sábado, 30 de julho de 2011

DE CREDOR a devedor?



OS ESTADOS UNIDOS sempre ostentaram exemplo de política econômica sólida ao mundo, não só pelo tamanho de sua economia (ainda a maior do globo), mas pela austeridade fiscal que mantinha o setor econômico do país equilibrado. Desde o término da 2º Grande Guerra Mundial, os EUA (maiores beneficiados pelo conflito) controlam o mundo as suas regras, seus interesses.

Reconstruíram economicamente a Europa devastada pela guerra, da mesma forma que fizeram na Ásia-Pacífico, através do plano Colombo. Nesse período vivíamos a chamada “Guerra Fria”, conflito ideológico militar entre americanos e soviéticos. A pujança econômica sempre permitiu aos americanos financiarem guerras e reconstruir países como forma de dominação imposta a essas nações.

O aprofundamento do processo de globalização econômica permitiu um novo reajuste na geopolítica mundial, não mais bipolar, agora multipolar, com diversos países aumentando sua influência no mundo. O próprio dólar, moeda americana que dominou por décadas a economia global, sofre forte concorrência do Euro, este muito mais valorizado do que a “verdinha” americana.

Os Estados Unidos desde o fim da Guerra-Fria atravessa questionamentos no que diz respeito a sua supremacia, sua liderança mundial. Os índices econômicos do referido país não acompanham o crescimento da economia chinesa, dos Tigres Asiáticos e de alguns países europeus (antes da atual crise) há anos, quase uma década.

O atual cenário de crise econômica, fiscal, caminha o país – pela primeira vez na história – a decretar moratória, ou seja, não honrar os compromissos a partir do próximo mês. A dívida pública do governo americano chegou a 14 trilhões de dólares, batendo o teto (valor máximo fixado pelo congresso para o endividamento do governo).

O presidente Barack Obama tenta de todas as formas negociar com os congressistas o aumento do teto, ou seja, elevar o grau de endividamento governamental, excluindo temporariamente o risco de calote. A oposição ao governo, o Partido Republicano, não aceita elevar o teto da dívida pública. Os motivos – muito mais políticos – são claros. Primeiro dariam ao governo Obama condições políticas e econômicas de amenizar a crise econômica e fiscal. Segundo, ano que vem ocorrerá eleições e Obama disputará a reeleição. O objetivo dos Republicanos é desgastar ainda mais a imagem do presidente americano.


As negociações entre governo e congresso vão avançando, sinalizando algumas saídas. Dentre elas, que, os Republicanos poderiam elevar o endividamento do país, em troca de grandes cortes no orçamento, sobretudo na área social. O reduto eleitoral de Obama se concentra nos mais pobres, o orçamento na área social a cada ano aumenta, para garantir boa avaliação do presidente. Com os cortes, a oposição atacaria a principal fonte de votos de Obama: os mais pobres.

A atual situação dos EUA é o produto de alguns anos de péssima gestão, de ações desastrosas e que levaram a economia americana à derrocada. O padrão dólar-ouro, firmado após a 2º Guerra Mundial, enfraquece frente a outras moedas, principalmente o Euro. O grande crescimento econômico de alguns países, principalmente a China, que na relação comercial com os americanos, deixam um déficit cada vez maior na economia dos Estados Unidos.

Outro ponto foi a desastrosa gestão de George Bush, que afundou a economia americana em duas guerras, com gastos astronômicos na área militar. O descontrole das contas elevou consideravelmente o déficit público do governo, chegando aos atuais patamares.

Obama colhe hoje os “frutos” deixados pelos Republicanos, que por sua vez pretendem afundar mais ainda a já questionada imagem do presidente democrata. Os índices de popularidade de Obama continuam gradativamente a cair, motivados pela crise econômica do país e as expectativas geradas pela sua chegada à Casa Branca, que muitas promessas de campanhas não se tornaram realidade.

Caso não se chegue a um acordo no congresso americano e se eleve o teto da dívida, os Estados Unidos deverão decretar moratória, ação impensada pelo poder econômico americano. De grande credor da economia mundial, os americanos já são grandes devedores, e quem sabe, agora inadimplentes.
(do Blog REFLEXÕES e Provocações, prof. Henrique Branco)


"OS VIVOS são e serão sempre, cada vez mais, governados pelos mais vivos." Barão de Itararé

AMAI-VOS uns aos outros como eu vos amei!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OBRIGADO por comentar e volte sempre ao BLOGUE do Valentim!