segunda-feira, 30 de abril de 2012

UM legítimo campeão




O QUE faz com que nossos clubes mais tradicionais ainda tenham algum respeito e certo prestígio no país do futebol? Não precisa pensar muito para achar a resposta: a dimensão impressionante de suas torcidas. Ontem, o Mangueirão foi palco novamente de uma exibição de força. Ao lotar as arquibancadas, a massa azulina mostrou que torce por um clube ainda grande, embora em constante crise de identidade.

Os 40 mil espectadores fizeram um espetáculo na maioria das vezes bem mais interessante que o jogo propriamente dito. Fazia tempo, por exemplo, que não se via um coro de milhares de vozes cantando o hino do próprio clube, sufocando a cantoria agressiva e sem sentido das “organizadas”.

No primeiro tempo nervoso e interrompido pelas muitas faltas, o Remo foi empurrado pelos gritos de incentivo do torcedor, preocupado com a lentidão e o nervosismo de alguns jogadores. Quando o Águia ensaiava um cerco mais organizado lá vinha o urro da galera para recolocar os azulinos no jogo.

Ficou evidente, em vários lances, a insegurança de alguns jogadores do Remo, inibidos diante de tanta gente. O Águia, que era visita e nada tinha com isso, tratou de se organizar e foi construindo situações de perigo, como quando Rayro quase marcou em jogada na linha de fundo. Ou, minutos depois, quando o chute de Léo Rosas estourou em nova intervenção precisa do reserva Jamilton.

Com pouca inspiração para ligar o meio-campo ao ataque, o Remo demonstrava dificuldades para superar o bloqueio defensivo marabaense. Joãozinho, um dos mais instáveis, não acertava um passe. Jhonnatan, um dos esteios do time, parecia pouco à vontade como meia recuado – ou seria volante avançado?

Na única manobra mais elaborada, que envolveu Aldivan e Reis, a bola chegou a Fábio Oliveira, que precipitou a finalização e acabou recuando para o goleiro Alan quando tinha tudo para abrir o marcador. Na zaga, excetuando os dois cochilos já citados, Edinho se sobressaía comandando as antecipações e disputas pelo alto.

O Águia terminou o primeiro tempo lamentando a falta de maior precisão de seus atacantes, pois a meia cancha até funcionou bem, com Flamel e Wando se movimentando muito, cavando muitas faltas e incomodando o setor de defesa do Remo.  

       
Quando os times voltaram do intervalo, Flávio Lopes havia feito uma alteração fundamental para dar mais agressividade ao Remo. Trocou Joãozinho por Marciano, deixando Fábio Oliveira menos isolado. Em poucos minutos, o ataque criou duas boas situações, resultantes de tabelinhas envolvendo Reis e Tiago Cametá.

Logo depois, o Águia perdeu Charles por jogo violento e o Remo achou o caminho das redes. Marciano deu uma meia volta na zaga e cruzou para Fábio marcar. Sem baixar o ritmo, o time seguiu perseguindo o segundo gol, explorando as brechas que a defesa do Águia passou a dar. Em nova jogada pela direita, a bola sobrou para Jhonnatan (que já ia ser substituído) finalizar com perfeição, ampliando o placar.

Com 2 a 0, a tarefa do Águia ficava praticamente impossível e o Remo só precisou controlar as ações no meio e na defesa para chegar, com méritos, ao suado título do returno. E sem precisar arriscar com Adriano e Cassiano.


Fotos: Mário Quadros (Diário do Pará)
Foi do técnico Flávio Lopes a decisão final de tirar Adriano do jogo, depois que a diretoria permaneceu dividida sobre o assunto até a manhã de domingo. O posicionamento firme do treinador aumentou ainda mais seu prestígio, que já era considerável, junto à cúpula azulina.

A coluna escolhe, como sempre, o melhor time do returno. Aqui vai a escalação: Adriano; Pikachu, Edinho, Roberto e Jairinho; André, Jhonnatan, Flamel e Tiago Potiguar; Branco e Cassiano. Técnico: Flávio Lopes.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 30)

Parabéns ao Clube do Remo, o eterno Filho da Glória e do Triunfo. Parabéns, Fenômeno Azul.

domingo, 29 de abril de 2012

FOGÃO atropela Vasco e conquista a Taça Rio

É COISA de louco chegar a maio invicto, ganhar a Taça Rio com um atropelo sobre o Vasco, ir à decisão do Campeonato Carioca com sobras. É coisa de Loco. De Loco Abreu. Com dois gols do uruguaio, o Botafogo venceu o Vasco por 3 a 1 neste domingo, no Engenhão, e conquistou o segundo turno do Estadual. Maicosuel fez o outro. Carlos Alberto descontou.

O Alvinegro agora encara o Fluminense, campeão da Taça Guanabara, na finalíssima do Rio de Janeiro. Ao Vasco, resta remoer o jejum. Os cruz-maltinos não vencem o Estadual desde 2003. Desde então, só ganharam um turno, na temporada seguinte.

Botafogo e Fluminense reeditam a semifinal do primeiro turno, único momento de derrota do Alvinegro em 2012. Após empate por 1 a 1 no tempo normal, os tricolores ganharam nos pênaltis, por 4 a 3. Os dois jogos da final são nos próximos domingos, no Engenhão. As equipes não decidem o Estadual desde 1975 – quando a final teve um triangular, também com a presença do Vasco.

loco abreu botafogo gol vasco (Foto: Fernando Soutello / Agif)
Loco Abreu fez mais dois.

 
Loco Abreu acorda antes dos zagueiros do Vasco. E também vai dormir depois deles. Quando o primeiro tempo mal despertava, lá estava o uruguaio deixando sua primeira marca; quando o primeiro tempo se espreguiçava rumo ao final, lá estava o uruguaio fazendo mais um. A vitória parcial do Botafogo foi responsabilidade, em grande parte, do centroavante cabeludo. E culpa, em outra fatia gorda, dos bocejos da zaga do Vasco.

A ausência de Dedé voltou a ser um golpe duro para o Vasco. É uma zaga com ele e outra radicalmente diferente, para pior, sem ele. A exemplo do que aconteceu no domingo passado, na vitória de 3 a 2 sobre o Flamengo, a equipe cruz-maltina foi vazada muito cedo. Com três minutos, a bola saiu pela lateral e foi rapidamente reposta por uma gandula. Maicosuel logo cobrou para Márcio Azevedo, que prontamente acionou Loco Abreu. Era moleza. Ele deu um toque leve na bola para colocar o Botafogo na frente, completando uma corrida de 90 metros, de uma área até a outra, e dando sucesso a uma jogada muito treinada por Oswaldo.

A diferença em relação ao clássico com o Flamengo é que, desta vez, o Vasco não soube reagir ao gol levado precocemente. E isso por causa da competência do Botafogo. O quinteto de meio, teoricamente ofensivo, com apenas um volante daqueles de carteirinha, soube congestionar as saídas do adversário para o ataque. Felipe foi a única válvula de escape, buscando Eder Luis para tabelamentos, enquanto Alecsandro aguardava bolas que não chegavam nunca.

Até a metade do primeiro tempo, o Botafogo esteve mais inclinado a ampliar do que o Vasco esteve de empatar. A zaga cruz-maltina falhou muito. Aos 20 minutos, houve um lance emblemático. Após cruzamento para a área, Fábio Ferreira desviou de cabeça e Loco Abreu completou, acossado apenas pelo goleiro Fernando Prass, que conseguiu defender. A situação seria repetida mais tarde. Com um final bem diferente.

O Vasco deu sinais de vida depois da parada técnica. Tentou com Alecsandro – muito mal, de canela. Arriscou com Eder Luis, duas vezes, ambas para fora. Ameaçou em cobranças de falta, com Fellipe Bastos e Diego Souza. E nada...

Do outro lado, Loco Abreu estava de olhos bem abertos. Era o último giro dos ponteiros no primeiro tempo. Elkeson alçou a bola na área, Fábio Ferreira desviou de cabeça e o uruguaio completou, em um repeteco daquele lance ocorrido 25 minutos antes. O Botafogo, enlouquecido com seu camisa 13, fechava o primeiro tempo com 2 a 0.


A largada do segundo tempo deu o aviso de que o Vasco buscaria a reação. Aviso falso. Com Juninho Pernambucano no lugar de Alecsandro e Allan na vaga de Felipe, o time comandado por Cristóvão Borges ameaçou. Fellipe Bastos acertou pancada no travessão. Eder Luis chutou com perigo. A pressão era prenúncio de gol. Do Botafogo...

Aos nove minutos, o zagueiro Antônio Carlos, do campo de defesa, se posicionou para cobrar uma falta ofensiva do Vasco. Parecia mais um daqueles chutões despretensiosos. Não era. A bola sobrevoou o campo e foi na direção de Maicosuel. Fagner, na marcação, ficou a ver navios. Foi encoberto pela bola, que caiu nos pés do meia alvinegro, disposta a encontrar a rede. O Mago avançou na direção da área e desviou de Prass. Era o terceiro gol do Glorioso. Era o fim até para o Vasco, tão acostumado a viradas.

A entrada de Carlos Alberto foi a última cartada do Vasco. E uma das poucas ações de sucesso da equipe da Colina no clássico. O jogador entrou bem, tabelou com Rodolfo e fez, aos 35 minutos, o único gol vascaíno.

Naquele momento, o Botafogo já cozinhava o relógio em água morna. O Glorioso foi com tranquilidade para a final. E invicto. E com um centroavante enlouquecido.

(Fonte: GloboEsporte.com)

EMPRESA americana recolhe fezes de cachorro e fica milionária

QUEM poderia imaginar que uma empresa que se dedicasse a tirar das ruas cocô de cachorro viesse a fazer um grande negócio? Entretanto, DoodyCalls, uma pequena empresa dos Estados Unidos é uma prova de que onde haja uma necessidade, um trabalho que ninguém queira fazer, sempre haverá uma oportunidade."A única maneira para que este negócio venha a falir será as pessoas gostarem de recolher os dejetos de seus cães", explica o dono da empresa, Jacob D'Aniello. "E acreditamos que isso nunca venha a ocorrer", completa com um sorriso nos lábios.

Mais notícias no blog espanhol Impresiones.

HÁ um ano no Blogue do Valentim: 'verdades' do futebol que insistem em nos empurrar goela abaixo

POR ESSAS e outras é que o velho esporte bretão é realmente apaixonante. No esporte, porém, há algumas 'verdades' com as quais ouso não concordar. Vou dizer de apenas duas: uma é opinião quase unânime; outra uma situação de fato, até bastante corriqueira. 

Primeiro, a opinião. Já me cansei de ouvir desses teóricos que, no futebol, pululam alarmantemente (e eu me incluo  na categoria de teóricos, mas não comungo da opinião), que o escore de 2 a 0 é um placar arriscado. É que o time que está ganhando por 2 a 0 tende a ficar indeciso de qual postura tomar, tentar fazer mais  gols ou se fechar para garantir a vitória, dizem. Eu, por mim, acho o placar arriscado sim, mas para quem está perdendo; esse sim, já tendo a derrota decretada, não tem outra opção a não ser se arriscar  a levar mais gols, indo ao ataque, e se abrindo muito mais. Houvesse uma estatística sobre essa questão, eu acredito que o resultado seria muito mais times vencedores quando fazem primeiro 2 a 0, que o contrário. Eu prefiro  ver o meu time virar o primeiro tempo ganhando de 2 a 0, que perdendo por esse placar. Essa 'verdade' é na verdade uma grande mentira.

Segundo, o fato. O atacante que cai na área adversária e, não marcando o penal, o árbitro automaticamente lhe dá cartão amarelo. Esse cartão é certo, mais certo do que em uma falta intencional, que, segundo os expertos no assunto, depende da interpretação da autoridade máxima do espetáculo, sua excelência o mediador da contenda. Na caída na área, não; é uma recomendação da International Board que os todo-poderosos do apito seguem à risca, cegamente. O futebol - desnecessário dizer - é futebol de contato, então é comum,  normal, muito normal, ainda mais na grande área em lance de ataque, haver contato físico e um dos dois, por culpa das leis da Física - quando não os dois -, caírem, sem que isso se constitua em penalidade ou seja simulação. Normal, então. Para se dar um cartão, sua excelência tem de ter certeza absoluta da simulação, sob pena de cometer uma grande injustiça. Se for o segundo amarelo, certamente penalizará ainda mais o time a que pertence o atacante apenado, podendo, na maioria das vezes, interferir no resultado da peleja.

Por hoje é só.

Fiquem com o bom Deus e...
 
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

sábado, 28 de abril de 2012

MARLETH Silva: no mundo das pessoas especiais

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LI um livro dedicado ao público adolescente e, do alto dos meus 40 e tantos anos, gostei. Marcelo no Mundo Real é sobre um rapaz de 17 anos que não é “normal”. Ele nasceu com uma síndrome, a Síndrome de Aspenger, que é uma variação leve do autismo. Entra, portanto, naquela categoria de pessoas que já foram chamadas de deficientes, depois de portadoras de necessidades especiais, e hoje são apenas “especiais”.

Veja, leitor, “normal” e “especial” estão entre aspas porque são usadas nesse contexto como categorias para pessoas distintas, que estão nos extremos de um espectro. 

Oh, mundo preguiçoso, por que precisas categorizar as pessoas para facilitar tua vida? 

Não dizem que, de perto, ninguém é normal? É claro que não é mesmo. Nem eu, nem você, nem o Marcelo, nem o seu vizinho seríamos classificados como totalmente normais depois de uma investigação minuciosa. A diferença é que a maioria de nós esconde bem as esquisitices. Ou, mais precisamente, aprende a esconder as esquisitices ou transformá-las em algo até charmoso. É exatamente isso que falta a Marcelo, o personagem do livro. Ele não tem malícia, tem pouca sensibilidade às reações que os outros demonstram através do tom de voz, das expressões faciais das frases de duplo sentido. Ou seja, no contexto do Mundo Real, ele é quase surdo e cego. 

Essa natureza não maliciosa do adolescente com Síndrome de Aspenger é usada pelo autor do livro (Francisco Stork) para fazer um contraponto à sem-vergonhice, ao mau-caratismo e ao pragmatismo do tal Mundo Real. O pai de Marcelo é um advogado bem sucedido que, preocupado em desenvolver o potencial do filho, que ele ama, leva-o para trabalhar no escritório durante as férias escolares. Lá o rapaz se depara com o cinismo, com pessoas que usam pessoas como objetos, com uma ideia de justiça que não faz sentido para ele. É claro que Marcelo se mete em encrenca. O Mundo Real não é para amadores.

No cinema também é comum se usar pessoas que têm um cérebro diferente do cérebro da maioria para representar a pureza em contraste com a confusão de valores e sentimentos que prevalece por aí. E não é qualquer atorzinho que está à altura de encarnar essa pureza. Tom Hanks foi convocado para fazer Forrest Gump; Dustin Hoffman fez Rain Man; Sean Penn fez I Am Sam – A Força do Amor. Devem ter outros de que estou esquecendo (se lembrou de outros, me escreva para contar, leitor).

Disso tudo tiro uma conclusão: a nossa sofisticação mental, nossas múltiplas habilidades, nos tornam complicados e maldosos. E, como somos complicados e maldosos, olhamos com desdém pessoas diferentes de nós. Não estou aqui lamentando o preconceito contra os “especiais”. Estou lamentando que percamos a chance de desfrutar a companhia dessas pessoas que podem ser tão maravilhosas, os “especiais”. Todos os que conheci tinham encantos e qualidades. Quando eles gostam de você, eles gostam de um jeito que te faz se sentir a pessoa mais... especial do mundo. Ter a chance de conhecer um deles, acredite-me, é um golpe de sorte. (Gazeta do Povo, Curitiba - PR, Brasil)
Ninguém sabe até onde vão suas forças até que tenha tentado.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

A TERCEIRA derrota de Ali Kamel



Não somos racistas no Brasil!

O ALI KAMEL, diretor da Globo, levou uma sova no STF. Por 10 x 0 (dez votos a zero), o tribunal decidiu que são constitucionais - sim!!! – as quotas para negros nas universidades brasileiras.

Kamel, como se sabe, nega que haja racismo no Brasil. “Não somos racistas” é o título de um livro dele. Kamel é contra as quotas. E não está sozinho. Outros ideólogos contra as quotas são Demetrio Magnoli, ex-trotskista hoje especializado em dizer o que a Globo gosta de ouvir, e Demostenes Torres, amigo de sala e cozinha de Carlinhos Cachoeira.

Foi a terceira derrota acachapante sofrida por Ali Kamel em 6 anos. Em 2006, ele apostou tudo contra a reeleição de Lula. Eu trabalhava na Globo, e vi de perto todo o processo. A indignação seletiva nos telejornais, a forma como os aloprados eram sempre caracterizados como “do PT”, enquanto os tucanos eram tratados como “funcionários do governo anterior”, a forma como se escondeu o que havia no famoso dossiê contra Serra que os “aloprados” supostamente iriam comprar, a maneira como o “dinheiro dos aloprados” foi parar no JN na antevéspera do primeiro turno, a trama do delegado Bruno exposta pelo Azenha e depois pela CartaCapital… Tudo isso é história – que um dia precisa ser contada com mais detalhes.
O bombardeio da Globo contra Lula começara antes, em 2005, na cobertura do chamado Mensalão. O jornalista Marco Aurélio Mello escreveu um belo texto sobre isso. A Globo queria “sangrar Lula”, para derrotá-lo nas urnas em 2006. Aliou-se até ao pequeno ACM Neto. Não deu. Ali Kamel perdeu feio.

Em 2010, Ali Kamel pôs a Globo contra Dilma. Quem não se lembra do episódio da bolinha de papel? O perito Molina - que já atuara a favor de Kamel em causas pessoais do diretor da Globo no Judiciário – foi usado no JN para criar a teoria de que Serra fora atingido por um misterioso objeto. Só faltou acharem um Lee Osvald! A Globo passou ridículo. Serra virou Rojas. E Ali Kamel perdeu pela segunda vez.

A terceira derrota veio agora, no STF. “Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera”. Ninguém encampou a tese kameliana de que quotas seriam uma forma de “acirrar” as disputas raciais no Brasil. Demóstenes (recolhido à cozinha de Cachoeira) fez falta, porque era valoroso defensor dessa tese. Chegou a dizer, numa audiência pública, que o racismo não fora tão violento assim, e que a mistura entre negros e brancos se deu através de estupros cometidos pelos senhores, sim, mas que eram “consentidos” pelas escravas. Segundo ele, “uma história tão bonita de miscigenação”. Essa é a turma contra as quotas.

Ali Kamel é um pouco mais sutil. Mas também encampa teses estranhas: por exemplo, relativiza a cor da pele como elemento definidor da Escravidão no Brasil. Por que digo isso? Porque ele me falou sobre o tema numa troca de e-mails pessoal, em 2005. Eu cobrira, pela Globo, a visita a São Paulo de um enviado especial da ONU sobre racismo. A matéria não foi ao ar no JN. Kamel derrubou. Escrevi a ele no Rio, para saber o que acontecera. Trocamos e-mails de forma muito civilizada. E fiquei sabendo como ele pensava.

Já falei sobre isso numa entrevista a Marcelo Salles, mas sempre evitei dar detalhes dos e-mails, afinal a troca de mensagens se dera de forma reservada. Só que Ali Kamel não se importou com isso: usou os e-mails num processo judicial que move contra mim! Que deselegância! Usou para tentar provar que eu o tratava muito bem, e que depois passei a criticá-lo.

Sim, na troca de e-mails eu o tratei de forma cordial, como faço com todo mundo. Não tenho nada, absolutamente nada, contra ele pessoalmente. Nossas diferenças são políticas e jornalísticas, são formas diferentes de ver o mundo e de intervir no debate.

Desde o início do governo Lula, Ali Kamel se posicionou contra o Bolsa-Família (“assistencialista”, o certo era investir em educação),  contra o Prouni, contra as quotas (afinal, se “não somos racistas”, pra que quotas?).

Por isso, essa terceira derrota de Ali Kamel, no STF, deve ter sido a mais dolorosa. “Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera”. Não apareceu ninguém para defender a “sociologia kameliana” no STF. Ele levou uma surra.

Nos e-mails de 2005, com alguma arrogância, tentou ensinar-me quem era Gilberto Freyre. Ali Kamel provavelmente acredite que é o novo Freyre, o novo formulador da “democracia racial” brasileira. Um Freyre incompetente. Porque mesmo entricheirado na emissora mais poderosa da América Latina, ele perde todas. Perde o debate no STF, perde as eleições, perde a capacidade de influir nas decisões do Estado brasileiro. Um bom sinal. (Rodrigo Viana)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ATÉ a próxima semana!


(Gazeta do Povo, Curitiba - PR, Brasil)

HÁ um ano no Blogue do Valentim: o problema dos cinco discos

MAÇUDI, o famoso historiador árabe, nos 22 volumes de sua obra, fala dos sete mares, dos grandes rios, dos elefantes célebres, dos astros, das montanhas, dos diferentes reis da China e de mil outras coisas, e não faz a menor referência ao nome de Dahizé, filha única do Rei Cassim, o Indeciso. Não importa. Apesar de tudo, Dahizé não ficará esquecida, pois entre os manuscritos árabes foram encontrados mais de 400.000 versos, nos quais centenas de poetas louvam e exaltam os encantos e predicados da famosa princesa. A tinta gasta para descrever a beleza dos olhos de Dahizé, transformada em azeite, daria para iluminar a cidade do Cairo durante meio século.

  "É exagero", direis.
 
  Não admito o exagero, ó irmãos dos árabes! O exagero é uma forma disfarçada de mentir!
 
  Passemos, porém, ao caso que nos interessa.

  Quando Dahizé completou 18 anos e 27 dias de idade, foi pedida em casamento por três príncipes cujos nomes a tradição perpetuou: Aradim, Benefir e Camozã.
 
  O rei Cassim ficou indeciso. Como escolher, entre os três ricos pretenentes, aquele que deveria ser o noivo de sua filha? Feita a escolha, a consequência fatal seria a seguinte: ele, o rei, ganharia um genro, mas, em troca, adquiriria dois rancorosos inimigos! Péssimo negócio para um monarca sensato e cauteloso, que desejava viver em paz com seu povo e seus vizinhos.
 
  A princesa Dahizé, consultada, afinal, declarou que se casaria com o mais inteligente dos seus apaixonados.

 A decisão da jovem foi recebida com grande contentamento pelo rei Cassim. O caso, que parecia tão delicado, apresentava uma solução muito simples. O soberano árabe mandou chamar os cinco maiores sábios da corte e disse-lhes que submetessem os três príncipes a um rigoroso exame.
 
  Qual seria, dos três, o mais inteligente?
 
  Terminadas as provas, os sábios apresentaram aos monarca minucioso relatório. Os três príncipes eram inteligentíssimos. Conheciam profundamente matemática, literatura, astronomia e física; resolviam complicados problemas de xadrez, questões sutilíssimas de geometria, enigmas arrevesados e charadas obscuras!
 
  - Não encontramos artifício - concluíram os sábios - que nos permitisse chegar a um resultado definitivo a favor deste ou daquele!

  Diante desse lamentável fracasso da ciência, resolveu o rei consultar um dervixe que tinha fama de conhecer a magia e os segredos do ocultismo.

  O sábio dervixe disse ao rei:

  - Só conheço um meio que vai permitir determinar o mais inteligente dos três! É a prova dos cinco discos!
 
  - Façamos, pois, essa prova - concordou o rei.
  Os três príncipes foram levados ao palácio. O dervixe, mostrando-lhes cinco discos de madeira muito fina, disse-lhes:

  - Aqui estão cinco discos, dos quais dois são pretos e três brancos. Reparai que eles são do mesmo tamanho e do mesmo peso, e só se distinguem pela cor.

  A seguir, um pajem vendou cuidadosamente os olhos dos três príncipes, deixando-os impossibilitados de distinguir a menor sombra. 

  O velho dervixe tomou então ao acaso três dos cinco discos e pendurou-os às costas dos três pretendentes.

  Disse, então, o dervixe:

  - Cada um de vós tem preso às costas um disco cuja cor ignora! Sereis interrogados um a um. Aquele que descobrir a cor do disco que lhe coube por sorte será declarado vencedor e casará com a linda Dahizé. O primeiro a ser interrogado poderá ver os discos dos dois outros concorrentes; ao segundo será permitido ver o disco do último. E este terá que formular a sua resposta sem ver coisa alguma! Aquele que der a resposta certa, para provar que não foi favorecido pelo acaso, terá que justificá-la por meio de um raciocínio rigoroso, metódico e simples. Qual de vós deseja ser o primeiro?

ATLETA acusa o programa ‘Caldeirão do Huck’ de não honrar com prêmio de concurso


Foto: Reprodução do Yahoo

O ATLETA Wilson de Melo fez um enorme desabafo em seu Facebook onde acusa o programa 'Caldeirão do Huck' de não honrar com o prêmio do concurso em que ele foi o vencedor.

Veja o que o rapaz falou:

"No dia 24 de abril de 2010, o CALDEIRÃO DO HUCK promoveu o concurso HARLEM GLOBETROTTERS BRASILEIRO que elegeu um brasileiro para fazer parte da equipe norte americana de basquete. Me tornei o campeão da competição que foi transmitida em rede nacional pela Rede Globo, mas dois anos depois, ou seja, exatamente HOJE, não assinei nenhum contrato internacional com os Harlem Globetrotters como havia sido prometido no programa Caldeirão do Huck pelo próprio apresentador, LUCIANO HUCK.

As organizações promotoras do evento prometeram que eu iria morar, estudar e fazer turnê com os Harlem Globetrotters nos Estados Unidos por um ano, com tudo pago e remuneração. Com base nessas promessas, desfiz-me de todos os meus bens materiais, fiz uma enorme despedida com os amigos e familiares e me preparei fisicamente para representar o Brasil, e fiquei aguardando um posição das organizações promotoras do concurso para partir e iniciar o sonho de viver do basquete.

Infelizmente, nada que foi prometido se realizou. Passei por muita humilhação durante a turnê no Brasil por organizadores do concurso.Tenho gravações absurdas dos organizadores falando coisas que ficariam chocados em ouvir. É muito triste toda essa situação, é muito humilhante para qualquer atleta.

Mas agora o que me resta é compartilhar a minha história com todos vocês, sem vergonha, medo ou qualquer arrependimento. Quero que as pessoas que torceram por mim no dia do concurso e as que se orgulharam da minha conquista como brasileiro saibam de todo o ocorrido. Até porque não fui o único enganado em toda esse história, mas vocês também.

O sentimento de frustração é muito grande, só que a vontade de viver e seguir em frente supera muito mais esse sentimento ruim. Sim, me tornei vítima de organizações que buscaram mais promover uma marca do que realizar o sonho de um garoto, embora assim tenham prometido.

Caso você não compactue com essa injustiça, compartilhe esta história, para que mais sonhos não sejam frustrados de forma leviana e irresponsável, tratados como meras mercadorias a serviço de grandes lucros.

Pois é, gente, no mundo de negócios, talento não é suficiente. Muito triste isso."

Confira os vídeos que mostram Wilson sendo campeão: Vídeo 1 - Vídeo 2

Conhecendo a honestidade e o caráter que o apresentador Luciano Huck demonstra em sua brilhante carreira, vamos aguardar o que ele vai dizer. (do site Yahoo, acessado em 27abr.2012)


Uma curva na estrada não é o fim da estrada, a menos que você falhe na direção.


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!



BRASIL já é o terceiro maior credor dos Estados Unidos



ATÉ AGORA ninguém deu a notícia. Com 372 bilhões de dólares em reservas internacionais, o Brasil acaba de se converter, aplicando mais da metade delas em “treasuries”, no terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos, como pode ser visto na própria página oficial do tesouro norte-americano, cujo link publico abaixo. O acúmulo de reservas internacionais, cujo custo de carregamento tem caído em linha com a redução da taxa SELIC, serve para valorizar o dólar com relação ao real, favorecendo nossas exportações,e é, sobretudo, uma arma geopolítica, que mantêm em situação positiva a imagem do Brasil frente às agências internacionais de classificação de risco e em uma posição de força em organismos como o G-20, o Banco Mundial e o FMI.

Conheço empresários brasileiros de linha mais desenvolvimentista, no entanto, que pensam que a política de acúmulo de dólares poderia ser complementada com a emissão de moeda, no mercado interno, destinada a investimentos diretos do governo na área de infraestrutura, por exemplo. Tal medida, com uma pequena expansão administrável da inflação, derrubaria o valor do real frente ao dólar, favorecendo as exportações, injetaria dinheiro em todos os níveis da economia produtiva, e criaria milhões de empregos.

COXA goleia Paissandu

A vitória por 4 a 1 sobre o Paysandu deixou encaminhada a classificação do Coritiba para as quartas de final. Mas o jogo de ontem mostrou mais: o Coxa está ganhando uma nova cara em 2012. Em três jogos já foram nove gols marcados com a bola rolando.


Foto: Diario do Pará
DEPOIS de abusar das bolas paradas no começo deste ano – que renderam ao zagueiro Emerson a artilharia do time ao lado de Lincoln, com oito gols –, a equipe alviverde começou a mudar o estilo nos últimos duelos. Abusando da velocidade com jogadores como Roberto e Éverton Ri­­beiro, o Coxa lembrou mais o time de 2011 nos jogos con­­tra o ASA, o Atlético e o Pay­­sandu, fazendo o técnico Mar­­celo Oliveira pedir uma retratação dos críticos.

“Quem falou muito [que abusávamos] da bola parada poderia se retratar agora”, cobrou Oliveira. O técnico ainda defendeu que as jogadas de falta ou escanteios não são manjadas e serão importantes no resto da temporada. “Não podemos abandonar a bola parada. Ela pode nos ajudar muito”, avisa o treinador.
Mas ontem, contra o Pa­­pão, o que fez a diferença foi a velocidade e o toque rápido, principalmente no primeiro tempo. Anderson Aquino marcou o primeiro gol. No minuto seguinte, Roberto aumentou e Éverton Ribeiro fechou o placar ainda na etapa inicial, ao balançar a rede pelo quinto jogo consecutivo. Nos últimos 45 minutos, o Coxa não teve o mesmo desempenho e acabou sofrendo um gol, o que irritou o técnico coxa-branca.

“Foi um erro imperdoável. Poderíamos ter saído sem levar gols. Mas ocorreu isso pela falha na marcação e pelo ímpeto do adversário”, analisou Oliveira, sabendo da importância de não ser vazado em casa pela Copa do Brasil. Rafael Silva, que entrou no lugar de Lincoln, ainda sofreu dois pênaltis. Roberto perdeu uma cobrança, após uma confusão envolvendo o goleiro adversário, mas Tcheco definiu o placar. “Foi um passo importante [o resultado para a classificação]. Só existe um pouco de tristeza pelo gol [que sofremos], que lamentamos muito”, finalizou o técnico.

Para garantir uma vaga nas quartas de final, o Coxa, cujo orçamento anual é 12 vezes maior que o do adversário, pode perder até por dois gols de diferença em Belém. Já o Paysandu precisa fazer 3 a 0 para garantir a vaga. Mesmo assim, o meia Harison, do Papão, não perdeu a chance de provocar na saída do gramado do Couto Pereira. 

“Com o apoio da nossa torcida, que é bem maior do que aqui, esperamos reverter”, avi­­­­sou o jogador em entrevista à Rádio Transamérica, irritando alguns coxas-brancas presentes na arquibancada. (Gazeta do Povo, Curitiba - PR, Brasil)


Quem não é feliz com o que possui, também não se contentaria com as coisas que gostaria de ter.


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

HÁ um ano no Blogue do Valentim: fraude na ALEPA tinha empregados domésticos como 'laranjas'

O MINISTÉRIO Público do Estado já colheu o depoimento de 14 'fantasmas' ou 'laranjas' da Assembleia Legislativa. Segundo o promotor Arnaldo Azevedo, muitos dessas pessoas sequer sabem o endereço daquela Casa. Os protagonistas do esquema, que tem denegrido a imagem do Poder Legislativo, enganavam pessoas humildes para conseguir desviar dinheiro dos cofres públicos. Grande parte dos fantasmas morava no bairro da Terra Firme, em habitações precárias, sendo que a maioria teve seu nome envolvido no golpe por serem trabalhadores domésticos de funcionários da Alepa que faziam parte do esquema ou de algum conhecido dos fraudadores. 'Eles (laranjas) entregavam os documentos com a promessa de que no final do ano receberiam brinquedos ou cestas básicas', revela Arnaldo. Sem saber, essas pessoas eram incluídas na folha de pagamento com salários que variavam de R$ 4 mil a R$ 16 mil.


'O mais repugnante não é o desvio de recursos públicos, que o povo já está calejado de tanto escândalo, o que mais causa desprezo é a utilização da miséria alheia, de pessoas humildes, que moram em subúrbios de Belém, que eram trabalhadores domésticos ou nunca tiveram a carteira de trabalho assinada, nunca tiveram um emprego. As pessoas eram ludibriadas. Essas pessoas não recebiam vantagem alguma e não sabiam que estavam na folha. Uma exploração sórdida', destacou o promotor. As residências dessas pessoas foram visitadas pelo MP, que registrou as condições de habitação em fotos, anexadas ao inquérito. As vítimas vão desde vendedores de feira, donas de casa, domésticas e também foi identificado o caso de um servidor público do município de Benevides.

Entre as vítimas do esquema, havia pessoas que encaminharam currículos à Assembleia, contendo números de documentos pessoais, que foram usados para a inclusão na folha. Quando essas pessoas foram informadas pelo MP que estavam na folha da Alepa, demonstraram espanto e indignação. Mas o promotor não descarta algumas situações em que os funcionários aceitavam obter vantagens financeiras ilegais para elevar o próprio contracheque em troca de dividir o salário com alguém. 'É uma forma de exploração imoral, uma afronta ao princípio da moralidade pública', criticou.  (do Portal ORM - www.orm.com.br)
(BLOGUE do Valentim em 26abr.2011)

MERECIDA estátua!


(do blog Impresiones, Espanha)

HÁ um ano no Blogue do Valentim: liberdade é uma calça velha

LIBERDADE é uma calça velha azul e desbotada que você pode usar do jeito que quiser...
 
Quem de nós, na faixa dos 40 em diante, não ouviu essa música? Quem ainda lembra? Pois é, essa era uma das minhas prediletas, daquelas que a gente lembra até hoje. A tevê daquela época apresentava também, entre tantas lembranças boas, outras legais como aquele comercial em desenho da Varig no período de natal: ...Papai noel voando a jato pelo céu, trazendo um natal de felicidade, e um ano novo cheio de prosperidade. Varig, Varig, Varig! A Varig, é verdade, faliu, mas a música ficou na nossa mente. Outro que faliu foi o Bamerindus, mas do rádio eu lembro da propaganda: O tempo passa, o tempo voa, e poupança Bamerindus continua numa boa...

As coisas de qualidade eram as importadas, e calça era lee - só um pouco depois veio a US Top da música -; óculos tinha de ser Rayban e toca-fitas (quem não lembra dessa velharia?) bom era só Road-Star; relógio de qualidade era da marca Seiko. O resto não tava com nada.



O vídeo acima é a abertura de Daniel Boone. Eu não perdia um. Até hoje lembro de Mingo (Ed Ames), o índio amigo de Daniel Boone, que dava nome à série, vivido por Fess Parker. E ainda co-estrelava Patricia Blair, que na série era a esposa de Boone. 
 
O dublador era um show à parte, com a sua voz inigualável. Só agora, bem mais tarde, na vigência da internet que fui saber o autor daquela voz: Carlos Alberto Vaccari, já falecido, foi nosso colega de farda; talvez tenha sido, pela qualidade excepcional do vocal, um controlador de vôo. Respeitando outros dubladores como Orlando Drumond,  o seu Peru da Escolinha do Professor Raimundo, e Borges de Barros, o mendigo rico da antiga Praça da Alegria, além de muitos outros, feras,  a voz de Vaccari, para mim, não foi até hoje superada nesse trabalho. Era dele também a voz  impagável de Mingo.

"Versão brasileira: AIC São Paulo". Essa era a apresentação da empresa que dublava a série para o Brasil, hoje já extinta. Essa fala não aparece no vídeo acima.

Enfim, apresento nesta postagem a todos - principalmente os da minha faixa etária ou mais - mais uma SESSÃO NOSTALGIA. Tempos bons!

"O HOMEM é feito de tal modo que quando alguma coisa incendeia a sua alma, as impossibilidades desaparecem." Jean de La Fontaine

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
(BLOGUE do Valentim em 25abr.2011)

SE...


Foto: Reuters

SE HOUVESSE gente ousada na CBF seria a hora ideal de ligar para Pep Guardiola, em Barcelona, convencê-lo de que seu brilhante trabalho no Barça já terminou e que agora é hora de tentar ser campeão mundial com a Seleção Brasileira.

Faria um bem danado ao nosso futebol.

Se houvesse.
Sugestão de Juca Kfouri em seu blog.


Não sei se Cbf e Rede Globo estão preparadas para isso.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

RAMIRES rouba protagonismo de Messi e celebra: 'Fizemos história'

Com um gol e uma assistência, brasileiro é destaque do confronto com o Barcelona, mas está suspenso para a final contra Real ou Bayern, no dia 19


DIANTE de toda expectativa antes do confronto, podemos dizer que Ramires foi o Messi da semifinal da Liga dos Campeões entre Barcelona e Chelsea. Enquanto o mundo esperava momentos brilhantes do argentino, que falhou em cobrança de pênalti e teve atuação abaixo da (sua) média no jogo decisivo, foi o brasileiro, discreto e eficiente, quem resolveu a favor dos ingleses. No Stamford Bridge, uma arrancada que resultou na assistência para o gol de Drogba. Já no empate em 2 a 2 desta terça, no Camp Nou, um golaço de cobertura vital para um time que se viu quase na lona diante de um 2 a 0 contra e com um homem a menos.
ramires chelsea x barcelona (Foto: AP)
Ramires fez o Chelsea acordar quanto tudo parecia perdido (Foto: AP)
De passos lentos e sorriso tímido na passagem pela zona mista, Ramires em nada parecia com superastros do confronto, como Xavi, Iniesta, Drogba, Torres ou o próprio Messi. Mas foi o brasileiro quem mais brilhou. O inglês ainda pouco afiado não permitiu que o volante matasse a sede de respostas da imprensa londrina, mas para o GLOBOESPORTE.COM ele expressou seus sentimentos após a noite inesquecível.

- Fizemos história. Hoje, fizemos história. Jogando com dez, tivemos todo empenho, dedicação, corremos, buscamos, e isso ficará por toda a história. São lances que vão olhar daqui a um, dois, três anos, e vão falar: “O Chelsea eliminou o Barcelona na casa deles”.

Com frieza impressionante, Ramires teve calma para tocar por cima de Victor Valdés no momento mais complicado para o Chelsea na partida. Gol que o camisa 7 e os próprios companheiros analisaram como fundamental para que os Blues respirassem no confronto.

- Foi muito importante para equipe aquele gol no finzinho, e é importante para a continuidade do trabalho. Nossa temporada não foi muito boa, mas hoje provamos que poderíamos chegar nas finais. Estamos aí, correndo atrás e fazendo o melhor. Foi o que aconteceu mais uma vez. Já tínhamos feito um grande jogo em Londres, e eu disse que merecíamos respeito, o que não vinha acontecendo muito. Provamos nosso valor. Daqui para frente, quem vier, virá com mais respeito.

ramires chelsea x barcelona (Foto: Getty Images)
Victor Valdés não acredita no que vê, enquanto o brasuca corre para a galera (Foto: Getty Images)
Momento mais marcante da carreira
Campeão da Copa das Confederações e com participação em uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira, Ramires não teve dúvidas em apontar a noite desta terça, em Barcelona, como a mais importante de sua carreira profissional. E a tratou como coroação de um bom momento.

- Foi minha primeira vez no Camp Nou, ainda mais fazendo um gol desses... Certamente é um momento muito especial para minha carreira, para minha vida. Só vem confirmar a grande temporada que venho fazendo.

O brasileiro fugiu ainda do rótulo de herói e preferiu dividir o mérito da classificação com uma equipe que fez da dedicação a principal virtude no confronto.

- Não digo herói. Em campo, procuro o melhor para ajudar minha equipe. Graças a Deus, em casa pude dar o passe para o gol do Drogba, e agora fiz um gol que nos colocou de novo na briga. Deus sabe o que faz, e preciso ter humildade. Meus companheiros me ajudaram muito.
ramires mascherano chelsea x barcelona (Foto: EFE)
Ramires tenta superar a marcação do argentino Mascherano (Foto: EFE)

Entretanto, nem tudo foi alegria para o volante. Minutos antes do gol, Ramires foi advertido com o cartão amarelo e está suspenso para a final do dia 19 de maio, em Munique.

- Fiquei chateado. Estava reclamando com o juiz na hora do segundo gol deles, falei da expulsão do Terry, que ele nem viu. Enfim, ele não aceitou a reclamação. Faz parte. São coisas do futebol. Ali dentro, ficamos nervosos. Ainda mais num jogo como esse. De qualquer maneira, vou estar em Munique torcendo para os companheiros.

Por fim, o jogador ainda evitou escolher um adversário preferido para a final, mas lembrou que o Bayern de Munique não pode ser apontado como azarão.

- Não vou dizer que o Bayern é zebra. Já tinha dito que nós merecíamos respeito. Fizemos o nosso papel e agora vamos assistir (ao duelo Real Madrid x Bayern de Munique) relaxados.

Além da final da Champions, o Chelsea está na decisão da Copa da Inglaterra, que acontece no próximo dia 5, em Wembley, contra o Liverpool. E Ramires estará em campo. (Globo.com)

terça-feira, 24 de abril de 2012

INGRESSOS de Coxa e Paissandu já estão à venda

Daniel Castellano / Gazeta do Povo / Torcida alviverde poderá comprar ingressos para o jogo com o Paysandu até o dia do jogo, na quinta-feira

Primeira partida das oitavas de final da Copa do Brasil será quinta-feira, no Estádio Couto Pereira


A TORCIDA coxa pode adquirir os ingressos para a primeira partida entre Coritiba e Paysandu pelas oitavas de final da Copa do Brasil, nesta quinta (26), às 19h30, no Couto Pereira. Na última partida pela competição, o Coxa eliminou o ASA de Arapiraca por 3 a 0, também no Couto. O Alviverde precisa fazer um bom resultado em casa para ter vantagem no jogo de volta em Belém, na quinta-feira (3). 

As bilheterias do Couto Pereira ficam abertas das 10h às 19h na segunda, terça e quarta. No dia do jogo, o horário de funcionamento das bilheterias vai das 10h às 20h30.

Veja os preços dos ingressos para cada setor:

Arquibancada: R$ 95 inteira, R$ 47 meia.
Cadeira Mauá: R$ 120 inteira, R$ 60 meia.
Cadeira Social Superior: R$ 190 inteira, R$ 95 meia.
Confira outros pontos de venda:
Loterias Mercado Municipal: Av. Sete de Setembro, 1865, Sala 309 e 310 – Fone: (41) 3014-7760 (no Mercado Municipal).
Multi Loterias Ltda: Rua Emiliano Perneta, 413 – Centro – Fone: (41) 3014-0527 (Próximo à Rua Visconde do Rio Branco).
Ki Sorte Loterias: Rua Carlos Klentz, 1641 – Fazendinha – Fone: (41) 3576-3782 (próximo ao Terminal do Fazendinha).

BLOGUEIRO é assassinado em São Luís


FOI assassinado na noite desta segunda-feira em São Luís, no Maranhão, um dos mais aguerridos e críticos blogueiros políticos do Estado, Décio Sá. Ele estava sozinho no Bar da Marcela, na Av. Litorânea, da capital, onde pediu um prato com caranguejo e foi alvejado por três tiros – um deles na cabeça – por um motoqueiro que fugiu , sem deixar pistas. Décio é conhecido na capital maranhense por denúncias contra setores públicos e políticos. Seu site é http://www.blogdodecio.com.br/ (Com informações de Leandro Mazzini) (blog do Gerson Nogueira, Belém - PA, Brasil)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

MARLETH Silva: as calçadas por onde Woody Allen anda

VOU CONFESSAR uma esquisitice. Quando assisto a um filme estrangeiro com cenas gravadas nas ruas de grandes cidades, fico fascinada com as calçadas. Gosto de admirá-las e chego a esquecer do enredo. Lisinhas, retas, planas – em resumo, invejáveis. Veja (ou reveja) Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, do Woody Allen, por exemplo. Ele e a Diane Keaton têm longas discussões enquanto caminham pelas calçadas de Nova York. Nem por um minuto prestam atenção onde pisam, não tropeçam em pedras soltas, não dão saltos no ar por causa do relevo acidentado. 

Será que o Woody Allen escolhe as locações para seus filmes pelas calçadas? Veja as de Londres em Match Point, as de Barcelona em Vicky Cristina Barcelona e as parisienses no encantador Meia Noite em Paris. Lindas! 

Andaram falando que Woody Allen ia gravar seu próximo filme no Brasil. Ainda não foi desta vez. Ele escolheu Roma. Alguém deve tê-lo prevenido de que não seria fácil fazer os atores recitarem aquelas falas longuíssimas enquanto se equilibram sobre as desiguais calçadas brasileiras. 

Sim, admito, leitor, que tenho o olhar viciado pela paisagem que me cerca. Daqui deste meu posto de observação, no Sul da América do Sul, vejo muita coisa ruim. Em uma mesma quadra, quatro diferentes tipos de calçamento, e um deles é uma graminha rala. E uma permanente inclinação do terreno em direção ao asfalto, o que faz com que o cidadão ande tombando de lado. 

Alguns podem dizer que nossas calçadas são assim, tortinhas, por causa do relevo de Curitiba. Ou seja, vão culpar a natureza e, em última instância, Deus. Não me convenço. A ciência avançou tanto, inventamos coisas espantosas como o Facebook e o Viagra, e não conseguimos fazer uma calçada plana! Não me convencem.

Talvez o leitor esteja bem situado e veja nas ruas de sua cidade um calça­­mento bacana, bom de usar. Se for o caso, me escreva para contar. Tenho a maior curiosidade em conhecer cidades que já tenham superado esse problema e estejam em uma fase mais avançada do progresso.

Suspeito que, se o Woody Allen se decidisse a rodar um filme no Brasil, iria ao clichê: Rio de Janeiro, com seus calçadões à beira-mar. Além de planos, largos e elegantes com seus arranjos de pedras portuguesas pretas e brancas, vêm com o bônus da paisagem. É difícil competir com tudo isso. Ah, é verdade, de vez em quando uma tampa de bueiro voa pelos ares. Isso pode assustar o Woody Allen.

Nesse campo alguns de nossos vizinhos sul-americanos estão em vantagem. Montevidéu, Lima e Buenos Aires exibem calçadas bem resolvidas. Veja o caso de Buenos Aires, onde velhinhos pimpões andam para baixo e para cima no ritmo que lhes apraz sem se incomodarem com imprevistas mudanças de nível ou de piso. É verdade, em compensação eles têm a Cristina Kirchner. O mundo não é perfeito mesmo. (Gazeta do Povo, Curitiba - PR, Brasil)




Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

HÁ PERGUNTAS que um jornalista não deve fazer

_ COMO senhor saiu do Brasil para o exílio? _ perguntou a jornalista, que já havia tentado irritar Brizola durante a entrevista e fazendo alusão ao boato de que ele teria deixado o país após o golpe militar de 1964 disfarçado de mulher.

Leonel Brizola não se controlou. O velho esquerdista que governou o Rio e o Rio Grande do Sul sempre preocupado com a educação das crianças pobres deu a resposta que estava atravessada na sua garganta havia décadas:

_ Tu me emprestaste as tuas calcinhas e saí com elas.

Claro que a mídia usou o episódio para, mais uma vez, denegrir Brizola, pintá-lo como um desequilibrado. Para mim, porém, ele agiu como eu agiria.

Em outra campanha presidencial, muitos anos depois, a repórter, que deve ser filha da que constrangeu Brizola _ ou filha de outra coisa _ chocou a então candidata Dilma Rousseff:

_ A senhora é lésbica?

Dilma se conteve, respondeu, com educação, que não desceria àquele nível. Foi eleita presidente do Brasil.

A repórter? Não sei por onde anda, nem lembro seu nome.

Em todo o meu tempo trabalhando em jornais e revistas, sempre me incomodou fazer certas perguntas. Na maioria das vezes, quando eu achava a questão muito pessoal, ficava calado. Como na vez em que fui entrevistar o ator Carlos Augusto Strazzer, que havia acabado de assumir publicamente ser soropositivo. Quando voltei à redação, meu chefe perguntou como ele tinha contraído o vírus HIV.

Eu jamais perguntaria algo tão íntimo a alguém. Nem informalmente, se fosse um amigo meu, muito menos profissionalmente.

Para me livrar da bronca por não ter sido mal educado com o entrevistado, disse que o ator não quis falar sobre aquilo. O chefe engoliu minha cascata. Strazzer morreu alguns meses depois.

Certas coisas, de tão íntimas, só devem ser abordadas se a iniciativa partir do entrevistado. Se ele não diz, provavelmente é porque não quer dizer. Eu nunca faria, por exemplo, como Marília Gabriela fez com Cazuza:

_ Você tem aids? _ disparou ela sem piscar.

O cantor negou. Sua doença ainda não era pública, embora já fosse muito comentada. Achei uma tremenda deselegância dela. Fiquei chocado.

Claro que errei muito quando era inexperiente. Expus pessoas, como uma mulher que acampou em frente ao prédio do Roberto Carlos e, por causa da minha reportagem, foi internada num hospício. Me arrependi quando ela me telefonou n redação e disse que, graças a mim, estava num manicômio. A partir daí, passei a dar mais valor ao entrevistado e não à entrevista.

Desde que a indústria jornalística virou um grande negócio e, ao mesmo tempo, uma poderosa arma política, repórteres são pressionados a arrancar dos entrevistados declarações fortes, polêmicas, que vendam jornal, que deem audiência, que coloquem determinadas pessoas em posição delicada, constrangedora. Os editores acham que o povo quer sempre escarnecer o entrevistado. Ou seja, fazem a pior imagem possível do ser humano que consome seu produto.

Mas cara-de-pau e falta de escrúpulos têm limite.