sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

IMPRESSÕES deste blogueiro sobre Belém do Pará (parte 1)

DESDE jovem que eu desejava morar numa cidade do interior. Eu não sabia disso, mas no meu ínitimo buscava aquilo que todos hoje chamam de "qualidade de vida".

Pois bem, depois de trinta anos de Aeronáutica, enfim veio a tão sonhada transferência para a reserva remunerada, ou, melhor dizendo, a aposentadoria. Quis o bom Deus que eu migrasse da minha morena Belém para a região Sul do país, mais especificamente para o Sudoeste paranaense, a cidade de Dois Vizinhos, afim de acompanhar minha companheira, que lá mantém raízes familiares e profissionais.

É bom dizer que durante esses trinta anos morei ou passei por várias localidades: Guratinguetá (São Paulo) Anápolis, Manaus, Boa Vista, Belém, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Serra do Cachimbo (Pará), não exatamente nessa ordem. Esse período, somado aos três anos presentes no Paraná (capital e interior), me autoriza a emitir a opinião que ora apresento. Não bastando isso, a própria vida e a observação de mundo neste meu mais de meio século de existência me dão o aval necessário para uma visão mais crítica da situação  da minha cidade de origem.

Depois de três anos seguidos aqui, decidimos eu e minha esposa tirarmos umas férias, viajando para Belém, onde ficamos hospedados na casa de minha mãe, a dona Maria.

Descobri, pois, que estou devidamente aclimatado a esta região, tendo sofrido muito com o calor inclemente da região Norte. Na verdade, tirante o período de inverno, o clima de Dois Vizinhos é excelente, saudável mesmo principalmente para alguém como eu, que já se avizinha da chamada terceira idade. 

Depois de três anos morando nesta região, é mais fácil a gente ver as virtudes e, principalmente, os defeitos, as mazelas de uma cidade grande como Belém e região metropolitana. Então, depois de algum tempo ausente,  a gente passa a comparar.

Voltei para umas férias de 13 dias. Eu e minha consorte, Bernardete, paranaense, filha de pais gaúchos; ele, de origem alemã; ela, de ancestrais italianos; agricultores humildes. Minha mulher é professora, professora alfabetizadora com formação em pedagogia.

A começar pelo bairro de minha mãe, um bairro - como grande parte da periferia belemense - novo, o Curió-Utinga. Saindo de carro à noite, arrastei-o por duas "lombadas", que é aquele preparado de cimento que atravessa as ruas, feito pelos próprios moradores da rua. Claro que a intenção é ótima, louvável mesmo, que é evitar acidentes, poupando vidas de inocentes, principalmente as crianças.

Várias são as razões para isso acontecer. Vou enumerá-las:

primeira: a imprudência dos motoristas, que às vezes pensam que aquelas vielas de cinco ou seis (às vezes bem menos que isso) metros são iguais às pistas da rodovia BR 116. Com isso, o risco representado para o ser humano que transita nas ruas da nossa periferia;

segunda: qualquer outro cidadão de uma cidade do Paraná, inclusive a capital, faria a seguinte pergunta: Ué, por que as pessoas estão nas ruas e não nas calçadas, que é o lugar delas? A resposta é uma outra pergunta: Que calçadas?

terceira: não há calçadas por outras razões. Uma delas é que normalmente esses bairros, como o da minha mãe aí, são formados a partir de ocupações que nascem irregulares. Primeiro alguém loteia, ou até mesmo as pessoas ocupam na marra, construindo as casas para depois lembrarem que precisa de rua para poderem circular. Ah sim, precisa de ruas. Calçada então é luxo. "Para que calçada? As pessoas podem andar na rua." Ainda mais que antes não havia tantos carros. Outra razão é que as pessoas (digo, as pessoas aí da minha querida porém maltratada Belém) pensam que são donas da calçada, fazendo-as do tamanho, da altura e do jeito que quiserem. Isso, quando deixam algum meio metro que chamam de calçada. A calçada, que deveria ser pública, destinada à circulação livre do pedestre, passou a ser particular, cada uma com seu dono.

quarta: inexistindo calçadas disponíveis para o público, resta a ele fazer concorrência aos carros, aos ciclistas, aos cães... As casas são apertadas e quintal é coisa que ficou no passado. As crianças também brincam nas ruas, e assim a possibilidade de acidentes não é coisa de difícil. Como a Prefeitura não toma nenhuma providência, resta aos moradores tomar a iniciativa de construir aqueles mondrongos.

quinta: se a Prefeitura não toma providência alguma, seja construindo dentro dos padrões regulamentares as ditas "lombadas" onde for necessário, seja desobstruindo as calçadas, disponibilizando-as ao verdadeiro dono - o pedestre, muito menos esta - a Prefeitura - não vai aos locais fiscalizar, ou por falta de denúncia ou para fazer média com a população com o medo de perder voto por ações impopulares.

sexta: ao mesmo tempo as calçadas - do jeito que são (altas, baixas, estreitas etc.) ou quando existem - servem para as sacolas de lixo, que são aí depositadas pelos "donos" das calçadas. Precisa dizer o que acontece? Pois sim, vem os cães e estraçalham aquela porcaria toda, sujando mais ainda a cidade. Ah, mas era só fazer as lixeiras de metal, o mesmo metal que se usa para engradear toda a cidade pelo pavor - exagerado ou não - do ladrão. "Não, para que fazer lixeira se o meu vizinho, que não tem, vai pôr o lixo dele na minha lixeira?". Para que fazer lixeira se a própria Prefeitura não incentiva com campanhas conscientizadoras - aí não vai sobrar dinheiro para fazer propagandas visando a próxima eleição.

Muito ainda tenho a dizer. Voltarei à carga outro dia.


A verdade é a fortaleza dos inocentes. Igor Pfeifer


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!  

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