domingo, 17 de julho de 2011

MARLETH Silva: Não te conheço de algum lugar?


Felipe Lima /

por Marleth Silva


Quem de nós nunca passou por essa situação em que temos certeza de que conhecemos alguém que não nos conhece? 

Dia desses um senhor muito educado se dirigiu a mim na saída de uma livraria:

– Acho que eu conheço a sua irmã. Me dei conta só de olhar para você, que é a cara dela. 

Concordei. Realmente eu e minha irmã somos muito parecidas.

E segue o diálogo:

– E de onde o senhor conhece a minha irmã?

– Lá do nosso bairro, o São Miguel. Somos vizinhos.

São Miguel! Onde fica o São Miguel? Mas contenho o susto.

– Ah, então acho que não é minha irmã. Ela mora no Campina do Siqueira.

– É ela sim – ele insiste. A Marli, casada com o Juarez, que mora no São Miguel.

Não é, não, insisto. E ele rebate, acrescentando mais uma informação para me convencer:

– É a sua irmã, a Marli, casada com o Juarez, que trabalha na Volvo, e que mora no São Miguel. É a sua cara.

Já estou contendo o riso. Ele quer me convencer que tenho uma irmã que se chama Marli a quem eu ignoro. Já estou quase lamentando os Natais e as festas de batizado na casa da Marli a que eu não compareci por não saber que ela existia.

Mas saio pela culatra para não desapontá-lo (aliás, leitor, há quanto tempo você não lia que algo saiu pela culatra?).

A culatra por onde sai foi a seguinte:

– Por favor, diga para a Marli que eu mando um abraço e gostaria muito de conhecê-la, já que ela parece tanto comigo.

Levei na esportiva (e essa expressão, leitor, é do seu tempo?). Quem de nós nunca passou por essa situação em que temos certeza de que conhecemos alguém que não nos conhece? Ou ficamos confusos com a familiaridade que enxergamos no rosto de um desconhecido que não está nem interessado em nos ajudar a resolver o mistério?

Alguém que viu a cena me disse que isso acontece quando uma pessoa demora a reconhecer que está equivocado em uma bobagem qualquer. Contei o caso para minha irmã, aquela que mora no Campina do Siqueira. O marido dela acha que eu devo ir atrás dessa dupla, a Marli e o Juarez. Deve ser um casal simpático. Colegas de trabalho – maliciosos como os colegas de trabalho costumam ser – me dizem que a Marli pode ser uma filha perdida do meu pai. E eu, da minha parte, decido que preciso conhecer melhor o São Miguel. (Gazeta do Povo, ed. de 16jul.2011, Curitiba, PR, Brasil)

"VOCÊ pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo." Abraham Lincoln

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Um comentário:

  1. Esas situaciones tan curiosas se producen a veces, saludos

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