domingo, 27 de fevereiro de 2011

AS TRÊS árvores

    HAVIA no alto de uma montanha três árvores que sonhavam o que seriam depois de grandes.
A primeira, olhando as estrelas, disse: 'Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros.'
A segunda, olhando o riacho, suspirou: 'Eu quero ser um navio grande para transportar reis e rainhas.'
A terceira olhou para o vale e disse: 'Quero ficar aqui no alto da montanha e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem os olhos e pensem em Deus.'
MUITOS anos se passaram e, certo dia, três lenhadores cortaram as árvores. Todas três ansiosas por serem transformadas naquilo que sonhavam. Mas, os lenhadores não costumavam ouvir ou entender de sonhos... Que pena!
A primeira árvore acabou sendo transformada em um cocho de animais, coberto de feno. A segunda virou um simples barco de pesca, carregando pessoas e peixes todos os dias. A terceira foi cortada em grossas igas e colocada num depósito. Então, todas perguntaram desiludidas e tristes:
-- Por que isto?
MAS, numa bela noite, cheia de luz e estrelas, uma jovem mulher colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho cheio de animais. E, de repente, a primeira árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo.
A segunda árvore acabou transportando um homem que terminou dormindo no barco, mas, quando a tempestade quase afundou a embarcação, ele levantou-se e disse: 'PAZ!'. E, num relance, essa árvore entendeu que estava transportando o Rei do céu e da terra.
TEMPOS mais tarde, numa sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. Logo, sentiu-se horrível e cruel. Porém, no domingo seguinte, o mundo vibrou de alegria. Então, a terceira árvore percebeu que nela havia sido pregado um homem para a salvação da humanidade e que as pessoas sempre se lembrariam de Deus e de seu Filho ao olharem para ela.
As árvores haviam tido sonhos e desejos... mas sua realização foi mil vezes maior do que haviam imaginado.
PORTANTO, nunca deixe de acreditar em seus sonhos, mesmo que aparentemente eles sejam impossíveis de se realizar. (Do informativo IGREJA A CAMINHO, março/abril de 2011, da Paróquia Imaculada Conceição, Dois Vizinhos - PR)

PENSAMENTO do dia:
'NO MUNDO há dois tipos de pessoas: as que trabalham e as que levam o crédito. Fique no primeiro grupo, onde há menos concorrência.' Indira Gandhi

UM abençoado domingo a todos e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

EVANGELHO do domingo: 'NÃO se pode servir a dois senhores'

'Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça.'
"NINGUÉM pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outro, ou aderir ao primeiro e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro! Por isso, eu vos digo: não vivais preocupados com o que comer ou beber, quanto à vossa vida; nem com o que vestiver, quanto ao vosso corpo. Afinal, a vida não é mais que o alimento, e o corpo, mais que a foupa? Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem guardam em celeiros. No entanto, o vosso Pai celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais do que eles? Quem de vós pode, com sua preocupação, acrescentar um só dia à duração de sua vida? E por que ficar tão preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo. Não trabalham, nem fiam. No entanto, eu vos digo, nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje está aí e amanhã é lançada ao forno, não fará ele muito mais por vós, gente fraca na fé? Portanto, não vivais preocupados, dizendo: 'Que vamos comer? Que vamos beber? Como nos vamos vestir?'. Os pagãos é que vivem procurando todas essas coisas. Vosso Pai que esá nos céus sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Portanto, não vos preocupei com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá sua própria preocupação! A cada dia basta o seu mal." (Mt 6, 24-34)

UM ABENÇOADO domingo a todos e...

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O LEÃO e o tigre

Por ANTONIO Valentim, 2Vizinhos - PR 

NÃO. O assunto desta vez não é futebol, e sim outro, mais árido. Nestes dias os meios de comunicação paraenses suscitaram uma questão cultural antiga e incômoda, chata mesmo: a rivalidade regional.
Trata-se da pinima que nossos irmãos amazonenses têm contra o povo paraense, perpetuando o preconceito regional. Desta vez deram curso ao fato lamentável de o prefeito de Manaus ter destratado uma moradora da periferia de Manaus ao saber que a mesma é paraense.
Morei no Amazonas por cinco anos e pude constatar, in loco, ser essa uma triste verdade. Algumas explicações para tal problema. Uma delas é o fato bastante comum de paraenses, principalmente da região de Santarém, migrarem para o Amazonas em busca de melhores condições de vida no Polo Industrial de Manaus, e assim nossos vizinhos se sentirem prejudicados com a concorrência - e isto vem ocorrendo há mais de quarenta anos. Com o grande índice de paraenses vivendo em Manaus, também igualmente  não raros os problemas sociais, daí a exposição de alguns paraenses na mídia, com assaltdos, homicídios e outras mazelas. ‘Taí, só podia ser paraense’ é o que logo dizem as línguas maldosas, perpetuando assim a cultura ‘anti-paraense’ na sociedade manauara. Os meios de comunicação, infelizmente, também dão curso ao preconceito, incutindo na mente das novas gerações absurdos como esse, havendo até programas de tevê locais que promovem piadas de mau-gosto contra paraenses.
Outra explicação é que o Pará é um estado extenso territorialmente. Quem mora em Santarém e região está mais próximo geograficamente de Manaus que de Belém, a capital do estado. A referência do Pará para o irmão amazonense é, portanto, o habitante dessas regiões, cujos costumes estão distantes do restante do estado do Pará. Naturalmente quem sofre com isso não é o belemense, já que este só sabe dessas coisas quando a imprensa paraense noticia, como é o caso desse absurdo dito pelo prefeito de Manaus a uma moradora da cidade pelo simples fato de ela ter migrado do Pará. Mais de uma vez ouvi falarem que paraense come carne de jacaré e outras coisas do gênero, naturalmente com a idéia de insultar.
Penso que quem dá muita importância à bobagens como essa (rivalidade unilateral), propagando o ódio regional, é  quem verdadeiramente se sente incomodado. Explica-se. Na rivalidade (pseudo-rivalidade, para mim) entre argentino e brasileiro, os que mais se incomodam conosco são os argentinos, e isso se explica pelo fato de no seu íntimo eles – nossos irmãos portenhos –  reconhecerem no Brasil um país superior a eles, daí recorrerem comumente a insultos tipo ‘macaquitos’ e coisas do gênero, mais evidentes, para nós, no futebol. Conta-se que até a metada da década de 80, quando nosso espaço aéreo não era devidamente patrulhado, era comum aviões argentinos penetrarem os céus de São Paulo a fim de fotografarem o parque industrial paulista ou coisas assim. O contrário não se verificava, ainda porque pouca importância dávamos a eles. No Rio Grande do Norte há outra rivalidade boba do habitante de Mossoró contra o natalense ao ponto de, na época de natal, desejarem ‘feliz mossoró’ apenas para não dizer o nome da capital. Mossoró se considera mais importante que Natal, mas esta última é a capital do estado.Consta que até nas escolas em Manaus não se fala 'castanha-do-pará' ao fruto que é conhecido com esse nome em todo o restante do Brasil, mas sim 'castanha-da-amazônia'; seria dar muita moral a paraense, não é mesmo?! Da parte do paraense, creio que em geral só se importou com o fato de Manaus, e não Belém, ter sido escolhida como uma das doze subsedes da copa de 2014, ficando restrita a rivalidade ao futebol, e paramos por aí.
Essa história toda me lembra aquela fábula do tigre e do leão em que o primeiro não aceita muito essa estória de o leão ser considerado o rei dos animais, já este último nem dá bola para o tigre. Mas não vamos prolongar muito a fábula para não dar outra conotação, e botar mais lenha em outra fogueira: a rivalidade futebolística paraense, esta bem mais ferrenha e bilateral, ainda que saudável.
UMA grande bobagem isso tudo. Mas que é lastimável ouvir bobagens como essa da boca de uma autoridade, isso é.

 
POR incrível que pareça!
'O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente.'   (João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)
O autor apreciando um bom chimarrão
 
 
PENSAMENTO do dia
'PARA quem nada espera, o pouco muito representa.' Gonçalves Ribeiro



LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

(do Blog do Dj Leão, em 22fev.2011)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ESPAÇO Literário: HAJA paciência

Um balconista em apuros com o aluno
AQUELE não devia ser um dos melhores dias do balconista, que era também caixa da cantina da escola. Já não sabia a quem atender primeiro, tanto era o movimento naquele local. E, além de nervoso e zonzo, teve a infelicidade de abordar logo aquele aluno.
 -- Vamos lá, pessoal, rapidinho. O que é que você quer, moço?
O jovem, com muita calma, procurava com o olhar o baleiro e disse:
 -- Balas... quanto custa?
 -- Sim, mas... mas quantas eu ganho por um cruzeiro?
 -- Ah, são três por um cruzeiro. Quanto você quer?
 -- Três por um, heim? Quer dizer que dez balas custam...
 -- Sim, nove balas dão três cruzeiros - conserta o balconista.

O aluno hesita por um instante, olhando para os lados, para o chão, e, por fim, decide-se:
 -- Se o senhor fizer dez por três, eu fico. Afinal, eu sou freguês que merece maior atenção... ou não?
 -- Tá bem. Vá lá, 'pão-duro'!

Dirige-se para o baleiro catando as balas com pressa, enquanto o aluno observa e berra:
 -- Não, não! Dessas aí eu não quero.
 -- Quais que você quer então?
 -- Eu quero sortidas - e aponta com o dedo explicando: duas dessas, uma dessas, três daquelas...
Com o sangue à flor da pele, o balconista deposita a encomenda sobre o balcão.
 -- Pronto, moço, agora só falta pagar.
 -- Ei, mas aqui só há nove balas.
O mais rápido possível o homem conserta para dez. Quando ele pensou que tinha solucionado o problema, o jovem sai-se com outra:
 -- Meu amigo, sinto muito, mas eu o avisei que não colocasse dessa qualidade. Faça o favor de trocá-las.
Os demais fregueses presenciam o desenrolar da cena. Uns acham graça da desgraça do balconista, outros amaldiçoam o sujeito. Nesse instante os olhos do homem tomam uma cor de fogo, pragueja consigo mesmo e fica visivelmente bastante irritado. Num gesto brusco e violento avança para o montinho de balas e já ia enfiando de volta no baleiro, se o nosso artista não tivesse interferido em tempo:
 -- Calma aí, chefe, tá tudo certo. É só trocar de café por menta.
Com esforço o homem se controlou e o atendeu. O aluno revira, olha e mexe e novamente resmunga:
 -- Puxa, mas olha aqui um instantinho. Como é que eu posso aceitar essa amassadinha aqui? Sinto muito, não há condições mesmo.
 -- Então todos prestavam atgenção na sua fisionomia, a fim de esclarecer umas dúvidas: 'Estaria ele brincando ou testanto a paciência do balconista?' A resposta foi rápida e clara. Estava descortinada em sua face. Ele falava sério. Aquele era mesmo o seu modo natural de ser.
Muito depois, finalmente, os mínimos detalhes foram corrigidos. E, para espanto dos presentes e desespero do balconista, ele concluiu:
 -- Ok, pode fazer um vale.
 (Aluno Dener em O Especialista em Revista, EEAR, nº 12, ano VIII, 1979)


PENSAMENTO do dia

'É FÁCIL apagar as pegadas; difícil, porém, é camihar sem pisar o chão.' Lao-Tsé


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ESPAÇO Literário: EU sei, mas não devia


Marina Colasanti

EU SEI que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(transcrito de O ESPECIALISTA Em Revista, ano VII nº 11, dezembro de 1978) 

Marina Colasanti



PENSAMENTO do dia:
'QUANDO a gente pensa que sabe todas as respostas a vida muda todas as perguntas'



LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

SÓ POR hoje

SÓ POR HOJE tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver o problema da minha vida todo de uma vez;
Só por hoje terei o máximo de cuidado em tratar os outros: delicado nas minhas maneiras; não criticar ninguém, não pretender melhorar ou disciplinar senão a mim;
Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste;
Só por hoje me adaptarei às circunstâncias sem pretender que as circunstâncias se adaptem aos meus desejos;
Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me que, como é preciso comer para sustentar o corpor, assim a leitura é necessária para alimentar a vida da minha alma;
Só por hoje praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém;
Só por hoje farei uma coisa necessária mesmo que não goste, e se for ofendido procurarei que ninguém o saiba;
Só por hoje farei um programa bem completo do meu dia. E me guardarei bem de duas calamidades: a pressa e a indecisão;
Só por hoje ficarei bem firme na fé de que a Divina Providência se ocupa de mim, como se existisse somente eu no mundo - ainda que as circunstâncias manifestem o contrário;
SÓ POR HOJE não terei medo. Em particular, não terei medo de crer na bondade.
(Do calendário DÍZIMO 2009)

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O HOMEM do blog de um milhão de acessos

Por Antonio Valentim
Apraz-me nesta ocasião manifestar minha homenagem particular ao jornalista paraense Gerson Nogueira, cujo popularíssimo blogue nesta terça-feira, 22fev.2011, com menos de 2 anos de idade, atinge a invejável marca de 1.000.000 de acessos. A homenagem naturalmente é compartilhada pelos milhares de leitores, que desde o primeiro post ‘De Baião para o mundo…’, numa terça-feira, 21 de abril de 2009, vêm diariamente acompanhando mais este grande trabalho do Gersão. Este humilde escriba de ocasião, um paraense radicado no Paraná, é um dos milhares que , todo santo dia, visitam o blog do Gerson, ávido por notícias da terrinha, aproveitando sempre para lançar lá suas opiniões e  singelos pitacos, que – sem sofrerem censura – são livremente postados, ainda que nem sempre venham a coincidir com o pensamento do jornalista e da maioria de seus leitores – cada cabeça uma sentença, como diz a sabedoria popular. Tornou-se , para mim, um hábito salutar manter-me bem informado das coisas do esporte da nossa terra, das nuances da política e da economia, e ainda, – de quebra -  aproveitar para trocar ideias com os amigos que conheci nos últimos meses por graça desse  maravilhoso instrumento de interação, o blog do Gerson.
A liberdade de expressão, essa joia preciosa garimpada na mina da democracia  (embora nem todos estejam devidamente familiarizados com o seu uso) e que vem sendo lapitada há mais de duas décadas neste Brasil amado, é própria do profissional de comunicação correto e dos homens de bem – e em ambas as categorias está inserido o amigo -,  essa gente  corajosa, que não fica em cima do muro temendo expor suas opiniões sinceras,  estas nem sempre bem compreendidas. Firmes e coerentes, suas opiniões e postagens, porém,  zelam pelo respeito  ao pensamento do outro, cujo direito de voz jamais é cerceado.
Gerson Nogueira é daqueles que trilham o princípio defendido por  um outro grande homem da história do desporto e do jornalismo paraense, o mestre Edir Proença: ‘Opinião não se discute.’ Nós, seus leitores – falo aqui no plural sem medo de errar -,  também nos sentimos honrados com esse primeiro milhão de acessos. Valeu, amigo GN, e continue assim, ‘sempre no ataque e jogando limpo’. E vamos ao segundo milhão!

PENSAMENTO do dia:
“Posso não concordar com uma só palavra do que dizes, mas lutarei até o fim pelo direito de o fazeres.”
(Jean-Marie Arouet, mais conhecido na história como Voltaire)

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 
(Do blog do Dj Leão, em 22fev2011, transcrito no blog do Gerson Nogueira)  http://blogdodjleao.blogspot.com)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

BBB: O BRASIL não merece essa baixaria

Reproduzo artigo de Eduardo Guimarães, publicado no Blog da Cidadania:

ESTOU na sala de estar de casa com a esposa e a neta, de dez anos. Na tela da tevê, um rapagão de quase dois metros de altura e uma garota gorduchinha, ambos lá pelos vinte e poucos anos, protagonizam uma cena lamentável. Insultam-se, dizem palavrões e têm espasmos de verdadeira histeria, com berros assustadores e gritos ininteligíveis.

Precisam ser contidos por outro casal, que parece achar que se atracarão aos socos e pontapés. As imagens confirmam a percepção. Choca um pouco o pensamento de que o rapaz a agrediria – e talvez ela a ele – se não estivessem na tevê, mesmo que pareça que estão prestes a esquecer disso e partirem para as vias de fato.

Digo à minha esposa que não concordo com que a minha neta assista ao programa. E que ela mesma não deveria. Estão se divertindo, porém. Acreditam que é inofensivo. Dizem que já vão desligar, enquanto riem do que vêem.

Não posso culpá-las. Não há nada melhor na tevê aberta e acabaram de lavar a louça do jantar. Estão naquele momento em que as pessoas só querem relaxar e tirar a mente de qualquer coisa séria.

Dirão que é uma deficiência educacional com a minha neta, mas todos sabem que essa é a realidade de milhões e milhões de famílias de todas as classes sociais e regiões do país. Além do que, proibir jovens de fazer alguma coisa só funciona enquanto estão sob os nossos olhares vigilantes. Há que convencê-los do que não devem fazer. E estou tentando, mas não é fácil.

Na escola da minha neta, colegas discutem animadamente sobre o Big Brother Brasil; a enfermeira que cuida da minha filha caçula, moça simples que veio da Bahia sem nada, batalhou e rompeu com a lógica dessas garotas do Nordeste que vinham para São Paulo e se tornavam empregadas domésticas automaticamente, também adora.

A enfermeira já se tornou parte da família. Às vezes até dorme em casa, quando eu e minha mulher temos que sair cedo para o nosso escritório no dia seguinte. Ela adora o BBB. Torce por um dos rapazes marombados e desprovidos de neurônios, que considera “lindo”. Tem 24 anos. É uma moça simples, esforçada, honesta. E minha mulher acha ótimo terem o programa para discutir.

Poderiam discutir uma boa teledramaturgia, por exemplo. Não precisaria ser esse lixo. Mas como não lhes oferecem coisa melhor, então “se viram” com o que têm.

Isso ocorre na residência de um ativista político de esquerda que desde que seus quatro filhos – sendo três deles adultos, hoje – eram bebês prega contra a baixaria na tevê e se dedica à causa da melhora da comunicação no Brasil. Imaginem o que acontece em famílias sem influência política ou intelectual…

Porque é inevitável. É “isso” o que temos na tevê aberta, no Brasil. Baixaria, vulgarização do sexo, bebedeira, ódio, mesquinhez, violência, inveja, desonestidade. Esses são os valores que a tevê aberta, um direito e uma propriedade da cidadania, incute em nossa juventude, em nossa infância e até em faixas etárias mais maduras.

Esse programa, porém, supera tudo o mais que há de ruim na tevê. Sobretudo por seu alcance, mas também pelos exemplos de lassidão dos costumes, do comportamento em sociedade. É um pisotear incessante de valores elevados que a tevê deveria difundir, mesmo que seja por sua condição de concessão pública.

O cinema ou o teatro que as tevês exibem, por exemplo, via de regra, mesmo exibindo comportamentos inaceitáveis, sempre terminam oferecendo a premissa de que o mau comportamento não compensa e de que tem um preço. Programas como o BBB, não. Aqueles dois ignorantes que discutiam com aquela virulência, ganham pelo que fazem. Nem que seja fama.


Quanto daquilo ficará na alma da minha neta? Que influência assistir a esse tipo de comportamento terá nas mentes mais simples? É liberdade de expressão vender a idiotia, a covardia, os maus instintos todos como características de jovens “descolados”?

O país suporta passivamente essa bofetada em sua face em que se consiste cada programa Big Brother Brasil, ano após ano. E, com a queda de audiência no Brasil de um programa que deixou de ser exibido no resto do mundo por falta justamente de audiência, pode-se prever que a apelação da Globo só fará aumentar.

E não há uma mísera autoridade que diga um A.
 
(extraído do Blog do Miro: http://altamiroborges.blogspot.com)


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

EVANGELHO do domingo: 'O SOL sobre maus e bons'

SENHOR Jesus, nosso salvador!
'OUVISTES que foi dito: 'Olho por olho e dente por dente!' Ora, eu vos digo: não ofereçais resistência ao malvado! Pelo contrário, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a acompanhá-lo por um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir, e não vires as costas a quem te pede emprestado. Ouviste que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!' Ora, eu vos digo: amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nasceu o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recomensa tereis? Os publicanos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito." (Mt 5, 38-48)

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ESPAÇO Literário: CONTO de Escola


A ESCOLA era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.
            Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro. Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes. 
             Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo e tinha perto de cinqüenta anos ou mais. Uma vez sentado, extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos, que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
            Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o filho do mestre.
            Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinqüenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco.
            — O que é que você quer?
            — Logo, respondeu ele com voz trêmula.
            Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
            Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma cousa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.
            — Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.
            — Não diga isso, murmurou ele.
            Olhei para ele; estava mais pálido. Então lembrou-me outra vez que queria pedir-me alguma cousa, e perguntei-lhe o que era. Raimundo estremeceu de novo, e, rápido, disse-me que esperasse um pouco; era uma coisa particular.
Seu Pilar... murmurou ele daí a alguns minutos.
— Que é?
— Você...
— Você quê?
            Ele deitou os olhos ao pai, e depois a alguns outros meninos. Um destes, o Curvelo, olhava para ele, desconfiado, e o Raimundo, notando-me essa circunstância, pediu alguns minutos mais de espera. Confesso que começava a arder de curiosidade. Olhei para o Curvelo, e vi que parecia atento; podia ser uma simples curiosidade vaga, natural indiscrição; mas podia ser também alguma cousa entre eles. Esse Curvelo era um pouco levado do diabo. Tinha onze anos, era mais velho que nós.
            Que me quereria o Raimundo? Continuei inquieto, remexendo-me muito, falando-lhe baixo, com instância, que me dissesse o que era, que ninguém cuidava dele nem de mim. Ou então, de tarde...
            — De tarde, não, interrompeu-me ele; não pode ser de tarde.
            — Então agora...
            — Papai está olhando.
            Na verdade, o mestre fitava-nos. Como era mais severo para o filho, buscava-o muitas vezes com os olhos, para trazê-lo mais aperreado. Mas nós também éramos finos; metemos o nariz no livro, e continuamos a ler. Afinal cansou e tomou as folhas do dia, três ou quatro, que ele lia devagar, mastigando as idéias e as paixões. Não esqueçam que estávamos então no fim da Regência, e que era grande a agitação pública. Policarpo tinha decerto algum partido, mas nunca pude averiguar esse ponto. O pior que ele podia ter, para nós, era a palmatória. E essa lá estava, pendurada do portal da janela, à direita, com os seus cinco olhos do diabo. Era só levantar a mão, dependurá-la e brandi-la, com a força do costume, que não era pouca. E daí, pode ser que alguma vez as paixões políticas dominassem nele a ponto de poupar-nos uma ou outra correção. Naquele dia, ao menos, pareceu-me que lia as folhas com muito interesse; levantava os olhos de quando em quando, ou tomava uma pitada, mas tornava logo aos jornais, e lia a valer.
            No fim de algum tempo — dez ou doze minutos — Raimundo meteu a mão no bolso das calças e olhou para mim.
            — Sabe o que tenho aqui?
            — Não.
            — Uma pratinha que mamãe me deu.           — Hoje?
            — Não, no outro dia, quando fiz anos...       — Pratinha de verdade?
            — De verdade.
            Tirou-a vagarosamente, e mostrou-me de longe. Era uma moeda do tempo do rei, cuido que doze vinténs ou dois tostões, não me lembro; mas era uma moeda, e tal moeda que me fez pular o sangue no coração. Raimundo revolveu em mim o olhar pálido; depois perguntou-me se a queria para mim. Respondi-lhe que estava caçoando, mas ele jurou que não.
            — Mas então você fica sem ela?
            — Mamãe depois me arranja outra. Ela tem muitas que vovô lhe deixou, numa caixinha; algumas são de ouro. Você quer esta?
            Minha resposta foi estender-lhe a mão disfarçadamente, depois de olhar para a mesa do mestre. Raimundo recuou a mão dele e deu à boca um gesto amarelo, que queria sorrir. Em seguida propôs-me um negócio, uma troca de serviços; ele me daria a moeda, eu lhe explicaria um ponto da lição de sintaxe. Não conseguira reter nada do livro, e estava com medo do pai. E concluía a proposta esfregando a pratinha nos joelhos...
            Tive uma sensação esquisita. Não é que eu possuísse da virtude uma idéia antes própria de homem; não é também que não fosse fácil em empregar uma ou outra mentira de criança. Sabíamos ambos enganar ao mestre. A novidade estava nos termos da proposta, na troca de lição e dinheiro, compra franca, positiva, toma lá, dá cá; tal foi a causa da sensação. Fiquei a olhar para ele, à toa, sem poder dizer nada.
            Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. Se me tem pedido a cousa por favor, alcançá-la-ia do mesmo modo, como de outras vezes, mas parece que era lembrança das outras vezes, o medo de achar a minha vontade frouxa ou cansada, e não aprender como queria, — e pode ser mesmo que em alguma ocasião lhe tivesse ensinado mal, — parece que tal foi a causa da proposta. O pobre-diabo contava com o favor, — mas queria assegurar-lhe a eficácia, e daí recorreu à moeda que a mãe lhe dera e que ele guardava como relíquia ou brinquedo; pegou dela e veio esfregá-la nos joelhos, à minha vista, como uma tentação... Realmente, era bonita, fina, branca, muito branca; e para mim, que só trazia cobre no bolso, quando trazia alguma cousa, um cobre feio, grosso, azinhavrado...
            Não queria recebê-la, e custava-me recusá-la. Olhei para o mestre, que continuava a ler, com tal interesse, que lhe pingava o rapé do nariz. — Ande, tome, dizia-me baixinho o filho. E a pratinha fuzilava-lhe entre os dedos, como se fora diamante... Em verdade, se o mestre não visse nada, que mal havia? E ele não podia ver nada, estava agarrado aos jornais, lendo com fogo, com indignação...
            — Tome, tome...
            Relancei os olhos pela sala, e dei com os do Curvelo em nós; disse ao Raimundo que esperasse. Pareceu-me que o outro nos observava, então dissimulei; mas daí a pouco deitei-lhe outra vez o olho, e — tanto se ilude a vontade! — não lhe vi mais nada. Então cobrei ânimo.
            — Dê cá...
            Raimundo deu-me a pratinha, sorrateiramente; eu meti-a na algibeira das calças, com um alvoroço que não posso definir. Cá estava ela comigo, pegadinha à perna. Restava prestar o serviço, ensinar a lição e não me demorei em fazê-lo, nem o fiz mal, ao menos conscientemente; passava-lhe a explicação em um retalho de papel que ele recebeu com cautela e cheio de atenção. Sentia-se que despendia um esforço cinco ou seis vezes maior para aprender um nada; mas contanto que ele escapasse ao castigo, tudo iria bem.
            De repente, olhei para o Curvelo e estremeci; tinha os olhos em nós, com um riso que me pareceu mau. Disfarcei; mas daí a pouco, voltando-me outra vez para ele, achei-o do mesmo modo, com o mesmo ar, acrescendo que entrava a remexer-se no banco, impaciente. Sorri para ele e ele não sorriu; ao contrário, franziu a testa, o que lhe deu um aspecto ameaçador. O coração bateu-me muito.
            — Precisamos muito cuidado, disse eu ao Raimundo.
            — Diga-me isto só, murmurou ele.
            Fiz-lhe sinal que se calasse; mas ele instava, e a moeda, cá no bolso, lembrava-me o contrato feito. Ensinei-lhe o que era, disfarçando muito; depois, tornei a olhar para o Curvelo, que me pareceu ainda mais inquieto, e o riso, dantes mau, estava agora pior. Não é preciso dizer que também eu ficara em brasas, ansioso que a aula acabasse; mas nem o relógio andava como das outras vezes, nem o mestre fazia caso da escola; este lia os jornais, artigo por artigo, pontuando-os com exclamações, com gestos de ombros, com uma ou duas pancadinhas na mesa. E lá fora, no céu azul, por cima do morro, o mesmo eterno papagaio, guinando a um lado e outro, como se me chamasse a ir ter com ele. Imaginei-me ali, com os livros e a pedra embaixo da mangueira, e a pratinha no bolso das calças, que eu não daria a ninguém, nem que me serrassem; guardá-la-ia em casa, dizendo a mamãe que a tinha achado na rua. Para que me não fugisse, ia-a apalpando, roçando-lhe os dedos pelo cunho, quase lendo pelo tato a inscrição, com uma grande vontade de espiá-la.
            — Oh! seu Pilar! bradou o mestre com voz de trovão.
            Estremeci como se acordasse de um sonho, e levantei-me às pressas. Dei com o mestre, olhando para mim, cara fechada, jornais dispersos, e ao pé da mesa, em pé, o Curvelo. Pareceu-me adivinhar tudo.
            — Venha cá! bradou o mestre.
            Fui e parei diante dele. Ele enterrou-me pela consciência dentro um par de olhos pontudos; depois chamou o filho. Toda a escola tinha parado; ninguém mais lia, ninguém fazia um só movimento. Eu, conquanto não tirasse os olhos do mestre, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos.      — Então o senhor recebe dinheiro para ensinar as lições aos outros? disse-me o Policarpo.
            — Eu...
            — Dê cá a moeda que este seu colega lhe deu! clamou.
            Não obedeci logo, mas não pude negar nada. Continuei a tremer muito. Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda, e eu não resisti mais, meti a mão no bolso, vagarosamente, saquei-a e entreguei-lha. Ele examinou-a de um e outro lado, bufando de raiva; depois estendeu o braço e atirou-a à rua. E então disse-nos uma porção de cousas duras, que tanto o filho como eu acabávamos de praticar uma ação feia, indigna, baixa, uma vilania, e para emenda e exemplo íamos ser castigados.
            Aqui pegou da palmatória.
            — Perdão, seu mestre... solucei eu.
            — Não há perdão! Dê cá a mão! Dê cá! Vamos! Sem-vergonha! Dê cá a mão!
            — Mas, seu mestre...
            — Olhe que é pior!
            Estendi-lhe a mão direita, depois a esquerda, e fui recebendo os bolos uns por cima dos outros, até completar doze, que me deixaram as palmas vermelhas e inchadas. Chegou a vez do filho, e foi a mesma cousa; não lhe poupou nada, dois, quatro, oito, doze bolos. Acabou, pregou-nos outro sermão. Chamou-nos sem-vergonhas, desaforados, e jurou que se repetíssemos o negócio apanharíamos tal castigo que nos havia de lembrar para todo o sempre. E exclamava: Porcalhões! tratantes! faltos de brio!
            Eu, por mim, tinha a cara no chão. Não ousava fitar ninguém, sentia todos os olhos em nós. Recolhi-me ao banco, soluçando, fustigado pelos impropérios do mestre. Na sala arquejava o terror;  posso dizer que naquele dia ninguém faria igual negócio. Creio que o próprio Curvelo enfiara de medo. Não olhei logo para ele, cá dentro de mim jurava quebrar-lhe a cara, na rua, logo que saíssemos, tão certo como três e dois serem cinco.
            Daí a algum tempo olhei para ele; ele também olhava para mim, mas desviou a cara, e penso que empalideceu. Compôs-se e entrou a ler em voz alta; estava com medo. Começou a variar de atitude, agitando-se à toa, coçando os joelhos, o nariz. Pode ser até que se arrependesse de nos ter denunciado; e na verdade, por que denunciar-nos? Em que é que lhe tirávamos alguma cousa?
            " Tu me pagas! tão duro como osso!" dizia eu comigo.
            Veio a hora de sair, e saímos; ele foi adiante, apressado, e eu não queria brigar ali mesmo, na Rua do Costa, perto do colégio; havia de ser na Rua larga São Joaquim. Quando, porém, cheguei à esquina, já o não vi; provavelmente escondera-se em algum corredor ou loja; entrei numa botica, espiei em outras casas, perguntei por ele a algumas pessoas, ninguém me deu notícia. De tarde faltou à escola.
            Em casa não contei nada, é claro; mas para explicar as mãos inchadas, menti a minha mãe, disse-lhe que não tinha sabido a lição. Dormi nessa noite, mandando ao diabo os dois meninos, tanto o da denúncia como o da moeda. E sonhei com a moeda; sonhei que, ao tornar à escola, no dia seguinte, dera com ela na rua, e a apanhara, sem medo nem escrúpulos...
            De manhã, acordei cedo. A idéia de ir procurar a moeda fez-me vestir depressa. O dia estava esplêndido, um dia de maio, sol magnífico, ar brando, sem contar as calças novas que minha mãe me deu, por sinal que eram amarelas. Tudo isso, e a pratinha... Saí de casa, como se fosse trepar ao trono de Jerusalém. Piquei o passo para que ninguém chegasse antes de mim à escola; ainda assim não andei tão depressa que amarrotasse as calças. Não, que elas eram bonitas! Mirava-as, fugia aos encontros, ao lixo da rua...
            Na rua encontrei uma companhia do batalhão de fuzileiros, tambor à frente, rufando. Não podia ouvir isto quieto. Os soldados vinham batendo o pé rápido, igual, direita, esquerda, ao som do rufo; vinham, passaram por mim, e foram andando. Eu senti uma comichão nos pés, e tive ímpeto de ir atrás deles. Já lhes disse: o dia estava lindo, e depois o tambor... Olhei para um e outro lado; afinal, não sei como foi, entrei a marchar também ao som do rufo, creio que cantarolando alguma cousa: Rato na casaca... Não fui à escola, acompanhei os fuzileiros, depois enfiei pela Saúde, e acabei a manhã na Praia da Gamboa. Voltei para casa com as calças enxovalhadas, sem pratinha no bolso nem ressentimento na alma. E, contudo, a pratinha era bonita e foram eles, Raimundo e Curvelo, que me deram o primeiro conhecimento, um da corrupção, outro da delação; mas o diabo do tambor...
Machado de Assis



HOJE, dia 16fev., é dia do repórter. Parabéns a essa classe que nos deixa sempre bem informados.
PENSAMENTO do dia:
'TUDO que uma pessoa pode imaginar, outras podem tornar real.' Júlio Verne, escritor ficcionista


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CURIOSIDADES de um RE-PA no dia 13


UM CLÁSSICO entre Clube do Remo e Paysandu sempre tem suas histórias e curiosidades.
UM LIVRO não é o suficiente para contar toda a mística dessa que é uma partida das mais esperadas para os paraenses. O Re-Pa do próximo (último) domingo, a partir das 16h, no estádio Olímpico Edgard Proença, o Mangueirão, irá marcar no calendário o dia 13, número que, para os místicos, tem um significado especial. 
PARA OS supersticiosos, o número 13 representa um recomeço. Nada mais que sugestivo para Remo e Paysandu, que tentam se reorganizar e voltar às glórias do passado. O algarismo é bastante temido e ao mesmo tempo considerado de sorte para outros. Quem não se lembra das esquisitices do ex-técnico da Seleção Brasileira, Zagallo? Para os judeus, o 13 indica a evolução ou o destino.      
POIS BEM, o DOL, em conjunto com os produtores da Rádio Clube do Pará, Sérgio Wilson Japonês e Rodrigo Sousa, resolveu relembrar a você, torcedor, algumas curiosidades dos Re-Pa que já caíram no dia 13.       
 NO TOTAL, já foram realizadas 27 partidas nesse dia. O primeiro foi o de número 34 da história dos clássicos entre Leão e Papão, em 13/05/1924, no estádio Baenão. O Paysandu venceu por 3 a 1, com arbitragem de Cícero Costa. Já o último aconteceu em setembro de 2000, pela Copa João Havelange. Empate de 0 a 0, com arbitragem de Domingos de Jesus Viana Filho, para um público de 19.147 pessoas. Os volantes Sandro e Vanderson, atualmente no bicola, estavam nesse jogo.
        
NOS CONFRONTOS do dia 13, os azulinos levam grande vantagem: 12 vitórias, contra sete do rival e oito empates. O Remo marcou 39 gols, contra 36 do Paysandu. O ‘Clássico Rei’ de número 595, realizado no dia 13/09/1992, foi o que mais apresentou público: 48.141 pagantes. O time do Baenão, treinado por Nélio Pereira, ganhou pelo placar de 1 a 0, gol de Rildo. O bicolor era comandado por Norberto Lopes.        
O MENOR público do Re-Pa no dia 13 aconteceu em 13/05/1984. Apenas 4.332 torcedores prestigiaram o embate válido pela Taça Governador Jader Barbalho. O placar de 1 a 1 entre os clubes se repetiu cinco vezes, enquanto que a maior goleada do Remo aconteceu em 13/11/1949 (5 a 3). Já a do Paysandu ocorreu no dia 13 de junho de 1943 (4 a 0). 
(extraído de www.radioclubedopara.com.br, acessado em 12fev.2011) 

DEPOIS do resultado do jogo do dia 13 de fevereiro último (3 a 1 para o Remo), atualizo os números:

Agora são 13 vitórias do Remo, 7 do Paysandu e 8 empates. 42 gols azulinos e 37 bicolores.
O CURIOSO nisso tudo é que em RE-PA ocorridos em dias 13, 13 vitórias do Remo. Neste campeonato, o Remo chegou neste dia 13 aos 13 pontos.

PENSAMENTO do dia:

''O ÓDIO excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.' Provérbio de Salomão

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

NO CLÁSSICO da Amazônia, Remo foi o vencedor

Por Carlos Ferreira

O REMO foi diferente. Não repetiu a ofensividade dos volantes. Não repetiu a marcação avançada.
Não teve as jogadas individuais de Thiago Marabá, cujo substituto, Léo Franco, cumpriu função tática diferente, fechando espaços no meio de campo, armando e oferecendo-se como opção eventual pelos lados.

Mesmo com postura tática diferente, o Leão repetiu a consistência tática para ser superior ao Paysandu e vencê-lo por 3 x 1, com autoridade. Além de tomar um gol , o  goleiro azulino Lopes foi muito menos acionado que o bicolor Nei. Isso poderia resumir a história do jogo. Mas Sérgio Cosme resumiu melhor quando declarou que “o Remo ganhou porque foi melhor”. 

Ao contrário do adversário, o Paysandu não teve o avanço dos laterais. Marquinhos e Bryan foram muito tímidos. Além disso, o time bicolor teve um “ buraco ” entre o meio de campo e o ataque pelos posicionamentos de Sandro , recuado , e de Thiago Potiguar, pelos lados do campo. Por isso, Rafael Oliveira e Mendes tiveram que se distanciar da área para participar do jogo.

Nos primeiros minutos de jogo eram flagrantes o nervosismo e a desatenção dos zagueiros e volantes do Remo. Ao fazer 1 x 0, Rafael Oliveira se beneficiou de um cochilo de Luis André para ficar livre, dominar e detonar. Aos poucos, o Remo foi organizando o sistema defensivo, se impondo no campo todo e explorando a ofensividade de Elsinho em jogadas com Léo Franco e Thiaguinho. Assim nasceram os gols de Marlon e de Thiaguinho, ainda no primeiro tempo. Na segunda metade do jogo, o Leão se fechou e explorou os cont ra-ataques. 

Fez 3 x 1 com San e festejou uma vitória justíssima. 
(extraído do Blog do DJ Leão, acesso em 14fev.2011)
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

EVANGELHO do domingo: 'DIANTE de ti estão o bem e o mal'

"NÃO penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar os outros, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não cometerás homicídio! Quem cometer homicídio deverá responder no tribunal.' Ora, eu vos digo: todo aquele que tratar seu irmão com raiva deverá responder no tribunal... quem chamar seu irmão de 'louco' poderá ser condenado ao fogo do inferno. Portanto, quando estiveres levando a tua oferenda ao altar e ali te lembrares que teu irmão tem algo contra ti, deixa atua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão... Procura reconciliar-te com teu irmão... Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto ele caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz... e tu serás jogado na prisão. Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo. Ouvistes o que foi dito: 'Não cometerás adultério'. Ora, eu vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração. Se teu olho direito te leva à queda, arranca-o e joga para longe de ti!... Se a tua mão direita te leva à queda, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ir para o inferno. Foi dito também: 'Quem despedir sua mulher dê-lhe um atestado de divórcio'. Ora, eu vos digo: todo aquele que despedir sua mulher - fora o caso de união ilícita - faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher que foi despedida comete adultério. Ouvistes também que foi dito aos antigos: 'Não jurarás falso', mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'. Ora, eu vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o apoio de seus pés... Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno." (Mt, 5, 17-37)

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

MESQUITA e a decisão do campeonato de 1979


AO RESPONDER à coluna sobre o Re-Pa que marcou em sua vida, Mesquita, campeão pelos dois clubes, não teve dúvida em afirmar que foi a decisão do título de 1979, por causa de um acidente, de um “mico” e de uma provocação.   
O REMO passou a semana do jogo concentrado numa chácara em Santa Izabel. O zagueiro Dutra foi andar a cavalo, caiu e se machucou. Preocupou muito, mas ganhou condições e jogou. Na viagem ao Mangueirão o ônibus pifou na estrada, na saída de Santa Izabel. Os jogadores sofreram para empurrar o ônibus na BR 316 e só conseguiram quando ganharam ajuda de torcedores que também viajavam ao Mangueirão. Foi um estresse! Os remistas chegaram muito atrasados ao estádio e se arrumaram às pressas, mas entraram em campo inflamados por uma provocação de Roberto Bacuri. Na véspera, o craque bicolor havia declarado na televisão que o chopp e o churrasco estavam prontos para o Papão comemorar o título. E bastava o empate! Lupercínio fez 1 x 0 para o Paysandu. O Leão tinha que virar o placar. Luis Augusto empatou e Bira virou para 2 x 1, com muita raça dos azulinos, por conta da provocação de Bacuri, que ao final do jogo ouviu poucas e boas de Mesquita. 
O REMO venceu com Dico; Marinho, Dutra, China, Cuca; Aderson, Luis Augusto, Mesquita (Paulinho); Mego (Mareco), Bira e Bebeto. Técnico: Joubert Meira. Paysandu com Carlos Afonso; Aldo, Albano, Paulo Guilherme, Marcos; Chico Alves, Roberto Bacuri, Carlinhos Maracanã (Patrulheiro); Evandro (André), Dario e Lupercínio. Técnico: Paulo Emílio. A arbitragem foi de Arnaldo César Coelho, atual comentarista da Rede Globo.       
Foi o campeonato das apostas e irreverências de  Bira x Darío num empolgante duelo pela artilharia. O Remo sagrou-se tricampeão e Bira foi o artilheiro com 32 gols, 6 a mais que o rei Dadá.

(por Carlos Ferreira, 11fev.2011, extraído de www.orm.com.br)


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!