quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

JORNALISTAS "beatificam" Eliana Tranchesi

Eliana Tranchesi comove jornalistas

Por Fernando Vives, na CartaCapital:

VAMOS aos fatos: a empresária Eliana Tranchesi foi julgada e condenada a 94 anos e meio de prisão por formação de quadrilha, fraude em importações e falsidade ideológica. Dona da Daslu, megaloja de artigos de luxo, Tranchesi foi denunciada através da Operação Narciso, da Polícia Federal, em 2005. Vivia em liberdade por força de um habeas corpus até morrer na semana passada, vítima de um câncer no pulmão.



Não duvido que Eliana Tranchesi possa ter sido boa amiga, boa mãe, enfim, uma pessoa com qualidades. O problema é que, no Brasil, eventualmente a morte absolve e o câncer beatifica. A extensão da ficha criminal de Tranchesi causaria esgares de sobrancelhas a bicheiros obscuros de vários arrabaldes brasileiros, que poderiam enxergar na ascensão da dona da Daslu um plano de carreira a ser seguido. Mas houve quem, na mídia, preferiu suavizar, digamos, o jeitinho brasileiro da empresária para lembrá-la como uma espécie de Midas da moda e do comércio de alto luxo no País – mesmo que essas conquistas tenham chegado através de golpes na Receita Federal, conforme ressaltam seus processos.

Primeiro foi a jornalista e consultora de moda Glória Kalil, uma espécie de Milton Neves da etiqueta nacional, que manifestou-se impunemente chamando Eliana Tranchesi de “uma das melhores comerciantes que este país já teve”, assim, expandindo os horizontes do adjetivo “trambique”. Prossegue Kalil: “Uma pessoa que (…) nunca parou de olhar para a frente e de se esforçar para dar o melhor atendimento à sua clientela e de cercá-la dos mais delicados carinhos mandando flores, bombons e presentes superpersonalizados em todos os dias das mães, dos namorados, Natais e aniversários, sempre embrulhados em muitas fitas e um bilhetinho carinhosos escrito de próprio punho”. A consultora de moda não especificou se as tais fitas chegaram ao Brasil entre os pacotões contrabandeados pela Daslu.

O jornalista Guilherme Barros, da revista IstoÉ Dinheiro, divulgou uma carta de despedida de Tranchesi, ressaltando que nela a empresária manteve “o seu otimismo e seu espírito guerreiro, apesar de todo o sofrimento”. O otimismo e o espírito guerreiro de quem burlou o fisco por anos seguidos, ressalta-se, embora a introdução do jornalista não traga qualquer menção a isso.

A informação da morte de Eliana Tranchesi parece ter mexido também com os neurônios do jornalista Boris “Gari” Casoy, encostado como âncora de um jornal na madrugada da tevê Bandeirantes. Em editorial alucinógeno, culpou Luiz Inácio Lula da Silva e o mensalão pela morte da empresária. “O governo Lula viu em Eliana um instrumento para tentar desviar as atenções da população sobre a roubalheira do mensalão. O comércio de luxo de Eliana foi o alvo perfeito. (…) O governo montou um enorme circo de polícia e imprensa num episódio triste de utilização da Polícia Federal”, disse Boris, antes de encerrar a explanação com um espirro, valorizando o burlesco do editorial*. Ao menos, justiça seja feita, Boris endossou a culpa da empresária em quase todas as acusações a ela indicadas.

Porém, o ápice do frenesi deu-se no blog da colunista social Hildegard Angel no portal R7. Sob o título “Réquiem para Eliana Tranchesi”, a jornalista que se auto-intitula “uma das mais respeitadas do Rio de Janeiro” (foi bom ela avisar) expeliu a lógica ao cravar: “…pois não me venham com pedras na mão os patrulheiros falar em débitos com o fisco, pois é à Eliana que a Receita do Brasil (negrito dela) deve muito mais”. E, fã, desanda a dizer como Tranchesi parou o que estava fazendo para recebê-la na Daslu, interrompendo sua rotina pesada. “Sei o que isso custa para uma pessoa realmente ocupada”, suspira.

Hildegard Angel não parou por aí e resolveu justificar os crimes contra o fisco da dona da Daslu: “Eliana colecionou e disseminou pioneirismos no comércio do luxo e no comércio da moda, num país em que o emaranhado de leis e o labirinto burocrático travam, enclausuram, imobilizam, praticamente invializam qualquer voo diferenciado. Não estou com isso tentando justificar o injustificável: o drible de leis. Mas quem é do ramo sabe que é praticamente impossível para um empreendedor visionário e sonhador, que pensa longe e pensa grande, sair do lugar, crescer, se expandir, submetido a essa armadura brasileira chamada conjunto de leis fiscais e trabalhistas, que muitas vezes só funciona se bem azeitado com um combustível chamado ‘molhar-a-mão’…”.

Ou seja, justificou, sim, o injustificável. E Hildegard ainda arremata: “Numa das suas poucas entrevistas sobre o assunto, Eliana reconheceu que cometeu o erro de vender luxo num país de agudas diferenças sociais…”. Quer dizer… a culpa é do povão, confere?

Como disse o amigo jornalista Mauricio Savarese, a morte de Eliana Tranchesi serviu para explicitar quem faz jornalismo de fato dos que estão na profissão pelo deslumbre de fazer parte das rodinhas do high society. Parece ser mais fácil fazermos ricos criminosos pagarem por seus crimes na cadeia que extirparmos o jeitinho brasileiro da sociedade.

* Apesar de real, o fim do vídeo de Boris Casoy é uma montagem. O espirro em questão foi em outra oportunidade.
(Blog do Miro)

O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros.


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

O CHURRASCO do rico e o churrasco do pobre


TRAJE FEMININO:
De rico:
Calça de cor clara, ou um jeans pra não ter erro, bolsa, um lenço no pescoço. Camisetinha básica branca. Óculos, sandalinha rasteira. Ela sempre chega sozinha.

De pobre:
Mini-saia curtíssima, blusinha estampada, tamanco de madeira de salto altíssimo ou tênis, óculos coloridos degradê!!! piercing no umbigo (detalhe no ângulo de gordura da barriga), anel no dedo do pé e os pelos do corpo descoloridos com água oxigenada. Muitas usam biquíni por baixo, na esperança de tomar um banho de piscina.


TRAJE MASCULINO:

De rico:
Bermuda, camisa esporte, óculos, relógio e geralmente chegam acompanhados de uma bela mulher.

De pobre:
Chinelo, bermuda florida ou feita de uma calça jeans cortada no joelho desfiada, com a barriga aparecendo, camisa do Corinthians ou do Flamengo jogada nas costas (eles morrem de calor) e óculos. Chegam de Monza ou de carona com mais oito pessoas.


A COMIDA:

De rico:
Normalmente eles não comem, quando comem é um pouquinho de cada coisa. Arroz com brócolis ou açafrão, farofa com frutas secas, filé de cordeiro, picanha argentina, muzzarella de búfala. Sendo que cada coisa a seu tempo e pausadamente.

De pobre:
Vinagrete, farofa com muita cebola, maionese, muita asa de frango, lingüiça com pão de alho, costela e miolo de acém (que eles juram ser mais macio que picanha!).


A BEBIDA:

De rico:
Os homens, Chopp Brahma ou cerveja Heineken geladíssima. As mulheres água ou Coca-Cola Light.

De pobre:
Cerveja Itaipava ou Kaiser, geladas no tanque de lavar roupa cheio de gelo. Quem fica tonto mais rápido, bebe intercalando água da torneira. Muita caipirinha com Caninha da Roça, Baré Cola e Guaraná Sarandi.


PRATO :

De rico:
Normalmente beliscam uma picanha servida num enorme prato branco liso de porcelana, taças adequadas a cada tipo de bebida: água, chopp, refrigerante.

De pobre:
Os tradicionais pratinhos de alumínio ou papelão, eles ficam o tempo todo de olho na fila esperando diminuir. As bebidas são servidas em copinhos plásticos (reciclados) de 200 ml. (nunca compram na quantidade exata do número de convidados), acabam servindo naqueles copos de requeijão ou geleia para os convidados mais chegados: familiares, algum cabo da PM, Corpo de Bombeiros, Escrivão da Polícia, etc... (os Vips).


MÚSICA:

De rico:
Jack Johnson, Maria Rita, música instrumental, Lounge Music e Jazz. Podem contratar um grupo que toca chorinho, mas com músicos formados pela Escola de Música da UFRJ.

De pobre:
Aquele pagodão de pingar suor, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Revelação. Só CD piratas (4 por 10,00) mídia azul. Não pode faltar o de Samba Enredo do ano. O importante é tirar a galera do chão, depois de umas 2 horas de churrasco, todos já estão dançando, independente das idades ou credos. Também rola uma batucada improvisada com panelas, tampas ou qualquer objeto disponível que emita um som (cantam de Almir Guineto até Alcione). A mulherada tira a sandália, porque não estão acostumadas, e bota a poeira pra subir...

O CHURRASQUEIRO:

De rico:
Contratado de uma churrascaria famosa. Trabalha com um uniforme impecável e traz consigo toda equipe necessária para atender todos os convidados.

De pobre:
Amigo de um conhecido que adora fazer churrasco, e cada hora um fica um pouquinho pra revezar. Normalmente é um cara barrigudo que fica suando com uma toalhinha na mão (ele usa para enxugar o suor, limpar as mãos e o que mais precisar!). Adora ficar jogando cerveja na brasa para mostrar fartura!

O LOCAL:

De rico:
Área coberta, com piso de granito, tem mesinhas, ombrelones e bancos, num lindo jardim com piscina, mas ninguém se anima dar um mergulho, pois a mesma está decorada com um lindo arranjo de flores tropicais.

De pobre:
Normalmente na laje, com sol quente na cabeça ou chuva para acalmar o fogo (então é improvisada uma lona de caminhão como cobertura, mas só para proteger a churrasqueira). Cadeiras só para quem chegar mais cedo (esses cedem o lugar para as grávidas que sempre chegam atrasadas), os demais ficam em pé, esbarrando uns nos outros e pisando no seu pé, mas não tem problema porque a maioria tá descalço. Sem esquecer o tradicional banho de chuveiro, onde os bêbados começam com a brincadeira de querer molhar todo mundo.

O FINAL:

De rico:
Em no máximo 4 horas, cada pessoa sai em seu próprio carro. Mas saem em momentos diferentes, para que o dono do churrasco possa fazer os agradecimentos a cada um com atenção.

De pobre:
Dura no mínimo 8 horas e depois que todos já estão bêbados, o dono da casa diz que tem que trabalhar cedo no dia seguinte, mas o pessoal ainda quer fazer vaquinha para comprar mais uma caixa de cerveja. Quem não tem carro é de carona ou vai de buzão mesmo. (isso sem falar nos que passam mal, vomitam e precisam curar o porre, estabacados no sofá ou no tapete, antes de pensar em ir embora e naqueles parentes e amigos mais chegados que são intimados a 'dar uma maozinha' na faxina do recinto!). O pessoal que tem carro, liga o som bem alto (pagode, claro!) e sai buzinando, sorrindo e gritando : 'Valeu maluco!' .


Tá rindo né...já vi que é pobre!!!!!! Rico graceja..


Ensaiando!



(Luciano Borges, no blog do Boleiro)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

IRÃ, o Iraque anunciado?

por Dr. Rosinha,  no Congresso Em Foco

HÁ MOMENTOS de nossa vida que guardamos como se fossem fotografias. Ficam armazenados na caixa da nossa memória e, quando menos se espera, são lembrados.

Na solidão de uma leitura, de um debate ou de uma visita, abrimos a caixa para, solitariamente, revisitá-las. Ao ler que Hans Blix pediu o fim das ameaças contra o Irã, abri minha “caixa” de fotografias da visita que fiz ao Iraque, entre os dias 4 e 6 de fevereiro de 2003, pouco mais de um mês antes do início da invasão do país pelos Estados Unidos. Rapidamente passaram pela minha memória algumas fotografias de Bagdá:

1) Nos bares e restaurantes não se vendia nenhum tipo de bebida alcoólica. Portanto, não havia o alarido de bêbados ou “animados” pelo álcool em nenhum desses locais, e muito menos nas ruas.

2) Na rua, parei diante de um vendedor de frutas. Observava as frutas da região, frescas ou secas, que vendia. Sem emitir nenhuma palavra (não falo inglês e tampouco árabe), o homem estendeu-me um punhado de pistaches para eu comer.

3) Em outra ocasião, fiquei admirando um homem fazendo pão: com um forno de tijolos aquecido, ele estava enrolando a massa para, em seguida, com uma técnica própria, afiná-la e depois grudá-la no teto do forno. Pelo alto aquecimento do forno e pela textura (muito fina) da massa, o pão assava em menos de um minuto. Terminou de fazê-lo, recolheu-o e estendeu o braço oferecendo-me o pão.

4) Na frente de uma mesquita, havia uma sala com cerca de 20 homens sentados no chão. Todos com tesouras, agulhas, remendos, botões, etc., consertavam roupas. Cena nunca vista por mim. Querendo fazer uma foto, me fiz entender que era do Brasil. Antes de consentir sobre a foto, um deles gritou “Ronaldo” e outro, “Flamengo” (por que logo Flamengo?). Fiz a foto, mas a cena não me sai da memória.

5) Reunião com os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica, cujo ex-chefe foi Hans Blix. Esta reunião ocorreu no Hotel Canal, que sofreu um atentado em agosto de 2003, matando o brasileiro Sérgio Vieira Mello, funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta reunião, foi-nos dito com todas as letras: o Iraque não possuía armas de destruição massiva.

6) Em Bagdá, as crianças brincavam, corriam, frequentavam as escolas, olhavam para a minha barba e riam. As mais ousadas se aproximavam, passavam a mão na barba e corriam, rindo. Homens e mulheres andavam normalmente pelas ruas.

7) No centro de imprensa de Bagdá, jornalistas do mundo todo e parlamentares europeus e brasileiros assistíamos à exposição feita na sede da ONU por Colin Powell, então secretário de Estado dos EUA. Nosso objetivo era ouvir o militar norte-americano dizer onde o Iraque armazenava (escondia) as armas de destruição em massa. Após a sua fala, iríamos até o local. Na exposição, porém, ele não indicou local algum.

Hoje, me encho de interrogações:

1) Que fim levaram aquele vendedor de frutas que me presenteou com um punhado de pistaches e o que me deu o pão? Continuam vendendo frutas e assando pães? Esses homens são felizes como eram antes da invasão norteamericana? Que dores carregarão para sempre? 

2) Quantos daqueles costureiros continuam vivos, conhecendo os jogadores brasileiros e torcendo pelos times do Brasil? 

3) As crianças que riram ou passaram as mãozinhas na minha barba continuam vivas? Estão órfãs? As que sobreviveram, que lembranças carregarão para sempre? 

Lula, como presidente do Brasil, visualizando a possibilidade de outra guerra, tentou um acordo tríplice (Brasil, Irã e Turquia) sobre o uso de energia nuclear pelo Irã. Foi duramente criticado pelos insensatos de direita (PSDB, DEM e PPS, aliados a setores da mídia) do Brasil e pelos interessados nas guerras, como EUA e Israel. 

Cerca de dois anos depois da tentativa feita por Lula, Hans Blix dá o alerta e propõe uma solução negociada. Espera ele que uma reunião entre iranianos e representantes do P5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha) desmobilize a sanha guerreira de Israel e dos EUA. Entende Blix que é possível “sentar e sonhar com grandes soluções”. 

Na questão do Iraque, os EUA não ouviram Hans Blix. EUA e Israel irão ouvi-lo agora? Tenho dúvidas, pois ambos são movidos economicamente pela guerra e, como donos absolutos da razão, preferem movimentar a economia interna a poupar vidas inocentes, como sempre fizeram e fazem. 

Será o Irã, agora, o Iraque anunciado por Hans Blix e pelos homens e mulheres de bom senso? 

Dr. Rosinha é  médico, com especialização em Pediatria, Saúde Pública e Medicina do Trabalho, destacou-se como líder sindical antes de se eleger vereador, deputado estadual e deputado federal. Também foi presidente do Parlamento do Mercosul (Parlasul). Exerce o quarto mandato na Câmara dos Deputados, pelo PT do Paraná.


Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente. Érico Veríssimo


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

COISAS do Rio Grande: história do Tico Loco (Baitaca)


Uma das coisas que mais admiro no gaúcho é que esse povo trabalhador gosta de sua tradição. Tradição essa, desconhecida da maioria dos brasileiros, em razão de que, por alguma razão que eu desconfio qual seja, a grande mídia (Globo, principalmente) teima em esconder.

Orgulhar-se de suas tradições é um exemplo para todos nós, brasileiros, paraenses, paranaenses etc.

CAMPANHA de apoio ao jornalista Lúcio Flávio Pinto




COMBATE À CENSURA E À PERSEGUIÇÃO POLÍTICA AO JORNALISTA

O JORNALISTA Lúcio Flávio Pinto teve a coragem de abrir mão de seu emprego para fazer o que gosta e que sente necessidade de fazer: ter o seu próprio Jornal Pessoal e nele escrever matérias de relevante interesse público. O jornalista optar por um jornal pequeno e sem publicidade; só assim teria independência e espaço para divulgar a sua pauta de notícias.

A atividade de qualquer jornalista dotado de grande senso de responsabilidade e espirito público, como Lúcio Flávio, pressupõe plena liberdade de pensamento e de expressão, conforme está expresso na Constituição Federal, artigo 5º, inciso IX. Mas são esses pressupostos que grupos poderosos tentam barrar ao Lúcio.

TRABALHO AMEAÇADO PELA (IN) JUSTIÇA
Os problemas começaram a aparecer e ameaçar o trabalho autônomo de Lúcio Flávio quando grupos detentores de grande poder econômico (empresários, latifundiários) ou que desfrutam de grandes privilégios na sociedade (juízes e desembargadores) sentiram-se ameaçados pelas páginas do Jornal Pessoal.

A perseguição politica já soma 20 anos desde o primeiro processo, em 1992. No total, são 33 processos judiciais cíveis e penais contra o Lúcio, pelo simples fato do jornalista investigar e denunciar ações ilegais, corrupção, crimes contra o interesse e o patrimônio público, irregularidades no exercício da função pública - especialmente no poder judiciário.

CONDENAÇÃO JUDICIAL ABSURDA
Em 1999, o Jornal Pessoal denunciou Cecílio Rego de Almeida, dono da construtora C.R. Almeida (mande esta mensagem para o e-mail da empresa: http://www.cralmeida.com.br). O empresário “grilou” uma área de 4,7 milhões de hectares de terras públicas, no Pará. O conhecido “pirata fundiário” processou o jornalista por suposta “ofensa moral”. O Tribunal de Justiça do Pará aceitou a queixa e condenou Lúcio à indenização de R$ 8 mil; ele recorreu ao Superior Tribunal de Justiça, mas no dia 7 de fevereiro o STJ negou seguimento ao recurso, arquivando-o, sob alegação de “erros formais”.

A Justiça Federal já havia decidido que as terras em questão foram efetivamente griladas; determinou que fossem devolvidas a seu legítimo dono, a União. Se a denúncia do jornalista estava correta, como a própria Justiça Federal avaliou, onde está a ofensa? Nenhuma autoridade judicial estadual respondeu.

Lúcio Flávio decidiu que não vai mais recorrer. “Não tenho mais fé alguma” nesse Tribunal. O TJE, ao condená-lo em primeira instância, cometeu “um crime político, perpetrado pela maioria dos desembargadores que atuaram no meu caso, certamente inconformados com críticas e denúncias que tenho feito sobre o TJE nos últimos anos” – diz Lúcio Flávio em nota divulgada pela internet. Diante de fatos tão graves, solicitamos sua colaboração divulgando desta denúncia. Você pode, também, ajudar o Lúcio a pagar a indenização.

Contribua: Banco do Brasil, Agência 3024-4, Conta Poupança, variação 1, 22.108-2, CPF do titular: 212.046.162-72, Titular da conta: Pedro Carlos de Faria Pinto, irmão do jornalista

REBANHO em disputa


SEGUNDO o IBGE, são cerca de 30 milhões de pessoas, ou 20% da população brasileira. É por esses evangélicos que se digladiam no momento duas das maiores congregações brasileiras, a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Mundial do Poder de Deus. Para se ter uma ideia do poder dos religiosos, o programa da Universal exibido nas madrugadas da Record deu quase o triplo da audiência obtida por SBT e Band com a transmissão do Carnaval nordestino.  E até a Globo anda promovendo shows de música gospel.

Um dos meus passatempos preferidos além de derreter gelo em mictório de bar é ver esses programas evangélicos na TV ou ouvir os do rádio. Examino a retórica de cada um dos pregadores bem como as promoções que fazem para levar mais fiéis aos seus cultos e arrecadar fundos. É fogueira santa disso, mãos ensanguentadas daquilo, toda semana tem um evento novo anunciando mais uma concentração de fé e milagres.

A terminologia, aliás, é o que mais varia. O homem que profere a palavra pode ser "apóstolo", "bispo", "pastor", "missionário"... e a contribuição mensal para a obra pode vir de várias formas que não o tradicional e bíblico dízimo. Para manter principalmente os horários que compram nas emissoras de TV, os líderes das igrejas lançam peças como o carnezinho das grandes conquistas, uma espécie de Baú da Felicidade da bênção, criado pela Mundial.

O contribuinte pode ser chamado de patrocinador, parceiro, gideão, entre outros termos, conforme a igreja em que se encontra.

Os principais adversários no momento são o "apóstolo" Valdemiro Santiago, da Mundial, e o "bispo" Edir Macedo, da Universal. Durante o Carnaval, Valdemiro escancarou. Acusou a Universal de distribuir DVDs na porta das igrejas da Mundial nos quais ele é comparado a Satanás. Valdemiro afirma também que membros da Universal invadiram um templo seu no Ceará. O vídeo está no final deste texto.

"Eles compraram uma emissora de TV com a contribuição dos fiéis, dizendo que era para fazer a obra de Deus e agora só passam novela e pouca vergonha. E usam o dízimo pra pagar artistas caros que tiram de outra emissora", disse Valdemiro, que ainda fez chacota. "Vocês não distribuem esse DVD nos seus cultos porque eles estão vazios. Os nossos estão cada vez mais cheios".

De fato, os cultos de Valdemiro andam lotados. Pessoas afirmam terem sido curadas de várias doenças, inclusive as ditas incuráveis. O "apóstolo" grita que "é a mão de Deus agindo". Mas muita gente acha que os depoimentos são previamente ensaiados. Pantomima ou não, o fato é que a Mundial inaugurou um templo em São Paulo onde caberiam, segundo eles, 100 mil pessoas. "É o maior templo da história da humanidade", diz Valdemiro.

Macedo não deixa por menos, como você viu no vídeo acima, e colocou até demônio para desancar Valdemiro...

Como observador de longa data e absolutamente neutro, noto que a Universal parece ter estagnado. O discurso de seus pastores é sempre o mesmo e eles pouco interagem com a pessoa que está ali em busca de ajuda. Toda semana, criam um evento diferente, mas isso parece estar sendo pouco, pois Valdemiro tem mostrado imaginação mais fértil. Depois de institucionalizar a toalhinha com a qual enxuga o suor do rosto, atribuindo-lhe poderes santos e distribuindo similares aos fiéis, ele agora comercializa réplicas do chapéu de vaqueiro que usa nos cultos. O preço é R$ 49,90.

Macedo não deixa por menos: interrogou o demônio sobre sua parte com o rival, como você viu no vídeo acima.

Aparentemente ligado à Assembléia de Deus, Silas Malafaia, da organização Vitória em Cristo, enquanto se defende da ira dos grupos gays que o acusam de raivosa homofobia, critica Valdemiro e repercute as declarações de Macedo contra o líder da Mundial.

Badalado nos anos 90, outro pregador, Caio Fábio, que fazia cultos com presos em Bangu 1, agora tenta se reerguer e acusa Malafaia de receber salário de Edir Macedo. Mas Fábio só não está mais por baixo que a turma da Renascer em Cristo, que viu seu rebanho minguar depois da prisão do "bispo" e da "bispa" tentando entrar com dinheiro ilegal nos Estados Unidos. Até o jogador Kaká se mandou com seu polpudo dízimo. (blog Rio Acima)


Sem mais comentários.


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

HÁ um ano no Blogue do Valentim: as três árvores

HAVIA no alto de uma montanha três árvores que sonhavam o que seriam depois de grandes.

A primeira, olhando as estrelas, disse: 'Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros'.

 A segunda, olhando o riacho, suspirou: 'Eu quero ser um navio grande para transportar reis e rainhas.'

A terceira olhou para o vale e disse: 'Quero ficar aqui no alto da montanha e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem os olhos e pensem em Deus.'

Muitos anos se passaram e, certo dia, três lenhadores cortaram as árvores. Todas três ansiosas por serem transformadas naquilo que sonhavam. Mas, os lenhadores não costumavam ouvir ou entender de sonhos... Que pena!
A primeira árvore acabou sendo transformada em um cocho de animais, coberto de feno. A segunda virou um simples barco de pesca, carregando pessoas e peixes todos os dias. A terceira foi cortada em grossas igas e colocada num depósito. Então, todas perguntaram desiludidas e tristes:

-- Por que isto?

Mas, numa bela noite, cheia de luz e estrelas, uma jovem mulher colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho cheio de animais. E, de repente, a primeira árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo.

A segunda árvore acabou transportando um homem que terminou dormindo no barco, mas, quando a tempestade quase afundou a embarcação, ele levantou-se e disse: 'PAZ!'. E, num relance, essa árvore entendeu que estava transportando o Rei do céu e da terra.

Tempos mais tarde, numa sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. Logo, sentiu-se horrível e cruel. Porém, no domingo seguinte, o mundo vibrou de alegria. Então, a terceira árvore percebeu que nela havia sido pregado um homem para a salvação da humanidade e que as pessoas sempre se lembrariam de Deus e de seu Filho ao olharem para ela.

As árvores haviam tido sonhos e desejos... mas sua realização foi mil vezes maior do que haviam imaginado.

Portanto, nunca deixe de acreditar em seus sonhos, mesmo que aparentemente eles sejam impossíveis de se realizar. (Do informativo IGREJA A CAMINHO, março/abril de 2011, da Paróquia Imaculada Conceição, Dois Vizinhos - PR)

Um abençoado domingo a todos e... 

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
 
(BLOGUE do Valentim em 27fev.2011)

O TALENTO de J. Bosco: Nélson Rodrigues




(arte de J. Bosco, Belém - PA, Brasil)




MORREU a ex-dona da sonegadora Daslu

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

GUARDEI uma distância de alguns dias para escrever isto para não ser acusado de insensibilidade. Afinal de contas, há um processo de beatificação instantânea de quem morre, e não apenas no Brasil, como se biografias devessem ser compostas apenas dos atos bons, simplificando essa teia complexa e doida que é a vida.


O problema é que, com isso, todas as reflexões que poderiam ser levantadas a partir de comportamentos discutíveis daquele ou daquela que passou são deixadas de lado. Há até uma onda de revisionismo por parte de personalidades e veículos de comunicação, absolvendo os pecados e reinterpretando a história a partir dessa beatificação.

Eliane Tranchesi, ex-proprietária da Daslu, megaloja de produtos de luxo em São Paulo, faleceu esta semana vítima de câncer e foi sepultada na sexta (24).

Alvo de uma ação da Polícia Federal, ela chegou a ser presa em 2009 e, pouco depois, liberada. Foi condenada a 94 anos de cadeia por conta de sonegação e outros crimes financeiros, mas devido ao seu estado de saúde, não cumpriu a pena.

Concordo que, por motivos humanitários, pessoas com doenças crônicas possam ser tratadas fora da cadeia, monitoradas pela Justiça. Nem sempre o Estado tem condições de garantir o serviço de saúde necessário em uma instalação prisional. O problema é que essa escolha depende do crime que você cometeu e quem é o seu advogado. Crimes de colarinho branco são vistos como de baixa periculosidade, mesmo que sonegação seja responsável por negar o financiamento de saúde e educação a milhões de pessoas. Além disso, essa é uma opção que depende da renda. Pergunte ao doutor Dráuzio Varella quantos pacientes com Aids em estágio avançado ele tinha no Carandiru. Não quero parecer insensível, entendo as circunstâncias, mas esse “dois pesos, duas medidas” acaba com meu sono.

Mas vamos ao ponto principal do post, para o qual retomo informações que já havia publicado aqui sobre o caso. Servidores públicos, cumprindo as suas obrigações previstas em lei, fazem uma diligência surpresa e constatam que as denúncias que haviam recebido sobre as irregularidades eram procedentes. Outros condenam os acusados. Estes, proprietários – ricos e respeitados, bem relacionados nas cúpulas do poder – reclamam do tratamento “violento” que teriam recebido da Polícia Federal ou da Justiça.

Logo em seguida, surgem reclamações de políticos, pessoas influentes, juristas, corneteiros de luxo em geral: “Os investimentos estrangeiros vão secar com esse tipo de fiscalização / condenação”, dizem uns. “É um ultraje contra o setor que gera empregos”, bradam outros. Surge pressão para que o governo federal afrouxe as decisões (afinal de contas, é impossível ser um fiel cumpridor das leis fiscais nesse país, não é mesmo?).

Federações patronais reclamam no Congresso contra os desmandos do poder público, manifestam apoio aos proprietários da empresa e tentam até realizar uma passeata em prol da “legalidade”. Alguns jornalistas e veículos de comunicação defendem que a violência perpetrada tem cunho político para desviar o foco de crises políticas.

Lembro que o finado senador Antônio Carlos Magalhães e o então prefeito José Serra, entre outros, saíram em defesa de Eliane Tranchesi durante a Operação Narciso. Pressionaram o governo federal, reclamando de que a ação viria de uma tentativa de nuvem de fumaça do governo Lula para esconder maracutaias. Pode até ser – eu não acredito em ninguém então não duvido de nada também, mas isso não redime a sonegação. Políticos encheram o ouvido do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos (que, ironicamente, tornou-se advogado de defesa de uma empreiteira contra ações da própria Polícia Federal após deixar o cargo).

Em São Paulo, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) saiu em defesa da Daslu através do seu dirigente Paulo Skaf e ensaiou uma manifestação de protesto. Ressaltou-se que a empresa gera empregos e contribui para o desenvolvimento da região. Empresários lembraram que fiscalizações como essa afugentariam possíveis investidores. Os defensores da Daslu disseram que é impossível pagar todos os impostos.

Teve até e-mail circulando entre a alta roda paulistana: “Queridos amigos, gostaria de convidá-los a se juntarem à corrente FREE ELIANA, um movimento que criei a favor da libertação e contra a condenação da nossa amiga Eliana Tranchesi. Podemos contribuir com força e energia positiva . Usem FREE ELIANA no status de vocês em redes sociais e coloquem o laço da esperança em seus blogs, perfis pessoais do MSN, Twitter, Facebook, Orkut, Hi5, e outras redes sociais em que estiverem presentes.
Passem essa corrente para os amigos de vocês também”.

Aqueles dias me deram uma paúra muito grande. Parte da elite (digo “parte” porque empresários com os quais conversei na época estavam revoltados, pois recolhiam seus impostos em dia e achavam um absurdo aquela reação de seus pares em defesa do indefensável) assume um papel ridículo quando se sente acuada. Como já disse aqui anteriormente, é o instinto de autopreservação, desenvolvido ao longo de séculos de Casa-grande e surge de forma semelhante em ambientes que parecem tão diferentes como os cabides da Vila Olímpia, usinas de cana no Pará, indústrias de São Paulo ou fazendas de gado no Mato Grosso do Sul.

Exposta a uma situação que considera de risco à sua posição confortável na sociedade, parte dessa elite esquece que tanto a utilização de mão-de-obra escrava quanto a sonegação de impostos representa concorrência desleal. Acha normal que a dona de uma loja passe a perna no empresário ao lado e lucre cometendo um crime. Afinal, a loja é hype. E ela é uma das nossas.

Ao cobrar que a lei fosse aplicada, os empresários que ouvi tomavam conta de seus investimentos. Quem não faz isso e atua em um corporativismo bobo achando que sua “classe social” está sendo ameaçada, pode perder dinheiro. Pois, vale lembrar, nosso capitalismo é do tipo selvagem, desrespeita mais as regras do jogo. O interessante é que muitos que saíram em defesa dela nem eram membros da elite econômica (aí já é outra discussão. Há muito jornalista que não é patrão, mas por conviver nos mesmos ambientes sociais e culturais, passa a acreditar que é).

Ou faz isso como medida preventiva. Até para evitar devassas na contabilidade ou a verificação da condição social de seus empregados no futuro.

Toda a morte deve ser lamentada e chorada por amigos e familiares. Quando um ser humano deixa de existir, a humanidade fica mais pobre, não importa quem seja. Mas isso não apaga o aprendizado que tivemos com este caso. Pois se a dignidade do indivíduo deve ser respeitada, a qualidade de vida da coletividade também. Coisa que quem sonega milhões está pouco se lixando. (Blog do Miro)
No mundo há dois tipos de pessoas: as que trabalham e as que levam o crédito; fique no primeiro grupo, onde há menos concorrência.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

MARLETH Silva: tudo que não sabemos sobre nossos pais

Felipe Lima /
Arte: Felipe Lima

EM MAIOR ou menor grau, os filhos não enxergam os pais. Pelo menos não como seres humanos, que é o que eles são, afinal de contas .

Imagine a seguinte situação, leitor: você encontra um livro ótimo e tem vontade de presentear algumas pessoas com ele. Mas, levando em conta sua própria experiência, você tem medo de dar bola fora. Quando li Por favor, Cuide da Mamãe tive de interromper a leitura algumas vezes para chorar. Se eu der este livro para amigos e eles tiverem a mesma reação que eu tive, vão ficar loucos comigo?

O livro da coreana Kyung-Sook Shin é bom. Tente esquecer o título meloso. Ele fala de uma família que vive uma situação aterradora. A mãe, de 69 anos, sai do interior para visitar os filhos na capital, Seul, e se perde do marido ao embarcar no metrô. As palavras senilidade e Alzheimer não são ditas, mas o leitor com um pouco de familiaridade com essas doenças vai perceber o que estava acontecendo; a personagem estava doente e o marido e os filhos não notavam.

O livro todo é sobre “não notar”. Com o desaparecimento, marido e filhos se dão conta de que não enxergavam a mãe havia muito tempo – ou nunca a enxergaram. Não sabiam o que estava acontecendo com ela. Pior, não sabiam muito sobre a mãe. Não que faltasse contato – afinal, durante boa parte de suas vidas, conviveram com ela diariamente e, quando se tornaram adultos, ela estava sempre lá, esperando seus telefonemas. Mas em suas vidas ocupadas de adultos, eles não tinham tempo para ela. Por isso, as melhores e mais fortes lembranças que guardaram eram da infância e da adolescência, quando a mãe foi uma presença forte e influente.

É uma história banal essa, não é? Em maior ou menor grau, os filhos não enxergam os pais. Pelo menos não como seres humanos, que é o que eles são, afinal de contas. Pais são autoridade e babá (quando somos crianças), chatos e pagadores de nossas contas (quando somos adolescentes), inconvenientes (quando eles envelhecem). Ou super-heróis, gênios, semideuses. Tudo menos humanos com desejos e necessidades.

A familiaridade que temos com eles não ajuda em nada a aproximação. A familiaridade é um líquido que se infiltra nos nossos pensamentos e encharca tudo. De tão encharcados com ela nem notamos sua influência. Ai daqueles com quem temos a tal familiaridade. É com eles que brigamos mais, com que falamos mais rispidamente, sobre quem temos menos curiosidade de saber mais.

É isso que aconteceu com os filhos de Park So-nyo, a senhora desaparecida na estação de Seul. Ela era uma mãe e esposa dedicada e discreta. Como devem ser as esposas e mães, não é? Espe­­cialmente as mulheres orientais daquela geração. Não cobrava do marido e do filho que lhe desse mais atenção. E se cobrasse, resolveria alguma coisa? Adianta cobrar de uma pessoa que amamos – e que provavelmente nos ama também – que seja mais atenciosa conosco?

Ao se dar conta de que conviveram com Mamãe, como eles a chamavam, sem prestar atenção nela, marido e filho sofrem muito. É uma dor dilacerante, dor de perda irrecuperável. Mamãe está perdida. Eles não sabem se irão vê-la de novo e, ao mesmo tempo, se dão conta de que desperdiçaram todos os anos em que ela estava presente.

É de chorar, ou não é? Depois não digam que eu não avisei. (Marleth Silva, Gazeta do Povo, Curitiba - PR, Brasil)

Os grandes momentos da vida vêm por si mesmo. Não tem sentido esperá-los. Thomton Wilder


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

POLICIALMENTE Bisonho


ANTES de começar o post só uma observação tinha gente achando que eu tava de brincadeira quando disse que estavamos a contar os cadáveres, vejam a lista depois desta postagem publicada pelo Bordalo é a primeira do ranking de Homicídios pós carnaval.

Bem... a postagem de hoje é sobre um acontecido na tarde de quinta feira ultima. Estava eu na fila do Banco do Estado do Pará (BanPará) e eis que se posicionam duas figuras atrás de mim, eram dois policiais militares, cabos da PM, o que me chamou a atenção e a de todos no banco, presentes aquela hora, foi o conteúdo da conversa que é o assunto desta postagem. Pois bem, apesar de os dois não terem feito questão nenhum de manter a conversam em sigilo (estavam falando alto o suficiente para todos ouvirem) vou publicar aqui apenas duas siglas para identificação, serão os cabos F e B.

A conversa inicia com a torta concepção de “justiça” por parte do cabo F que reclamava “não é possível tamanho dia de folga e eu preciso ir ao forum para exclarecer a juíza porque eu prendi um vagabundo” se já não bastasse esta ideia de eu prendo qualquer um e a justiça que se vire ainda veio mais isso “vão me tirar da rua, eu prefiro assim ficar apenas no quartel. Eles dizem que eu atrapalho o trabalho que sou esquentado, o negócio é que eu não aturo certos tipos de coisas, por exemplo hoje o policial tem que chegar lá conversar com a pessoa, dizer porque está predendo e tudo mais, precisa ser é psicologo e não PM, eu lá vou fazer isso! eu chego lá e vou logo é dando tabefe e se o cidadão não quer vir então aí eu digo logo: - rapaz tu vai ter que ser melhor de braço do que eu. Comigo é assim ou vem por bem ou por mau”. Gostaria de ficar aqui escrevendo linhas e linhas do conteúdo desta conversa, mas acho que ela fala por sí só, vejam vocês, depois que estas criaturas fazem o que fazem ninguém sabe o porque, o exercício da “autoridade” é feito com total irresponsabilidade, é a lei do “eu mando você obedece eu falo você fica quieto” ainda bem que pelo menos neste caso este estará aposentado das ruas, gostaria de cumprimentar o comandante ou responsável da PM por estar colocando os “homens das cavernas” longe da população. Eu hein zé!

Mas, calma aí que não terminou ainda. O que achei interessante foi a continuação o cabo F afirmando “fui ontem na delegacia dar queixa de um cidadão por desacato a autoridade (pudera), quando eu cheguei lá a delegada por ser seu conhecido já ia liberando ele e ainda tentou argumentar comigo que não tinha o porque deixar ele detido, aí eu argumentei que estava querendo me enganar eu conheço direito e sei muito bem o procedimento e ainda sim ela o liberou, é sempre assim a gente captura e por ser conhecido dessa gente é solto”. Depois que se vê porque tem um bocado que “apronta” por aqui e a impunidade reina se realmente aconteceu como o descrito na conversa dos cabos isso só pode dar a resposta para um bocado de questões.

Ainda tem muita coisa que os dois trocaram por lá, mas em sintese o final da prosa resumiu tudo, o cabo B dizendo “agora pra mim é assim, como diz nosso amigo h bater o ponto e ir pra casa, ninguém se importa mesmo a policia a muito tempo virou apenas cabide de emprego, é a possibilidade de estabilidade financeira e eu é que vou me importar? Vou só fazer o meu horário e voltar para casa, fica tudo assim a justiça finge que faz alguma coisa, a gente finge que trabalha e a população finge que acredita na gente”. Significativo o termino da conversa porque representa em suma a nossa triste realidade e só não achei concordante dizer que a população “finge que acredita” porque nesta espécie a gente já deixou de “acreditar” a muito tempo, mas é claro que ainda existem policiais competentes e responsavéis, mas pelo visto estam cada dia virando raridade. Triste.  (blog do Tiago Sousa, Santa Isabel do Pará, Brasil)

Entre um bandido fardado e outro não, eu temo mais o primeiro. O problema do Brasil,e em especial, o do Pará, não quem está do lado de lá da Lei, é quem está do lado de cá, ou seja, delegados, policiais, juízes, funcionários públicos, deputados, prefeitos, governadores, gente paga com o nosso dinheiro para cumprir a lei e a justiça e não o faz.

Os do lado de lá estão fazendo só aquilo a que se propuseram fazer; os do lado de cá estão traindo o juramento de servir bem o povo, que é o seu patrão.


Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira." Leon Tostoi


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

AMY Winehouse: este ano (2011) foi dose

ESTE ANO FOI DOSE

 

PARA manter a minha lucidez, sempre anoto minhas impressões sobre os fatos. Aqui apresento, resumidamente, minha retrospectiva de 2&#))) - caramba, onde é o zero nesse teclado? - 00011.

Janeiro 
Ouvi na tevê que agora há mais uma estação no ano: a Primavera Árabe.  O clima anda muito louco mesmo. Espero que essa seja mais definida.

Fevereiro 
Fui ver o filme ganhador do Oscar, O Discurso do Rei. Achei um porre. O que significa que ele tem qualidades.

Março 
Pensei que estava na maior ressaca até ver as imagens do tsunami no Japão. Uau. Preciso maneirar.

Abril 
Casamento real. Prefiro morrer a ir nessa cerimônia tediosa, mas parece que eles não podem adiar a festa para junho.

Maio 
Osama foi morto por soldados do Seal. Não sabia que ele tinha outros negócios além da música. Como ele consegue administrar sua carreira e um exército de mercenários? Talvez eu precise de um novo empresário.

Junho 
Ao que parece, o FMI demitiu a camareira e ela entrou na Justiça, porque se sentiu sacaneada. Essa crise tá pior que a de 2008.

Julho 
De uma hora pra outra passei a me sentir bem. Preciso anotar o número da placa.

Murdoch e seu filho pediram desculpas pelos crimes em série na Noruega. Não sabia que o News of the World também era editado por lá.

Agosto 
Jovens da periferia de Londres têm a sua nota rebaixada de AAA para AA+ e saem destruindo tudo.

Esses nerds que se estressam por qualquer coisinha nunca viram meus boletins escolares.

Setembro 
John Galliano fez fotos de Scarlett Johansson em poses antissemitas e, em represália, ameaça deixar de vestir Dior. A Bandeirantes estuda tirá-lo do CQC. Esse Ronaldo é um fenômeno.

Outubro 
Que alvoroço em torno de Steve Jobs. Deve ter lançado um iqualquer coisa. Não consegui entender bem do que se trata. Mas parece ser tão bom que as pessoas estão deixando oferendas nas portas da Apple Stores.  Ainda aguardo o seu isaca-rolhas.

Kaddafi foi encontrado na Rocinha. O que a Otan estava fazendo lá?

Novembro 
Ouvi dizer que os gregos, em invés de quebrar os pratos, terão de lavar a louça usada por Angela Merkel pelos próximos dez anos. Isso é lá notícia que se publique em jornal?

Imagine na Copa.

Dezembro 
A última rodada do Brasileirão foi emocionante. Gosto dos pontos sofridos. Sinto que esse sistema é parecido com meus shows. O pessoal diverte-se mais com os tombos dos outros do que com a música em si. (Amy Winehouse in Blogs do Além)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

FERNANDO Morais

(por João de Deus Netto, no blog Picinez)


LC PRESTES: coluna esticada


VENDO os noticiosos sobre o carnaval, cheguei à conclusão de que errei feio de estratégia. Se a Coluna Prestes tivesse adotado a postura de um bloco carnavalesco, Cuba não seria o único país comunista das américas. Geraldo Vandré entendeu mais cedo do que eu a necessidade de musicar o movimento. Só que a sua Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores ficou só com a marchinha e esqueceu do carnaval. 

Tivemos sucessos nos conflitos, não perdemos nenhuma batalha significativa. O Pentágono até reconhece a Coluna como uma das mais prodigiosas façanhas militares da história das guerrilhas. Mas isso só serve como prêmio de consolação. O que queríamos mesmo era a adesão popular. 

Vejam só. A Banda de Ipanema foi seguida por 85 mil pessoas. Impressionante, não? Pois o número é minúsculo se comparado ao Galo da Madrugada, que arrastou mais de 2 milhões de foliões pelas ruas do Recife. Já a Coluna Prestes precisou andar 25 mil quilômetros, durante 29 meses para atrair, no auge, 1,5 mil participantes. 

Não há saída fora da marcha carnavalesca. O último movimento político a mobilizar esse volume de gente no Brasil foi o das Diretas Já. O famoso comício no Vale do Anhangabaú, em setembro de 1984, reuniu 1,5 milhão de participantes. Número que um bloco como o Cordão do Bola Preta reúne na concentração.   

O crescimento dos blocos é tamanho que em breve eles vão se emendar, da mesma forma que está ocorrendo com as cidades. O sujeito sairá para pular o carnaval atrás do Monobloco no Rio e, quando perceber, estará brincando atrás do Ilê Aiyê em Salvador. Isso poderá demorar alguns meses, mas não será problema nenhum se o destino final for a capital baiana.  

Outra coisa que chama atenção é a criatividade na hora de batizar os blocos. Geriatria e Pediatra. Se Não Quer Dar, Empresta. É Mole, Mas É Meu. Deita, Mas Não Dorme. Por isso, penso em reeditar a Coluna Prestes com o sugestivo nome de Ih, Tetona Comunista. 

Arregimentarei companheiras siliconadas para dar uma âncora real ao nosso tema.

Algumas bandeiras que levantamos entre 1925 e 1927 subirão aos nosso estandartes novamente, claro que com a devida adaptação imposta pelo tempo transcorrido.  

Continuamos a exigir o fim do regime oligárquico, desta vez no Maranhão. E a nacionalização de todas as empresas estrangeiras presentes em nosso solo real e virtual. Queremos estatizar até as redes sociais. Aguardem o Cara Livro e o Gorjear.  

Para não fracassar novamente no quesito da adesão popular, mais importante do que uma boa pauta de reivindicações é entender como os blocos carnavalescos transmitem suas mensagens. Basicamente, o recurso criativo é o do duplo sentido com sacanagem, suportado por uma boa melodia e forte percussão. Razão pela qual estou compondo um sambinha que começará assim: 

Chega chega no meu bloco/
Que está prestes a zarpar/
É o fim do camarote/
A coluna vai bombar.

Una-se a mim cabra da prestes/
Jogue fora o abadá/
Ninguém é de ninguém/
Vamos carnavalizar.

É hora da revolução/
De pôr abaixo os castelos/
Você entra com a foice/
E eu, baby, te martelo.
(Luís Carlos Prestes in Blog do Além)

EXTRA! Carnaval paulista adotará pontos corridos em 2013


Caso o PSDB não aceite o fim das prévias, Serra promete rasgar o resultado da eleição presidencial de 2010

The piauí Herald

ANHEMBI - A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo resolveu investir no quesito harmonia em 2013. "Por sugestão do conselheiro Andrés Sanchez, vamos adotar o sistema de pontos corridos a partir do ano que vem", explicou o presidente Paulo Sérgio Ferreira, e completou: "Além disso, os jurados serão escolhidos por Silvio Santos, que lerá as notas pessoalmente enquanto dá o resultado da TeleSena".

Animado com a ideia, José Serra invadiu o diretório do PSDB, rasgou os votos das prévias e atirou fogo num tucano inflável. "Sou da Primeira Divisão, sei jogar futebol como poucos. Tenho mais vitórias dentro de casa do que Bruno Covas, Andrea Matarazzo, José Anibal e Ricardo Tripoli juntos", explicou, didaticamente, enquanto corria. A atitude de Serra foi apoiada por Kassab, que rasgou todas as páginas do programa do PSD.

Ao final da tarde, uma junta de cariocas e soteropolitanos produziram um tutorial ensinando regras básicas para o bom funcionamento do Carnaval.

Um dos primeiros pontos é a introdução do quesito "imitação", na apuração, para avaliar quem melhor reproduziu o carnaval da Sapucaí.

Há também sugestões como o rodízio de carros alegóricos, a eleição da "Musa Engarrafamento 2013", que vai parar o trânsito da capital, e a escolha do político que sambou melhor durante o ano.

Por fim, o relatório aponta erros imperdoáveis: "Roberto Justus desfilou sem despentear um fio de cabelo", diz um trecho. (Blog do Noblat)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

BELEZA e paz

(do Blog Impresiones, Espanha)

HÁ um ano no Blogue do Valentim: só por hoje

SÓ POR HOJE tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver o problema da minha vida todo de uma vez; 

Só por hoje terei o máximo de cuidado em tratar os outros: delicado nas minhas maneiras; não criticar ninguém, não pretender melhorar ou disciplinar senão a mim; 

Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste; 

Só por hoje me adaptarei às circunstâncias sem pretender que as circunstâncias se adaptem aos meus desejos; 

DEIVID perde gol feito e deixa o Vasco na final



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MARLETH Silva: o primeiro gole de cerveja e outros prazeres misteriosos

Precisamos de um pouco de leveza, de bem estar, de momentos de alegria, mínimos que sejam. Como pegar uma sequência de sinais verdes quando se está com pressa


ANOS atrás ouvi falar de um livro francês chamado O Primeiro Gole de Cerveja e Outros Prazeres Mínimos. Grande título. Até para mim que não consigo tomar um copo inteiro de cerveja, o primeiro gole é uma delícia. É um grande pequeno prazer. Mais tarde tive a oportunidade de folhear o livro e li o início de alguns capítulos. Achei totalmente desinteressante, inclusive aquele que falava sobre o delicioso primeiro gole de cerveja. Foi uma decepção e não o comprei. Mas, pensando bem, era compreensível que o autor (cujo nome é Phillipe Delerm) não tivesse muito que falar sobre um gole de cerveja.

Agora foi lançado no Brasil O Livro do Sensacional, que traz verbetes publicados originalmente em um blog chamado Mil Coisas Sensacionais. E aí, lendo sobre este homem que se tornou um best-seller no Canadá e nos Estados Unidos ao relacionar experiências agradáveis ainda que pequenas, como “o cheiro de terra molhada pela chuva”, entendi como funciona esse jogo das boas lembranças, que ficam chatas se forem explicadas. A história dele é autoexplicativa.

O canadense Neil Pasricha estava passando por um período muito difícil. A esposa havia ido embora com outro e o melhor amigo tinha se suicidado. Era muita desgraça e Neil estava desanimado com a vida. O desânimo era tanto que ele concluiu que precisava se lembrar de que existem coisas boas para aguentar a maré negra. Lembrou-se de algumas e sentiu-se melhor. Aí, bem dentro do espírito deste início de século, achou que aquelas coisas boas mereciam ir para a internet. As três primeiras pequenas alegrias foram: sentir o cheiro de padaria, usar uma cueca que acabou de sair da secadora e estourar plástico-bolha. Parecem grandes besteiras, não é?

A brincadeira fez bem para o ânimo de Neil Pasricha e para seu bolso – provavelmente hoje ele é rico.

De novo, li alguns verbetes escritos por ele e não achei graça no que diz sobre essas experiências que, por mais bobas que sejam, realmente são reconfortantes, como a tal cueca que acabou de sair da secadora (dá para imaginar a sensação...).

O fato é que não há como explicar ou comentar essas “coisas sensacionais”. Tudo que falarmos soará bobinho. Estourar plástico-bolha... Merece um Nobel de literatura o autor que escrever algo decente sobre isso. É um pouco diferente do caminho tomado por Proust, que usou o sabor de um bolinho (a madeleine) como ponto de partida para trazer de volta lembranças de outros tempos. Em outro trecho de Em Busca do Tempo Perdido, o que evoca as lembranças do personagem é o cheiro de um banheiro público. O cheiro em si não causou prazer (de um banheiro público?), mas detonou a memória involuntária.

No caso dos prazeres mínimos, a graça está toda em lembrar-se deles, em trazer de volta a sensação que elas provocam. O prazer está na sensação e na memória da sensação.

Criaturas nervosas que so­­mos, sempre às voltas com grandes questões que não desaparecem nunca de nossas cabeças (sustento financeiro, o futuro dos filhos, a necessidade de fazer algo útil de nossas vidas, a fragilidade de nosso corpo), precisamos de um pouco de leveza, de bem-estar, de momentos de alegria, mínimos que sejam. Como pegar uma sequência de sinais verdes quando se está com pressa, uma das experiências sensacionais citadas no livro e que é realmente deliciosa. Ou tirar o sapato no fim do dia. Ou acordar e sentir o cheiro de café novo. Ou, ou... Tanto faz. Cada um tem os seus e dizem até que eles são mais de mil. (Gazeta do Povo, Curitiba - PR, Brasil)
 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

MAURO Santayna: cadeia para os assassinos

ALGUMAS religiões santificam a mendicância, como o ato mais expressivo da humildade. Pedir aos outros o pão, em lugar de o obter mediante o trabalho, é visto, assim, como o contraponto à vaidade e à arrogância. As sociedades, sendo profanas, não vêem com os mesmos olhos o ato de pedir. Os costumes, diferentes das razões éticas, sobretudo os construídos pela consciência burguesa, condenam a mendicância, ainda que admitam, com certo cinismo, a caridade. É interessante registrar que Sartre, senhor de grande lucidez e, em algum tempo, militante revolucionário, andava com moedas nos bolsos, que distribuía aos mendigos do Quartier Latin. Talvez se sentisse, com isso, menos culpado dos desajustes do mundo.

Matar mendigos não é um esporte novo. A civilização cristã oscila entre o exercício da caridade (que, em alguns casos, costuma ser negócio lucrativo) e da repressão. Entre a piedade e a forca, conforme o ensaio do historiador Bronislaw Geremek sobre os miseráveis e pequenos bandidos da Idade Média. No Brasil, a agressão e o assassinato dos diferentes estão assumindo dimensões insuportáveis. Numerosos moradores de rua em Salvador foram trucidados durante a greve dos policiais militares. Há suspeitas de que foram policiais, eles mesmos, os matadores. Coincidindo com os fatos da Bahia, um jovem universitário tentou intervir, ao assistir à agressão de um morador de rua na Ilha do Governador, no Rio, por cinco jovens. Foi quase linchado, teve seu rosto arrebentado pelas patadas, só reconstituído mediante o emprego de 63 pinos de platina.

Não é um fato isolado. Ao ser confundido como mendigo, conforme confessaram os matadores, um índio pataxó foi queimado por jovens bem situados de Brasília. No Rio de Janeiro, há décadas, os adversários de um governador da Guanabara o acusaram de mandar matar mendigos e atira-los junto à foz do Rio da Guarda. E houve quem sugerisse o incêndio, como uma forma de resolver o problema das favelas no Rio de Janeiro. Mais cínicas, autoridades de São Paulo decidiram criar obstáculos sob as marquises e os viadutos, a fim de impedir que ali os miseráveis pudessem repousar. No Rio, outras autoridades dividiram os bancos dos jardins, para que, sobre eles, os mendigos não pudessem se deitar.

Esses caçadores de mendigos naturalmente são conduzidos pelo senso estético da ordem do capitalismo totalitário. Uma cidade sem pedintes é muito mais bela. Mas é também muito mais bela, se nela não houver pessoas feias ou enfermas. Assim pensavam os nazistas, em sua cruzada de eugenia – embora não fossem belos nem fisicamente saudáveis homens como Himmler e Goebbels, entre outros. Da mesma forma que pretendiam a eliminação completa dos judeus, incomodava-os, pelo menos no discurso, a existência de homossexuais. Depois se soube que muitos deles eram homossexuais, mais dissimulados uns, menos dissimulados outros, como Ernst Röhm. Joachim Fest, o grande biógrafo de Hitler, chegou a suspeitar que houvesse uma ligação homossexual entre o líder nazista e seu arquiteto predileto e possível sucessor, Albert Speer.

E como o caminho da perfeição, de acordo com essa insanidade, é sem fim, quiseram eliminar, alem dos judeus, outros perturbadores de sua ordem estética e “moral”, como os ciganos, os negros, os mestiços, os eslavos – e os comunistas.

O racismo e a insânia dos nazistas não desculpam – e, sim, agravam – os atos estúpidos contra os miseráveis brasileiros que, sem teto, sem famílias, sem amigos, sem destinos, são nômades nas ruas, onde alguns nascem, e muitos quase sempre morrem. Mas, dessa visão curta de humanismo, padecem pessoas instruídas e aparentemente responsáveis, como a ministra francesa, que aconselhou os sem teto de seu país a não sair de casa, por causa do frio europeu que vem matando os desabrigados às centenas, e a juíza brasileira, que decretou a prisão domiciliar de um morador de rua.

A polícia tem o dever de identificar os matadores de mendigos e de levá-los à Justiça. E os juízes não podem se deixar engambelar pelos advogados dos assassinos. Em uma sociedade já tão injusta com os pobres, cabe ao Ministério Público e à Justiça socorrer os que, desprovidos de tudo, só têm a lei como consolo e esperança.

A sociedade se emociona com a coragem solidária do jovem Vitor. O Estado deve a ele uma manifestação oficial de reconhecimento. Seria louvável se a Assembléia Legislativa lhe concedesse a Medalha Tiradentes, a mais alta condecoração do Estado. (Mauro Santayana)

Sei que simplesmente a cadeia não vai mudar a cabeça das pessoas, ou seja, aqueles que simplesmente abominam o diferente, o feio, o negro, o homossexual, o pobre, o índio, o mendigo, o agricultor sem-terra, o estudante tímido e desenturmado, continuarão a pensar igual. Mas a punição exemplar ajudar fazer as pessoas - algumas poucas, infelizmente - a refletir muito antes de tomar alguma atitude violenta contra o seu irmão diferente. Somente a Fé, a fé verdadeira, a fé que emana do coração, a fé Cristã de fato, pode mudar a cada um de nós.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

IMPRESSÕES deste blogueiro sobre Belém do Pará (parte 1)

DESDE jovem que eu desejava morar numa cidade do interior. Eu não sabia disso, mas no meu ínitimo buscava aquilo que todos hoje chamam de "qualidade de vida".

Pois bem, depois de trinta anos de Aeronáutica, enfim veio a tão sonhada transferência para a reserva remunerada, ou, melhor dizendo, a aposentadoria. Quis o bom Deus que eu migrasse da minha morena Belém para a região Sul do país, mais especificamente para o Sudoeste paranaense, a cidade de Dois Vizinhos, afim de acompanhar minha companheira, que lá mantém raízes familiares e profissionais.

É bom dizer que durante esses trinta anos morei ou passei por várias localidades: Guratinguetá (São Paulo) Anápolis, Manaus, Boa Vista, Belém, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Serra do Cachimbo (Pará), não exatamente nessa ordem. Esse período, somado aos três anos presentes no Paraná (capital e interior), me autoriza a emitir a opinião que ora apresento. Não bastando isso, a própria vida e a observação de mundo neste meu mais de meio século de existência me dão o aval necessário para uma visão mais crítica da situação  da minha cidade de origem.

Depois de três anos seguidos aqui, decidimos eu e minha esposa tirarmos umas férias, viajando para Belém, onde ficamos hospedados na casa de minha mãe, a dona Maria.

Descobri, pois, que estou devidamente aclimatado a esta região, tendo sofrido muito com o calor inclemente da região Norte. Na verdade, tirante o período de inverno, o clima de Dois Vizinhos é excelente, saudável mesmo principalmente para alguém como eu, que já se avizinha da chamada terceira idade. 

Depois de três anos morando nesta região, é mais fácil a gente ver as virtudes e, principalmente, os defeitos, as mazelas de uma cidade grande como Belém e região metropolitana. Então, depois de algum tempo ausente,  a gente passa a comparar.

Voltei para umas férias de 13 dias. Eu e minha consorte, Bernardete, paranaense, filha de pais gaúchos; ele, de origem alemã; ela, de ancestrais italianos; agricultores humildes. Minha mulher é professora, professora alfabetizadora com formação em pedagogia.

A começar pelo bairro de minha mãe, um bairro - como grande parte da periferia belemense - novo, o Curió-Utinga. Saindo de carro à noite, arrastei-o por duas "lombadas", que é aquele preparado de cimento que atravessa as ruas, feito pelos próprios moradores da rua. Claro que a intenção é ótima, louvável mesmo, que é evitar acidentes, poupando vidas de inocentes, principalmente as crianças.

Várias são as razões para isso acontecer. Vou enumerá-las:

primeira: a imprudência dos motoristas, que às vezes pensam que aquelas vielas de cinco ou seis (às vezes bem menos que isso) metros são iguais às pistas da rodovia BR 116. Com isso, o risco representado para o ser humano que transita nas ruas da nossa periferia;

segunda: qualquer outro cidadão de uma cidade do Paraná, inclusive a capital, faria a seguinte pergunta: Ué, por que as pessoas estão nas ruas e não nas calçadas, que é o lugar delas? A resposta é uma outra pergunta: Que calçadas?

terceira: não há calçadas por outras razões. Uma delas é que normalmente esses bairros, como o da minha mãe aí, são formados a partir de ocupações que nascem irregulares. Primeiro alguém loteia, ou até mesmo as pessoas ocupam na marra, construindo as casas para depois lembrarem que precisa de rua para poderem circular. Ah sim, precisa de ruas. Calçada então é luxo. "Para que calçada? As pessoas podem andar na rua." Ainda mais que antes não havia tantos carros. Outra razão é que as pessoas (digo, as pessoas aí da minha querida porém maltratada Belém) pensam que são donas da calçada, fazendo-as do tamanho, da altura e do jeito que quiserem. Isso, quando deixam algum meio metro que chamam de calçada. A calçada, que deveria ser pública, destinada à circulação livre do pedestre, passou a ser particular, cada uma com seu dono.

quarta: inexistindo calçadas disponíveis para o público, resta a ele fazer concorrência aos carros, aos ciclistas, aos cães... As casas são apertadas e quintal é coisa que ficou no passado. As crianças também brincam nas ruas, e assim a possibilidade de acidentes não é coisa de difícil. Como a Prefeitura não toma nenhuma providência, resta aos moradores tomar a iniciativa de construir aqueles mondrongos.

quinta: se a Prefeitura não toma providência alguma, seja construindo dentro dos padrões regulamentares as ditas "lombadas" onde for necessário, seja desobstruindo as calçadas, disponibilizando-as ao verdadeiro dono - o pedestre, muito menos esta - a Prefeitura - não vai aos locais fiscalizar, ou por falta de denúncia ou para fazer média com a população com o medo de perder voto por ações impopulares.

sexta: ao mesmo tempo as calçadas - do jeito que são (altas, baixas, estreitas etc.) ou quando existem - servem para as sacolas de lixo, que são aí depositadas pelos "donos" das calçadas. Precisa dizer o que acontece? Pois sim, vem os cães e estraçalham aquela porcaria toda, sujando mais ainda a cidade. Ah, mas era só fazer as lixeiras de metal, o mesmo metal que se usa para engradear toda a cidade pelo pavor - exagerado ou não - do ladrão. "Não, para que fazer lixeira se o meu vizinho, que não tem, vai pôr o lixo dele na minha lixeira?". Para que fazer lixeira se a própria Prefeitura não incentiva com campanhas conscientizadoras - aí não vai sobrar dinheiro para fazer propagandas visando a próxima eleição.

Muito ainda tenho a dizer. Voltarei à carga outro dia.


A verdade é a fortaleza dos inocentes. Igor Pfeifer


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!  

BURRICE é doença?

BEBEL, ex-jogadora do Santos, é destaque por ter sido presa tentando roubar um carro e agora por ser “vítima” de uma grave doença, o vício.

Sim, virou doença. A questão não é a Bebel, que aliás, faço votos pra que saia dessa e crie juízo. A questão é, de novo, a inversão de valores.

O vilão vira coitado e a culpa é da arma e não de quem atira.

Com enorme respeito, a tal da Bebel não é coitadinha. Ela meteu essa merda pra dentro porque quis e não estamos em 1902 onde alguém pode dizer que “me ofereceram e eu não sabia o que era”.

Ao fazer você sabe, mesmo que não pela escola e sim pelo Tropa de Elite, que está fazendo mal a você mesmo, correndo risco de se complicar e ainda por cima sustentando traficante e bandido.

Não sabe? Sabe.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

SOMOS todos Lúcio Flávio Pinto


Lúcio Flávio Pinto Jornalista ameaçado: somos todos Lúcio Flávio
Reprodução: Facebook

CAROS leitores e colegas jornalistas, trabalhei durante muitos anos com um jornalista excepcional: Lúcio Flávio Pinto, um paraense de notável coragem, que dedicou toda sua vida pessoal e profissional a divulgar e defender a sua terra e a sua gente. É o maior especialista em Amazônia do jornalismo brasileiro.

Lúcio é, acima de tudo, um estudioso, um trabalhador incansável, que não se conforma com as injustiças e as bandalheiras de que são vítimas a floresta e o povo que nela habita.

Por isso, foi perseguido a vida toda pelos que ameaçam a sobrevivência desta região transformando as riquezas naturais em fortunas privadas.

Agora quem está ameaçado é o próprio Lúcio Flávio, na sua luta solitária contra dezenas de processos movidos pelos poderosos na Justiça para impedí-lo de continuar denunciando os assassinos da floresta.

Quem sempre esteve ao seu lado foi Raul Martins Bastos, nosso chefe no "Estadão", que me enviou na noite de segunda-feira a mensagem transcrita abaixo. É um libelo não só em defesa do grande jornalista, mas da nossa profissão permanentemente ameaçada nos tribunais.

Onde estão nesta hora as poderosas entidades patronais da mídia, como a ANJ e o nstituto Millenium, e seus arautos sempre tão preocupados na defesa da liberdade de imprensa e de expressão?

Lúcio está fora da grande imprensa há muitos anos, sobrevivendo com o seu  "Jornal Pessoal", um quinzenário que produz sozinho. Talvez por isso não mereceça a atenção dos editorialistas dos jornalões e das entidades que costumam se manifestar nestas horas, como a OAB e a CNBB.

Cabe, portanto, a nós, jornalistas, sair em sua defesa como propõe o mestre Raul Bastos e sermos todos Lúcio Flávio nesta hora.

***
"A indignidade que estão fazendo contra o jornalista Lúcio Flávio Pinto" é o título do texto-apelo de Raul Bastos:

"Peço que você não deixe de ler esta nota. É a história de uma injustiça. Uma indignidade.

Lúcio Flavio Pinto é um jornalista de Belém do Pará que há quase vinte anos edita uma publicação chamada Jornal Pessoal. É um profissional excepcional e fonte obrigatória quando for ser escrita a verdadeira história da região dos anos 70 para cá. Trabalhou, entre outros lugares, na Realidade, no Correio da Manhã e, por longos anos, no O Estado de S. Paulo como principal repórter da região e coordenador geral da cobertura dos correspondentes da Amazônia. Nesse período teve vida acadêmica e deu cursos sobre a Amazônia em universidades dos Estados Unidos e da Europa.

O Jornal Pessoal ele faz sozinho, da apuração à edição. Não tem publicidade. Evidentemente, o jornal luta para se manter. Mas esse é o menor problema da vida do Lúcio Flávio.

O grande problema é a pressão sistemática que ele sofre dos poderosos da região por publicar matérias que denunciam indignidades e incomodam justamente os poderosos da região. Tentam calá-lo de várias maneiras, da intimidação à agressão, e ele tem resistido bravamente.

Tentam sufocá-lo e calá-lo com 33 processos. Um deles está para ser concluído e tudo indica que poderá ser desfavorável.

Qual o "crime" do Lúcio Flávio Pinto?

O Lúcio publicou denúncias comprovadas de que estava ocorrendo uma enorme grilagem de terras na região. Com isso impediu que o empreiteiro CR Almeida fizesse na Amazônia a maior grilagem da história do Brasil. Em represália, foi processado por CR Almeida sob a alegação de ter sido chamado de pirata numa das matérias do Lúcio Flávio, o que julgou ofensivo.

Foi indo, foi indo e, agora, anos depois e por incrível que pareça, o caso está terminando assim:

Com o CR Almeida não aconteceu nada.

Com o Lúcio, se avizinha uma condenação. Com essa condenação, a perda da primariedade, uma porta aberta para a intimidação absoluta.

Os amigos do Lúcio Flávio,entre os quais com muito orgulho me incluo, decidiram que ele não pode e nem vai ficar sozinho.

Vamos batalhar para tentar esgotar todas as possibilidades jurídicas do caso.

Vamos batalhar para que o caso ganhe espaço na imprensa e nas redes sociais. Vamos chamar a atenção da imprensa especializada e internacional para o caso.

Vamos batalhar, se por acaso ocorrer o pior, para que ele tenha recursos para enfrentar a situação.

O objetivo deste email é dar conhecimento do que está acontecendo e da nossa disposição de não deixar continuar acontecendo.

O objetivo deste email é pedir a sua ajuda. Primeiro, divulgando o que está acontecendo no seu veículo de comunicação, na sua coluna, nos sites, redes sociais. Depois, nos ajudando nas ações nas áreas da comunicações e mobilização que tomaremos diante de cada circunstância.

Para quem quiser mais informações do que aconteceu e do que está acontecendo ler o texto abaixo do próprio Lúcio.

Contando com você, muito obrigado e um abraço do Raul Bastos".

***
O texto de Lúcio Flávio Pinto:

O Grileiro vencerá?

Em 1999 escrevi uma matéria no meu Jornal Pessoal denunciando a grilagem de terras praticada pelo empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, com sede em Curitiba, no Paraná.

Sem qualquer inibição, ele recorreu a vários ardis para se apropriar de quase cinco milhões de hectares de terras no rico vale do rio Xingu, no Pará, onde ainda subsiste a maior floresta nativa do Estado, na margem direita do rio Amazonas, além de minérios e outros recursos naturais. Onde também está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, para ser a maior do país e a terceira do mundo.

Os 5 milhões de hectares já constituem território bastante para abrigar um país, mas a ambição podia levar o empresário a se apossar de área ainda maior, de 7 milhões de hectares, o equivalente a 8% de todo o Pará, o segundo maior Estado da federação brasileira. Se fosse um Estado, a "Ceciliolândia" seria o 21º maior do Brasil.

Em 1996, na condição de cidadão, ajudei a preparar uma ação de anulação e cancelamento dos registros das terras usurpadas por C. R. Almeida, com a cumplicidade da titular do cartório de registro de imóveis de Altamira e a ajuda de advogados inescrupulosos. A ação foi recebida e todos advertidos de que aquelas terras não podiam ser comercializadas, por estarem sub-judice, passíveis de nulidade.

Os herdeiros do grileiro podem continuar na posse e no usufruto da pilhagem, apesar dessa decisão, porque a grilagem recebeu decisão favorável de dois desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado. Deve-se salientar que essas foram as únicas decisões favoráveis ao grileiro.

Com o acúmulo de informações sobre o estelionato fundiário, os órgãos públicos ligados à questão foram se manifestando e tomando iniciativas contra o golpe. O próprio poder judiciário estadual interveio no cartório de Altamira e demitiu todos os serventuários que ali trabalhavam, inclusive a escrivã titular, por justa causa.

Todos os que o empresário processou na comarca de São Paulo foram absolvidos. O juiz observou que essas pessoas, ao invés de serem punidas, mereciam era homenagens por estarem defendendo o patrimônio público.

A justiça de São Paulo foi muito mais atenta à defesa da verdade e da integridade de um bem público ameaçada por um autêntico "pirata fundiário", do que a justiça do Pará, com jurisdição sobre o território esbulhado. C. R. Almeida considerou ofensiva à sua dignidade moral a expressão, "pirata fundiário",  e as duas instâncias da justiça paraense sacramentaram a sua vontade.

Mesmo tendo provado tudo que afirmei fui condenado. A cabulosa sentença de 1º grau foi confirmada pelo tribunal, embora a ação tenha sido abandonada desde que Cecílio do Rego Almeida morreu, em 2008.

Depois de enfrentar todas as dificuldades possíveis, meus recursos finalmente subiram a Brasília em dezembro do ano passado. O recurso especial seguiu para o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, graças ao agravo de instrumento que impetrei (o Tribunal do Pará rejeitou o primeiro agravo; sobre o segundo já nada mais podia fazer).

Mas o presidente do STJ, em despacho do último dia 7, negou seguimento ao recurso especial. Alegou erros formais na formação do agravo: "falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante do pagamento das custas do recurso especial e do porte de retorno e remessa dos autos".

A falta de todos os documentos apontada pelo presidente do STJ me causou enorme surpresa. Vou tentar esclarecer a situação, sabendo das minhas limitações. Não tenho dinheiro para sustentar uma representação desse porte. Muito menos para arcar com a indenização.

Desde 1992 já fui processado 33 vezes. Nenhum dos autores exerceu o legítimo direito de defesa. O Jornal Pessoal reproduz todas as cartas que recebe, mesmo as ofensivas, na íntegra. Todos foram diretamente à justiça, certos de contarem com a cumplicidade daquele tipo de toga que a valente ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, disse esconder bandidos, para me atar a essa rocha de suplícios, que, às vezes, me faz sentir no papel de um Prometeu amazônico.

Apesar de todas essas ações e do martírio que elas criaram na minha vida nestes últimos 20 anos, mantenho meu compromisso com a verdade, com o interesse público e com uma melhor sorte para a Amazônia, onde nasci. Não gostaria que meus filhos e netos (e todos os filhos e netos do Brasil) se deparassem com espetáculos tão degradantes, como o que vi: milhares de toras de madeira de lei, incluindo o mogno, ameaçado de ser extinto nas florestas nativas amazônicas, nas quais era abundante, sendo arrastadas em jangadas pelos rios por piratas fundiários, como o extinto Cecílio do Rego Almeida.

Depois de ter sofrido todo tipo de violência, inclusive a agressão física, sei o que me espera. Mas não desistirei de fazer aquilo que me compete: jornalismo. Algo que os poderes, sobretudo o judiciário do Pará, querem ver extinto, se não puder ser domesticado conforme os interesses dos donos da voz pública..

Decidi escrever esta nota não para pressionar alguém. Não quero extrapolar dos meus direitos. Decisão judicial cumpre-se ou dela se recorre. Se tantos erros formais foram realmente cometidos no preparo do agravo, o que me surpreendeu e causou perplexidade, paciência: vou pagar por um erro que impedirá o julgador de apreciar todo meu extenso e profundo direito, demonstrado à exaustão nas centenas de páginas dos autos do processo. 

Terei que ir atrás da solidariedade dos meus leitores e dos que me apoiam para enfrentar mais um momento difícil na minha carreira de jornalista, com quase meio século de duração. Espero contar com a atenção das pessoas que ainda não desistiram de se empenhar por um país decente.

Belém (PA), 11 de fevereiro de 2012

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal
(Balaio do Kotscho)

Isso tudo só confirma o que eu penso: não há liberdade de imprensa no Brasil. 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!