sexta-feira, 16 de março de 2012

WILSON Grey

10-12-1923, Rio de Janeiro, RJ
3-10-1993, Rio de Janeiro, RJ
(Ator Brasileiro)

por Adilson Marcelino

PRA QUEM não sabe Wilson Grey, ou, Wilson Chaves, é o ator que mais fez filmes no Brasil, aparecendo em mais de 200 longas. Nasceu em 10 de dezembro de 1923. Teve a vontade de ser ator desde cedo. Outro formado pela universidade da vida, teve diversas profissões antes de ingressar na carreira artística como anotador do jogo do bicho e até entregador de refeição de prostitutas. Ingressou no cinema pelas chanchadas cariocas trabalhando com todos os diretores importantes do período (Carlos Manga, José Carlos Burle) e com todos os grandes cômicos da época (Oscarito, Grande Othelo, Ankito). Sempre fez pontas.

Esteve presente em dezenas de filmes policiais cariocas, como no clássico “Assalto ao Trem Pagador”, “Mineirinho Vivo ou Morto” ou o lendário “Sete Homens Vivos ou Mortos” do gênio Leogivildo Cordeiro, vulgo Radar. Este filme Grey considerou sua melhor performance.

Trabalhou com diretores cinema novistas (como Nelson Pereira dos Santos, Arnaldo Jabor, Carlos Diegues,) e principalmente do Cinema Marginal (Rogério Sganzerla, Júlio Bressane e Ivan Cardoso). Para essa geração, era considerado um dos maiores atores do cinema brasileiro. Foi Ivan, que deu a Grey pela primeira vez a chance de ser protagonista em “As Sete Vampiras”, pelo qual ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Brasília. Por “A Dança dos Bonecos” de Helvécio Ratton, recebeu o mesmo prêmio em Gramado.

Mesmo assim, nunca teve nenhum tipo de preconceito, participando de dezenas de pornochanchadas e filmes populares de toda a espécie.

Teve longa parceria com diretores como Hugo Carvana e mesmo em filmes dos comediantes Trapalhões. Raros foram os atores que se dedicaram mais integralmente ao cinema do que a qualquer outra arte. Grey foi um deles.

Sempre fez papéis como de ajudante de bandido, bicheiro, camelô, barbeiro, cientista, garçon, vizinho chato, entre outros. Mesmo em papéis pequenos, deixou milhares de atuações extraordinárias e que roubam a cena.

Participou de algumas novelas e de alguns programas humorísticos, mas se firmou mesmo no cinema, veículo para o qual nasceu, viveu e deu sua vida. Se a cinematografia nacional tem um gigante, WG com certeza é um deles.

Deixo aqui um pouquinho do que significa pra mim, pessoas da grandeza desse homem extraordinário. Eu não me apaixonaria pelo cinema nacional, não existia a própria Zingu! se não existissem pessoas da altura e da grandeza de um Wilson Grey. Se ele não está no céu, pra mim é obvio que nem existe céu.

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Adilson Marcelino tem paixão pelo cinema nacional em geral e acredita piamente na máxima atribuída a Paulo Emílio Salles Gomes, de que o pior filme brasileiro nos diz mais que o melhor estrangeiro. Chamado por um grupo de jornalistas como o Super Adilson do Cinema Brasileiro, é graduado em Letras e em Jornalismo. Trabalha com cinema desde 1991: foi bilheteiro, gerente, assessor de imprensa, programador, redator e apresentador de programa de rádio. É pesquisador, editor do site Mulheres do Cinema Brasileiro – premiado com o troféu Quepe do Comodoro, outorgado pelo Carlão Reichenbach -, e do blog Insensatez. É o atual Editor-Chefe da Zingu!
revistazingu@gmail.com 
(blog Cinemascope, de João de Deus Netto)

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