domingo, 17 de abril de 2011

O VERDADEIRO AÇAÍ paraense chegou ao Sudoeste paranaense

por Jorge Baleeiro de Lacerda
(do Jornal de Beltrão, edição de 16abr.2011)

O AÇAÍ chegou ao Sudoeste. E o tacacá? Outro dia, no Doce D’ocê, em Francisco Beltrão, tomei um verdadeiro açaí da minha terra. Vivi em minha cidade natal (Belém do Pará) do meu nascimento aos 5 anos, depois dos 12 aos 14. Isso foi o bastante para que incorporasse hábitos paroaras como tomar tacacá, beber açaí e bacaba, comer da imensa variedade de frutas como pupunha, uxi, umari, taperebá, bacuri, abricó, pitomba, abiu, borojó, caçari, biribá, castanha-do-pará, camutim, jambo, ingá, jambolão, mirauba, sapotilha, uxipucu, xicaco, pajurá, piquiá e uxirana. Tomar sorvete de cupuaçu e comer maniçoba em casamentos! Tomar açaí com farinha de mandioca ou farinha de tapioca é tão comum em Belém quanto tomar chimarrão no Rio Grande do Sul. Aqui no Sul, toma-se, de uns tempos para cá, um bom açaí só que em forma de sorvete com granola, leite condensado e outros adornos, que na culinária do Pará não existem.

Pedi na “Doce D’ocê” que me trouxessem apenas o açaí. Não havia farinha de mandioca nem de tapioca para que saboreasse o precioso líquido, que no Pará, outrora mais do que hoje, era comida de pobre. Levei, na segunda vez, um copo com farinha de mandioca. Pedirei a amigos do Pará que me mandem farinha de tapioca. Em andanças pela cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará, seu nome completo, fundada em l6l6 por Francisco Caldeira Castelo Branco, mormente nos bairros da periferia, o passante, em cada quatro, cinco quadras via uma bandeira feita de lata pintada de vermelho (que em Belém se diz “encarnado”).
Açaizeiros na várzea

Não havia inscrição alguma. A simples bandeira significava que ali vendia-se açaí. A máquina de fazer açaí é uma engenhoca simples que tritura a baciada de grãos de açaí, já lavados, numa porção d’água que, aos poucos vai caindo numa bacia. O produto já está pronto. Basta colocar farinha ou tapioca e açúcar. Há os que preferem tomar açaí com farinha e postas de peixe frito.Quando o açaí está no ponto, os apanhadores chamam-no de tuíra. Quando ainda está muito misturado, frutos verdes e roxos, chamam-no de paró ou parau.
Açaí na tigela

O Sul descobriu o açaí, há uns dez anos, e daí para cá o consumo cresceu, chegando hoje a algo por volta de 100 mil litros dia de açaí consumidos no Sudeste e no Sul. Já se fala em câmaras frigoríficas para trazer açaí. Segundo estudos, o açaí é mais nutritivo do que o leite. E muito mais saboroso.

Abundante em todo o Baixo Amazonas e na Ilha de Marajó, a palmeira Euterpe oleracea dá em touceiras o ano inteiro. Há touceiras com mais de 20 pés, o que garante açaí para a família ribeirinha durante o ano. No Maranhão toma-se, também, muito açaí, só que com o nome de juçara.

Diferentemente do sertanejo clássico, flagelado e faminto, o caboclo do Pará é forte porque tem alimentação farta (peixe, farinha, açaí, frutas) ao alcance das mãos. Hoje há uma grande campanha em defesa do açaizeiro, que não deve ser derrubado para dele ser retirado palmito. O caboclo está cada vez mais consciente de que o açaizeiro é alimento da família. Bem tratado, pode alimentar a família do ribeirinho e ainda ser exportado para o Sul. O governo deve cuidar do comércio do açaí, impedindo que seja fonte de exploração do homem.

Certamente o pessoal que lida com as comunidades rurais devem estar de olho. O açaí pode ser uma excelente fonte de renda para o caboclo do interior que tem algumas touceiras de açaí ao redor da sua palafita e pode plantar outras mais para ganhar um dinheiro adicional.

Fiquei contente em pode tomar o autêntico açaí de minha terra na Doce D’ocê.


COMENTÁRIO de ANTONIO Valentim
Saudades da minha Santa Maria de Belém do Grão-Pará, e também do açaí, do cupuaçu e da farinha de mandioca. Pupunha, segundo minha querida Mãe, dona Maria, foi a primeira palavra que falei neste mundo (será que eu gosto de pupunha?). Fico feliz por encontrar um conterrâneo aqui no Sudoeste, terra,  igualmente ao meu Pará, abençoada e de gente trabalhadora.

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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