O RUIM-DE-BOLA é fundamental pro futebol. Sem ele não se completam os
times da pelada. E o melhor: muitas vezes ele vai pro gol, evitando o
revezamento de goleiros.
Mas gosta de ir pra linha. Tênis ou chuteira zero quilômetro, meia
três-quartos. A corrida sem bola é meio puladinha, indo e voltando sem
receber passes.
Se conduz a bola, vai dando toquinhos tão leves que ela quase não sai
do lugar. Quando aparece um adversário, põe a sola em cima da bola,
aponta alguém lá na frente e grita: “vai!” – e dá um bico pra muito
longe.
Depois, na cerveja, dirá: “viu meu lançamento?”.
Ele recebe os dribles e chapéus necessários à auto-estima e à
parolagem dos peladeiros. Bate os laterais. Está disposto a sair para a
entrada de quem chegou atrasado e formar o time de fora.
Não briga com ninguém por causa de nenhum lance. Não pede a bola. Volta pra marcar quando todos param lá na frente.
Quase sempre é dono da caminhonete que leva os jogadores ou é o
responsável pelo aluguel do campo ou da quadra. Leva a bola, a bomba, o
gatorade.
E nem gosta tanto de futebol. Assiste pouco, como quem não vê. Exceto
em Copa do Mundo. Aí, junto com as mulheres e as crianças, buzina,
grita, comemora, chora.
Acontece às vezes de ele acabar se dedicando profissionalmente ao esporte. Quase sempre como dirigente.
Aí ele começa a atrapalhar tudo.
(blog do Juca Kfouri)
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