GOSTAR do Edmundo era como ser fã do Adriano. Você defende, briga, argumenta e quando jura que está quase tendo razão ele vai lá e te deixa sem argumentos. Irrita, cansa, mas enriquece a segunda-feira.

Eu não adoto a linha de que futebol seja um esporte e devemos cobri-lo como política, economia, guerra ou epidemias. Pra mim futebol é um produto ligado a paixão, a ilusão e, portanto, deve ser tratado  e mantido desta forma. 

Se Edmundo foi bom ou mau exemplo, pouco importa. Que eu saiba ele foi contratado pra jogar futebol e não pra educar o seu filho, caso você tenha menos influência sobre ele do que o artilheiro do Vasco. 

Se fez merda, quem não fez? Se poderia ter ido além do que foi, azar dele. 

Se fez tudo que fez, dentro e fora do campo, sorte da mídia e do futebol, pois Edmundo foi assunto diário por quase 15 anos. 

Autêntico, despreparado pra fama, desequilibrado emocionalmente, talentoso e craque.
Edmundo é aquele personagem que passamos anos falando mal e questionando mas, quando pára, sentimos o vazio de termos perdido mais um rico ingrediente para o o apaixonante futebol. 

Fui fã, virei um “contestador” de sua utilidade, exatamente como hoje fazemos com Adriano. 

Até por isso, aprendendo com Edmundo, eu ainda apostaria no Adriano. 

A tendência natural da vida é que os problemas diminuam e que as coisas comecem a ser controladas. Se Mike Tyson é um homem equilibrado hoje, qualquer um pode se tornar. 

Edmundo é um sujeito mais maduro, ponderado, calmo. Ainda deve ter sua dose de “explosivo”, mas é outro cara.  O tempo amadurece qualquer coisa. 

Hoje, no dia de coroar Edmundo, não cabe lembrar os problemas e nem critica-lo por ter sido menos do que poderia. Cabe apenas aplaudí-lo, afinal, é sua coroação, não seu julgamento final. 

Perde o futebol, perdemos nós, jornalistas que nos achamos “juizes” do esporte e não entendemos até hoje que na verdade vivemos dele. Portanto, cada pedacinho que se vai nos deixa também menos relevantes. 

Hoje pára Edmundo, que na verdade já parou. 

Mas sua despedida tem que ser fora de hora, sem contexto, sem lógica e abrindo espaço para que apareçam aqueles que dirão: “Mas em meio a uma Libertadores, parar pra fazer jogo de despedida? Que absurdo!”. 

Pois é, absurdo. Tão absurdo quanto o que ele jogou, as pautas que nos deu e os golaços que deixou. 

Edmundo foi julgado por 15 anos. Agora é hora de ser apenas aplaudido.
Clap, clap, clap, clap…