terça-feira, 25 de outubro de 2011

A SÃO SILVESTRE e o fim do mundo

Wanderley Nogueira
Ivan Pacheco/Terra)
No seu currículo, Marílson têm duas vitórias na maratona de Nova York e três corridas de São Silvestre, em São Paulo (Crédito: Ivan Pacheco/Terra)
 
A CORRIDA de São Silvestre já terminou na Ponte Pequena, E.C. Tietê, Rua Conceição  e Avenida Paulista.  A largada também mudou algumas vezes: Parque Trianon, Túnel 9 de Julho, Pacaembu, Praça Osvaldo Cruz, Rua Conceição, Av. Casper Líbero, Avenida Paulista 900 e Masp.

A distância foi alterada inúmeras vezes : 6.200 m, 7.600 m, 7.300 m, 7.000 m, 5.500 m, 7.400 m, 8.700 m, 9.200 m, 9.000 , 8.900 m, 13.548 m, 12.600 m, 12.640 m,  13.000 m, 12.630 m,  12.650 m  e 15.000 m.

Em 1988, houve a inversão do percurso\moderno: descida da Consolação e subida da Av.Brigadeiro. Em 1989, a Corrida de São Silvestre passou a ser realizada durante o dia (16h55 e 17h) e, desde 1991, a largada vem ocorrendo diante do MASP.

Claro que o número de participantes  mudou ao longo dos últimos 85 anos. Começou com dezenas, chegou às centenas e atingiu milhares e milhares. E pelo jeito não vai parar de crescer. Em 1925, quando tudo começou a cidade tinha 600 mil habitantes, hoje tem 11 milhões. E com a região metropolitana, 19 milhões pessoas.

Tudo mudou muito.

A corrida “viu” o início da Coluna Prestes, a Intentona Comunista, o golpe que derrubou Getúlio Vargas, a eleição de Juscelino, o ato institucional nº 2 que determinou eleições indiretas e acabou com os partidos políticos, o início da conversa sobre a abertura política “lenta, gradual e segura”. Ao longo da história, a competição “assistiu” o fim do governo militar, a eleição de Fernando Henrique Cardoso, o primeiro escândalo do governo Lula (caso Waldomiro) , até os dias de hoje. E só lembrei alguns destaques das últimas oito décadas, começando em 1925.

Agora, a chegada vai mudar novamente. Dizem os organizadores que será no Parque do Ibirapuera e a largada na Av. Paulista. O anúncio da mudança provocou muitas manifestações contrárias. É muito fácil encontrar críticas diante da decisão da organização.

Mas não é unanimidade. Há também pessoas que não encaram a alteração como o final dos tempos. O tricampeão da São Silvestre, Marilson Gomes da Silva, acredita que a alteração pode ser boa para o evento, apesar de concordar que a tradição pode se perder. Lembra que “já houve outras mudanças anteriormente. As pessoas vão se acostumar, mas tudo o que for feito para deixar o evento melhor é válido”.

Mas atletas profissionais e amadores devem estar preparados para adversidades. O esporte é assim. É preciso atentar para o maior desgaste das articulações. Marilson ressalta que “os atletas poderão controlar melhor o ritmo. Talvez eles até cheguem mais inteiros na chegada”.

Para Wanderlei Oliveira, “as mudanças são válidas e necessárias. Acho que será bom para o corredor e para a organização”.

Com a mudança, é correto entender que, digamos, é outra competição. É uma coisa nova. Amadores também se pronunciaram. Rodrigo Bastos diz: “adorei a mudança, acho que o percurso será maios desafiador”. Fausto Carvalho lembra que “vai melhorar a altimetria da prova”. Fausto Corteze afirma que “os corredores em geral andam muito mal acostumados. A meia maratona da Asics em São Paulo e Rio de Janeiro tiveram inicio e fim em pontos distintos, ninguém reclamou. Chicago, Boston, NY e Berlim têm inicio e fim em pontos distintos. Mas lá é chique correr”.
Para mim, tradição é o dia da competição.

Quando não for mais no dia 31 de dezembro, será o fim do mundo. (blog do Wanderley Nogueira)

"PRECONCEITO e imparcialidade estão nos olhos do observador." Lord Barnett

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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