domingo, 5 de fevereiro de 2012

O PODEROSO Chefão


Caricatura de um flagrante em 1963, momentos antes da Marcha Pelos Direitos Civis em Washington (DC), EUA.
MARLON BRANDO Jr. nasceu em Omaha, Nebraska, em 3 de abril de 1924. Começou a chamar atenção atuando na peça de Tenessee Williams, Um Bonde Chamado Desejo. A peça foi filmada, mas acabou tendo seu lançamento atrasado, o que levou que figurasse como seu primeiro trabalho em cinema o filme, de 1950, Espíritos Indômitos. Esta produção contava a história de um veterano da Segunda Guerra Mundial ferido em combate angustiado por estar preso a uma cadeira de rodas. 

Em Um Bonde Chamado Desejo - cujo filme recebeu no Brasil o nome de Uma Rua Chamada Pecado - dirigido por Elia Kazan e com a presença da atriz Vivien Leigh no papel de Blanche DuBois, Brando fazia o papel de Stanley Kowalski, um rude trabalhador de chão de fábrica que gostava de jogar cartas e boliche. Tornou-se um símbolo sexual ao aparecer em fotos como o personagem, sempre de camiseta que lhe realçava seus músculos. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles premiou o filme nas categorias de melhor atriz, Vivien Leigh, melhor ator coajuvante, Karl Malden e melhor atriz coadjuvante para Kim Hunter. Brando também foi indicado ao Oscar, mas mesmo sendo o franco favorito, não ganhou. Brando seria indicado mais três vezes em cada ano posterior em “Viva Zapata!" em 1952, Júlio Cesar, 1953, no papel de Marco Antônio, e Sindicato de Ladrões em 1954.

No ano de 1953, Brando se tornaria um ídolo dos jovens da época ao interpretar Johnny Stabler em O Selvagem. No filme ele era um delinquente, líder de uma gangue de motoqueiros, vestido de jaqueta de couro e dirigindo uma motocicleta 1950 Triumph Thunderbird. O filme marcaria toda uma geração de artistas, desde James a Elvis Presley, os quais adoravam o estilo rebelde mostrado no filme.

Ganharia o primeiro Oscar com o filme Sindicato de Ladrões/Há Lodo no Cais, dirigido por Elia Kazan. Nos anos 1960 faria alguns filmes polêmicos, como Caçada Humana, no qual é a vítima em uma longa cena de espancamento. E Queimada!, seu personagem favorito, usado para mostrar uma visão histórica do que teria sido a política de colonização européia na América, com os portugueses e espanhóis agindo com violência e ganância, enquanto os ingleses buscavam tomar para si as colônias, atuando nos bastidores com mentiras e falso apoio aos nativos colonizados. Brando se mostra um grande ativista nos anos 1960, tendo participado de manifestações públicas em favor dos Direitos Civis e dos Direitos dos Indígenas, campanha que o levou a recusar um Oscar no início da década seguinte.

Mas seu estilo como ator alcançaria o auge do sucesso e da fama nos anos 1970, com O Poderoso Chefão/O Padrinho e último Tango em Paris, entre outros, tendo sido indicado para mais dois “oscars” pela Academia de Hollywood. Venceu pela sua interpretação de Don Vito, que rendeu ao personagem o título de "maior vilão da história do cinema".
Don Vito Corleone, O Poderoso Chefão
Quando venceu em 1973 o Oscar pelo fime O Padrinho/O Poderoso Chefão, Marlon Brando enviou uma índia (que mais tarde se descobriu ser uma atriz) fazer um discurso em seu nome, protestando contra a forma como os EUA e Hollywood discriminavam os nativos americanos.

Em 1979, fez Apocalypse Now, do gênero suspense de guerra, realizado por Francis Ford Coppola, baseado no livro Heart of Darkness, do polonês Joseph Conrad.
Nos anos 1980 interrompe sua carreira e se retira para a ilha de Tetiaroa, na Polinésia Francesa, da qual era o dono desde 1966. Ganha peso e é fotografado várias vezes usando um largo sarongue polinésio. Com problemas financeiros, retomou sua carreira cinematográfica em 1989. Chegou a fazer uma paródia de si mesmo no filme de 1990, Um Novato na Máfia, no qual praticamente repetiu a caracterização de Don Vito Corleone. Passa a ter sérios problemas pessoais, com o julgamento do filho Christian por assassinato do namorado da irmã Cheyenne e que, deprimida, se suicidou poucos anos depois (1995).

Dirigiu apenas um filme: o western Cinco Anos Depois (Título original "One-Eye-Jacks”), substituindo o diretor Stanley Kubrick no início das filmagens. Obteve alguns elogios da crítica, demonstrando estilo lento e inovador no gênero: filmou o mar, cenário incomum dos western. Também no duelo final com seu amigo na vida real Karl Malden, usa ângulos e coreografia fora do normal. No western que fez com Jack Nicholson, (Duelo de Gigantes, 1876), ele faz um pistoleiro bem estranho, dando continuidade à sua visão e a do diretor Arthur Pen, inovadora mas com tendências acentuadas para parodiar o gênero.

Uma biografia do ator, chamada Brando in the Twilight, afirma que ele somava dívidas que chegavam a US$ 20 milhões. Declaradamente avesso à fama, Brando morou durante quase 50 anos na famosa Mulholland Drive, numa casa que ele chamava de "Frangipani, a mansão do céu".

O jornal Sunday Times teve acesso a diversos processos judiciais envolvendo o nome de Brando, no qual ele declarou que atualmente morava em um bangalô de 180 metros quadrados, com uma cama e uma garagem transformada em sala de estar.

Para piorar sua situação financeira, sua ex-mulher Cristina Ruíz ameaçava reabrir um processo litigioso de US$ 100 milhões. Ela afirmava que Brando não cumpriu um acordo de pagar US$ 10 mil mensalmente como pensão para os três filhos do casal, incluindo Timothy que tem 10 anos e sofre com o autismo.

Marlon Brando foi um dos maiores nomes do cinema mundial e chegou a ser conhecido como "o maior ator de todos os tempos".

Uma insufiência pulmonar aguda foi a causa da morte. Chegou-se a afirmar que não seria divulgada a causa. Marlon Brando foi um homem muito privado.

Fontes: Sunday Times – IMDB - Wikipedia
 (CINEMASCOPE blog, João de Deus Netto)

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