocês façam as melhores escolhas que puderem.
Desejo que sorriam o máximo que puderem.
Cantem a música que quiserem.
Beijem muito.
Amem mais.
Abracem bem apertado. Curtam muito a sua família.
Durmam com os anjos.
Sejam protegidos por eles.
Agradeçam por estarem vivos e terem sempre mais uma chance para recomeçar.
Agradeçam as suas escolhas, pois certas ou não, elas são suas.
E ninguém pode ou deve questioná-las.
Quero agradecer aos amigos que eu tenho.
Obrigado por fazerem parte da minha história, e desculpem por algo que eu tenha deixado a desejar.

Desejo a todos que 2011 seja um ano realmente diferente, repleto de realizações, felicidades, muita saúde, muita paz, tolerância, ajuda ao próximo, amor e harmonia de todos.

 Feliz  Ano Novo!!!"

OBRIGADO e Feliz ano de 2011 para todos.

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

A FUGA do Danilo - Final



 ...continuação da postagem do dia 19dez.2010.

 Amanheceu. Estremunhado com a noite mal-dormida, com forme, tomou seu rumo, que até aquele momento ignorava qual seria. Alcançou uma aldeia. Nela esperou, vagando quase todo o dia, e não foi “encontrado”. Achou os métodos ingleses bem falhos. Não eram tão bons assim. Se ele tivesse ao menos os endereços dos “homens”, ser “encontrado” seria muito mais fácil... O “abacaxi” era que “eles” não diziam e nem mesmo se conheciam. Ele tinha que esperar ser “encontrado”. Não o foi naquele dia, e nem muito menos no outro. Decididamente, ele tinha que resolver, por si, o problema. Deixou aquela estrada principal e derivou rumo à frente de combate, ao encontro dos Apeninos. Chegou à tardinha a uma pequena cidade que não conhecia e nem tinha tempo para ver qual seria nos seus mapas de fuga. Com o estômago muito vazio, deu diversas voltas pela cidadezinha, e nada conseguiu. Ninguém o achava. Estava ficando desanimado, e com muita vontade de desistir, mas, ao mesmo tempo, sem coragem bastante para tal. Seria submetido a um interrogatório tremendo por parte do serviço de inteligência alemão e, se falasse, muita gente seria envolvida. Seria um desastre completo. Sua fome aumentava muito. Já não sabia ao certo o que fazer. Nessa condição de quase desespero, avistou uma senhora num segundo andar de um daqueles sobrados altos, muito comuns na Itália. A senhora fazia tricô tranquilamente na sacada do sobrado. Nada indicava que ela o ajudaria.
A casa era “tecnicamente” muito “grã-fina” para partisanos. O “inglês” frisara bem que era muito mais provável encontrar quem o ajudasse entre as pessoas mais simples, que, regra geral, constituía a maior parte dos partisanos ou da resistência. Mesmo que não o fossem, eram “fascistas” por necessidade, para se manterem nos seus empregos de acordo com a política da terra, e, muitas vezes, eram pessoas contrárias ao regime que vigorava na época. Pela “pinta”, aquela senhora nada tinha de partisan, muito pelo contrário, sua casa era das melhores da cidade, tudo indicando que era do outro “lado”. Mas a fome do gaúcho era maior do que a lógica e do que as razões do “inglês”. O esfomeado olhou longamente para aquela senhora que, domesticamente, fazia o seu trabalho de agulhas. Talvez uma dor mais aguda no seu estômago vazio tenha feito com que decidisse pedir-lhe o que comer. Levantou a pesada bicicleta ao ombro e subiu os dois compridos lances de escada que o levariam ao segundo andar. A porta da moradia na qual pretendia bater já estava aberta, e nela a senhora, numa expectativa que ele não podia compreender, como que a sua espera. Desconfiado, no seu trôpego italiano um tanto brasileiro, parte “GI” (pouco instruído), e ainda conseguido com as primeiras “vassouradas” em Roma, dirigiu-se a ela com o mesmo refrão das vezes anteriores. Bem ou mal, ela conseguiu compreendê-lo, confessando-lhe mais tarde, que o italiano dele tinha sido o melhor que ouvira até então, da parte de “quem” a procurava. Ouviu toda a sua história cortesmente. Deu-lhe para comer o macarrão habitual e um colchão de palha que era tudo o podia oferecer, mas que era muito mais do que o gaúcho esperava. Disse-lhe a senhora que poderia ficar ali até o dia seguinte, e que à noite seu sobrinho chegaria do “trabalho”, não devendo se preocupar, mas não entrou em detalhes. Enfim, o “Índio” nada mais esperava do que comida e dormida, em segundo plano. Sentia-se capaz de passar mais outras noites ao relento frio do inverno. Sua “caveira”, mesmo não sendo do tipo muito recente, ainda satisfazia amplamente. No seu colchão de palha dormiu profundamente. Estava muito cansado para pensar, até mesmo para desconfiar daquela acolhida inesperada.
Na manhã seguinte foi acordado pelos seus novos protetores: a senhora e seu sobrinho. O rapaz queria ouvir sua história mais outra vez. Repetiu toda a sua “lenga-lenga”, agora muito melhor ensaiada que a ele já parecia muito boa e que a sua lingual mal cicatrizada muito cooperava. O sobrinho da boa senhora que o acolhera não interrompeu a narração. Ofereceu-lhe até mesmo um cigarro, daqueles lambidos, com uma dose de fumo suficiente para matar um cavalo, mas que o jovem italiano tirava enormes tragadas sem esforço, com prazer, e que ele, o gaúcho, apesar de não ver um cigarro há muito, não conseguia aspirar nem um pouquinho. Fumou como lhe foi possível. Ao terminar a sua “conversa”, o seu novo amigo, polidamente, vagarosamente, para que melhor o entendesse, disse-lhe que esquecesse tudo aquilo. De agora em diante, não precisaria contar mais aquela história. Uma vez mais, aquelas excelentes botinas americanas o traíram, para sorte sua. Finalmente tinha sido encontrado. “Encontrado!” Mesmo sem o admitirem, aqueles dois italianos “o encontraram”. Ficou decidido que ele permaneceria com os dois até o dia seguinte, quando o levariam à casa de uns outros “primos”, que eram partisanos. Ali sempre o próximo é que era partisan.
Na sua segunda e última noite na companhia daqueles “parentes” italianos, para encobrir e explicar a sua presença naquela casa, houve uma reunião a que compareceram os vizinhos para festejarem a chegada e a passagem do sobrinho que tivera a casa destruída por bombardeio em Ferrara, e que, em conseqüência ficara “mudo”. Comeu-se muita castanha assada e bebeu-se muito vinho tinto na festa em sua honra. Ficou bêbado, recolhendo-se ao seu colchão. Sua retirada foi desculpada e compreendida pelos presentes, que concordavam penalizados com o que lhe acontecera. Ao amanhecer, estava ainda azedo de tanto vinho, mas mesmo assim seguiram de bicicletas ao encontro dos “primos”, que eram partisans. Assim, o nosso colega foi entregue aos cuidados da organização que tanto ouvira falar, e que estava ficando descrente que existisse. O italiano deixou-o nas mãos daquela gente especializada, voltando ao seu ponto de atividade, onde sua tia voltara a fazer o tricô que, pela sua função, devia ter sido o mais comprido da guerra. A “organização”, como todos já devem ter compreendido, compunha-se de pessoal altamente especializado, que conversava  estritamente o essencial e fazia muitas perguntas, e, para segurança de seu trabalho, não devia cometer enganos. Tomaram todas as informações necessárias, confirmaram as datas, ouviram toda a história, desde a sua queda, quiseram saber os mínimos detalhes, o que contrariava muito o nosso herói, que na ânsia de atravessar a linha de combate julgava os “homens” exageradamente “enrolados”. Já lhes mostrara a sua chapa de identificação que consigo conservara, já lhes dissera quem era, de onde viera, o que voara, qual o objetivo naquela manhã em que fora abatido, enfim tudo o que realmente acontecera. Ingenuamente, sem avaliar o que conseguira realizar, não podia entender o porquê de tantas perguntas e confirmações. Para ele a sua aventura tinha sido perfeitamente realizável, mas os homens da “organização” estavam meio descrentes, naturalmente por ele ter contrariado basicamente, nos mínimos detalhes, tudo que a boa técnica aconselhava em matéria de fuga.
Os seus interrogadores estavam admirados com os processos utilizados pelo gaúcho. Para os “ingleses”, nada daquilo poderia ter acontecido. O “manual” dizia justamente o contrário... Após muitas consultas e investigações pelos “canais” competentes, que não sabemos quais poderiam ser, o gaúcho foi dado como “legítimo”, dissipando-se as dúvidas. Nessa mesma noite foi transportado para outra estação de espera, bem mais avançada para o front, onde outros em igual situação já o aguardavam. Havia americanos, ingleses, italianos e agora um brasileiro. O único que a organização conhecera até então. Eram oito ao todo. Aguardavam refazerem-se fisicamente para a próxima mudança de estação, que seria gradativamente mais avançada.
Em deslocamentos sucessivos, feitos à noite, moveram-se para a última estação, na fralda da cordilheira. Por alguns dias, aí permaneceram esperando uma ocasião propícia, que ignoravam qual seria. Eles nunca lhes diziam coisa alguma, para fins de segurança. A ocasião esperada, propícia, chegou numa noite de violenta nevasca e frio cortante. Era a neve que aqueles homens incompreensíveis esperavam. Os guias italianos chegaram, formaram o grupo, misturando-os com algumas famílias italianas, que, tudo indicava, se prestavam àquelas aventuras em troca de remuneração, não sendo a primeira vez que o faziam, pois não demonstravam preocupação alguma.
Com duas pílulas contra cansaço – em outras palavras, “dopados” – iniciaram a caminhada sem paradas. Em ritmo contínuo, galgaram os Apeninos por trilhas de cabras, íngremes, sempre em fila indiana. As quedas e escorregões eram freqüentes, mas não poderiam parar. Assim, no rigor de uma nevasca intensa, quando as sentinelas, premidas pelo frio, relaxaram a vigilância, conseguiram cruzar aqueles picos escorregadios, gastando 14 horas de caminhada sem descanso. Ao romper do dia seguinte, seus esforços foram coroados de êxito. Na mesma manhã, descansavam na frente aliada, entregues ao serviço de inteligência inglês, agora em uniforme. Foram separados, então. Não mais encontrou os americanos, nem os ingleses que, com ele, atravessaram as montanhas. Descansado, lavado, barbeado, bem alimentado, foi interrogado longamente pelos oficiais ingleses, que anotaram todas as informações fornecidas pelo nosso herói, posteriormente consideradas como as mais completas trazidas por um fugitivo naquela frente. Quanto à sua história, foi ouvida com muito interesse por ser ímpar naquele departamento, mas nunca poderia ser utilizada, para fins de ensinamentos futuros por outros, por constituir uma quebra geral, quase absurda, de tudo aquilo que eles ministravam, baseados em estudos e estatística.
Acabado o longo interrogatório, o gaúcho, muito aborrecido com os dois dias que passara em companhia dos interrogadores ingleses, foi devolvido ao nosso convívio em Pisa, numa tarde fria, como qualquer outra naquele hotel esburacado em que vivíamos. Celebrou-se a sua volta, esvaziando-se o que restava de nossas rações de uísque, logo substituídas pelo horrível conhaque italiano, que fez o mesmo efeito. Em meio a forte “ressaca”, encerrou-se o capítulo mais heróico do 1º Grupo de Caça, realizado por aquele gaúcho simples, que, sem pretensões, tornou-se merecedor de toda a admiração dos comandantes aliados que o conheceram, de seus colegas e de seus poetas e fazedores de anedotas: o Tenente Danilo Marques Moura!

COMENTÁRIO deste blogueiro:

E ESTE é um de nossos muitos heróis. Herói anônimo, um dos muitos heróis esquecidos nas páginas do tempo de nossa história do Brasil. Claro, se fosse norte-americano, isto daria um belo filme, sucesso de bilheteria. Nós, brasileiros, precisamos valorizar mais a nossa gente, as nossas coisas, a nossa história. 

(Extraído da Revista Força Aérea, ano 8, edição nº 30 – mar/abr/maio 2003, páginas 52/59. O Autor do texto é Armando de Souza Coelho, que atuou no Teatro de Operações da Itália durante a segunda Guerra Mundial, como 2º Tenente-aviador da Reserva Convocada e foi membro da Esquadrilha Vermelha, com a qual realizou 62 missões de combate).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

ASSIM Rezava Gandhi

MEU Senhor!
AJUDA-ME a dizer a verdade diante dos fortes, e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.
Se me dás fortuna, não me tires a razão.
Se me dás êxitos, não me tires a humildade.
Se me dás humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me sempre a ver a outra face da medalha.
Não me deixes culpar de traição a outrem por pensar como eu.
Ensina-me a querer aos outros como a mim mesmo.
Não me deixes cair no orgulho se triunfo, nem no desespero se fracasso.
Mas, antes, recorda-me que o fracasso é a experiência que precede o triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza e que a vingança é um sinal de baixeza.
Se me tiras o êxito, deixa-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender a alguém, dá-me energia paqra pedir desculpas; e se alguém me ofende, dá-me energia para perdoar.
SENHOR, se me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim.
Mahatma Gandhi

(Extraído do Calendário-revista DÍZIMO 2011)

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FELIZ Natal

SUA lista de presentes já está pronta?
Não está faltando alguém?
JESUS aparece em sua lista?
Qual é o seu presente para ele?

NÃO, não precisa desculpar-se por haver se esquecido dele!
Nem precisa sair correndo para o shopping, que vai ficar aberto até meia-noite!
Não! Nem coloque um prato a mais na sua mesa para a ceia!

Basta que você o coloque em seu coração e não se esqueça de seu pedido mais marcante! "Perdoar aos que te ofendem e amar ao próximo como a ti mesmo!"
Seu coração e sua alma estarão, então, LIVRES! E... o presente de JESUS, garantido!!!
UM FELIZ Natal para você e sua família.

domingo, 19 de dezembro de 2010

A FUGA do Danilo - 5ª Parte

  ...continuação da postagem do dia 04dez.2010.

Ainda não tinha achado um meio de atravessar o Pó. Conta ele, muito ingenuamente, que te4ve o seguinte raciocínio, que mais parece anedota, mas que é fato. Resolveu seguir aquela margem do rio, sempre pelo lado norte e sempre para oeste, rumo à nascente do rio, onde naturalmente ele seria muito mais estreito, e então atravessá-lo seria facílimo. Talvez com um pulinho... E o Pó nascia quase na França... Para ele isso tudo eram “pequenos detalhes técnicos”... Com este propósito, foi caminhando para a “nascente”... Caminhou um bom pedaço naquela direção. Os seus joelhos doíam. A distância começou a parecer maior. Sentiu-se cansado e a “nascente” não aparecia... O dia terminava. O almoço não tinha sido grande coisa, o estômago reclamava, o frio parecia aumentar. No dia seguinte começaria mais cedo. Havia uma aldeia próxima, e ele seguiu naquela direção. Na terceira casa à beira da estrada, estava um italiano, igual a milhares de outros, rachando lenha. Achava a sua lenha e ato contínuo empilhava-a ao seu lado. O “Índio”, cansadíssimo, caminhara todo o dia, com a moral abatida, desanimado, sentou-se ao lado do monte de lenha rachada, a observar o italiano por longo tempo. O machado subia e descia compassadamente e  os pedaços de lenha iam sendo jogados para a pilha ao lado. Aquele mister doméstico fê-lo recordar os seus, lá no Rio Grande do Sul, que cada vez mais tinha dúvida se iria revê-los, mas que ao mesmo tempo davam-lhe forças para lutar contra aqueles obstáculos. Além disso, o dia do pagamento aproximava-se... Tinha de chegar a tempo.
Os minutos se passaram. Nenhum dos dois disse uma palavra. O machado subia e descia sobre a lenha e as achas aumentavam o monte. Por fim, o italiano perguntou-lhe o que queria. Entrou com a velha história de bombardeado, arruinado etc. e terminou pedindo-lhe um copo d’água, comida e pousada. O lenhador ouviu tudo com a máxima atenção, deu-lhe vinho, comida e água e agasalhou-o em sua casa. O nosso homem procurava responder o menos possível e o “paisá” não insistia cordatamente. À noite brilharam as estrelas no belo céu de uma noite de inverno italiano, e com muito mais intensidade brilhou a grande estrela do nosso rio-grandense, na pessoa daquele camponês acolhedor. Chamando-o, o italiano disse-lhe simplesmente que acreditaria na sua história, se não fossem as suas botinas... O gaúcho sentiu-se perdido: fora descoberto! Breve seria entregue aos alemães, foi o que pensou naquele instante desanimador. O italiano então desfez-lhe as dúvidas. Estava em boas mãos. Nada tinha a temer. Abriu o jogo – disse o gaúcho. Naquele homem ignorado, com sua função de pedreiro de aldeia pobre, residia mais um dos muitos heróis anônimos daquela guerra.
Contou-lhe então o “Índio” toda a sua história desde a sua queda. O pedreiro tranqüilizou-o, dizendo-lhe que fosse dormir. Pela primeira vez, em muitos dias, teve uma cama com lençóis e colchão macio e reconfortador. Na manhã seguinte tratariam do seu caso.
Acordou já bastante tarde naquela manhã. O corpo doído e cansado bem que merecia um “abuso” daquela cama confortável, depois de tantos dias dormindo na palha fria das cocheiras. A cama era até melhor do que as que usava em Pisa. Ainda “cansado” de dormir bem, levantou-se desacostumado e tonto. Desceu, encontrando-se pela primeira vez com a família do italiano, que não o vira chegar. Nada lhe disseram, parecendo que a sua presença ali era a coisa mais natural do mundo. Fora promovido a fratello que chegara do norte. O seu protetor saíra para o trabalho cedo. Deram-lhe de comer e não permitiram que os ajudasse em coisa alguma. À noite o italiano voltou do trabalho, dizendo-lhe que estava cuidando do seu problema, que tivesse paciência que tudo sairia bem. Andara sondando a melhor maneira de conseguir a sua travessia, confiando-lhe ainda, à guisa de consolo, que não era a primeira vez que fazia aquela “mágica”. Naquela casa já haviam estado outros em situações idênticas à sua. Mesmo muito depois de acabada a guerra, o gaúcho não conseguira compreender bem o italiano. O camponês nunca deixou transparecer se fazia aquilo por parte de alguma organização especializada, ou se fazia tudo por simples altruísmo. O homenzinho não parecia de modo algum agente na retaguarda alemã, dada a sua simplicidade natural de agir, lutando com todas as dificuldades comuns aos italianos, vivendo do produto de sua horta no campo de sua casa, comendo o macarrão que sua mulher fazia com a escassa farinha que conseguia. Ou o homem era um agente, um perfeito artista na sua perigosa missão, ou então um abnegado samaritano que enfrentava o risco com toda a família com uma coragem indescritível. Em resumo, de maneira ou de outra, o pedreiro era um homem de grande valor na sua existência heróica e ignorada.
O nosso colega ficou com este herói durante uma semana, recuperando-se para enfrentar o resto da jornada. Finalmente foi informado de que atravessaria o rio naquela tarde, na hora em que os trabalhadores que voltavam às suas casas na outra margem do Pó costumavam fazer a travessia. Era a ocasião mais propícia. Vestiu a sua roupa velha, muniu-se de uma nova broa debaixo do braço, despediu-se de todos e foi com o italiano até o ponto de embarque. O italiano dera-lhe uma bicicleta velha e enferrujada, que necessitava urgentemente de lubrificação. Uma máquina bem antiga. Chegaram à prancha de embarque e sem dificuldade tomaram lugar na balsa. O pessoal da fiscalização já estava industriado pelo italiano. Com umas garrafas de grappa ou conhaque tudo se conseguia daqueles alemães já cansados de tanta guerra. Por precaução, durante a travessia, o italiano fez com que as botinas do nosso patrício ficassem escondidas debaixo da bicicleta e do seu casaco, para não despertar a atenção dos outros italianos. Em pouco tempo estavam na outra margem. Caminharam juntos até o primeiro povoado. Ali tiveram que se separar e cada qual seguiria o seu caminho. O incompreensível italiano fizera o que estivera ao seu alcance, ou quem sabe cumprira a sua missão, e eu não ficaria admirado se algum dia viesse a saber que aquele rústico pedreiro era um coronel ou outra patente qualquer do serviço secreto. Nunca chegamos a saber ao certo. Deixou o gaúcho. Ele nada mais poderia fazer.
Dali em diante o nosso patrício estava entregue novamente à sua sorte, que não era pequena. Estava só outra vez. Montou na bicicleta e começou a pedalar na estrada principal para Ferrara. O rio ficou para trás. Menos um obstáculo. Pedalou algumas horas, e em breve seus músculos se ressentiram com o exercício, entrando em “pane” novamente. Parou para descansar à beira da estrada. Sentindo-se melhor, voltou ao caminho. Pedalando e empurrando a velha máquina foi em direção a Ferrara. Estava bem mais próximo do front e o movimento de soldados-sentinelas alemães era bem mais intenso. Dispôs-se a redobrar o seu esforço, descansando o mínimo possível. Cada quilômetro que andava custava-lhe enorme sacrifício e sustos maiores. A cada momento esperava ser descoberto, mas conservando a sua velha maneira de pensar, ia descendo para o sul enquanto não o prendiam. Se o prendessem e nada acontecesse, provavelmente seria transportado para um campo de concentração muito ao norte, e a priori já pensava em escapar, mas a possibilidade de ser preso o desgostava profundamente, porque teria de voltar a fazer o mesmo “passeio”. Ora, um homem com este espírito merecia o êxito que obteve. Foi caminhando com sua bicicleta, e contra todas as expectativas, que conseguiu novamente atravessar uma cidade, Ferrara, quartel-general alemão, sem que nada lhe acontecesse. Uma vez achou-se  na estrada principal rumo a Bolonha, que na época ainda se encontrava relativamente afastada do front, porém não muito longe. Bolonha era a última cidade importante e grande do seu itinerário de fuga.
Começava a perder as esperanças de encontrar os “homens” da organização de fuga que o “inglês” mencionava nas aulas. Até então, tudo o que conseguira fora com o seu próprio esforço excepcional. Adotando os mesmos processos truncados que usara desde a sua queda, alcançou aquela cidade. Mas nada de ser encontrado, quer pelos alemães, quer pelos tais da “organização”. Vagou pela cidade uns dias e, nada conseguindo, resolveu que ali nada arranjaria, e que o melhor seria seguir o seu caminho. Deixou Bolonha, então. Não era mais possível continuar andando para a frente de combate, pois as estradas eram intensamente vigiadas e havia fiscalização constante de documentos das pessoas que transitavam nas proximidades. Sua única alternativa, então, era derivar para Oeste. Foi o que fez. Com sua bicicleta, tomou aquela direção. Na estrada, cansado, ia pedalando a pesada máquina quando por ele passou uma carroça muito bem tirada por dois animais. Recordando dos seus tempos de garoto, e, também porque o cansaço era grande, conseguiu, pedalando com mais vigor, alcançar a carroça e deixar-se rebocar, a ela agarrado pelo braço esquerdo. A coisa assim era muito mais fácil e a bicicleta já não era tão pesada. O dono da viatura não se opôs, absolutamente, à sua presença de “carona”. Tudo ia às mil maravilhas, e se continuasse assim alcançaria o dia de pagamento que já estava próximo. Ao trote dos cavalos, aconteceu de a carroça ultrapassar um soldado alemão, que também de bicicleta seguia para a mesma direção. O soldado, ao ver o gaúcho pendurado do lado oposto da carroça, achou que a idéia não era má. Pisou com mais força a sua máquina, alcançou-os, e também tomou a sua “carona” do outro lado. O alemão, do lado direito, e o brasileiro, do esquerdo. Não trocaram nenhuma palavra e continuaram agarrados ao reboque por muito tempo. O nosso homem admite não ter gostado muito da companhia inesperada, e ter ficado um pouco sobressaltado com o fuzil que o soldado usava à bandoleira. A companhia era desagradável, mas nada podia fazer. Não se dando por achado, não largou do reboque. Já se conformara com a presença indesejável do novo “carona”, e de vez em quando arriscava olhar para ele. Numa dessas vezes, na última, viu uma coisa que constituiu razão essencial para que deixasse imediatamente de gozar as vantagens do reboque. A manga do seu casaco subira com a posição do seu braço que agarrava a carroça, deixando a descoberto o seu relógio, que, pela primeira vez notava que o conservava no pulso. Sentiu-se gelado. Se o alemão o visse, estaria perdido. Também não poderia abandonar de repente o seu lugar no meio de uma estrada em campo aberto. A sua sorte era mesmo muito grande. Naquele impasse, eis que surge um cruzamento providencial. Seria ali que abandonaria a carroça.
Chegados ao cruzamento, largou do reboque dobrando à sua direita, da maneira mais natural possível, como se ali fosse realmente o lugar a que se destinava. Ousadamente ainda se deu ao “exagero” de gritar um “grazzie” ao carroceiro que lhe respondeu com um “prego” (não há de que). Por algum tempo pedalou pela estrada secundária, que desconhecia, e quando achou que era suficiente, e fora de vista da carroça, voltou à estrada anterior, que era a principal, sua velha conhecida dos ares.
Naquela noite dormiu ao relento, não conseguindo alimento algum, porque a noite o alcançou no descampado. Não conseguira chegar a nenhum povoado nem casa de campo. Mesmo que tivesse conseguido encontrar alguma casa isolada por aquelas paragens, confessa que não se sentia muito animado a cruzar aqueles campos que, por estarem próximos à frente de combate, poderiam já estar minados. Ficou mesmo à margem da estrada, onde pretendia dormir sossegado. Tudo ilusão. Aproveitando o escuro da noite, os alemães enchiam a estrada com suas viaturas em comboios barulhentos, que, com as luzes apagadas, movimentavam-se vagarosamente. Pela primeira vez, o gaúcho testemunhou o valor da camuflagem dos inimigos. Assim que a luz do dia começava a apontar, todos aqueles caminhões desapareciam como que por encanto, nas cocheiras das fazendas ou debaixo de redes de camuflagem muito bem dispostas. Rezou para que aparecesse um “Beaufort” inglês para fazer uma “faxina” naquela estrada. Nada aconteceu, e passou a noite sobressaltado com o movimento dos barulhentos caminhões “diesel” alemães.

Continua... 

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!!!

MEUS BREGAS prediletos: AO POR do Sol, de Teddy Max

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

ESPAÇO Literário: O CASO Barreto, de Machado de Assis



Sr. Barreto, não falte amanhã, disse o chefe de seção; olhe que temos de dar essas cópias ao ministro.
— Não falto, venho cedo.
— Mas, se vai ao baile, acorda tarde.
— Não, senhor, acordo cedo.
— Promete?
— Acordo cedo, deixe estar, a cópia fica pronta. Até amanhã.
            Qualquer pessoa, menos advertida, afirma logo que o amanuense Barreto acordou tarde no dia seguinte, e engana-se. Mal tinham batido as seis horas, abriu os olhos e não os fechou mais. Costumava acordar às oito e meia ou nove horas, sempre que se recolhia às dez ou onze da noite; mas, andando em teatros, bailes, ceias e expedições noturnas, acordava geralmente às onze horas da manhã. Em tais casos, almoçava e ia passar o resto do dia na charutaria do Brás, Rua dos Ourives. A reputação de vadio, preguiçoso, relaxado, foi o primeiro fruto desse método de vida; o segundo foi não andar para diante.
            Havia já oito anos que era amanuense; alguns chamavam-lhe o marca-passo.
            Acrescente-se que, além de falhar muitas vezes, saía cedo da repartição ou com licença ou sem ela, às escondidas. Como é que lhe davam trabalhos e trabalhos longos? Porque tinha bonita letra e era expedito; era também inteligente e de compreensão fácil. O pai podia tê-lo feito bacharel e deputado; mas era tão estróina o rapaz, e de tal modo fugia a quaisquer estudos sérios, que um dia acordou amanuense. Não pôde dar crédito aos olhos; foi preciso que o pai confirmasse a notícia.
— Entras de amanuense, porque houve reforma na Secretaria, com aumento de pessoal. Se houvesse concurso, é provável que fugisses. Agora a carreira depende de ti. Sabes que perdi o que possuía; tua mãe está por pouco, eu não vou longe, os outros parentes conservam a posição que tinham, mas não creio que estejam dispostos a sustentar malandros. Agüenta-te.
            Morreu a mãe, morreu o pai, o Barreto ficou só; ainda assim achou uma tia que lhe dava dinheiro e jantar. Mas as tias também morrem; a dele desapareceu deste mundo dez meses antes daquela cópia que o chefe de seção lhe confiou, e que ele ficou de concluir no dia seguinte, cedo.
            Cedo acordou, e não foi pequena façanha, porque o baile acabou às duas horas, e ele chegou à casa perto das três. Era um baile nupcial; casara-se um companheiro de colégio, que era agora advogado principiante, mas ativo e de futuro. A noiva era rica, neta de um inglês, que meteu em casa cabeças louras e suíças ruivas; a maioria, porém, compunha-se de brasileiros e de alta classe, senadores, conselheiros, capitalistas, titulares, fardas, veneras, ricas jóias, belas espáduas, caudas, sedas, e cheiros que entonteciam. Barreto valsou como um pião, fartou os olhos em todas aquelas coisas formosas e opulentas, e principalmente a noiva, que estava linda como as mais lindas.
            Ajuntai a isso os vinhos da noite, e dizei se não era caso de despertar ao meio-dia.
            A preocupação da cópia podia explicar esse madrugar do amanuense. É certo, porém, que a excitação dos nervos, o tumulto das sensações da noite, foi a causa originária da interrupção do sono. Sim, ele não acordou, propriamente falando; interrompeu o sono, e nunca mais pôde reatá-lo. Perdendo a esperança, consultou o relógio, faltavam vinte minutos para as sete. Lembrou-se da cópia. — É verdade, tenho de acabar a cópia...
            E assim deitado, pôs os olhos na parede, fincou ali os pés do espírito, se me permitem a expressão, e deu um salto no baile. Todas as figuras, danças, contradanças, falas, risos, olhos e o resto, obedeceram à evocação do jovem Barreto. Tal foi a reprodução da noite, que ele chegou a ouvir a mesma música às vezes, e o rumor dos passos. Reviveu as gratas horas tão velozmente passadas, tão próximas e já tão remotas. Mas, se esse rapaz ia a outros bailes, divertia-se, e, pela própria roda em que nascera, costumava ter daquelas festas, que razão havia para a excitação particular em que ora o vemos? Havia uma longa cauda de seda, com um bonito penteado por cima, duas pérolas sobre a testa, e dois olhos embaixo da testa. Beleza não era; mas tinha graça e elegância de sobra. Perdei a idéia de paixão, se a tendes; pegai na de um simples encontro de salão, um desses que deixam algum sulco, por dias, às vezes por horas, e se desvanecem sem grandes saudades. Barreto dançou com ela, disse-lhe algumas palavras, ouviu outras, e trocou meia dúzia de olhares mais ou menos longos.
            Entretanto, não era ela a única pessoa que se destacava no quadro; vinham outras, começando pela noiva, cuja influência no espírito do amanuense foi profunda, porque lhe deu a idéia de casar.
— Se eu me casasse? perguntou ele com os olhos na parede.
            Tinha vinte e oito anos, era tempo. O quadro era fascinador; aquele salão, com tantas ilustrações, aquela pompa, aquela vida, as alegrias da família, dos amigos, a satisfação dos simples convidados, e os elogios ouvidos a cada momento, às portas, nas salas: Todas essas vistas, pessoas e palavras eram de animar o nosso amanuense, cuja imaginação batia as asas pelo estreito âmbito da alcova, isto é, pelo universo. De barriga para o ar, as pernas dobradas, e os braços cruzados sobre a cabeça, Barreto formulava pela primeira vez, um programa de vida, olhava para as coisas com seriedade, e chamava a postos as forças todas que pudesse ter em si para lutar e vencer. Oscilava entre a recordação e o raciocínio. Ora via as galas da véspera, ora dava nos meios de as possuir também. A felicidade não era um fruto que fosse preciso ir buscar à lua, pensava ele; e a imaginação provava que o raciocínio era verdadeiro, mostrando-lhe o noivo da véspera e na cara deste a sua própria.
            — Sim, dizia Barreto consigo, basta um pouco de boa vontade, e eu posso ter muita. Há de ser aquela. Parece que o pai é rico; ao menos terá alguma coisa para os primeiros tempos. O resto é comigo. Um mulherão! O nome é que não é grande coisa: Ermelinda. O nome da noiva é que é realmente delicioso: Cecília! Manganão! Ah! manganão! Achou noiva para o seu pé... “ fê-lo rir e mudar de posição. Voltou-se para o lado, e olhou para os sapatos, a certa distância da cama. Lembrou-se que podiam ter sido roídos das baratas, esticou o pescoço, viu o verniz intacto, e ficou tranqüilo. Mirou os sapatos com amor; não só eram bonitos, bem feitos, mas ainda acusavam um pé pequeno, coisa que lhe enchia a alma.
            Tinha horror aos pés grandes — pés de carroceiro, dizia, pés do diabo. Chegou a tirar um dos seus, de baixo do lençol, e contemplá-lo por alguns segundos. Depois encolheu-o novamente, coçou-o com a unha de um dos dedos do outro pé, gesto que lhe trouxe à memória o adágio popular — uma mão lava a outra —, e naturalmente sorriu. Um pé coça outro, pensou. E, sem advertir que uma idéia traz outra, pensou também nos pés das cadeiras e nos pés dos versos. Que eram pés de verso? Dizia-se verso de pé quebrado. Pé de flor, pé de couve, pé de altar, pé de vento, pé de cantiga. Pé de cantiga seria o mesmo que pé de verso? A memória neste ponto cantarolou uma copla ouvida em não sei que opereta, copla realmente picante e música mui graciosa.
— Tem muita graça a Geni! disse ele, concertando o lençol nos ombros.
            A cantora fez-lhe lembrar um sujeito grisalho que a ouvia uma noite, com tais derretimentos de olhos que fez rir alguns rapazes. Barreto riu também, e mais que os outros, e o sujeito grisalho avançou para ele, furioso, e agarrou-o pela gola. Ia dar-lhe um murro; mas o nosso Barreto deu-lhe dois, com tal ímpeto que o obrigou a recuar três passos. Gente no meio, gritos, curiosos, polícia, apito, e foram ter ao corpo da guarda. Aí soube-se que o sujeito grisalho não avançara para o moço com o fim de se despicar do riso, por imaginar que se risse dele, mas por supor que estava mofando da cantora.
— Eu, senhor?
— Sim, senhor.
— Mas se até a aprecio muito! Para mim é a melhor que temos atualmente nos nossos teatros. O sujeito grisalho acabou convencido da veracidade de Barreto, e a polícia mandou-os em paz.
— Um homem casado! pensava agora o rapaz, recordando o episódio. Eu, quando casar, hei de ser coisa muito diferente.
            Tornou a pensar na cauda e nas pérolas do baile.
— Realmente, um bom casamento. Não conhecia outra mais elegante... Mais bonita havia no baile; uma das Amarais, por exemplo, a Julinha, com os seus grandes olhos verdes — uns olhos que faziam lembrar os versos de Gonçalves Dias... Como eram mesmo? Uns olhos cor de esperança... Que, ai, nem sei qual fiquei sendo
            Depois que os vi!
            Não se lembrando do princípio da estrofe, teimou por achá-lo, e acabou vencendo. Repetiu a estrofe, uma, duas, três vezes, até decorá-la inteiramente, para não esquecê-la mais. Bonitos versos! Ah! era um grande poeta! Tinha composições que haviam de ficar perpétuas na nossa língua, como o Ainda uma vez, adeus! E Barreto, em voz alta, recitou este começo:
Enfim te vejo! Enfim, posso,
Curvado a teus pés, dizer-te
Que não cessei de querer-te
Pesar de quanto sofri!
Muito penei! Cruas ânsias,
De teus olhos apartado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti.
— Realmente, é bonito! exclamou outra vez de barriga para o ar. E aquela outra estrofe — como é? —, aquela que acaba:
            Quis viver mais, e vivi!
            Desta vez, trabalho em vão; a memória não lhe acudiu com os versos do poeta; em compensação, trouxe-lhe uns do próprio Barreto, versos que ele sinceramente rejeitou do espírito, vexado da comparação. Para consolar o amor-próprio, disse que era tempo de tratar de negócios sérios. Versos de criança. Toda a criança faz versos. Vinte e oito anos; era tempo de seriedade. E o casamento voltou, como um parafuso, a penetrar no coração e na vontade do nosso rapaz. A Julinha Amaral não era grande negócio, e demais já andava meio presa ao filho do conselheiro Ramos, que advogava com o pai, e diziam que ia longe. Todas as filhas do barão de Meireles eram bonitas, menos a mais moça, que tinha cara de pau. Verdade é que dançava como um anjo.
— Mas a Ermelinda... Sim, a Ermelinda não é tão bonita, mas também não se pode dizer que seja feia; tem só os olhos miudinhos demais e o nariz curto, mas é simpática. A voz é deliciosa. E tem graça, o ladrão, quando fala. Ainda ontem...
            Barreto recordou, salvo algumas palavras, um diálogo que tivera com ela, no fim da segunda valsa. Passeavam: ele, não sabendo bem que dissesse, falou do calor.
— Calor? disse ela admirada.
— Não digo que esteja quente, mas a valsa agitou-me um pouco.
— Justamente, acudiu a moça; em mim produziu efeito contrário; estou com frio.
— Então, constipou-se.
— Não, é costume antigo. Sempre que valso, tenho frio. Mamãe acha que eu vim ao mundo para contrariar todas as idéias. O senhor espanta-se?
— Seguramente. Pois a agitação da valsa...
— Aqui temos um assunto, interrompeu Ermelinda; era o único modo de tirar alguma coisa do calor. Se concordássemos, estava esgotada a matéria. Assim, não; teimo em dizer que valsar faz frio.
— Não é má idéia. Então, se eu lhe disser que valsa muito mal...
— Eu acredito o contrário, e provo... concluiu ela, estendendo-lhe a mão.
            Barreto cingiu-a ao turbilhão da valsa. De fato, a moça valsava bem; o que mais impressionou o nosso amanuense, além da elegância, foi o desembaraço e a graça da conversação. As outras moças não são assim, disse ele consigo, depois que a conduziu a uma cadeira. E ainda agora repetia a mesma coisa. Realmente, era espirituosa. Não podia achar melhor noiva — de momento, ao menos; o pai era bom homem; não o recusaria por ser amanuense. A questão era aproximar-se dela, ir à casa, freqüentá-la; parece que eles tinham assinatura no Teatro Lírico. Vagamente lembrava-se de lhe haver ouvido isso, na véspera; e pode ser até que com intenção. Foi, foi intencional. Os olhares que ela lhe lançou traziam muita vida. Ermelinda! Bem pensado, o nome não era feio. Ermelinda! Ermelinda! Não podia ser feio um nome que acabava pela palavra linda. Ermelinda! Barreto deu por si a dizer alto:
— Ermelinda!
            Assustou-se, riu-se, repetiu:
— Ermelinda! Ermelinda!
            A idéia de casar fincou-se-lhe de vez no cérebro. De envolta com ela vinha a de figurar na sociedade por seus próprios méritos. Era preciso deixar a crisálida de amanuense, abrir as asas de chefe. Que é que lhe faltava? Tinha inteligência, prática, era limpo, não nascera das ervas. Bastava energia e disposição. Pois ia tê-las. Ah! porque não obedecera aos desejos do pai, formando-se, entrando na Câmara dos Deputados? Talvez fosse agora ministro. Não era de admirar a idade, vinte e oito anos; não seria o primeiro. Podia muito bem ser ministro, ordenanças atrás. E o Barreto lembrava-se da entrada do ministro na Secretaria, e imaginava-se a si mesmo naquela situação, com farda, chapéu, bordados... Logo depois, compreendia que estava longe, agora não — não podia ser. Mas era tempo de ganhar posição. Quando fosse chefe, casado em boa família, com uma das primeiras elegantes do Rio de Janeiro, e um bom dote — acharia compensação aos erros passados...
— Tenho de acabar a cópia, pensou Barreto repentinamente.
E achou que o melhor modo de crescer era trabalhar. Pegou no relógio que ficara sobre a mesa, ao pé da cabeceira da cama: estava parado. Mas não andava quando acordou? Pôs-lhe o ouvido, agitou, estava parado de vez. Deu-lhe corda, ele andou um pouco, mas parou logo.
— É uma espiga do tal relojoeiro das dúzias, murmurou o Barreto.
Sentou-se na cama um tanto reclinado, e cruzou as mãos sobre o estômago. Notou que não tinha fome, mas também comera bem no baile. Ah! os bailes que ele havia de dar, com ceia, mas que ceias! Aqui lembrou-se que ia pôr água na boca aos companheiros da Secretaria, contando-lhes a festa e as suas fortunas; mas não as contaria com ar de pessoa que nunca viu luxo. Falaria naturalmente, aos pedaços, quase sem interesse. E compôs alguns trechos de notícias, ensaiou de memória as atitudes, os movimentos. Talvez algum o achasse com olheiras. — “ — Não, responderia ele, fui ao baile . — “ — “. E continuou assim o provável diálogo, compondo, emendando, riscando palavras, mas de maneira que acabasse contando tudo sem parecer que dizia nada. Diria o nome de Ermelinda ou não? Este problema gastou-lhe mais de dez minutos; concluiu que, se lho perguntassem, não havia mal em dizê-lo, mas não lho perguntando, que interesse havia nisso? Evidentemente nenhum.
            Ficou ainda outros dez minutos, pensando à toa, até que deu um salto, e pôs as pernas fora da cama.
— Meu Deus! Há de ser tarde.
Calçou as chinelas e tratou de ir às abluções; mas logo aos primeiros passos, sentiu que as danças o tinham fatigado deveras. A primeira idéia foi descansar: tinha para isso uma excelente poltrona, ao pé do lavatório; achou, porém, que o descanso podia levar longe e não queria chegar tarde à Secretaria. Iria até mais cedo; às dez e meia, no máximo, estaria lá. Banhou-se, ensaboou-se, deu-se todo aos cuidados pessoais, gastando o tempo do costume, e mirando-se ao espelho, vinte e trinta vezes. Também era costume. Gostava de ver-se bem, não só para retificar uma coisa ou outra, mas para contemplar a própria figura. Afinal começou a vestir-se, e não foi pequeno trabalho, porque era meticuloso em escolher meias. Mal tirava umas, preferia outras; e já estas lhe não serviam, ia a outras, tornava às primeiras, comparava-as, deixava-as, trocava-as; afinal, escolheu um par cor de canela, e calçou-as; continuou a vestir-se. Tirou camisa, meteu-lhe os botões e enfiou-a; fechou bem o colarinho e o peito, e só então foi à escolha das gravatas, tarefa mais demorada que a das meias. Costumava fazê-lo antes, mas desta vez estivera pensando no discurso que dispararia ao diretor, quando este lhe dissesse:
            — Ora viva! Muito bem! Hoje madrugou! Vamos à cópia.
A resposta seria esta:
            — Agradeço os cumprimentos; mas pode o sr. diretor estar certo que eu, comprometendo-me a uma coisa, faço-a, ainda que o céu venha abaixo.
Naturalmente, não gostou do final, porque torceu o nariz, e emendou:
            — ...comprometendo-me a uma coisa, hei de cumpri-la fielmente.
Isto é que o distraiu, a ponto de vestir a camisa sem ter escolhido a gravata. Foi às gravatas e escolheu uma, depois de pegar, deixar, tornar a pegar e a deixar umas dez ou onze. Adotou uma de seda, cor das meias, e deu o laço. Reviu-se então longamente no espelho, e foi às botas, que eram de verniz e novas. Já lhes tinha passado um pano; era só calçá-las. Antes de as calçar, viu no chão, atirada por baixo da porta, a Gazeta de Notícias. Era uso do criado da casa. Levantou a Gazeta e ia pô-la na mesa, ao pé do chapéu, para lê-la ao almoço, como de costume, quando deu com uma notícia do baile. Ficou pasmado! Mas como é que podia a folha de manhã noticiar um baile, que acabou tão tarde? A notícia era curta, e podia ter sido escrita antes de terminar a festa, à uma hora da noite. Viu que era entusiástica, e reconheceu que o autor havia estado presente. Gostou dos adjetivos, do respeito ao dono da casa, e advertiu que entre as pessoas citadas figurava o pai de Ermelinda.. Insensivelmente sentara-se na poltrona, e indo dobrar a folha, deu com estas palavras em letras grandes: “ A narração era longa, entrelinhada; começou a ver o que seria, e, em verdade, achou que era gravíssimo. Um homem da Rua das Flores matara a mulher, três filhos, um padeiro e dois policiais, e ferira a mais três pessoas. Correndo pela rua fora, ameaçava a toda a gente, e toda a gente fugia, até que dois mais animosos puseram-se-lhe em frente, um com um pau, que lhe quebrou a cabeça. Escorrendo sangue, o assassino ainda corria na direção da Rua do Conde; aí foi preso por uma patrulha, depois de luta renhida. A descrição da notícia era viva, bem feita; Barreto leu-a duas vezes; depois leu a parte relativa à autópsia, um pouco por alto; mas demorou-se no depoimento das testemunhas. Todas eram acordes em que o assassino nunca dera motivo de queixa a ninguém. Tinha 38 anos, era natural de Mangaratiba e empregado no Arsenal de Marinha. Parece que houve uma discussão com a mulher, e duas testemunhas disseram ter ouvido ao assassino: “ Outras não acreditavam que as mortes tivessem tal origem, porque a mulher do assassino era boa pessoa, muito trabalhadeira e séria; inclinaram-se a um acesso de loucura. Concluía a noticia dizendo que o assassino estivera agitado e fora de si; à ultima hora ficara prostrado, chorando, e chorando pela mulher e pelos filhos.
            — Que coisa horrível! exclamou Barreto. Quem se livra de uma destas? Com a folha nos joelhos, fitou os olhos no chão, reconstruindo a cena pelas simples indicações do noticiarista. Depois, tornou à folha, leu outras coisas, o artigo de fundo, os telegramas, um artigo humorístico, cinco ou seis prisões, os espetáculos da antevéspera, até que se levantou de repente lembrando-se que estava perdendo tempo. Acabou de vestir-se, escovou o chapéu com toda a paciência e cuidado, pô-lo na cabeça diante do espelho, e saiu. No fim do corredor, reparou que levava a Gazeta, para lê-la ao almoço, mas já estava lida. Voltou, deitou a folha por baixo da porta do quarto e saiu à rua. Dirigiu-se para o hotel em que costumava almoçar, e não era longe. Ia apressado para desforrar o tempo perdido; mas não tardou que a natureza vencesse, e o passo tornou ao de todos os dias. Talvez a causa fosse a bela Ermelinda, porque, havendo pensado ainda uma vez no noivo, a moça veio logo, e a idéia do casamento meteu-se-lhe no cérebro.
Não teve outra até chegar ao hotel.
            — Almoço, almoço, depressa! disse ele sentando-se à mesa.
            — Que há de ser?
            — Faça-me depressa um filé e uns ovos.
            — O costume.
            — Não, não quero batatas hoje. Traga petit-pois... Ou batatas mesmo, venha batatas, mas batatas miudinhas. Onde está o Jornal do Commercio?
            O criado trouxe-lhe o Jornal, que ele começou a ler, enquanto lhe faziam o almoço.Correu à notícia do assassinato. Quando lhe trouxeram o filé, perguntou que horas eram.
            — Faltam dez minutos para o meio-dia, respondeu o criado.
            — Não me diga isso! exclamou o Barreto espantado.
            Quis comer às carreiras, ainda contra o costume; despachou efetivamente o almoço o mais depressa que pôde, reconhecendo sempre que era tarde. Não importa; prometera acabar a cópia, iria acabá-la. Podia inventar uma desculpa, um acidente, qual seria? Doença, era natural de mais, natural e gasto; estava farto de dores de cabeça, febres, embaraços gástricos. Insônia, também não queria. Um parente enfermo, noite velada? Lembrou-se que já uma vez explicara uma ausência por esse modo.
            Era meia hora depois do meio-dia, quando bebeu o ultimo gole de chá. Ergueu-se e saiu. Na rua parou. A que horas chegaria? Tarde para acabar a cópia, para que ir à Secretaria tão tarde? O diabo fora o tal assassinato, três colunas de leitura. Maldito bruto! Matar a mulher e os filhos. Aquilo foi bebedeira, de certo. Assim reflexionando, ia o Barreto, caminhando para a Rua dos Ourives, sem plano, levado pelas pernas, e entrou na charutaria do Brás. Já lá achou dois amigos.
— Então, que há de novo? perguntou ele, sentando-se. — Tem passado muito rabo de saia?

(Publicado originalmente em “A Estação”, 1892)

Opinião do blogueiro:
É! E ainda hoje existem muitos barretos no serviço público brasileiro. Pobre bolso do contribuinte!

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!!!

TODOMUNDO e Ninguém


TODOMUNDO, homem rico mercador, entra e faz que anda buscando alguma cousa que se lhe perdeu; e algo após ele um homem, vestido omo pobre, este se chama NINGUÉM, e diz:
Ninguém: Que andas tu aí buscando. 

Todomundo:  Mil cousas ando a buscar:  delas não posso achar, porém ando porfiando, por quão bom é porfiar. 


Ninguém: como hás o nome, cavaleiro? 
Todomundo: Eu hei nome Todomundo,  e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro,  e sempre nisto me fundo.
 
Ninguém:  Eu hei Ninguém,  e busco a consciência.
Belzebu: Esta é boa experiência:  Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro? 

Belzebu: 
Que Ninguém busca consciência,  e Todomundo, dinheiro.
 
Ninguém:  E agora que buscas lá?
 
Todomundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deus mande que tope com ele já.
Belzebu: Outra adição nos acude:  escreve logo aí, a fundo, que Todomundo busca honra  e Ninguém busca virtude. Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse? 
Todomundo:  Busco mais quem me louvasse  tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: 
E eu quem me reprendesse em cada cousa que errasse.
Belzebu:  Escreve mais. 
Dinato: Que tens sabido?

 
Belzebu: Que quer um extremo grado. Todomundo ser louvado, e Ninguém ser reprendido.  Ninguém: Buscas mais, amigo meu?  
Todomundo:  Busco a vida e quem me dê. 

Ninguém: A vida não sei que é,  a morte conheço eu.
Belzebu:Escreve lá outra sorte.

Dinato:  Que sorte? 
Belzebu: Muito garrida. Todomundo busca vida, e Ninguém conhece a morte.
Todomundo:  E mais queria o paraiso, sem mo ninguém estovar. 
Ninguém:E eu ponho-me a pagar  quanto devo para isso. 
Belzebu: Escreve com muito aviso.
 
Dinato:  Que escreverei?
 
Belzebu: Escreve  que Todomundo quer paraíso,  e Ninguém paga o que deve.
 
Todomundo: Folgo muito d'enganar, e mentir nasceu comigo.
 
Ninguém: Eu sempre verdade digo, sem nunca me desviar.
 Belzebu:  Ora escreve lá, compadre, não sejas tu preguiçoso.

Dinato: 
Quê? 
Belzebu:  Que Todomundo é mentiroso, e Ninguém diz a verdade.

 
Ninguém: Que mais buscas?
 
Todomundo:  Lisonjear. 

Ninguém:  Eu estou todo desengano. 
Belzebu: Escreve, ande lá, mano.
 
Dinato:  Que me mandas assentar? 
Belzebu: Põe ai mui declarado, não te fique no tinteiro:  Todomundo é lisonjeiro,  e Ninguém desenganado.
 

 É UM trecho da Peça “Auto da Lusitânia”, de Gil Vicente, do século XV ou XVI, porém atualíssimo. Todomundo e Ninguém, como os próprios nomes indicam, são personagens que simbolizam a conduta humana. Por meio desse artifício, Gil Vicente critica o comportamento humano. Mudam o cenário e os personagens porém a história é sempre a mesma. 
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!!!

NA CASA do colono paranaense tem


TEM coltrina ao invés de porta 
Ø tem um pijáme bom pra no causo de baxá hospital e uma ropa bonita pra ir na missa 
Øchinela avaina com a tira arrebentada e com um preguinho debaixo..

Ø tem umas perna de salame dependurado no poron.. 

Ø filho de colono tem sempre o nome importado tipo: Vádson, Adnosvaldo ou simplismente o apelido de Nêne.
Ø tem o calendário 'Santo Antônio' na parede da sala; 
Ø tem sempre um pé de gavirova,na frente da casa, pena que é tudo bichada, mais o dono sempre come. Diz que o que não mata ingorda.
Ø tem uma mesa comprida, com gaveta e o baralho ensebado drento; 
Ø tem o canivete em forma de foice pro fumo; BRITOLETTA
Ø tem umas lata no alto do balcão da cozinha com farinha, arroiz, erva, açucre... aquelas que os nêne sentam em cima pra fica no tamanho da mesa; 
Ø tem roupa secando no tampo e nos ferrinho do fogão à lenha, aceso o ano intero e com a chalera que nunca sai de cima; 
Ø tem no porão um saco de ráfia pendurado, com um monte de otros saco de ráfia drento; 
Ø tem patente ou tem banheiro, mas é do lado de fora; 
Ø na patente tem sabugo,revista velha ou jornal no lugar do papel higiênico;
Ø tem os remédio pra berne e sarna dos bicho em cima da geladera; 
Ø tem uns pé de bergamota, lima ou laranja do céu do lado da casa, onde q os cusco ficam deitado o dia inteiro!!! 
Ø tem umas par de garrafa de refri 2L com vinho ou cachaça drento, umas de butiá, otras de mato q faz bem pros rim; 
Ø tem a varinha atrás da porta pra tocá os gato pra fora; 
Ø tem telefone com antena externa e uma bateria de caminhão; 
Ø tem um sabugo de milho enrolado com um pano pra tranca a água do tanque; 
Ø tem compota e as chimia de tudo os tipo em cima do balcão; 
Ø tem meia dúzia de galinha ponhedera solta no pátio que vão virar brodo qualquer dia; 
Ø tem as toalhas de mesa floreadas pra usar quando vem os parente ou as visita; 
Ø tem aquele fusca 75 estacionado na garagem; 
Ø tem casca de laranja pendurada atrás do fogão a lenha pra faze cha; 
Ø tem pedaço de xinela havaiana pra fazer a porta para de bater; 
Ø tem batata doce e amendoim assando no fogão a lenha; 
Ø tem pôster do Grêmio ou do Inter campeão. Bemmmm de antigamente. 
Ø tem ratoeira armada em tudos cantos da casa; 
Ø tem o tanque de concreto que os nêne toma banho nos dia quente com a água que a nona lavo a ropa, com o sabão de soda, claro; 
Ø tem umas vaca de leite que vão carniá qdo fica gorda; 
Ø tem os taro de leite tudo batido de caí de cima do toco da estrevaria; 
Ø tem o quadro dos bisa, quando eram novo, na parede da sala; 
Ø tem o espelhinho laranja no banheiro e o estrado de madeira pra tomá banho, onde que cai o sabão e você não consegue pegar; 
Ø tem aquelas flor de plástico que põe água com acucre pro beija-flor i toma; 
Ø tem o loro falando com a nona e que reza o pai nosso intero, de cor e salteado; 
Ø tem, pão sovado, salame, chimia e sagu pra comer, sempre 
Ø tem toalha de crochê enfeitando a mesa da cozinha; 
Ø tem uma vassoura de galho pra varrer o pátio, escorada numa árvore; 
Ø tem um guaipeca bernento chamado toque, no terrero da casa acuando pros carro que passa na estrada;
Ø tem a foto do papa, , na parede. tirada da revista Manchete de 1981.
Ø na roça tem sempre a pessoa que quando da uma trovejada de chuva, a pessoa diz que São Pedro ta jogando boliche no céu.
Ø os moveis são azul, vermelho ou bege;
Ø  as paredes da casa são pintadas com cal misturado com alguma;
cor bonita como rosa, azulzinho fraca etc...  
Ø tem os queijo secando na tábua pregada do lado de fora da janela ...
Ø tem sempre uns garrafón de vinho guardado dentro da dispensa...
Ø só não tem chave na porta da frente,a outra é com tramela, pq na colonha se vive assim, esse jeito simples e coração grande....
Ø tem a estiopa pendurada na varanda ou atrás da porta do banheiro que o nono usava pra mata os passarinho
Ø e só sabe o que eh isso quem já conviveu assim, e quem sabe respeitar e dar valor aos queridos colonos, que vivem do suor sem muita bonificação;
 
Que vivem na ingenuidade de não precisar ficar trancados em casa, pelo fato da violência e banditismo que temos a nos rodear na cidade.


Infância igual a de quem cresceu na roça...
ninguém tem igual...
Porque lá, se vive e aprende coisas que jamais se esquecem;
e não simplesmente deixa-se a vida passar por frente dos olhos.

COM CERTEZA TEM SEMPRE UMA PESSOA TE ESPERANDO DE BRAÇOS ABERTOS P TE ACOLHER  A QUALQUER HORA DO DIA OU DA NOITE,Q TE ABRAÇAM COM MUITA SIMPLICIDADE,E COM MUITO AMOR.
É OU não é verdade???

HOMENAGEM do blogue ao querido povo do Paraná!







LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!!!