sexta-feira, 21 de setembro de 2012

MARCELO Migliaccio: Vamos falar sério?

AGORA, que os ilustres magistrados do STF concluíram que o governo do PT pagou deputados para que votassem a favor de seus projetos no Congresso, vamos parar de hipocrisia.

O PT não comprou deputados, comprou a direita. Isso mesmo, os partidos incriminados pelos doutos togados são PL, PTB, PMDB e PP, que historicamente sempre votaram contra o povo brasileiro. É o Centrão da Constituinte. Lembra? Que votava contra todos os avanços sociais e os direitos dos trabalhadores. Aqueles 300 picaretas a que o Lula se referiu ainda antes de ser eleito. É a turma que trocou o quinto ano de mandato para Sarney por concessões de rádio e TV. Os que se locupletaram para que FHC pudesse ser reeleito.



O PT comprou gente como Roberto Jefferson, que resistiu na tropa de choque de Fernando Collor até o último minuto antes do impeachment.


Não há ninguém do PCdoB ou do PSB, que eram da base governista, citado até agora. Porque eles votaram a favor do povo se pedir nada em troca.


Ao chegar ao poder, depois de 500 anos de governos da elite mais egoísta, da aristocracia mais arcaica,  o PT deve ter se deparado com um dilema: com esse Congresso de maioria conservadora, nada será aprovado, o governo simplesmente não vai andar, porque esses representantes históricos das oligarquias não vão deixar. Havia duas alternativas para fazer as mudanças que o país esperava. Ou fechava-se o Congresso e prendia-se os picaretas, ou trocava-se seus votos por facilidades pecuniárias.


Foi com o dinheiro do povo que o PT comprou os deputados?


Até eu, sinceramente, entraria numa vaquinha para ajudar a pagar a corja. Daria com prazer R$ 5 reais do meu bolso para que essa turma de parlamentares, eleita pela ignorância do brasileiro, aprovasse as leis e projetos que fizeram de Lula o presidente mais pouplar da história do Brasil.


Não me interessa de onde era o dinheiro, não sou hipócrita. O que me interessa é que mais gente agora almoça e janta. Que a transposição das águas do Rio São Francisco está sendo feita e o sertanejo não vai mais morrer de sede. Que mais de 200 mil jovens carentes chegaram à universidade. Que, com o bolsa família, milhões de crianças não precisaram mais esmolar nas ruas e se mantêm na escola. Que a Polícia Federal prendeu quase 3 mil corruptos durante o governo Lula (e a Justiça soltou quase todos).


E o que me interessa é que a Dilma, mulher inteligente e honrada, está aí para continuar a inclusão social de um povo que sempre foi vilipendiado e esquecido dentro de seu próspero país.


A questão é que esses deputados conservadores não iriam deixar Lula governar, fariam obstruções e mais obstruções, a gente sabe como é... o que nós poderíamos esperar de gente que votou contra a reforma agrária na Constituinte de 1988?


Os petistas acusados de comandarem o esquema deveriam vir a público, encher o peito e dizer: "Compramos os picaretas sim!" Não deveriam se envergonhar, nenhum deles construiu uma cascata no jardim de casa nem anda por aí desfilando de Porshe.


Aquele entre nós que nunca deu uma cervejinha pro guarda de trânsito que atire a primeira pedra.


Quem pode falar em ética? Marcelo Freixo, surpreendido fazendo campanha ao lado de um miliciano?


E o jornal que emprestava seus carros para o DOPS transportar presos políticos durante a ditadura, pode posar de guardião da moralidade?


Quem mais critica o mensalão é a revista cujo editor passou mais de 200 horas ao telefone fazendo conchavos e tramóias com Carlinhos Cachoeira.


A TV que serve violência, sexo e cerveja a crianças a qualquer hora do dia chama o mensalão de "imoral". É para matar de rir...


Imorais foram as privatizações do PSDB.


Imoral é o silêncio da mídia em relação ao mensalão do tucano Eduardo Azeredo em Minas, a escola em que Marcos Valério aprendeu tudo.


Imorais são os cabelos biônicos do Álvaro Dias...


Imoral é o fato de os meios de comunicação num país de quase 200 milhões de habitantes estarem nas mãos de meia dúzia. Por isso a imprensa se comporta descaradamente como maior, e único, partido de oposição aos governo do PT.


Difamaram Luiz Gushiken nas manchetes durante meses e ele foi inocentado pelo STF. E agora? Fica por isso mesmo, porque a indústria da mídia no Brasil pode tudo.


E a imprensa virou o único partido de oposição porque o PSDB não vence nem o Celso Russomano em São Paulo. E se o PSDB perde em São Paulo, perde em qualquer lugar. 
 

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