sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O LEÃO e o tigre

Por ANTONIO Valentim, 2Vizinhos - PR 

NÃO. O assunto desta vez não é futebol, e sim outro, mais árido. Nestes dias os meios de comunicação paraenses suscitaram uma questão cultural antiga e incômoda, chata mesmo: a rivalidade regional.
Trata-se da pinima que nossos irmãos amazonenses têm contra o povo paraense, perpetuando o preconceito regional. Desta vez deram curso ao fato lamentável de o prefeito de Manaus ter destratado uma moradora da periferia de Manaus ao saber que a mesma é paraense.
Morei no Amazonas por cinco anos e pude constatar, in loco, ser essa uma triste verdade. Algumas explicações para tal problema. Uma delas é o fato bastante comum de paraenses, principalmente da região de Santarém, migrarem para o Amazonas em busca de melhores condições de vida no Polo Industrial de Manaus, e assim nossos vizinhos se sentirem prejudicados com a concorrência - e isto vem ocorrendo há mais de quarenta anos. Com o grande índice de paraenses vivendo em Manaus, também igualmente  não raros os problemas sociais, daí a exposição de alguns paraenses na mídia, com assaltdos, homicídios e outras mazelas. ‘Taí, só podia ser paraense’ é o que logo dizem as línguas maldosas, perpetuando assim a cultura ‘anti-paraense’ na sociedade manauara. Os meios de comunicação, infelizmente, também dão curso ao preconceito, incutindo na mente das novas gerações absurdos como esse, havendo até programas de tevê locais que promovem piadas de mau-gosto contra paraenses.
Outra explicação é que o Pará é um estado extenso territorialmente. Quem mora em Santarém e região está mais próximo geograficamente de Manaus que de Belém, a capital do estado. A referência do Pará para o irmão amazonense é, portanto, o habitante dessas regiões, cujos costumes estão distantes do restante do estado do Pará. Naturalmente quem sofre com isso não é o belemense, já que este só sabe dessas coisas quando a imprensa paraense noticia, como é o caso desse absurdo dito pelo prefeito de Manaus a uma moradora da cidade pelo simples fato de ela ter migrado do Pará. Mais de uma vez ouvi falarem que paraense come carne de jacaré e outras coisas do gênero, naturalmente com a idéia de insultar.
Penso que quem dá muita importância à bobagens como essa (rivalidade unilateral), propagando o ódio regional, é  quem verdadeiramente se sente incomodado. Explica-se. Na rivalidade (pseudo-rivalidade, para mim) entre argentino e brasileiro, os que mais se incomodam conosco são os argentinos, e isso se explica pelo fato de no seu íntimo eles – nossos irmãos portenhos –  reconhecerem no Brasil um país superior a eles, daí recorrerem comumente a insultos tipo ‘macaquitos’ e coisas do gênero, mais evidentes, para nós, no futebol. Conta-se que até a metada da década de 80, quando nosso espaço aéreo não era devidamente patrulhado, era comum aviões argentinos penetrarem os céus de São Paulo a fim de fotografarem o parque industrial paulista ou coisas assim. O contrário não se verificava, ainda porque pouca importância dávamos a eles. No Rio Grande do Norte há outra rivalidade boba do habitante de Mossoró contra o natalense ao ponto de, na época de natal, desejarem ‘feliz mossoró’ apenas para não dizer o nome da capital. Mossoró se considera mais importante que Natal, mas esta última é a capital do estado.Consta que até nas escolas em Manaus não se fala 'castanha-do-pará' ao fruto que é conhecido com esse nome em todo o restante do Brasil, mas sim 'castanha-da-amazônia'; seria dar muita moral a paraense, não é mesmo?! Da parte do paraense, creio que em geral só se importou com o fato de Manaus, e não Belém, ter sido escolhida como uma das doze subsedes da copa de 2014, ficando restrita a rivalidade ao futebol, e paramos por aí.
Essa história toda me lembra aquela fábula do tigre e do leão em que o primeiro não aceita muito essa estória de o leão ser considerado o rei dos animais, já este último nem dá bola para o tigre. Mas não vamos prolongar muito a fábula para não dar outra conotação, e botar mais lenha em outra fogueira: a rivalidade futebolística paraense, esta bem mais ferrenha e bilateral, ainda que saudável.
UMA grande bobagem isso tudo. Mas que é lastimável ouvir bobagens como essa da boca de uma autoridade, isso é.

 
POR incrível que pareça!
'O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente.'   (João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)
O autor apreciando um bom chimarrão
 
 
PENSAMENTO do dia
'PARA quem nada espera, o pouco muito representa.' Gonçalves Ribeiro



LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

(do Blog do Dj Leão, em 22fev.2011)

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