sábado, 8 de setembro de 2012

KIM Jong Il, diretamente do Além


Pequenas Ogivas


NÃO fui à Rio+20. Fiz um evento paralelo: Coreia do Norte+eu.

Até agora não entendi por que Lula não me procurou antes de fechar com Maluf. O estrago teria sido bem menor.

Presto aqui minha solidariedade a Hussain Aref Saab, o assessor responsável pela liberação de prédios na capital paulista, que foi exonerado por suspeita de enriquecimento ilícito. Com rendimento mensal de 20 mil reais, ele adquiriu, nos últimos sete anos, 106 imóveis. Invejosos. Esses incrédulos são os mesmos que duvidaram dos meus 11 holes in one, jogada em que se acerta o buraco com apenas uma tacada, que fiz na inauguração do campo de golfe de Pyongyang. Façanha testemunhada pelos meus 17 guarda-costas.

Não entrei no Facebook. Criei minha própria rede social, o Kimbook. E tá bombando. No primeiro dia, atingi a espantosa marca de 24 milhões de amigos. Não precisaremos nem mais fazer recenseamento.

A Human Rights Watch qualificou o meu governo como o mais repressivo e fechado do mundo. Estimou em 200 mil o número dos meus prisioneiros políticos. Mas suspeito que eles falam isso só para me agradar.

Uma revista semanal brasileira quer porque quer fazer meu perfil, retratando-me como um mosqueteiro da ética. Até eu achei meio exagerado.

Em 1978, sequestrei o famoso cineasta sul-coreano Shin Shang-ok e sua mulher, Choi Eun-hee, para que eles fizessem a versão socialista de Godzilla, um dos meus filmes favoritos. Infelizmente, o orçamento para construir uma população de monstros se mostrou inviável. Nenhuma marca quis financiar o projeto.

Eu quero tchun, eu quero tcha. Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha.
Tchu tcha tcha tchu tchu tchã. Toda vez que canto essa música, sinto vontade de fazer um teste nuclear.


Na minha biografia oficial, apareço como compositor de seis óperas, amante das finas artes e um expert em internet. Enfim, mais ou menos o que todo mundo fala de si nas redes sociais.

Cheguei ao final da vida com 17 residências, entre palácios, mansões e até um resort, espalhadas pela Coreia do Norte. Estima-se que deixei uma fortuna de 4 bilhões de dólares, depositados em bancos europeus. Esse dinheiro guardei para pagar os honorários do Márcio Thomaz Bastos, caso eu fosse levado ao tribunal de Haia.

Sobre o fato de Carlinhos Cachoeira ter sociedade com uma empresa da Coreia do Norte, onde não permitimos empresas privadas, e ter recebido da mesma mais de 10 milhões de reais, reservo-me o direito de ficar calado.

Gostaria que você agradecesse a mim, Comandante Supremo deste Blog, pela dádiva dessa leitura e por você existir.

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