sexta-feira, 25 de março de 2011

AINDA se fala assim?

do BLOG do DJ Leão
LI OUTRO dia uma crônica de ... (não me lembro agora!), em que o jornalista, usando do direito constitucional de espernear, desabafar, ou mesmo do raulseixiano eu também vou reclamar, fala da falta de opção de madrugada nos trocentos canais que a tevê oferece. Não quero me deter aqui ao assunto em si – da falta de opções para gente normal como o jornalista, como eu, você, pois fazemos coro com o esperneio –, mas sim chamar a atenção para um vocábulo e uma pergunta, que negritei no texto copiado e colado – côntrol cê, côntrol vê. O vocábulo: ‘zapeio’; a pergunta: ‘ainda se diz assim?’, que ele pôs dentro de parêntesis.

PERCEBI – ainda que pudesse ser apenas efeito de estilo – certa preocupação do jornalista com a gíria (gíria? Ainda se diz assim?) usada, se ela continua sendo falada, e se ele não está desatualizado em relação à galera de hoje. Por vezes – tal qual o dito jornalista –  me vejo sob uma grande interrogação – um ‘?’ bem grande mesmo – ao ouvir certa palavra, a qual nunca havia escutado antes, cujo significado procuro logo descobrir para não ficar para trás, desatualizado, por fora (ainda se diz assim?).

EU NÃO devia - conservador que sou - mas acabo por me render às novidades, embora com relativo atraso. Carlos Drummond escreveu algo sobre isso, sobre como os modismos na arte de falar do brasileiro chegam e como saem; alguns cedo, outros ficam por mais algum tempo entre nós. Não estou aqui a falar do regionalismo, que uma coisa mais perene, que ainda, malgrado a televisão, persiste em se manter vivo no falar do nortista, do nordestino, do caipira e do sulista.

AQUELE ‘máixsh quâando!’ do paraense, por exemplo, é algo que vem de longo tempo e por longo tempo ainda ficará. O versátil ‘ééééégua!’ é outro que tende a permanecer na boca dos meus conterrâneos por muitos janeiros. Versátil porque serve tanto para admiração quanto para xingamento, isto é, o sujeito pode estar admirado com alguma coisa ou mesmo irritado com alguém,a ponto de apelar para o ‘égua’, expressão de tão comum entre os papa-açaí, que o paraense nem se admira ao proferi-la.

UM COLEGA nosso, o Fábio Ronconi, paulista, oficial aviador, quando servia na Base Aérea de Belém, precisou levar o carro à oficina. No final, preocupado com o previsível longo período ‘de apé’, como dizem os gaúchos daqui do Paraná, cobrou do prazo de conserto:
              - Não vai demorar muito?
             – Máxsh quâando, jogador!’, tranquilizou o mecânico. 

O ‘jogador’ no caso era uma mera gíria que eu – já alguns anos fora de Belém – não sei se ainda é falada. Estou desatualizado, totalmente por fora das paradas de sucesso, como diz o cearense.
Antigamente era assim.

A revista Língua Portuguesa, estudando o assunto, ilustrou a matéria com um texto interessante de um jovem do Rio de Janeiro dos anos 1960. Querem ler? Então, se o doente quer canja, canja pro doente. Aí vai:

“MEUS camaradinhas,
Não entendi bulufas, dessa jogada de fazerem o papai aqui apresentar o professor Antenor Nascentes, um cara tão crânio e cheio de mumunhas, que é manjado até na Europa. Já tô até meio cabrero, e achando até que foi crocodilagem do diretor do curso, o professor Odorico Mendes, pra eu entrar pelo cano.
O professor Antenor Nascentes é um chapa legal, é bárbaro e, em Filologia, bota banca. Escreveu um dicionário etimológico que é uma lenha. Dois volumes que eu vou te contar. Um deles é desta idade... mais grosso que trocador de ônibus. O homem é o Pelé da Gramática, tá mais por dentro que bicho de goiaba. Manda brasa, professor Nascentes!”
(Correio do Povo, 20abr.1966, transcrito pela revista Língua Portuguesa, número 23, 2007, pág. 39).

Vai cinco barões aí?

       Quanto a mim, realmente ainda não descobri se ainda se fala por aí o verbo ‘zapear’; sei que eu falo. Másh, na verdade eu queria dizer mexshmo é que estou com saudades do máixsh quâando! e do éééééguaaa!.

PENSAMENTO para hoje:
‘O SER, o ter e o fazer são como triângulo, no qual cada lado serve de apoio para os demais. Não há conflito entre eles.” Shakti Gawain
Fiquem com o bom Deus e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
ANTONIO Valentim,

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