sexta-feira, 17 de agosto de 2012

BARÕES da imprensa, jornalistas e o jornalismo burguês

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


HÁ algum tempo, quando eu era um jovem jornalista, percebi nas redações da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) que o jornalismo empresarial, de negócios, tem lado, cor, ideologia e preferências culturais, raciais e de classe social.








Sabem por que essas distorções acontecem? Porque o jornalismo é tratado como produto por empresas de comunicação cujos proprietários são megaempresários, que estão a fim de ganhar dinheiro, aliás, muito dinheiro, como qualquer empresário de outro ramo de negócios.


Por isso e por tudo isso, temos um jornalismo partidário, sectário e conservador elaborado, escrito e apresentado por jornalistas filhos das classes média e média alta quando não de origem rica. São profissionais burgueses e que sonham desde sempre com ascensão social e fama.



Esses jornalistas não conhecem o Brasil, as suas diferentes regiões e culturas e muito menos compreendem as questões, as necessidades e as dificuldades das classes sociais menos privilegiadas. Agem assim porque inexiste neles o compromisso com o País e o seu povo, porque prezam essencialmente os valores individuais, que se alicerçam em uma sociedade de consumo, que, equivocadamente, mede e avalia as pessoas pelo o que elas tem e não pelo que elas são.



Parte desses jornalistas por ser assim integram, de forma espontânea e natural, um sistema midiático de direita acumpliciado com os interesses econômicos e financeiros dos barões da imprensa, dos proprietários de mídias cartelizadas e monopolistas, que, por sua vez, são sócios dos grandes capitalistas nacionais e internacionais.











Percebo, evidentemente, que essas características me levam a crer e a afirmar que os barões da imprensa são imperialistas, colonialistas e os replicadores do pensamento conservador nacional e internacional, de forma que ao controlar os meios de comunicação e de informação eles passam a domesticar os pensamentos, os valores e até mesmo os sonhos e os propósitos da população em geral e em especial das classes média e média alta, que, alienadas e muitas vezes de forma involuntária, aliam-se àqueles que não querem distribuir renda e riqueza e muito menos desejam ver um Brasil justo, livre, independente, democrático e soberano.



Os jornalistas os quais faço críticas são exatamente isto. Eu os conheço e sei de suas vaidades e manias de grandeza que se baseiam na ascensão social. São burgueses porque acreditam em valores estritamente comerciais e de modismos. Detestam ter de lidar com o que seus pais sempre desprezaram: conviver com os mais pobres e ter de ouvir suas queixas e necessidades ou perceber que a redoma de cristal onde vivem é para os poucos que eles consideram seus semelhantes.



Os homens e as mulheres comprometidos com seus patrões e, por conseguinte, com o jornalismo de negócios privados se vestem e se comportam como yuppies cujos valores se confundem com o mundo neoliberal que derreteu as economias, as almas e o orgulho da Europa Ocidental, do Japão e dos Estados Unidos. É um mundo fútil e leviano, que se alicerça em falso moralismo que edifica a ganância, o egoísmo, o materialismo e constrói a guerra entre as pessoas, as sociedades e os países.



Mauricinhos e patricinhas que desprezam o povo brasileiro.




Por isso e por causa disso resolvi, no já longínquo ano de 1995, não trabalhar em redações da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?). É isso aí.

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