quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SOU daquele tempo!

do blog Rio acima

Tudo passou, nós não

O aparelho de som três em um, novidade fantástica no fim dos anos 70. Lá atrás, jogado, um velho disco long play

SOU do tempo do telefone com fio. Fixo mesmo. Pra falar em outro cômodo da casa, era preciso instalar uma extensão.

Sou do tempo do aparelho de som três em um, como esse da foto, que vi exposto numa feira de velharias.

Ouvi muita narração do Waldir Amaral e do Jorge Cury em rádio transistor.

Ouvi música do Dire Straits nos toca-fitas dos carros. Uma vez ganhei um gravador mini-cassete da Aiwa.

E carro com ar condicionado era só Landau e Dodge Dart.

Em casa, ouvia os long plays comprados na Sears da Praia de Botafogo numa vitrola. Foi nela que conheci Good Bye Yelow Brick Road, do Elton John, e as músicas da novela Estúpido Cupido.

Sou do tempo em que a fotografia tinha que ser revelada e, para ver na hora, só com câmera Polaroid, que custava mais barato que o filme usado nela e cuja foto amarelava em poucos meses. Ainda peguei até o Lambe-Lambe na praça, tirando fotos das pessoas com a cabeça coberta por um pano e enfiada naquele caixote.

Para ter imagens em movimento, só numa filmadora Super 8. Um filminho em rolo, sem som, exibido em um pequeno projetor. Por falar nisso, lembra do projetor de slides?

Peguei o leite em garrafas de vidros, deixadas na porta das casas pela manhã pelo leiteiro, outra profissão que não existe mais...

Ouvi o apito do guarda noturno...

Sou do tempo da máquina de escrever, e nas primeiras redações de jornal em que trabalhei, havia dezenas daqueles trambolhos barulhentos. Até fiz um curso de datilografia quando ainda estava no colégio, pois seria importante para a carreira de jornalista.

Impressora era só para imprimir jornal. As pessoas faziam cópias com papel carbono ou mimeógrafo!

Sou do tempo do cigarro sem filtro. Hoje, o cigarro sem filtro é só aquele outro, proibido (ainda, apesar dos 5 mil anos de idade).

Videogame era só naquelas grandes máquinas dos fliperamas. Micro computador só existia nos Estados Unidos e era do tamanho de um ônibus.

A coisa mais parecida com internet que existia era a fofoca de vizinhos.

MP3? Nem em sonho. O walkman era o maior avanço para se ouvir música na rua.

Sou do tempo em que qualquer pessoa, com uma ficha, fazia uma ligação num telefone público (ainda nem tinham aparecido os orelhões). Hoje, se você encontrar um orelhão funcionando, precisa ter dinheiro para comprar um cartão com 20, 30 créditos de chamadas. E você queria dar apenas um telefonema...

Sou do tempo em que TV era só em preto e branco e precisava esquentar antes que a imagem aparecesse. Numa delas eu vi Irmãos Coragem (primeira versão, claro) e a Copa de 70. E era um aparelho mal assombrado, porque dependíamos de antenas para receber a transmissão, cheia de fantasmas.

Sou do tempo do acendedor de fogão Magiclik, que parecia mesmo mágico ao dar um choque no gás e provocar o fogo.

Sou do tempo do Baú da Felicidade, da Loteria Esportiva, do cinema Drive In da Lagoa, do Tobogã, do Píer de Ipanema, da ditadura militar e do Maracanã com geral, cadeira, camarote e arquibancada, do futebol com torcida, não com telespectador.

Todas essas coisas passaram. As mais avançadas novidades eletrônicas hoje estão mofando em brechós. Aquelas roupas novas que faziam você se sentir tão especial viraram pó. A única coisa que eu conheço que dura mais que o dono é o isqueiro Zippo.

Apesar de tudo isso, me sinto um garoto, porque, me ensinou a octogenária tia Marina, o que envelhece é o corpo.

Se ainda estamos funcionando, ainda estamos na moda.

Portanto, aproveitemos. 
 
 
Assino em baixo. Eu também sou desse tempo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 


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