quinta-feira, 31 de março de 2011

SAUDADES da minha terra: Esse rio é minha rua

DONA GLOBO e o país dos brothers


Por Brizola Neto, publicado no blog Tijolaço
MAIS CEDO postei artigo (insuspeito, de um dirigente de banco multinacional) falando do peso da educação no desenvolvimento chinês. Agora, antes de almoçar, leio uma matéria que seria irônica, se não fosse trágica. E, também, no insuspeitíssimo O Globo. É que o blog do Big Brother, certamente por distração de seus mentores, publica a seguinte informação:

“Na quarta-feira, 30 de março, existirão (passaram a existir) 169 ex-integrantes do “Big Brother Brasil”. Um número que chama atenção ao ser posto, lado a lado, ao de profissionais com carteira assinada em algumas atividades regulamentadas pelo Ministério do Trabalho: hoje, no Brasil, existem 18 geoquímicos, 34 oceanógrafos, 77 médicos homeopatas e 147 arqueólogos, entre outros ofícios. No entanto, na mesma quarta, alguém estará R$ 1,5 milhão mais rico (ou menos pobre, dependendo do ponto de vista), e não será um desses trabalhadores.”

Pois é. Mas o que o “brother” vai ganhar (ganhou) é nada, perto do que a Globo fatura. Ano passado foram R$ 300 milhões; em 2011, estima-se, R$ 400 milhões. E fatura porque as grandes empresas pagam para patrocinar. Não tenho notícia de uma grande empresa patrocinando uma universidade. Não tenho notícia de uma multinacional investindo na formação de oceanógrafos, ou de arqueólogos, ou de homeopatas, ou geoquímicos. Nem vejo os nossos gloriosos colunistas dizendo que as empresas devem ter uma função social, como prevê, desde 1946, a nossa Constituição.

Nada contra as moças e rapazes que estão ali tentando um lugar ao sol que, em nosso país, durante décadas, nos acostumamos a não merecer pelo estudo, pelo trabalho, pela austeridade. “Faz parte”, como dizia o bordão de um ex-”brother”. Mas tudo contra o império do interesse comercial moldando, a seu bel-prazer, um comportamento social marcado pela competição a qualquer preço, pelo exibicionismo, pelo vazio, para embolsar milhões. Sempre é bom repetir o que diz o artigo 221 de nossa Constituição:

A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

É por isso que quando a Globo fala em princípios, em educação, em trabalho honesto, em respeito ao ser humano, o cheiro da hipocrisia se espalha no ar.

Pensamento do dia: "Aquele que se analisou a si mesmo está deveras adiantado no conhecimento dos outros." Denis Diderot

Fiquem com o bom Deus e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 

quarta-feira, 30 de março de 2011

DAS NOSSAS cores não abrimos mão


do Blog do DJ Leão 

ANTIQUADO, tradicionalista, conservador, retrógrado, careta, cafona (nossa! essa é velha!), chato, mala..., podem chamar-me de todos esses nomes que eu não ligo. Mas se há uma coisa de que não abro mão no futebol, isso é a cor do uniforme do meu time, aquela tradicional, que, lá na nossa meninice, certo dia não sei quando, me dei conta de que me dizia algo de diferente, de valente, de bonito, de bom, um... um amor, uma paixão inexplicável – ainda tente explicá-la aqui.

Não tem problema, podem me chamar assim. Eu assumo: sou isso mesmo, esse chato, quadrado, careta, aquele para quem as instituições são sagradas, e seus símbolos imutáveis.  Cor de camisa de clube de futebol – ainda mais sendo o meu – é artigo, para este humilde escriba de ocasião, intocável. Ora, trata-se da característica que mais marca o clube, que identifica o time, um item que dá o tom da agremiação, e sobre a qual seus torcedores, associados e dirigentes jamais deveriam abrir mão. 

Juntamente com o escudo, o hino e próprio nome do clube, são como cláusulas pétreas no estatuto do clube, vedadas quaisquer propostas de alteração, ainda que movidas por razões comerciais – normalmente é e$$e fator que determina a mudança. A cor do Remo sempre será o azul marinho do amor à primeira vista daquele menino, lá pelo final da década de 1960. Mas essa cor parece luto? – disseram ao menino, tentando dissuadi-lo, a fim de lhe fazer bandear para outras cores. Não interessa! Talvez a cor me parecesse mais apropriada para o velho esporte bretão, simples, sóbria, sem firulas, adequada a um desporto viril, enquanto as outras cores propostas poderiam, no subconsciente do garoto, estar associadas a bloco de carnaval, festas de criança ou coisa assim. Não sei, mas acho que já estava definido lá no ventre de minha mãe que eu seria azulino. Ou até antes disso.
           
Tem gente que passou a torcer pela equipe X porque, quando viu a entender-se como gente, de tanto ouvir dos adultos – pai, mãe, primo, vizinho... –  que este ou aquele time era o bom, o tal, um timaço, que o jogador fulano era um cracaço de bola, enfim; e que o outro rival não prestava. Há outros que simplesmente gostaram do nome do time – a soar-lhe como música de amor aos ouvidos – e esse detalhe acabou sendo fundamental para que passasse a jurar amor eterno por aquela equipe de bola. Outros, ainda, porque o pai é torcedor desde criancinha, razão pela qual o filho decerto não poderia torcer pelo time rival – isso seria uma vergonha, um desgosto familiar. Enfim, há inúmeras razões, algumas explicáveis, plausíveis, outras nem tanto, para que alguém tenha escolhido um time pelo qual iria alegrar-se, sofrer, defender, xingar, chorar, sorrir, lutar, pelo resto de sua vida. Nisso tudo, a cor do uniforme também teve lá a sua influência, não importando se essa cor é bonita ou feia – isso é de foro íntimo, subjetivo, e até mesmo o torcedor do Madureira – se existir um – acha o uniforme do time dele o mais bonito deste mundo. Do Barcelona, então, o que dizer?
            
Há camisas de todo o tipo; desde as simples e sóbrias – igual à do Remo – até as exóticas (Palermo), as extravagantes (Madureira, Barcelona...) e  as de duas listras (alvi-rubras, alvi-verdes, auri-negras, rubro-negras, alvi-azuis etc), a maioria verticais e outras, horizontais. Classifico a tradicional alvi-negra vertical, como a do Botafogo, do Atlético Mineiro e do Santos, na categoria ‘sóbrias’.
            
Há hoje clubes que vão, aos poucos, mudando de uniforme, tentando acostumar seus torcedores com a nova indumentária, em função da propaganda, ou do marketing, como se diz modernamente. Algumas camisas, outrora intocáveis, sóbrias, estão, com o passar do tempo, mais berrantes, um verdadeiro carnaval; outras, um senhor outdoor ambulante, um samba do crioulo doido. E quanto aos calções, desde que se descobriu que se pode fazer propaganda nos uniformes, estes ficaram tão compridos que mais se parecem a bermudas.
            
Quanto aos selecionados de futebol, a regra geral é as cores da bandeira do país representado. Essa é a regra geral; no entanto, há exceções, como a Itália que adotou a camisa azul escura (por que será?), mesmo sendo a sua bandeira verde, vermelha e branca. A Alemanha usa a camisa branca, ainda que inexista essa cor na sua bandeira, mas tudo bem, pois o branco é uma cor neutra. O azul também é adotado pelo Japão, ainda que sua bandeira seja branca com um círculo vermelho ao centro. A própria Argentina, nossos rivais na América, malgrado seu uniforme principal ser aquele listrado horrível devido à bandeira (uma obrigação), adota o azul marinho – esse azul da cor do nosso Clube do Remo – como seu uniforme opcional. A Escócia também vai bem de azul marinho, igualmente ao da antiga Iugoslávia. Nota-se aí uma preferência pelo azul que vai do escuro ao marinho, desconfio eu que seja pela beleza. Alguém pode me dizer por quê?
            
ALGUMAS CORES há que, na minha caretice, realmente não caem bem para um time de futebol, ainda mais se esse time for brasileiro. Aquele uniforme do Palermo, por exemplo, somente vinga por ser na Itália. Até o Palmeiras, equipe tradicional, me vem agora com aquele verde igual a lápis marcador de texto – pela mãe do guarda! Se eu fosse palmeirense, não iria aprovar.
            
Existem outros que adotaram as cores de equipes já consagradas no cenário brasileiro, numa espécie de homenagem, como as cores dos times imitadores do Flamengo; o que tem de equipe com aquele rubro-negro horizontal não está no gibi! Para mim, time de futebol é igual gente: tem que ter sua própria personalidade; nada de imitar os outros. 
            
A verdade é que credo religioso, preferência clubística – mesmo os de uniforme feio, bandeira político-partidária, são assuntos sagrados, de foro íntimo, e cada um gosta, ama, adora o seu. É a nossa opinião, respeitando sempre a alheia.
            
Mas que tem cada camisa que é uma doideira, um deslumbre, isso certamente tem! Quero continuar careta.


PÉROLAS do futebol:
“Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.”  Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano.

FIQUEM com o bom Deus e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
ANTONIO Valentim em

BESTEIROL recebido pela rede


Prezado Técnico,
HÁ UM ANO e meio troquei o programa [noiva 1.0] pelo [esposa 1.0] e verifiquei que o Programa gerou um aplicativo inesperado chamado [bebê.exe] que ocupa muito espaço no HD.
Por outro lado, o [esposa1.0] se auto-instala em todos os outros programas e é carregado automaticamente assim que eu abro qualquer aplicativo.
Aplicativos como [cerveja_Com_A_Turma 0.3],  [Noite_De_Farra 2.5] ou [Domingo_De_Futebol 2.8], não funcionam mais, e o sistema trava assim que eu tento carregá-los novamente.
ALÉM disso, de tempos em tempos um executável oculto (vírus) chamado [Sogra 1.0] aparece, encerrando abruptamente a execução de um comando.
Não consigo desinstalar este programa. Também não consigo diminuir o espaço ocupado pelo [esposa 1.0] quando estou rodando meus aplicativos preferidos.
Sem falar também que o programa [sexo 5.1] sumiu do HD.
Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava antes, o [Noiva 1.0], mas o comando [Uninstall.exe] não funciona adequadamente.

Poderia ajudar-me? Por favor!
(a) Usuário Arrependido


RESPOSTA:

Prezado Usuário,
Sua queixa é muito comum entre os usuários, mas é devido, na maioria das vezes, a um erro básico de conceito: muitos usuários migram de qualquer versão [Noiva 1.0] para [Esposa 1.0] com a falsa ideia de que se trata de um aplicativo de entretenimento e utilitário.
Entretanto, o [Esposa 1.0] é muito mais do que isso: é um sistema operacional completo, criado para  controlar todo o sistema!  
É quase impossível desinstalar [Esposa 1.0] e voltar para uma versão [Noiva 1.0], porque há aplicativos criados pelo [Esposa 1.0], como o [Filhos.dll], que não poderiam ser deletados, também ocupam muito espaço, e não rodam sem o [Esposa 1.0].
É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os arquivos dos programas depois de instalados. Você não pode voltar ao [Noiva 1.0] porque [Esposa 1.0] não foi programado para isso.  
Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema para em seguida instalar a [Noiva Plus] ou o [Esposa 2.0], mas passaram a ter mais problemas do que antes.
Leia os capítulos 'Cuidados Gerais' referente a  ' Pensões Alimentícias' e ' Guarda das crianças' do software [CASAMENTO].  
Uma das melhores soluções é o comando [DESCULPAR.EXE /flores/all] assim que aparecer o menor problema ou se travar o programa. Evite o uso excessivo da tecla [ESC] (escapar).


Comentário do blogueiro:
Tudo tem jeito, menos a morte, imposto de renda, bainha para foice e pensão alimentícia.


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

terça-feira, 29 de março de 2011

MORRE José Alencar

Do Blog do Miro

José Alencar: a morte de um guerreiro

Reproduzo matéria de Dayanne Sousa, publicado no sítio Terra Magazine:

Morreu nesta terça-feira (29), aos 79 anos, o ex-vice-presidente da República, José Alencar. Ele estava internado na UTI do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, desde segunda (30) com quadro de suboclusão intestinal.

Alencar havia sofrido um infarto agudo do miocárdio em novembro e foi submetido a um cateterismo. Foi internado e liberado com saúde. Seu estado piorou, porém, nesta segunda.

O vice-presidente tem um histórico de luta contra o câncer. Já passou por uma série de cirurgias desde 1997, quando foram identificados pela primeira vez tumores, nos rins e no estômago. Nesta semana, passava mais uma vez por sessões de quimioterapia. "Hoje não existe um paciente de câncer que não o veja como um exemplo", escreveu o diretor do centro de oncologia do Sírio Libanês, Paulo Hoff num perfil de Alencar para a Revista Época, que o elegeu um dos cem homens mais influentes do País.

Medo da morte

Foram 13 anos enfrentando o câncer e 18 cirurgias. Em 2009, Alencar passou por um dos momentos mais delicados do tratamento. Foi submetido a uma cirurgia de 18 horas para retirada de tumores da região do abdome. A recuperação rápida surpreendeu os médicos. Terno alinhado, cadeira de rodas, recém-saído do quarto de hospital, declarou em coletiva: "Não tenho medo da morte".

Biografia

José Alencar Gomes da Silva nasceu em 17 de outubro 1931 na cidade de Muriaé, em Minas Gerais. Ele exercia o segundo mandato de vice-presidente da República, posto que ocupa desde 2003 durante os dois mandatos do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Alencar foi senador por Minas Gerais entre 1998 e 2002. Era também empresário: em 1967, em parceria com o empresário Luiz de Paula Ferreira, fundou, na cidade mineira de Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas.

Comentário do blogueiro:

Que Deus tenha piedade de sua alma, acolhendo-o na luz de Sua face.

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

MEUS BREGAS prediletos: Prometemos chorar

MEUS CLÁSSICOS favoritos: Daniel Boone

CARTA a Ramiro Ramos

MEU CARO amigo, quase os 100% da vida da gente são preenchidos por situações e coisas banais, corriqueiras. O ‘quase’ fica por conta de uns poucos fatos inusitados, aqueles que, de tão raros, ficam na nossa mente pela existência inteira e mais seis meses. Geralmente nessas peripécias, depois, bem depois da ficha caída, você se pergunta: realmente isso aconteceu? E comigo? Não foi sonho? 

E veja, amigo Ramos, que, por força das minhas funções na Agência por mais de vinte anos, a minha vida não foi assim essa calmaria toda. Houve, realmente, episódios dignos de filmes americanos, mas que eu - por modéstia ou por não ter a noção exata do perigo - já os considerava parte da minha rotina. Permita-me contar apenas um deles, que por si só não aparentou um fato extraordinário, e nem por isso foi menos importante que os outros tantos. Você entenderá o porquê. 

O incidente que vou narrar aconteceu na segunda metade dos anos de 1980, lá pelos 87 ou 88. 

segunda-feira, 28 de março de 2011

ANEDOTA da velha máquina de escrever

do Blog do DJ Leão
ANTIGAMXNTX, bxm antxs do computador, xu tinha uma máquina dx xscrxvxr. Apxsar dx qux minha vxlha maquina dx xscrxvxr sxr dx um modxlo antigo, xla ainda funcionava, porxm não tão bxm como dxvia. Xxistxm quarxnta x duas txclas qux ainda funcionam, mxnos uma, x isso faz muita difxrxnça.
Às vxzxs xu pxnso qux a nossa socixdadx, nossa xmprxsa, mxu clubx, sx parxcx um pouco com a minha vxlha máquina. Nxm todos os sxus componxntxs trabalham como dxviam.
Vocx dirá: ‘Afinal, xu sou apxnas uma pxssoa x os mxus trabalhos não são nxcxssários’. Xntrxtanto, para qux um país, um xstado, uma cidadx, x atx um clubx, funcionxm bxm x prxciso qux todos os sxus intxgrantxs trabalhxm bxm, qux sxjam conscixntxs, x isso nxm sxmprx ocorrx.


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DEVIDO à situação cada vez mais difícil daquela tradicional empresa, reunida a diretoria, foi decidido pela demissão dos empregados ineficientes, contratando outros para o lugar. Centenas de empregados foram dispensados, porém isso não veio a resolver o problema de caixa da empresa, que a cada ano via seus problemas se agravarem, e, embora continuasse a dispensar funcionários e a admitir outros, não conseguia o progresso desejado. A cada lote de demissões, uma soma considerável em indenizações, de forma que os cofres da empresa, já combalidos, se ressentiam ainda mais. O problema não devia estar só nos funcionários, então as demissões continuaram. Desta feita, sobrou para os encarregados e chefes de departamento, de quando em quando, eram chamados ao setor de Recursos Humanos para acertos. Até os executivos eram, a cada dois anos, substituídos por outros mais qualificados, pretensamente mais competentes, com novas idéias e planos, porém mesmo assim não minoravam os problemas da empresa. Tais mudanças – iguais a peito de homem – não serviam para nada. A empresa de mal a pior, e sua falência era tão certa quanto o pôr do Sol a cada dia.
Ora, belo dia haveria de chegar alguém mais lúcido que – abrindo a mente da numerosa e tradicional família - chegasse à conclusão de que o cerne da questão se localizava em outra área, e assim, depois de tanto discutirem, mudaram o estatuto da empresa, permitindo que um novo ritmo de gestão fosse implantado. Era um estatuto velho, defasado, arcaico, que engessava qualquer ação inovadora; o instrumento estava distante da realidade atual. O mercado havia mudado muito de décadas para cá, o perfil do consumidor não era mais o de antigamente, hoje muito mais exigente e protegido por um naipe de leis. O velho modus operandi, que vinha em prática, de forma intuitiva, do avô para o pai, e do pai para os filhos, há tempos não satisfazia. Depois de muitas discussões e contrariedades de uma parte e de outra, foi também decidido que, para estancar de vez a sangria financeira, o círculo vicioso de empréstimos que, em vez de solução, somente se mostravam como meros paliativos, era necessária e urgente a venda de um imóvel da empresa, o que foi realizado com a aprovação da maioria.
Com a adoção de um novo modelo de administrar, e alicerçada pelo aporte financeiro advindo da venda do imóvel, a empresa voltou a crescer.
É. NÃO FOI fácil. Foi preciso mais de uma década, com perdas constantes de receita, ano após ano; foi preciso ver o crescimento visível da principal empresa concorrente; foi preciso sofrer com a baixa auto-estima de todos, além de outros traumas pessoais das pessoas envolvidas com o negócio (e também da família, que não é pequena) para que a empresa passasse – finalmente - à crescente recuperação, até alcançar pela primeira vez em mais de uma década o almejado lucro, saindo afinal do vermelho, e ainda vislumbrar perspectivas maiores, vôos mais altos e ousados.

SERÁ que algum dia vão ver que não adianta mudar o datilógrafo? Que o problema é a máquina, que é velha? Que fique a lembrança da velha máquina lá no antigo álbum de photographia. That’s all, folks!


PENSAMENTO de hoje:
'PARA ALCANÇAR conhecimento, adicione coisas todo dia; para alcançar sabedoria, elimine coisas todo dia.' Lao-Tse

Fiquem com o bom Deus e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


(Postado por ANTONIO Valentim em 19mar.2011)

ESPAÇO Literário: O problema dos 3 marinheiros


O ELOGIO que Beremiz fez da ciência dos hindus, recordando uma página da história da matemática, causou ótima impressão no espírito do príncipe Cluzir Schá. O jovem soberano, impressionado pela dissertação, declarou que considerava o calculista um sábio completo, capaz de ensinar a álgebra de Bháskara a uma centena de brâmanes.
            – Fiquei encantado – ajuntou ainda – ao ouvir essa lenda da infeliz Lilaváti, que perdeu o noivo por causa de uma pérola do vestido. Os problemas de Bháskara, citados pelo eloqüente calculista, são, realmente, interessantes e apresentam, nos seus enunciados, esse ‘espírito poético’ que tão raro se encontra nas obras de matemática.  Lamentei, apenas, que o ilustre matemático não tivesse feito a menor referência ao famoso problema dos três marinheiros, incluído em muitos livros e que se encontra, até agora, sem solução.
            – Príncipe magnânimo – respondeu Beremiz –, entre os problemas de Bháskara por mim citados não figura, na verdade, o problema dos três marinheiros. Omiti esse problema pela simples razão de não o conhecer senão por uma citação, vaga, incerta e duvidosa, e ignorar o seu enunciado rigoroso.
            – Conheço-o perfeitamente – retorquiu o príncipe. – E teria grande prazer em recordar, agora, essa questão matemática que tem embaraçado tantos algebristas.
            E o príncipe Cluzir Schá narrou o seguinte:
O Homem que Calculava
            – Um navio que voltava de Serendibe, trazendo grande partida de especiarias, foi assaltado por violenta tempestade. A embarcação teria sido destruída pela fúria das ondas se não fosse a bravura e o esforço de três marinheiros que, no meio da tormenta, manejaram as velas com extrema perícia. O comandante, querendo recompensar os denodados marujos, deu-lhes certo número de catis. Esse número, superior a duzentos, não chegava a trezentos. As moedas foram colocadas numa caixa para que no dia seguinte, por ocasião do desembarque, o almoxarife as repartisse entre os três marinheiros. Aconteceu, porém, que, durante a noite, um dos marinheiros acordou, lembrou-se das moedas e pensou: ‘Será melhor que eu tire a minha parte. Assim não terei ocasião de discutir ou brigar com os meus amigos.’. E, sem nada dizer aos companheiros, foi, pé ante pé, até onde se achava guardado o dinheiro, dividiu-o em três partes iguais, mas notou que a divisão não era exata e que sobrava um catil. ‘Por causa desta mísera moedinha é capaz de haver amanhã discussão e rixa. O melhor é jogá-la fora.’ E o marinheiro atirou a moeda ao mar, retirando-se, cauteloso. Levava a sua parte e deixava no mesmo lugar a que cabia aos companheiros. Horas depois, o segundo marinheiro teve a mesma ideia. Foi à arca em que se depositara o prêmio coletivo e dividiu-o em três partes iguais. Sobrava uma moeda. Ao marujo, para evitar futuras dúvidas, veio à lembrança atirá-la ao mar. E dali voltou levando consigo a parte a que se julgava com direito. O terceiro marinheiro, ignorando, por completo, a antecipação dos colegas, teve o mesmo alvitre. Levantou-se de madrugada e foi, pé ante pé, à caixa dos catis. Dividiu as moedas que lá encontrou em três partes iguais; a divisão não foi exata. Sobrou um catil. Não querendo complicar o caso, o marujo atirou ao mar a moedinha excedente, retirou a terça parte para si e voltou tranqüilo para o seu leito. No dia seguinte, na ocasião do desembarque, o almoxarife do navio encontrou um punhado de catis na caixa. Soube que essas moedas pertenciam aos três marinheiros. Dividiu-as em três partes iguais, dando a cada um dos marinheiros uma dessas partes. Ainda dessa vez a divisão não foi exata. Sobrava uma moeda, que o almoxarife guardou como paga do seu trabalho e de sua habilidade. É claro que nenhum dos marinheiros reclamou, pois cada um deles estava convencido de que já havia retirado da caixa a parte que lhe cabia do dinheiro. Pergunta-se, afinal: Quantas eram as moedas? Quanto recebeu cada um dos marujos?
            O Homem que Calculava, notando que a história narrada pelo príncipe despertara grande curiosidade entre os nobres presentes, achou que devia dar solução completa ao problema. E assim falou:
            – As moedas, uma vez que eram em número superior a 200 e não chegavam a300, deviam ser a princípio em número de 241. O 1º marinheiro dividiu-as em três partes iguais; jogou um catil ao mar e levou um terço de 240, isto é, 80 moedas, deixando 160. O 2º marinheiro encontrou, na caixa, 160 moedas; jogou uma moeda no mar e dividiu as restantes (159 em três partes. Retirou uma teça parte (53) e deixou, de resto, 106. O 3º marinheiro encontrou, na caixa, 106 moedas, dividiu esse resto em três partes iguais, deitando ao mar a moeda que sobrava. Retirou uma terça parte de 105, isto é, 35 moedas, deixando um resto de 70.
            O almoxarife encontrou 70 moedas; retirou uma e dividiu as 69 restantes em três partes, cabendo, dessa forma, um acréscimo de 23 moedas a cada um dos marujos. A divisão foi, portanto, a seguinte:
1º marujo (80 + 23)................  103
2º marujo (53 + 23)................   76
3º marujo (35 + 23) ...............    58
Almoxarife .............................      1
Atiradas ao mar .....................      3
Total ................................................... 241
            Enunciada a parte final da solução do problema dos três marinheiros, calou-se Beremiz.
            O príncipe de Laore tirou de sua bolsa uma medalha de prata e, dirigindo-se ao calculista, assim falou:
            – Pela interessante solução dada ao problema dos três marinheiros, vejo que és capaz de dar explicação aos enigmas mais intricados que envolvem números e cálculos. Quero, pois, que me deslindes o significado desta medalha.
            – Esta peça – continuou o príncipe, segurando a medalha na ponta dos dedos – foi gravada por um artista religioso que viveu vários anos na corte de meu avô. Deve encerrar um enigma que até hoje magos e astrólogos não conseguiram decifrar. Numa das faces aparece o número 128, rodeado por sete pequenos rubis. Na outra face (dividida em quatro partes) apresenta quatro números:
7, 21, 2, 98
            Nota-se que a soma desses quatro números é igual a 128. Mas qual é, na verdade, a significação dessas quatro parcelas em que foi dividido o número 128? Que relação poderá existir entre o número 7 e o número 128?
            Recebeu Beremiz a estranha medalha das mãos do príncipe, examinou-a em silêncio, durante algum tempo, e depois assim falou:
            – Esta medalha, ó príncipe, foi gravada por um profundo conhecedor do misticismo numérico. Acreditavam os antigos no poder mágico de certos números. O três era divino; o sete era o número sagrado. Os sete rubis que vemos aqui revelam a preocupação do artista em relacionar o número 128 com o número 7. O número 128, como sabemos, é decomponível num produto de 7 fatores iguais a 2:
2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2
            Esse número 128 pode ser decomposto em quatro partes:
7, 21, 2 e 98
que apresentam a seguinte propriedade:
            A primeira aumentada de 7, a segunda diminuída de 7, a terceira multiplicada por 7 e a quarta dividida por 7 darão o mesmo resultado. Veja bem:
7 + 7 = 14
21 – 7 = 14
2 x 7 = 14
98 / 7 = 14
            Essa medalha deve ter sido usada como talismã, pois contém relações que envolvem o número 7, que, para os religiosos, era um número sagrado.
            Mostrou-se o príncipe de Laore encantado com a solução apresentada por Beremiz, e ofereceu-lhe, como presente, não só a medalha dos sete rubis como uma bolsa com cem moedas de ouro.
            O príncipe era generoso e bom.
            Passamos, a seguir, para uma grande sala onde o poeda Iezid ia oferecer riquíssimo banquete aos seus convidados.
(Malba Tahan in: O Homem que Calculava)

Pensamento do dia:
É INDISPENSÁVEL conhecermo-nos a nós próprios; mesmo se isso não bastasse para encontrarmos a verdade, seria útil, ao menos para regularmos a vida, e nada há de mais justo." Blaise Pascal

Fiquem com o bom Deus e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sábado, 26 de março de 2011

EVANGELHO do domingo: 'Quem beber desta água nunca mais terá sede'

Jesus e a samaritana junto ao poço de Jacó
CHEGOU, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da propriedade que Jacó tinha dado a seu filho José. Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: "Dá-me de beber!". Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar algo para comer. A samaritana disse a Jesus: "Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?". De fato, os judeus não se relacionam com os samaritanos. Jesus respondeu: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: 'Dá-me de beber', tu lhe pedirias, e ele te daria água viva." A mulher disse: "Senhor, não tens sequer um balde, e o poço é fundo; de onde tens essa água viva? Serás maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual bebeu ele mesmo, como também seus filhos e seus animais?". Jesus respondeu: "Todo o que beber desta água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna". A mulher disse então a Jesus: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água... Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis que em Jerusalém está o lugar em que se deve adorar". Jesus lhe respondeu: "Mulher, acredita-me: vem a hora em que nem nesta montanha, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade". A mulher disse-lhe: "Eu sei que virá o Messias (isto é, o Cristo); quando ele vier, nos fará conhecer todas as coisas". Jesus lhe disse: "Sou eu, que estou falando contigo"... Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava: "Ele me disse tudo o que eu fiz". Os samaritanos foram a ele e pediram que permanecesse com eles; e ele permaneceu lá dois dias. Muitos outros ainda creram por causa da palavra dele, e até disseram à mulher: "Já não é por causa daquilo que contaste que cremos, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo". (Jo 4,5-42)

Fiquem com o bom Deus. Um abençoado domingo e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sexta-feira, 25 de março de 2011

HOJE é dia do Especialista da Aeronáutica

Do Blogue ANTONIO Valentim
Carreira de Especialistas da Aeronáutica completa 70 anos
AVIÃO, mecânico e piloto formam um triângulo profissional perfeito na aviação civil e militar. Juntos, cumprem a missão. O raciocínio ilustra a frase que abre o hino do Especialista de Aeronáutica e a importância dessa parceria: “Com os pilotos e asas, seremos um conjunto de todo eficaz”.
Os militares dessa área, hoje, não são apenas mecânicos. Formam um grupo com mais de 24 mil especialistas – um terço do contingente total da Força Aérea Brasileira (FAB) –, entre graduados e oficiais, distribuídos em 27 diferentes áreas de atuação.

Ordem do dia:



A chegada à Escola
HÁ EXATAS sete décadas, em março de 1941, nascia a Escola de Especialistas de Aeronáutica, sediada na Ponta do Galeão, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, dentro do esforço do recém-criado Ministério da Aeronáutica de reorganizar a aviação brasileira. A nova escola foi criada para unificar a formação dos profissionais especialistas no país, após a extinção das Escolas de Aviação Naval (Marinha) e de Aviação Militar (Exército). Até então, cada Força tinha sua própria aviação.
O cenário da aviação no início dos anos 40 era precário: faltavam pilotos, aeronaves, pistas, equipamentos, mão-de-obra especializada, normas de segurança, indústrias e investimentos.
1977: quando tudo começou
Nas palavras do primeiro Ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho, os desafios eram muitos. “A aviação civil, na época, era mais voltada para a área esportiva em incipientes aeroclubes. Os pilotos comerciais recebiam treinamento dentro das próprias companhias que os empregavam.”

OS DESAFIOS não paravam por aí. Mesmo as escolas militares existentes apresentavam divergências quanto à formação. A Escola de Aviação do Exército, por exemplo, recebeu em seus primórdios o modelo da Missão Militar Francesa, a partir do final de Primeira Guerra (1918). Já a escola de Aviação Naval recebia orientação tanto da aviação inglesa quanto da aviação alemã. “Dar unidade à didática dessas duas escolas, tão diferentes em seus conceitos, era também outro desafio”, afirmou o ministro Salgado Filho.

Na quinta, boi ralado
Em 1941, no primeiro concurso de admissão, apenas 34 candidatos passaram na prova, apesar das 200 vagas oferecidas. De lá para cá, a concorrência cresceu bastante, incentivada pela qualidade do ensino oferecido e pelas oportunidades da profissão militar: a relação candidato-vaga, em 2009, no Curso de Formação de Sargentos (CFS), chegou a 47,06 – mais do que o curso líder em concorrência na Universidade de São Paulo no mesmo ano (publicidade – 40,66).


1997: 20 anos depois
A ENTRADA do Brasil na Segunda Guerra também foi decisiva para que o país ampliasse a frota de aeronaves, investisse na preparação de mão-de-obra qualificada, novos e modernos equipamentos. Nesse período, para ampliar a capacidade de formação de técnicos para a aviação, o Brasil enviou pessoal para escolas no exterior.


Em 1950, o Ministério da Aeronáutica criou a Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) em Guaratinguetá (SP), instalada na antiga Escola Prática de Agricultura e Pecuária. A unidade ocupa hoje uma área de 10 milhões de metros quadrados, com uma área construída superior a 119 mil metros quadrados, contendo 93 prédios administrativos e três vilas militares residenciais. (extraído de www.fab.mil.br)
2001: vencendo mais uma batalha

PENSAMENTO de hoje: “O QUE é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo.” Clarice Lispector
2003: uma nova geração de especialistas


LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

ESPAÇO Literário: Maria Cora


Machado em sua fase madura
CAPÍTULO PRIMEIRO
             UMA NOITE, voltando para casa, trazia tanto sono que não dei corda ao relógio. Pode ser também que a vista de uma senhora que encontrei em casa do comendador Tobias contribuísse para aquele esquecimento; mas estas duas razões destróem-se. Cogitação tira o sono e o sono impede a cogitação; só uma das causas devia ser verdadeira. Ponhamos que nenhuma, e fiquemos no principal, que é o relógio parado, de manhã, quando me levantei, ouvindo dez horas no relógio da casa.
            Morava então (1893) em uma casa de pensão no Catete. Já por esse tempo este gênero de residência florescia no Rio de Janeiro. Aquela era pequena e tranqüila. Os quatrocentos contos de réis permitiam-me casa exclusiva e própria; mas, em primeiro lugar, já eu ali residia quando os adquiri, por jogo de praça; em segundo lugar, era um solteirão de quarenta anos, tão afeito à vida de hospedaria que me seria impossível morar só. Casar não era menos impossível. Não é que me faltassem noivas. Desde os fins de 1891 mais de uma dama, -  e não das menos belas, -- olhou para mim com olhos brandos e amigos. Uma das filhas do comendador tratava-me com particular atenção. A nenhuma dei corda, o celibato era a minha alma, a minha vocação, o meu costume, a minha única ventura. Amaria de empreitada e por desfastio. Uma ou duas aventuras por ano bastavam a um coração meio inclinado ao ocaso e à noite.
            Talvez por isso dei alguma atenção à senhora que vi em casa do comendador, na véspera. Era uma criatura morena, robusta, vinte e oito a trinta anos, vestida de escuro; entrou às dez horas, acompanhada de uma tia velha. A recepção que lhe fizeram foi mais cerimoniosa que as outras; era a primeira vez que ali ia. Eu era a terceira. Perguntei se era viúva.
-- Não; é casada.
-- Com quem?
-- Com um estancieiro do Rio Grande.
-- Chama-se?
-- Ele? Fonseca, ela Maria Cora.
-- O marido não veio com ela?
-- Está no Rio Grande.
            Não soube mais nada; mas a figura da dama interessou-me pelas graças físicas, que eram o oposto do que poderiam sonhar poetas românticos e artistas seráficos. Conversei com ela alguns minutos, sobre cousas indiferentes, -- mas suficientes para escutar-lhe a voz, que era musical, e saber que tinha opiniões republicanas. Vexou-me confessar que não as professava de espécie alguma; declarei-me vagamente pelo futuro do país. Quando ela falava, tinha um modo de umedecer os beiços, não sei se casual, mas gracioso e picante. Creio que, vistas assim ao pé, as feições não eram tão corretas como pareciam a distância, mas eram mais suas, mais originais.

AINDA se fala assim?

do BLOG do DJ Leão
LI OUTRO dia uma crônica de ... (não me lembro agora!), em que o jornalista, usando do direito constitucional de espernear, desabafar, ou mesmo do raulseixiano eu também vou reclamar, fala da falta de opção de madrugada nos trocentos canais que a tevê oferece. Não quero me deter aqui ao assunto em si – da falta de opções para gente normal como o jornalista, como eu, você, pois fazemos coro com o esperneio –, mas sim chamar a atenção para um vocábulo e uma pergunta, que negritei no texto copiado e colado – côntrol cê, côntrol vê. O vocábulo: ‘zapeio’; a pergunta: ‘ainda se diz assim?’, que ele pôs dentro de parêntesis.

PERCEBI – ainda que pudesse ser apenas efeito de estilo – certa preocupação do jornalista com a gíria (gíria? Ainda se diz assim?) usada, se ela continua sendo falada, e se ele não está desatualizado em relação à galera de hoje. Por vezes – tal qual o dito jornalista –  me vejo sob uma grande interrogação – um ‘?’ bem grande mesmo – ao ouvir certa palavra, a qual nunca havia escutado antes, cujo significado procuro logo descobrir para não ficar para trás, desatualizado, por fora (ainda se diz assim?).

EU NÃO devia - conservador que sou - mas acabo por me render às novidades, embora com relativo atraso. Carlos Drummond escreveu algo sobre isso, sobre como os modismos na arte de falar do brasileiro chegam e como saem; alguns cedo, outros ficam por mais algum tempo entre nós. Não estou aqui a falar do regionalismo, que uma coisa mais perene, que ainda, malgrado a televisão, persiste em se manter vivo no falar do nortista, do nordestino, do caipira e do sulista.

AQUELE ‘máixsh quâando!’ do paraense, por exemplo, é algo que vem de longo tempo e por longo tempo ainda ficará. O versátil ‘ééééégua!’ é outro que tende a permanecer na boca dos meus conterrâneos por muitos janeiros. Versátil porque serve tanto para admiração quanto para xingamento, isto é, o sujeito pode estar admirado com alguma coisa ou mesmo irritado com alguém,a ponto de apelar para o ‘égua’, expressão de tão comum entre os papa-açaí, que o paraense nem se admira ao proferi-la.

UM COLEGA nosso, o Fábio Ronconi, paulista, oficial aviador, quando servia na Base Aérea de Belém, precisou levar o carro à oficina. No final, preocupado com o previsível longo período ‘de apé’, como dizem os gaúchos daqui do Paraná, cobrou do prazo de conserto:
              - Não vai demorar muito?
             – Máxsh quâando, jogador!’, tranquilizou o mecânico. 

O ‘jogador’ no caso era uma mera gíria que eu – já alguns anos fora de Belém – não sei se ainda é falada. Estou desatualizado, totalmente por fora das paradas de sucesso, como diz o cearense.
Antigamente era assim.

A revista Língua Portuguesa, estudando o assunto, ilustrou a matéria com um texto interessante de um jovem do Rio de Janeiro dos anos 1960. Querem ler? Então, se o doente quer canja, canja pro doente. Aí vai:

“MEUS camaradinhas,
Não entendi bulufas, dessa jogada de fazerem o papai aqui apresentar o professor Antenor Nascentes, um cara tão crânio e cheio de mumunhas, que é manjado até na Europa. Já tô até meio cabrero, e achando até que foi crocodilagem do diretor do curso, o professor Odorico Mendes, pra eu entrar pelo cano.
O professor Antenor Nascentes é um chapa legal, é bárbaro e, em Filologia, bota banca. Escreveu um dicionário etimológico que é uma lenha. Dois volumes que eu vou te contar. Um deles é desta idade... mais grosso que trocador de ônibus. O homem é o Pelé da Gramática, tá mais por dentro que bicho de goiaba. Manda brasa, professor Nascentes!”
(Correio do Povo, 20abr.1966, transcrito pela revista Língua Portuguesa, número 23, 2007, pág. 39).

Vai cinco barões aí?

       Quanto a mim, realmente ainda não descobri se ainda se fala por aí o verbo ‘zapear’; sei que eu falo. Másh, na verdade eu queria dizer mexshmo é que estou com saudades do máixsh quâando! e do éééééguaaa!.

PENSAMENTO para hoje:
‘O SER, o ter e o fazer são como triângulo, no qual cada lado serve de apoio para os demais. Não há conflito entre eles.” Shakti Gawain
Fiquem com o bom Deus e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
ANTONIO Valentim,

quinta-feira, 24 de março de 2011

BESTA, bronco, banal


Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Desta sofrida nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial..

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dá muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário subumano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2011

Antonio Barreto, cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.

Fiquem com o bom Deus e...
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!