sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PAULO Sant'Ana: a vergonha da inveja

TUDO que se liga à megalomania me interessa profundamente no estudo das perfeições e dos defeitos da mente humana. E, como a megalomania é o centro da conduta humana e a causa principal da maioria dos distúrbios, é dela diretamente que deriva um dos mais sérios defeitos de fabricação do homem: a inveja.

É surrada a verdade absoluta de que a inveja é irmã gêmea da admiração. Eu só posso invejar a quem admiro. Inveja-se porque se constata que a pessoa invejada nos superou. Pelo mesmo raciocínio, como quando alguém nos supera, por dom ou desempenho, é fundamental que destruamos o objeto invejado. Ou pelo menos que desejemos que o invejado seja destruído pelas circunstâncias da vida, se formos impotentes para eliminá-lo.

Como à megalomania do invejoso é insuportável que continue existindo a superioridade do invejado sobre ele, urge que aquele obstáculo seja afastado, sob pena do desespero de quem nutre a inveja. Para o invejoso, a competição já se decidiu em favor do invejado, é preciso que este último seja afastado da liça pelo primeiro ou pelo acaso. Como muitas vezes é cansativo e dramático esperar pelo acaso, o invejoso se atira à destruição do invejado.

Sob certo aspecto já concordamos anteriormente que o supremo ideal do invejoso era ser o invejado: quando vamos assistir à glória de um cantor no palco, na verdade o que mais ansiamos secretamente é que aqueles densos aplausos fossem dirigidos a nós. No nosso cálculo, só nos realizaríamos se nós estivéssemos ali naquela ribalta a receber aquele tributo consagrador do público.

Claro que se o cantor não fizer parte das nossas circunstâncias, não compete conosco, até mesmo porque não sabemos cantar, este é um tipo daquilo que chamamos de inveja boa, que se transforma naturalmente em idolatria. No entanto, se alguém se exibe com sucesso no nosso meio, no nosso trabalho, nas nossas relações ou em torno do nosso interesse, conseguindo por exemplo com a mulher que nós desejamos um sucesso que ansiaríamos conquistar e não conquistamos, nasce dessa supremacia do rival sobre nós, ao natural, a nossa inveja desse alguém.
A primeira e intrínseca reação do invejoso contra o invejado é a agressividade. É preciso destruir o rival que nos superou, só com sua eliminação a nossa autoestima será recuperada. São tão complicadas as tramas que constituem a inveja, que uma das suas manifestações mais infames e inexplicáveis é aquela inveja que o invejoso sente pelo êxito de um seu amigo. Como pode nascer inveja pelo sucesso de um amigo que se ama? Pois incrivelmente a inveja é uma planta tão daninha, que nasce e cresce até mesmo no terreno da amizade e do amor. Aliás, é também surrada a verdade filosófica de que não existe diferença entre o ódio e o amor, uma das mais inextricáveis contradições da sempre paradoxal conduta humana.

Mas quando a inveja se transforma em ódio, sai da frente, que aí vem grande confronto e catástrofe. E se por alguma forma explícita ou subjetiva o invejoso pretende destruir o invejado, outra não é sua ação do que o suicídio: é evidente que, se o invejoso gostaria de ser o invejado, se intenta matá-lo, está incorrendo na autodestruição. Por isso é que se afirma com razão que a inveja acaba corroendo e consumindo o próprio invejoso. Quando menos seja, por vergonha. (blog do Paulo Sant'Ana, Porto Alegre, Brasil)


"NENHUM homem é justificado em fazer o mal pelo fundamento da utilidade." Theodore Roosevelt


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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