domingo, 4 de novembro de 2012

MARCELO Migliaccio: Lula assassino?

Vamos ver se essa cola


A EDIÇÃO desta semana da revista que pensa que o leitor é cego está especialmente lamentável. Tem uma matéria sobre o despejo frustrado de índios de uma reserva em Mato Grosso. Claro que o texto é contra o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e os índios. O repórter posiciona-se a favor da especulação de terra e dos fazendeiros e chega ao cúmulo de sugerir que os índios deveriam se tornar mão de obra barata na sociedade industrial.

Na página seguinte, uma tentativa pífia de criticar Dilma pelo subsídio da Petrobrás ao preço dos combustíveis. Dizem que isso mata a autossuficiência desse gigante mundial altamente rentáve que o PSDB quis vender.

Para a matança de policiais em São Paulo, que vive uma guerra nas ruas, uma mísera meia pagininha, dizendo que tudo está sob controle e que a polícia não vai recuar. Só faltou colocar Geraldo Alkimin como co-autor do texto.

Mas o pior é a matéria de capa


Desesperada com a derrota de seu candidato José Serra em São Paulo, prova de seu crescente desprestígio como formadora de opinião, a revista para ceguetas agora "descobriu" que Lula mandou matar o prefeito de Santo André Celso Daniel.

A histeria dos derrotados não tem limite, desconhece o ridículo e joga pelo ralo todos os preceitos do bom jornalismo.

Como não tem prova nem coragem de acusar diretamente o ex-presidente, a revista recorre aos rodeios de um texto pernóstico e cheio de firulas como sempre. De substância, nada. Muito verbo no condicional e declarações atribuídas a Marcos Valério, que ela mesma tacha de facínora há anos (quem teve Cachoeira como pauteiro durante anos adora esse tipo de fonte). Resumindo, diz que Lula teria interesse direto na morte de Celso Daniel pois seria um dos beneficiários do esquema de corrupção em Santo André.

Detalhe importante: o PT acaba de ganhar novamente a prefeitura de Santo André e de outras cinco entre as dez maiores cidades do estado de São Paulo.

Mais uma reportagem vazia, puramente escrita para atirar mais uma mãozada de lama no presidente mais bem avaliado da história do Brasil. A velha e conhecida intriga, a secular fofoca da Candinha, o disse-me-disse vergonhoso e desrespeitoso que provavelmente será transformado em Prêmio Esso de jornalismo pela imprensa corporativa tucana.

Agripino Maia, o coronel do Rio Grande do Norte, e Roberto Freire, o ex-comunista limítrofe que a direita adora, já falam em abrir uma CPI e colocar Lula na cadeia.

Não importa que não haja prova alguma a não ser a suposta declaração de um condenado. Querem Lula preso e inelegível. Seu verdadeiro crime? Oito anos de governo para os mais pobres, para os que mais precisam, prosperidade para empresários e banqueiros e comida na mesa de quem passava fome. Milhões de carteiras assinadas,  vida sem inflação para a classe média devoradora de novelas e oportunidade de estudo para crianças e jovens das periferias. Respeito para o Brasil no exterior e FMI fora daqui.

"Lula assassino!", trombeteiam aqueles que têm saudades de Fernando Henrique, o catedrático que foi três vezes de joelhos ao Fundo Monetário Internacional, o gestor competente que conseguiu afundar a maior plataforma de petróleo do mundo, a P-36, da Petrobrás.

Enquanto isso, os cinco ministros do STF que votam fazendo proselitismo político (um absurdo em se tratando de magistrados) parecem com vergonha de mandar José Dirceu para a prisão. Não há gravações, filmagens, documentos, nada que faça crer que ele coordenava a tal compra de votos dos parlamentares fisiológicos de direita.

Há apenas a acusação do deputado cassado Roberto Jefferson, aquele do Povo na TV. Collor se vangloriava de ter aquilo roxo, lembra? Pois Jefferson, seu aliado até a hora do impeachment, deve se orgulhar de seu olho roxo.

Sorte nossa que a maioria do povo brasileiro mostrou mais uma vez, com a vitória de Fernando Haddad na maior cidade do país, estar pouco ligando para esse noticiário direcionado, enviesado, toscamente manipulado. Não adiantou nada todo o carnaval feito na TV e nos impressos em torno do mensalão, "o maior escândalo de corrupção da História do Brasil": Serra perdeu mais uma.

E o PT cresceu 14% na última eleição municipal.

Vamos ver se a marola "Lula assassino!" vai virar outro tsunami midiático... (Rio Acima)

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