terça-feira, 14 de junho de 2011

SOBRE 'O baile da despedida' - 1ª parte

FALA o livro sobre o último baile da monarquia, a famosa festa da Ilha Fiscal mandada promover pelo Imperador em homenagem a alguns oficiais da marinha chilena, tripulantes de um navio de guerra ancorado no porto do Rio de Janeiro, e que reuniu cerca de 6 mil convidados. O baile aconteceu em 1889, em 9 de novembro, a exatos cinco dias do golpe militar da Proclamação da República.  Historicamente, me parece ter sido esse baile a gota d'água que faltava para a queda de Pedro II, que vinha trôpego havia anos.

Josué Montello narra em primeira pessoa. O narrador-personagem é um renomado jornalista, que inclusive foi correspondente na segunda guerra. O maranhense radicado no Rio de Janeiro, na 'Nossa Revista', é mandado sua terra natal com a missão de entrevistar uma tal dona Catarina, remanescente desse famosíssimo e pomposo baile, colhendo assim subsídios para a matéria a ser publicada pela revista.

À primeira vista, parece uma tarefa fácil, mas não foi. Se assim fosse, o livro se resumiria a poucas páginas, e o 'O baile da despedida' tem 385 páginas de letras miúdas, divididas em quatro partes. É óbvio que uma obra desse vulto carece de um autor talentoso, criativo, capaz de angariar o interesse de seus leitores do início ao fim da trama, pois do contrário o leitor se cansaria do livro, abandonando a sua leitura. É o caso de Josué Montello.

O jornalista, cujo nome até agora não foi mencionado no livro - nem sei se o vai fazer até o fim da estória -, chega a São Luís, acompanhado de Gil, o melhor fotógrafo da empresa. Sua estratégia inicial consistia no silêncio, na surpresa da chegada a fim de não assustar a entrevistada, dona Catarina, uma mulher rica e que na época, 1947, conta com oitenta anos de idade. Para sua decepção, seu chefe, o Castrioto, já tinha mandado por telegrama a notícia de sua chegada, que foi publicada pelo Diário de São Luís.

Sendo assim, ao chegar toda a São Luís já sabia de sua presença e da missão para a qual fora incumbido. Dona Catarina, nessa ocasião, encontrava-se de viagem, e por essa razão o famoso jornalista não pôde de início lhe falar. A sua estada em São Luís vai se prolongando, a ponto de seu auxiliar, Gil, acabar por voltar ao Rio de Janeiro, deixando-o só.

Com habilidade, o autor vai oscilando a trama a ponto de, em vários momentos, todas as possibilidades de o jornalista conseguir a entrevista parecerem quase nulas. Entrevistar dona Catarina, uma octogenária reclusa, que jamais aceitou falar uma palavra sobre o famoso baile a um estranho, sobretudo a um jornalista, e que, para piorar, tinha fama de louca, parecia ser uma missão impossível. Assim sendo, por várias vezes decidiu voltar ao Rio de mãos vazias. No entanto, quando todas as chances lhe pareciam nulas, eis que, por acaso, se dá de frente com dona Catarina, quando a senhora está de volta de uma de suas viagens pelas fazendas de que era herdeira. Uma forma de apresentar suspense ao livro, prendendo a atenção do leitor.
Qual foi a sua sorte? Exatamente a de ser muito parecido (pelo menos na opinião de dona Catarina) com Benito, o oficial chileno pelo qual Catarina, aos 22 anos,  apaixonou-se, e a cuja imagem ela dedicou seus dias a partir de então, de forma obsessiva. Dona Catarina simplesmente congelou a data, fazendo de todos os dias de sua vida um novo 9 de novembro de 1889.

    "Pela fresta da porta do carro, distingui uma senhora, de chapéu de palha, afogada num vestido escuro, e tive a intuição repentina de que era dona Catarina.
   Sim, devia ser, não podia deixar de ser.

   Aproximei-me, quase a exibir meu guarda-chuva, ao curvar-me para a portar, já com a mão adiantada para dar-lhe a mão:
   - Posso ajudá-la?
   E ela, em tom alvissareiro:
    - É você, Benito. Não é possível!"

(DEPOIS eu continuo.)

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

2 comentários:

  1. Debe estar muy interesante, saludos

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  2. Sí, por supuesto. El libro es bueno.
    El autor escribe sobre baile de la ILHA Fiscal en 1889. Fue el último baile de la monarquía brasileña.

    Josué Montello mezcla historia y ficción.
    Saludos, mi amigo de España.

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