quinta-feira, 22 de março de 2012

A TERRA está blues

Iuri Gagarin
NÃO SEI se vocês viram essas imagens da Terra, divulgadas pela Agência Espacial Europeia. Nelas nosso planeta aparece disforme e desengonçado. Como se fosse fruto de um Deus com boas ideias, mas com nenhuma paciência para executá-las. Um retrato bem distante da forma arredondada que está no nosso imaginário. As imagens mostram em detalhes o chamado geoide, nome que os cientistas dão ao formato real do planeta, que é irregular e com a massa distribuída de maneira desigual.

Foi um golpe duro para nós, terráqueos. Copérnico já tinha melado nosso sonho de grandeza, de senhores do universo ao dizer que não era o Sol que girava em torno da Terra, mas sim o contrário. Tenho certeza de que uma das principais consequências da teoria do heliocentrismo foi a descoberta do Prozac.

Na era da informação, dados de toda as naturezas se cruzam e nos revelam verdades que minam a nossa autoidealização. Você lê, por exemplo, um livro como Freaknomics, do economista Steven Levin e do jornalista Stephen J. Dubner, e entra em contato com a tese de que o que diminuiu a criminalidade de Nova York na década de 90 não foi a engenhosidade de um grupo de administradores. Os autores defendem que foi o aborto o grande responsável pela pacificação da metrópole. A relação de causa e efeito não foi intencional.

Quer mais? O Projeto Genoma nos mostrou que em vez dos 100 mil genes imaginados, o homem tem apenas 30 mil, número idêntico ao de um pé de milho. Ou seja, estamos muito próximos da pamonha, pamonha...

O WikiLeaks é outro que contribuiu para nossa descrença no talento humano. Ele escancarou que os homens e as mulheres que comandam a diplomacia americana, a CIA e o FBI não são aquilo que víamos nos filmes. Se soubéssemos disso antes, não teríamos acelerado tanto a corrida espacial.

A abundância de dados afeta também nossa estima no plano individual. O Itunes, por exemplo, mostra que você tem escutado, comprovadamente, mais Exaltasamba do que Miles Davis. Você gosta de pensar que é um amante de jazz, mas a contabilidade prova que sua alma é pagodeira.

Tenho a consciência tranquila. Eu fiz minha parte, tentei manter a poesia. Mesmo estando no interior de uma cápsula apertadíssima, temendo por minha vida, já que tripulava uma nave construída pelo mesmo país que criou o Lada Niva, fui capaz de dizer a simples, óbvia e inspiradora frase que me notabilizou: “A Terra é azul”.

Mas não adianta querer mudar o curso dessa órbita. Uma enxurrada de novas revelações seguirá golpeando com violência nossas ilusões. E como resposta a tudo isso, aumentaremos, ainda mais, o número de comédias românticas nas salas de cinema. (blogs do Além)


Os pequenos atos que se executam são melhores que todos aqueles grandes que se planejam. 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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