segunda-feira, 2 de abril de 2012

HELENO de Freitas

ASSIM como já havia feito em Bicho de sete cabeças, Abril Despedaçado e Carandiru, Rodrigo Santoro dá um show de interpretação no filme Heleno, sobre o craque do futebol que morreu louco, aos 39 anos, no fim da década de 50.

Santoro é o que se pode chamar de um ator que tem tudo para dar certo: visual de galã e talento para entrar em seus personagens. Também fala inglês, o que facilita o trabalho em filmes norte-americanos. Vivendo Heleno de Freitas, ele enlouqueceu de forma muito verdadeira e transformou-se até fisicamente, adquirindo uma aparência cadavérica nas cenas do sanatório, última morada do jogador antes da morte por sífilis.

Heleno, como Santoro, tinha tudo para dar certo. Boa pinta, educado, de família rica. Mas, ao contrário do ator, era especialista em dar murro em ponta de faca. Elevou ao último grau de pertinência o ditado "quanto maior, maior o tombo".
Heleno, o jogador, no parapeito
do hotel Copacabana Palace

Além do ator, o filme também merece elogios. Amante do futebol, num primeiro momento senti falta do convívio de Heleno no meio futebolístico, mas isso logo passou. A decisão do diretor José Henrique de jogar uma lente de aumento sobre a pessoa, e não sobre o jogador, foi acertada e bem executada. As passagens ficcionais mescladas à biografia não incomodam. Entrei no clima, e é isso que se espera quando se entra num cinema. A cena que mostra seu único jogo no Maracanã, pelo América, quando ele literalmente não viu a bola, é muito impactante, aliás, a bruma da loucura paira na tela durante toda a projeção. A reconstituição de época também foi muito feliz, discreta, realista.

Este modesto espectador só daria um pouco mais de contraste na imagem, já que o preto e branco ficou meio cinza e branco, lavado demais para um viciado em contrastes como eu... Heleno, para mim, era dark até na praia. E diminuiria o número de cenas com a personagem de Aline Moraes, que ficaram meio repetitivas. Há no livro biográfico, escrito por Marcos Eduardo Neves, muitas situações que poderiam ser exploradas.

Ah, a maior bola fora do filme é o corte de cabelo de Santoro, moderno demais para os anos 40. Deveriam ter recorrido á velha brilhantina, tão apreciada pelo brilhante craque do passado.

Heleno era um cara socialmente inviável. Se não soubesse jogar bola tão bem acho que não passaria dos 22  anos sem levar um tiro ou uma facada. Mas o talento e a beleza lhe deram uma pequena sobrevida, suficiente para que rendesse um bom filme, protagonizado por um ótimo ator.

Heleno (esq.) com Ademir Menezes

2 comentários:

  1. O filme é espetacular, além de ser muito útil para muitos atletas de alta performance repensarem a respeito do caminho que pretendem traçar, Heleno se foi, mas a lição ficou.

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  2. Obrigado, André, por sua visita e seu comentário. Assim que chegar à minha cidade em vídeo - porque as cidades médias e pequenas não possuem mais cinemas como antigamente - tratarei de ver o filme.

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