segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CEM ANOS de Policarpo Quaresma

Reprodução / Foto do prontuário que, em 1919, registrou a internação de Lima Barreto em um sanatório do Rio de Janeiro
Foto de 1910

Ecos da visão desencantada 


CEM ANOS após a publicação de Triste Fim de Policarpo Quaresma, o Brasil avançou social e economicamente, mas rompantes ufanistas não escondem uma realidade, que, muitas vezes, permanece igual à retratada na obra de Lima Barreto.
    “Temos que tomar medidas que fortaleçam a indústria. O mercado brasileiro deve ser usufruído pela indústria brasileira, não pelos aventureiros que vêm de fora”, disse o ministro da Fazenda ao anunciar, no início do mês, um pacote de incentivos à produção nacional. Sem saber, Guido Mantega prestou uma oportuna homenagem a Policarpo Quaresma, célebre personagem da ficção brasileira que acaba de completar cem anos. 

    Tomado de um amor “sério, grave e absorvente” pelo Brasil, o nacionalista fanático criado pelo jornalista e escritor Lima Barreto tinha sua própria receita para o desenvolvimento nacional – uma receita controversa, é verdade, mas que parece inspirar até hoje a equipe econômica. Tanto que a retórica do ministro Mantega guarda semelhanças com a do major Quaresma, que, num de seus arroubos patrióticos, diz o seguinte: “Não protegem as indústrias nacionais... Comigo não há disso: de tudo que há nacional, eu não uso estrangeiro”.



    Reprodução / Acima, casa em que Lima  Barreto viveu parte da infância, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro 
    Acima, casa em que Lima Barreto viveu parte da infância, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro
    Biografia
    Ao longo de seus 41 anos, Lima Barreto viu publicados quatro de seus romances e foi internado num hospício em duas ocasiões:
    1881 – Numa sexta-feira 13, em maio, nasce Afonso Henriques de Lima Barreto no Rio de Janeiro.
    1887 – Em dezembro, sua mãe morre de tuberculose.
    1893 – A Armada revolta-se no Rio contra o governo republicano. Barreto usaria esse período histórico para retratar Policarpo Quaresma.
    1897 – O futuro escritor ingressa na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Seu pai gostaria de vê-lo graduar-se engenheiro.
    1903 – O pai enlouquece e Lima Barreto é obrigado a deixar a faculdade para sustentar a família. Começa a trabalhar na Secretaria da Guerra.
    1905 – Passa a trabalhar como jornalista profissional, para o Cor­reio da Manhã.
    1909 – Consegue publicar, em Portugal, o primeiro romance: Recordações do Escrivão Isaías Caminha.
    1911 – O Jornal do Commercio começa a publicar em folhetins Triste Fim de Policarpo Quaresma. A versão em livro só sairia quatro anos mais tarde.
    1914 – Lima Barreto é internado pela primeira vez num hospício, por problemas derivados do alcoolismo.
    1915 A Numa e a Ninfa é publicado em capítulos pelo jornal A Noite.
    1918 – Aposentado precocemente por invalidez.
    1919 – Lança, também em folhetins, o romance Vida e Morte de M. F. Gonzaga de Sá na revista Souza Cruz e é novamente recolhido ao hospício.
    1922 – Lima Barreto morre no Rio de Janeiro, em decorrência de problemas cardíacos.
    1923 – Seu último romance, Clara dos Anjos, é publicado postumamente.
    Dom Quixote dos trópicos
    E ele se lembrava que há bem cem anos, ali, naquele mesmo lugar onde estava, talvez naquela mesma prisão, homens generosos e ilustres estiveram presos por quererem melhorar o estado de coisas de seu tempo. Talvez só tivessem pensado, mas sofreram pelo seu pensamento. Tinha havido vantagem? As condições gerais tinham melhorado? Aparentemente sim; mas, bem examinado, não.”

    Escrivão Isaías Caminha é o mais autobiográfico dos personagens do autor
    Toda a obra de Lima Barreto diz respeito ao homem que ele foi. Mas Recordações do Escrivão Isaías Caminha talvez seja o livro no qual o autor carioca mais conseguiu traduzir, por meio da ficção, suas experiências pessoais, angústias e frustrações. O romance, lançado em 1909, dois anos antes de Triste Fim de Policarpo Quaresma , ganhou recentemente uma edição caprichada da Penguin/Companhia das Letras, com prefácio do historiador Francisco de Assis Barbosa, que fez um estudo sobre o autor, contextualizando o livro à época em que foi publicado.

    LEIA  a matéria completa em Gazeta do Povo, edição de 27ago.2011 , Curitiba (www.gazetadopovo.com.br) 


    "AMAI-VOS uns aos outros como eu vos tenho amado."

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