quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CYNARA Menezes: As vidas possíveis de José Serra

Blog Socialista Morena:
1. Após oito anos como prefeito de São Paulo, José Serra deixou o cargo com a popularidade em alta em 2012. Avaliado como “bom” e “ótimo” pela ampla maioria dos paulistanos, Serra melhorou o trânsito da cidade, o transporte e a educação pública e minimizou o problema das enchentes. Fez projetos na periferia e atendeu reivindicações dos mais carentes. Conseguiu inclusive eleger com folga sua sucessora, Soninha Francine, pelo PPS, partido-irmão do PSDB, também conhecido como “puxadinho”. Após terminar o mandato, Serra disse que pretende viajar para se preparar para a eleição de 2014 à presidência. “Acho importante conhecer o Brasil inteiro, coisa que nunca fiz”, declarou.


2. Após oito anos como governador de São Paulo, José Serra deixou o cargo com a popularidade em alta em 2014. Fez uma administração considerada revolucionária nas áreas de saúde e educação, além de investir na ampliação do metrô. Tudo com a maior transparência possível, sem superfaturamentos ou qualquer suspeita pairando sobre as obras de grande porte. Embora tenha que disputar a convenção do PSDB com outros quatro candidatos, como Aécio Neves, Serra é considerado a maior pedra no caminho da presidenta Dilma Rousseff à reeleição. Antes de entrar na disputa, ele declarou que não pretende explorar o assunto religião ou aborto em sua campanha presidencial. “Defendo um Estado laico”, garantiu.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

DAVIS Sena Filho: São Paulo neoliberal afunda no crime, Globo jamais cita o PCC e paulista quer investimentos

Blog Palavra Livre


Alckmin não consegue enxergar o crime e as necessidades do povo de São Paulo.

O BANHO é de sangue. É São Paulo. Capital e Estado. São 1.716 homicídios de janeiro a setembro, sendo que 86 das pessoas mortas são policiais. No último fim de semana (27/28), 42 cidadãos foram assassinados na grande São Paulo. Na madrugada de hoje (30), dez pessoas foram baleadas, sete morreram e três ficaram feridas. Policiais militares, à paisana e de folga, são mortos em emboscadas, muitos deles desarmados. Episódios vergonhosos, que deixam o governo tucano do senhor Geraldo Alckmin em uma situação de calamidade pública, pois que a violência quando atinge patamares dessa envergadura se torna uma epidemia, a pior das doenças e das enfermidades, que dobram os joelhos da sociedade paulista e paulistana, vítima de um governo tucano de mentalidade neoliberal, em que o ente humano não é a prioridade, mas, sim, prioritários são os interesses do mercado de capitais e das classes sociais dominantes.   

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PARTIDO dos Trabalhadores foi o grande campeão destas eleições

Quem venceu as eleições municipais?


DESCONTADAS suas posições políticas contrárias às forças de esquerda, o jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, costuma produzir boas análises sobre os resultados eleitorais. Sobre o pleito encerrado neste domingo, ele chegou à conclusão de que o PT foi o “partido que mais venceu disputas no grupo das 85 maiores cidades do país – o ‘G85’, que reúne as 26 capitais e as 59 cidades do interior com mais de 200 mil eleitores. Ao todo, petistas elegeram 16 prefeitos nessas cidades. Tucanos, 15. O PSB elegeu 11 e o PMDB, 10”.

Ele aponta duas marcas destas eleições. A primeira é que mais legendas protagonizaram as disputas nas metrópoles. “Como em 2008, mais partidos elegeram prefeitos no G85. Na última eleição só 11 siglas conseguiram ter prefeitos no grupo dos grandes municípios. Desta vez, foram 16”.  A outra, uma novidade, foi o crescimento do PSB, presidido por Eduardo Campos, governador de Pernambuco. “Entre as grandes legendas, esta foi a que mais cresceu: fez 6 prefeitos a mais que em 2008 (passou de 5 para 11 eleitos)”.

sábado, 27 de outubro de 2012

MARLETH Silva: Cadê o título de eleitor?

TODO ano de eleição é assim. Na véspera do dia D, aquele frio na espinha. Onde foi que ele deixou o título de eleitor? Sempre tem a impressão de que não vai encontrar o documento e que isso vai lhe causar dor de cabeça. Nunca perdeu o título, nunca deixou de votar. Uma vez, experiência ridícula, mal passou o dia da posse e ele já tinha esquecido para quem deu o voto para deputado. Ficou decepcionado consigo próprio. 

Mas perder o título, isso não aconteceu. Mesmo assim, sempre fica apreensivo até encontrar o papelucho.

 Por isso voltou para casa, guardou as compras (oh, perfeccionismo que não o deixa largar tudo no chão da cozinha e ir logo se livrar da pulga atrás da orelha) e, então, subiu as escadas do sobrado na direção da cômoda onde guarda documentos. Lá tem muitas folhas soltas, a maioria contas pagas (“Credo, como eu pago contas”, murmura para si mesmo) e umas sacolinhas plásticas, recicladas para um novo uso. Na embalagem da sunga que comprou há muitos verões estão os documentos. Logo viu o título, intacto. O problema todo é ele nunca recordar o momento em que voltou do local de votação e colocou o título, mais uma vez, na sacolinha. Faz isso “no piloto automático” e depois esquece. Agora, está orgulhoso de si mesmo, tão organizado! 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ARTUR Neto fica sem palavras em debate com Vanessa Graziotin para a prefeitura de Manaus



JORNALISTA diz que não houve o desvio de 73,8 milhões de reais do Banco do Brasil que o STF alegou para condenar

Os ministros do STF deliraram: não houve o desvio de 73,8 milhões de reais do Banco do Brasil

247 publica em primeira mão a reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira, um dos mais consagrados jornalistas brasileiros e editor da Retrato do Brasil, sobre o julgamento da Ação Penal 470; amparado em documentos, ele demonstra que o desvio de R$ 73,8 milhões do Banco do Brasil, por meio da Visanet, simplesmente não ocorreu; corte julga o capítulo final, que trata da formação de quadrilha.

Raimundo Rodrigues Pereira é um herói do jornalismo brasileiro, que criou o jornal Movimento e enfrentou a ditadura militar. Agora, ele abre uma nova frente de combate, desta vez com o Supremo Tribunal Federal, ao demonstrar que o desvio de R$ 73,8 milhões do Banco do Brasil, viga mestra da tese do mensalão, simplesmente não ocorreu. Leia em primeira mão a reportagem de capa da revista Retrato do Brasil, que vai às bancas em 1º de novembro e que, nesta semana, estará disponibilizada no site da revista, amparada também em documentos:

A vertigem do Supremo


Os ministros do STF deliraram: não houve o desvio de 73,8 milhões de reais do Banco do Brasil, viga mestra da tese do mensalão. Acompanhe a nossa demonstração. - Por Raimundo Rodrigues Pereira, da revista Retrato do Brasil


A tese do mensalão como um dos maiores crimes de corrupção da história do País foi consagrada no STF. Veja-se o que diz, por exemplo, o presidente do tribunal, ministro Ayres Britto, ao condenar José Dirceu como o chefe da “quadrilha dos mensaleiros”. O mensalão foi “um projeto de poder”, “que vai muito além de um quadriênio quadruplicado”. Foi “continuísmo governamental”, “golpe, portanto”. Em outro voto, que postou no site do tribunal dias antes, Britto disse que o mensalão envolveu “crimes em quantidades enlouquecidas”, “volumosas somas de recursos financeiros e interesses conversíveis em pecúnia”, pessoas jurídicas tais como “a União Federal pela sua Câmara dos Deputados, Banco do Brasil-Visanet, Banco Central da República”.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

EM Guarda!



(do blog Impresiones, Espanha)

FERNANDO Haddad abre 17 pontos de vantagem sobre Serra

Serra tem 52% e Haddad 34%, mas de rejeição. Aprovação Haddad tem 60% e Serra 40%.

A DEZ dias do segundo turno das eleições municipais, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, abriu 17 pontos de vantagem em relação ao seu adversário, o tucano José Serra.  

Pesquisa Datafolha finalizada ontem mostra Haddad com 49% das intenções de voto totais contra 32% de Serra. Brancos e nulos somam 10%. Outros 9% dizem que não sabem em quem votar.  

Na conta dos votos válidos (sem brancos e nulos), Haddad tem 60%; Serra, 40%.
O levantamento mostra também que a rejeição ao nome de Serra disparou. Na última pesquisa feita pelo Datafolha antes do primeiro turno, nos dias 5 e 6 deste mês, 42% dos eleitores diziam que não votariam em Serra de jeito nenhum. Agora são 52%.  


É a primeira vez que mais da metade do eleitorado rejeita o tucano. Desde 1992, só dois candidatos a prefeito de São Paulo chegaram ao final da disputa com um índice superior a este. Em 2008, Paulo Maluf (PP) era rejeitado por 59%. Em 2000, Fernando Collor (PRTB) alcançou 62%.  

A pesquisa de ontem mostra que Haddad vence Serra entre os eleitores que votaram em Celso Russomanno (PRB) e Gabriel Chalita (PMDB) no primeiro turno.  

No grupo dos que optaram por Russomanno (21,6% dos votos válidos na primeira etapa), o petista ganha do tucano por 53% a 20%. No grupo dos que foram de Chalita (13,6% dos válidos), vence 50% a 26%. Chalita anunciou apoio a Haddad no segundo turno. Russomanno declarou-se neutro.  

Para chegar a esses resultados, o Datafolha ouviu 2.098 eleitores ontem e anteontem. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.  

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

GLOBO esconde resultado de pesquisa eleitoral em SP que ela própria encomendou

Globo esconde Ibope. Crime eleitoral?


Por Altamiro Borges

 
A PESQUISA Ibope, encomendada pela própria TV Globo, não foi exibida ontem no Jornal Nacional, o principal telejornal da emissora. O que houve? Ali Kamel, diretor de jornalismo do império midiático, não gostou do resultado da sondagem, que aponta o aumento da vantagem do petista Fernando Haddad sobre o tucano José Serra? Mas uma empresa que explora uma concessão pública pode sabotar informações aos telespectadores? Isto não caracteriza crime eleitoral? O que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem a dizer sobre isto?


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

GLOBO dá 6 milhões para Ronaldo emagrecer. Enquanto isso...



MARCO Polo, diretamente do Além

Facebookistão, um lugar para curtir


VISITEI terras e culturas diferentes. Percorri boa parte do Oriente Médio e da Ásia. Travei contato com diversos povos. Fui um dos primeiros ocidentais a percorrer a Rota da Seda, em busca de um tecido que, ao ser rasgado, se transformasse em elogio. Sou cartão platinum em quase todas as companhias. Por isso, posso dizer de cadeira: não há lugar no mundo como o Facebookistão.

Esse país, de paisagem branca e azul, congrega mais de 800 milhões de pessoas. Um em cada 13 habitantes do planeta vive lá. Dentro de suas fronteiras falam-se algo em torno de 70 idiomas. Não incluindo aí o novo léxico pictórico, tipo \o/ , :) , :( etc.

A população é essencialmente linda, bem-sucedida, de gosto refinado, preocupada com a justiça social, o meio ambiente e os animais. É um povo muito receptivo. Cada pessoa tem por volta de 130 amigos. A maioria só convive mesmo com uns 4 desses 130. Mesmo assim estão sempre abertos a novas solicitações, não sem antes olhar o álbum de fotos do pretendente, é claro.

O ambiente é democrático, apesar de ser uma monarquia absoluta. O monarca, de apenas 28 anos, pode não só fazer as leis, como também excluir qualquer pessoa que estiver, inclusive, andando na linha. Em breve, o rei, como muitos outros governantes, venderá a nação para o mercado financeiro através de um IPO.

Nesse estranho país, protesta-se contra reacionários, insensíveis, fofoqueiros, sertanejos, funkeiros, homofóbicos, racistas, corruptos, fúteis, ditadores, mal-educados. O efeito dessas vozes dentro do território é inócuo, uma vez que ninguém lá possui tais defeitos. É muito comum no Facebookistão as pessoas protestarem também contra a falta de privacidade de seus dados. Poucos têm paciência de ler atentamente as cláusulas que regem o uso das informações fornecidas. Estes preferem usar o tempo para relatar publicamente como anda sua digestão ou expor as fotos da operação de fimose.

A principal atividade é a postagem. Todo dia, a população publica mais de 250 milhões de fotos. A cada 20 minutos, 10 milhões de comentários são escritos, 2 milhões de perfis são atualizados e 1 milhão de links são compartilhados. Que trabalho terão os cientistas sociais do futuro.

A moeda de troca é o like. Trocam-se likes por mais likes. O que no fim das contas não faz a economia produzir valor. A não ser para o monarca, que, com esse intenso tráfego de gentilezas, vende com mais facilidade os espaços publicitários aos anunciantes.

Quando conto essas coisas, as pessoas pensam que estou inventando ou que fiquei louco, acham que é mais uma viagem de Marco Polo.

Enfim, se você se interessou em visitar, saiba que, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, entrar para essa comunidade especial é simples. Basta apresentar seu nome, um e-mail e a data de nascimento. Esses dados nem precisam ser verdadeiros. Entrar é facílimo, difícil mesmo é sair. (Blogs do Além)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

MULHER se banha nua na orla do Flamengo, Rio

A cena aconteceu nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (15out.)


Turista toma banho nua na Orla do Flamengo, no Rio de Janeiro, durante o amanhecer. (Foto: Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Turista toma banho nua na Orla do Flamengo, no Rio de Janeiro, durante o amanhecer. (Foto: Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo)
UMA mulher foi flagrada tomando banho nua na orla do bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, durante o amanhecer desta segunda-feira (15). O 2º BPM (Botafogo), responsável pelo patrulhamento no local, informou que não foi avisado sobre o caso. A assessoria da Guarda Municipal afirmou que também não atendeu nenhum chamado sobre o caso de nudez na praia nesta segunda.

Até as 10h, não havia informações sobre registros de ocorrência por parte de pessoas que tenham se sentido ofendidas com o fato na 9ª DP (Catete).
Mulher foi coberta com uma toalha ao sair do mar (Foto: Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Mulher foi coberta com uma toalha ao sair do mar (Foto: Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo)

A VERGONHOSA Privataria Tucana


Se fosse contra o PT!!!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PAULO Rocha a caminho da absolvição

A SESSÃO do STF que julga o item de "lavagem de dinheiro", no processo conhecido por "mensalão", crime pelo qual o ex-deputado Paulo Rocha foi acusado pelo Ministério Público Federal e que o levou a um calvário e a uma derrota eleitoral, quando disputou o cargo de Senador da República, foi suspensa com o placar de  5 x 2 pela inocência de Paulo. Era a vez do ministro Celso Mello votar quando o presidente Aires Brito anunciou que o ministro Gilmar Mendes, ausente da sessão por compromissos importantes, solicitou votar na segunda-feira. O Decano preferiu, então, aguardar o voto de Gilmar para só então votar. 

Assim, faltam apenas três votos: Gilmar Mendes, Aires Brito e Celso Mello para concluir o julgamento do Paulo. Se um deles acompanhar o revisor Ricardo Lewandowski, Paulo Rocha estará absolvido.  

O resultado pela absolvição será justo com a história política de Paulo. Um rapaz humilde, filho de uma família de dezessete filhos,  que veio de Terra Alta, naquela época município de Curuça, para ser aluno interno do Colégio Salesiano do Trabalho. Ali, Paulo estudou e aprendeu a profissão de gráfico, sendo o primeiro profissional a manusear a nova forma de impressão pelo processo off-set, e trabalhou para ajudar a construir a própria Escola. Foi carregando cimento nas costas, que o jovem franzino adquiriu um grave problema de coluna, que o acompanha até hoje, agravando com as tensões nervosas das crises políticas, as vezes o jogando diretamente na cama, sem poder movimentar-se como gosta. Quando Paulo recebeu a noticia do seu indiciamento no processo do mensalão, entrou numa crise de coluna que por pouco não lhe deixa imobilizado para sempre. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

PAULO Moreira Leite: O golpe imaginário de Ayres Britto

CONFESSO que ainda estou chocado com o voto de Ayres Britto, ao condenar oito réus do mensalão, ontem.
O ministro disse: “[O objetivo do esquema era] um projeto de poder quadrienalmente quadruplicado. Projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto”
Denunciar golpes de Estado em curso é um dever de quem tem compromissos com a democracia. 

Denunciar golpes de Estado imaginários é um recurso frequente quando se pretende promover uma ruptura institucional. 

O caso mais recente envolveu Manoel Zelaya, o presidente de Honduras. Em 2009 ele foi arrancado da cama e, ainda de pijama, conduzido de avião para um país vizinho. 

Acusava-se Zelaya de querer dar um golpe para mudar a Constituição e permanecer no poder. Uma denúncia tão fajuta que – graças ao Wikileaks – ficamos sabendo que até a embaixada dos EUA definiu a queda de Zelaya como golpe. Mais tarde, ao reavaliar o que mais convinha a seus interesses de potência,  a Casa Branca mudou de lado e encontrou argumentos para justificar a nova postura, fazendo a clássica conta de chegar para arrumar  fatos e os argumentos. 

Em 31 de março de 64, tivemos um golpe de Estado de verdade, que jogou o país em 21 anos de ditadura. 

O golpe foi preparado pela denúncia permanente de um golpe imaginário, que seria preparado por João Goulart para transformar o país numa “república sindicalista.” Basta reconstituir os passos da conspiração civil-militar para reconhecer: o toque de prontidão do golpismo consistia em denunciar  projetos anti democráticos de Jango.
Considerando antecedentes conhecidos, o voto de Ayres Britto é preocupante porque fora da realidade. 

Vamos afirmar: não há e nunca houve um projeto de golpe no governo Lula. Nem de revolução. Nem de continuísmo chavista. Nem de alteração institucional que pudesse ampliar seus poderes de alguma maneira. 

Lula poderia ter ido as ruas pedir o terceiro mandato. Não foi e não deixou que fossem. Voltou para São Bernardo mas, com uma história maior do que qualquer outro político brasileiro, não o deixam em paz. Essa é a verdade. Temos um ex grande demais para o papel. Isso porque o PT quer extrair dele o que puder de prestígio e popularidade. A oposição quer o contrário. Sabe que sua herança é um obstáculo imenso aos  planos de retorno ao poder.
Ouvido pelo site Consultor Jurídico, o professor Celso Bandeira de Mello, um dos principais advogados brasileiros, deu uma entrevista sobre o mensalão, ainda no começo do processo: 

ConJur — Como o senhor vê o processo do mensalão? 

Celso Antônio Bandeira de Mello − Para ser bem sincero, eu nem sei se o mensalão existe. Porque houve evidentemente um conluio da imprensa para tentar derrubar o presidente Lula na época. Portanto, é possível que o mensalão seja em parte uma criação da imprensa. Eu não estou dizendo que é, mas não posso excluir que não seja. 

Bandeira de Mello é amigo e conselheiro de Lula. Foi ele quem indicou Ayres Britto para o Supremo. A nomeação de Brito – e de Joaquim Barbosa, de Cesar Pelluzzo – ocorreu na mesma época em que Marcos Valério e Delúbio Soares andavam pelo Brasil para, segundo o presidente do Supremo, arrumar dinheiro para o “continuísmo seco, raso.”  

Os partidos políticos podem ter, legitimamente, projetos duradouros de poder. É inevitável, porque poucas ideias boas podem ser feitas em quatro anos. 

Os tucanos de Sérgio Motta queriam ficar 25 anos. Ficaram oito. Lula e Dilma, somados, já garantiram uma permanência de 12. 

Tanto num caso, como em outro, tivemos eleições livres, sob o mais amplo regime de liberdades de nossa história. 

Para quem gosta de exemplos de fora, convém lembrar que até há pouco o padrão, na França, eram governos de 14 anos – em dois mandatos de sete. Nos Estados Unidos, Franklin Roosevelt foi eleito para quatro mandatos consecutivos, iniciando um período em que os democratas passaram 20 anos seguidos na Casa Branca. Os democratas de Bill Clinton poderiam ter ficado 12 anos. Mas a Suprema Corte, com maioria republicana, aproveitou uma denúncia de fraude na Flórida para dar posse a  George W. Bush,  decisão ruinosa que daria origem a uma tragédia de impacto internacional, como todos sabemos. 

O ministro me desculpe mas eu acho que, para  falar do mensalão como parte de  projeto de “continuísmo seco, raso,” é preciso considerar o Brasil  uma grande aldeia de Gabriel Garcia Márquez. Em vez da quinta ou sexta economia do mundo,  jornais, emissoras de TV, bancos poderosos, um empresariado dinâmico, trabalhadores organizados e  100 milhões de eleitores, teríamos de coronéis bigodudos com panças imensas, latifúndios a perder de vista, cidadãos dependentes, morenas lindas e apaixonadas,  capangas de cartucheira. 

No mundo de Garcia Marquez, não há democracia, nem conflito de ideias.  Não há desenvolvimento, apenas estagnação, tédio e miséria. Naquelas aldeias do interior remoto da Colômbia,  homens e mulheres famintos vivem às voltas de um poder único e autoritário. Esmolam favores, promoções, presentes, pois ninguém tem força, autonomia e muito menos coragem para resolver a própria vida.  Desde a infância, todos os cidadãos são ensinados a cortejar o poder, bajular. É seu modo de vida. Como recompensa, recebem esmolas. 

No mensalão de Macondo, seria assim. 

Será esta uma visão adequada do Brasil? 

Em 1954, no processo que levou ao suicídio de Getúlio Vargas, também se falou em golpe.
Com apoio de uma imprensa radicalizada, em campanhas moralistas e denuncias – muitas vezes sem prova – contra o governo, dizia-se que Vargas pretendia permanecer no posto, num golpe continuísta, com apoio do ”movimento de massas.” 

Era por isso, dizia-se, que queria aumentar o salario mínimo em 100%. Embora o mínimo tivesse sido congelado desde 1946, por pressão conservadora sobre o governo Eurico Dutra, a proposta de reajuste era exibida como parte de um plano continuísta para agradar aos pobres – numa versão que parece ter lançado os fundamentos para as campanhas sistemáticas contra o Bolsa-Família, 50 anos depois. 

Embora falasse em mercado interno, desenvolvimento industrial e até tivesse criado a Petrobrás, é claro que Vargas queria apenas, em  aliança com o argentino Juan Domingo Perón (o Hugo Chávez da época?), estabelecer uma comunhão sindicalista na América do Sul e transformar todo mundo em escravo do peleguismo, não é assim? E agora você, leitor, vai ficar surpreso. Um dos grandes conspiradores contra Getúlio Vargas, especialista em denunciar golpes imaginários, foi parar no Supremo. Chegou a presidente, teve direito a um livro luxuoso com uma antologia de suas sentenças. 

Estou falando de Aliomar Baleeiro, jurista que entrou no tribunal em 1965, indicado por Castelo Branco, o primeiro presidente do ciclo militar, e aposentou-se em 1975, o ano em que o jornalista Vladimir Herzog foi morto sob tortura pelo porão da ditadura. 

Baleeiro deixou bons momentos em sua passagem pelo Supremo. Defendeu várias vezes o retorno ao Estado de Direito. 

Chegou a dar um voto a favor de frades dominicanos que faziam parte do círculo de Carlos Marighella, principal líder da luta armada no Brasil. 

A ditadura queria condenar os frades. Baleeiro votou a favor deles. 

Tudo isso é muito digno mas não vamos perder a o fio da história que nos ajuda a ter noção das coisas e aprender com elas. 

Em várias oportunidades, o ministro que faria a defesa do Estado de Direito contribuiu para derrotá-lo. 

O ministro chegou ao STF com uma longa folha de serviços anti democráticos. 

Em 1954, ele era deputado da UDN, aquele partido que reunia a fina flor de um  conservadorismo bom de patrimônio e ruim de votos. 

Um dos oradores mais empenhados no combate a  Getúlio Vargas , Baleeiro foi a tribuna da Câmara para pedir um “golpe preventivo”. (Pode-se  conferir em “Era Vargas — Desenvolvimentismo, Economia e Sociedade,” página 411, UNESP editora.) 

Os adversários de Vargas tentaram a via legal, o impeachment. Tiveram uma derrota clamorosa, como diziam os locutores esportivos de vinte anos atrás:  136 a 35.
Armou-se, então, uma conspiração militar. Alimentada pelo atentado contra Carlos Lacerda, que envolvia pessoas do círculo de Vargas, abriu-se uma pressão que acabaria emparedando o presidente, levado ao suicídio. 

Baleeiro permaneceu na UDN e conspirou contra a campanha de JK, contra a posse de JK e  contra o governo JK.  Sempre com apoio nos jornais, foi um campeão de denúncias. Era aquilo que, mais uma vez com ajuda da mídia, muitos brasileiros pensavam que era o Demóstenes Torres – antes que a verdade do amigo Cachoeira viesse a tona.
Baleeiro estava lá, firme, no golpe que derrubou Jango para combater a subversão e a …corrupção.
Foi logo aproveitado pelo amigo Castelo Branco para integrar o STF. Já havia denuncia de tortura e de assassinatos naqueles anos. Mortos que não foram registrados, feridos que ficaram sem nome. Não foram apurados, apesar do caráter supremo das togas negras.
Entre 1971 e 1973, Baleeiro ocupava a presidência do STF. Nestes dois anos, o porão do regime militar matou 70 pessoas.
Nenhum caso foi investigado nem punido, como se sabe. Nem na época, quando as circunstâncias eram mais difíceis. Nem quarenta anos depois, quando pareciam mais fáceis.
Em 1973, José Dirceu, que pertenceu a mesma organização que Marighella, vivia clandestinamente no Brasil. Morou em Cuba mas retornou para seguir na luta contra o regime militar. Infiltrado no grupo, o inimigo atirou primeiro e todos morreram. Menos Dirceu. Os ossos de muitos levaram anos para serem identificados. Nunca soubemos quem deu a ordem.
Não se apontou, como no mensalão, para quem tinha o domínio do fato para a tortura, as execuções.
Um dos principais líderes do Congresso da UNE, entidade que o regime considerava ilegal, Dirceu foi preso em 1968 e saiu da prisão no ano seguinte. Não foi obra da Justiça, infelizmente, embora estivesse detido pela  tentativa de reorganizar uma entidade que desde os anos 30  era reconhecida pelos universitários como sua voz política.
(Figurões da ditadura, como o pernambucano Marco Maciel, que depois seria vice presidente de FHC, Paulo Egydio Martins, governador de São Paulo no tempo de Geisel, tinham sido dirigentes da UNE, antes de Dirceu).
A Justiça era tão fraca , naquele período, que Dirceu só foi solto  como resultado do sequestro do embaixador Charles Elbrick, trocado por um grupo de presos políticos.  Mas imagine.
Foi preciso que um bando de militantes armados, em sua maioria garotos enlouquecidos com Che Guevara,  cometesse uma ação desse tipo para que  pessoas presas arbitrariamente, sem julgamento, pudessem recuperar a liberdade. Que país era aquele, não? Que Justiça, hein?
Preso no Congresso da UNE, também, Genoíno foi solto e ingressou na guerrilha do Araguaia.
Apanhado e torturado em 1972, Genoíno conseguiu esconder a verdadeira identidade durante dois meses. Estava em Brasília quando a polícia descobriu quem ele era. Foi levado de volta a região da guerrilha e torturado em praça pública, como exemplo.
Ontem a noite, José Dirceu e José Genoíno foram condenados por 8 votos a 2 e 9 votos a 1.
Foi no final da sessão que Ayres Britto falou em “projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto” (Vamos Combinar)

VIVA o povo brasileiro!


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A CONDENAÇÃO de José Dirceu

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

AS ELEIÇÕES deste ano foram marcadas por um crescimento espetacular dos partidos de esquerda, em especial PT, PSB e PCdoB. Até o PSOL fez boa figura, elegendo um prefeito numa cidade pequena do Rio e perigando ganhar, no segundo turno, uma capital brasileira.


Declínio dos partidos da direita:




Ascensão dos partidos de esquerda




É nesse contexto que devemos entender a condenação, sem provas, de José Dirceu. O conservadorismo brasileiro o responsabiliza pela crise que vive. O partido da mídia se vê cada vez mais encurralado por um novo país, mais esperançoso, mais democrático, mais socialista. Não lhe resta outra coisa senão ranger os dentes, rancorosamente, e apelar para o judiciário. É bem mais fácil influenciar 11 juízes, a maioria formada na ideologia dominante – mesmo que tenham vindo de estratos humildes, como é o caso de Joaquim Barbosa -, e sem conhecimento suficiente de política, do que manipular a opinião de 140 milhões de eleitores.

BRENO Altman: Ministros do STF envergonham o Brasil

O STF escreve página de vergonha e arbítrio


POUCAS vezes, no registro das decisões judiciais, assistiu-se a cenas tão nefastas como as do julgamento da ação penal 470, o chamado “mensalão”. A maioria dos ministros da corte suprema, ao contrário do que se passou em outros momentos de nossa história, dessa vez embarcou na violação constitucional sem estar sob a mira das armas. Simplesmente dobrou-se à ditadura da mídia.

A bem da verdade, alguns dos magistrados foram coerentes com sua trajetória. Atiraram-se avidamente à chance de criminalizar dirigentes de esquerda e prestar bons serviços aos setores que representam.

O voto de Gilmar Mendes, por exemplo, transbordava de revanchismo contra o Partido dos Trabalhadores. O ministro Marco Aurélio de Mello, o mesmo que já havia dito, em entrevista, que considerava o golpe de 1964 como um “mal necessário”, seguiu pelo mesmo caminho. Mandaram às favas a análise concreta das provas e testemunhos. Apegaram-se às declarações de Roberto Jefferson para fabricar discurso de rancor ideológico, ainda que disfarçado por filigranas jurídicas. Outros juizes, porém, simplesmente abaixaram a cabeça, acovardados. Balbuciavam convicções sem fatos ou argumentos dignos. A ministra Carmen Lúcia não listou uma única evidência firme contra José Dirceu ou Genoíno, contentando-se com ilações que invertem o ônus da prova. Foi pelo mesmo caminho de Rosa Weber, sempre pontificando sobre a “elasticidade das provas” em julgamentos desse naipe. O papel nobre e honroso de resistência à chacina judicial coube ao ministro Lewandovski, o único a se ater com rigor aos autos, esmiuçando tanto os elementos acusatórios quanto as contraposições da defesa. Teve a companhia claudicante de Dias Toffoli, sempre apresentado pela velha midia como “ex-advogado do PT”, sem que o mesmo tratamento fosse conferido a Mendes, notório aúlico tucano.

MENSAGEM de José Dirceu ao povo brasileiro

NO DIA 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.

Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A VITÓRIA de Chávez


EM CURITIBA, Gustavo Fruet vai ao 2º turno

Fruet: uma grande aliança por Curitiba no 2° turno - Antonio Costa / Agencia de Noticias Gazeta do Povo

MESMO enfrentando uma sórdida campanha de desconstrução, os abusos das máquinas políticas da prefeitura e do governo do estado, as pesquisas escatológicas do Ibope, o candidato da coligação PDT-PT-PV, Gustavo Fruet, passou para o 2° turno. Foi uma escalada sensacional, que deixou de fora o candidato do governador Beto Richa, o atual prefeito Ducci.

Este Blog já no início da semana apontava em sucessivas postagens a reação de Fruet e a queda continuada do candidato situacionista. Os debates na última semana de campanha contribuiram também para o esclarecimento da população. O fator principal, no entanto,  foi o imenso desgaste do prefeito, que gerou uma ampla disposição de mudança no eleitorado curitibano.

O resultado foi o melhor para Curitiba. Fruet é um quadro político preparado e apresentou um programa consistente e realista para governar a cidade. Além disso, a ida de Fruet  para o segundo turno representou uma pesada derrota do bloco político liderado pelo governador Beto Richa. (Milton Alves, Curitiba - PR, Brasil)

URNAS mostram que povo não culpa PT pelo mensalão


Com o voto de Lula Haddad vai ao segundo turno em SP

HÁ dois meses que a direita midiática brasileira divulga uma realidade paralela na qual todos os seus sonhos se materializariam. O primeiro desses sonhos se refere a Lula, que teria perdido influência junto ao povo. O segundo sonho envolve o PT, que estaria em vias de extinção política. E tudo isso estaria ocorrendo devido ao julgamento do mensalão. 

As pesquisas de intenção de voto também vinham sendo cruéis com os petistas por terem mostrado uma realidade paralela que, ao fim do processo eleitoral em primeiro turno, deixou de ser “realidade” e voltou a ser a fantasia que sempre foi. 

Temos, porém, que nos deter nesse capítulo: umas duas dezenas de horas antes de fecharem-se as urnas o instituto Datafolha divulgou quadro sobre a disputa eleitoral em São Paulo que não corroborava a teoria sobre a “morte” do PT que os donos desse instituto, entre outros, vinham alardeando, e idealizava o segundo turno dos sonhos da mídia e do PSDB.
No sábado, horas antes da eleição, o Datafolha afirmava que José Serra e Celso Russomano eram os mais cotados para ir ao segundo turno. Todavia, fechadas as urnas, todos descobriram o que este blog vinha dizendo ser a verdade: o instituto de pesquisas do jornal Folha de São Paulo havia produzido uma realidade em vez de se limitar ao dever de relatá-la.
No Datafolha, durante toda a campanha do primeiro turno, Fernando Haddad nunca ficou em segundo lugar, numericamente. Mas ficou nas urnas, que é o que importa. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

SALVE o 5 de outubro!

Lula e FHC na mesma trincheira

HÁ EXATOS 24 anos eu acordei excitado. Na época - bons tempos... - eu sempre acordava excitado, mas naquele dia a coisa nada tinha de fisiológica. Era 5 de outubro de 1988, data da promulgação da nova Constituição brasileira. Botei um terno e fui para o Congresso, para ver e contar nas páginas do jornal em que eu trabalhava como o Brasil dava mais um passo à frente.

Durante os meses de Assembléia Nacional Constituinte, conheci muito deste país. Vi deputados e senadores de todos os tipos. Catedráticos, analfabetos, fascistas, comunistas, honestos, safados. Vi deputados de direita que passaram fome comendo com sofreguidão no luxuoso e subsidiado restaurante da Câmara. Vi herdeiros de fortunas milionárias lutando contra a injustiça social. Vi neo-nazista reclamando na tribuna que os presos de São Paulo estavam comendo bem demais. Vi um senador que andava sempre cercado de lindas assessoras engavetar criminosamente o projeto que proibiria a pesca da baleia em seu estado, a Paraíba. Milhares delas foram mortas dentro daquela gaveta.


A REVANCHE da direita


Dirceu, Genoíno e a revanche da direita. Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Condenar Dirceu é, sobretudo, condenar o Governo popular e democrático de Lula.

“As condenações de José Dirceu e de José Genoíno vão ser um prêmio para a direita, a revanche dos derrotados, o prazer dos ressentidos, a esperança dos incompetentes e a justiça dos perversos”.



A AÇÃO Penal 470 (“mensalão”) se transformou no único trunfo da direita brasileira, que não tem condições de ganhar as eleições no campo democrático e eleitoral. O “mensalão”, conforme os autos, não teve comprovada sua existência como mesada paga continuamente, mensalmente a parlamentares, bem como não foram comprovadas, de forma alguma, quaisquer relações de José Dirceu com o empresário Marcos Valério — considerado pela PGR como gerente do mensalão — e com os bancos BMG e Rural.

As condenações de José Dirceu e de José Genoíno vão acontecer por causa das condições políticas, jurídicas e publicitárias que deram ao caso “mensalão”. Apesar de os trabalhistas terem vencido três eleições presidenciais (2002-2006-2010), o “mensalão”, de 2004 com forte repercussão em 2005, tinha a finalidade de derrubar o presidente Lula do poder e se transformou, nos anos vindouros, na única possibilidade plausível e factível para os tucanos e o sistema midiático privado fazerem frente a um presidente popular da expressão de Lula.
O operário, o nordestino que desceu para São Paulo em um pau-de-arara deixou o poder com 84% de aprovação, sendo que 10% dos entrevistados pelas pesquisas consideraram seu governo regular, o que significa aprovação, e somente 6% (a imprensa burguesa, seus leitores fiéis e os tucanos) julgou o governo Lula como ruim ou péssimo, mas, contudo, sem abrir mão de comprar carros, apartamentos, viajar ou fazer, com facilidade, empréstimos no Banco do Brasil, ou seja, sem abrir mão do bolsa-dinheiro-rápido-e-na-mão. Lula saiu com índices de aprovação maiores do que os do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, quando o sul-africano deixou a presidência. 

Joaquim não gosta de ser contestado e o revisor Lewandowisk, para ele, não pode revisar.
Genoíno é a revanche da direita derrotada nas urnas contra aqueles que pegaram em armas.

EIS a grande diferença entre estes ministros


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

RONALD Reagan, diretamente do Além

Se eu não entendi nada, imagine o Bush
 
 
COMO um bom ex-presidente, cheio de tempo livre e saudade do poder, resolvi me meter em assuntos para os quais não fui chamado. Aposentadoria com holofotes dá nisso. E o tema da vez são as próximas eleições no Brasil. Me deu vontade de saber que candidatos, um republicano e anticomunista convicto, como eu, deveria apoiar. Na época da ditadura, essa decisão era automática, simples. Aliás, nem eleições havia. Mas agora os tempos são outros, o quadro é múltiplo, tal resposta exige um pouco de pesquisa.

Por isso, lá fui eu pra internet. Minha primeira providência foi conferir que alianças o PR, Partido Republicano, costurou em cada estado. Achei que ali encontraria a resposta. Que nada, tive de montar uma tabela no Excel para concluir que o PR apoia ou é apoiado por quase todos os grandes partidos. A saber: PMDB, PSDB, DEM, PDT, PT e PSB (Partido Socialista Brasileiro). Portanto, descartei essa opção. Durante a pesquisa, descobri que o PR não era o que eu estava procurando. Me inteirei de que a versão mais próxima do que seria o Partido Republicano Americano no Brasil é o Partido dos Democratas. Mas com esse nome disgusting não há como apoiá-los.

Então desisti de tentar entender o quadro de alianças regionais. Selecionar governadores ficou muito complicado. Me resignei a escolher só o candidato a presidente. Para fazer essa análise, desta vez, abandonei os partidos e parti para as pessoalidades. Fui atrás dos políticos históricos e confiáveis. Pensei: o apoio deles determinará o meu. O nó ficou maior. Não entendi nada quando li que Collor e Sarney apoiam a candidata do PT e que Jarbas Vasconcellos, Maluf e Quércia estão com o candidato do PSDB. Minha turma está dividida.

Entenda, para nós americanos, branco é branco, preto é preto, Michael é Michael e a Lady Gaga é a Lady Gaga. Não suportamos indefinições. Meu último recurso foi assistir ao debate dos candidatos a presidente da República na televisão. E lá, finalmente, encontrei meu eleito. Todos pareciam muito semelhantes em seus discursos. Porém, havia um candidato velhinho que destoava. Ele não teve medo de emitir suas posições estúpidas de forma clara e inequívoca. Não era exatamente o que eu queria. Mas se ele ganhar, talvez volte a Guerra Fria. (Ronald Reagan às vésperas das eleições de 2010, Blog do Além)

FERNANDO Henrique comprou reeleição e o STF não viu nada



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A TESE do STF sobre a compra de votos de parlamentares



O diabo no meio do mensalão


Do O Cafezinho
Miguel do Rosário


O DIABO existe? A pergunta é falsamente ingênua, porque esconde uma dúvida metafísica muito complexa sobre a existência ou não do mal. Riobaldo, o protagonista de Grande Sertão, acha que todos os sábios do mundo deveriam se reunir para decidirem, de uma vez por todas, se há ou não um capeta assombrando o mundo.

A mídia brasileira encontrou, nos ministros do Supremo Tribunal Federal, os sábios que faltaram à Riobaldo: sete juízes entenderam que sim, que o diabo existe, ou seja, que o mensalão foi compra de voto de parlamentares.

A Procuradoria, as CPIs e toda a mídia brasileira, passaram quase sete anos à procura de um testemunha ou prova consistente que afirmasse a tese da compra de voto. Centenas – talvez milhares – de pessoas foram interrogadas, entrevistadas, devassadas, e todos asseguraram que não, que não houve venda de voto. Não importa. A nossa democracia agora é governada por sete sábios. São eles que dão a palavra final. 

O STF produziu uma armadilha para si mesmo, e entrou nela. Desde o início dos debates, muita gente via, estarrecida, que os ministros enveredavam por uma trilha perigosíssima, ao estabelecerem que não havia necessidade de provas ou “atos de ofício” para condenarem os réus. Então, quando todos achavam que o festival de arbitrariedades havia atingido o clímax, eis que ele piora, e o ministros, constrangidos pela dificuldade em condenar sem “ato de ofício”, decidem que o ato de votar é o crime final do parlamentar envolvido no escândalo do mensalão.

Os ministros, no afã de demonstrar a existência do Dito-Cujo, trouxeram-no para dentro do tribunal. Em algum momento dos debates, veremos um redemoinho de papéis num canto do salão. É ele mesmo, o Sem-Nome, rindo-se dos juízes, da imprensa, de nós todos.

Outrora dizia-se que ainda havia juízes em Berlim. Grande ironia da história! Quando a democracia desaba, encontra-se um ou dois juízes tentando salvá-la. Quando a democracia chega a seu momento mais pujante, eis a maioria dos juízes disputando quem a violenta primeiro.

Por sorte ainda temos Wanderley Guilherme, e Blaise Pascal. O primeiro nos lembra o óbvio: que todo acordo eleitoral implica em convergência política. Quando dois partidos fazem um acordo, não é para “inaugurar retratos” nas respectivas sedes. Consegue-se o apoio de uma legenda com o fim de que seus parlamentares concretizem essa parceria na forma de votos. E apoio político, numa democracia altamente concorrencial e capitalista como a brasileira, implica, necessariamente, em acordos eleitorais envolvendo despesas de campanha. Criminalizar isso é criminalizar a própria democracia. É glorificar a hipocrisia. 

Se o mensalão foi compra de votos, ou seja, se o governo comprou a consciência dos políticos, então a reeleição de Fernando Henrique Cardoso foi o quê? A própria Constituição de 1988 teria sido “comprada”?  Sim, porque não é sensato pensar que os parlamentares que a promulgaram não receberam dinheiro para tocar suas respectivas campanhas, sendo que boa parte desses recursos, provavelmente, não foi contabilizada. A sabatina de cada ministro do STF também não foi objeto de comércio ilegal? Como o STF pode saber, aliás, qual exatamente foi o voto comprado? Um parlamentar pode receber dinheiro hoje por um voto que já deu na semana anterior. Pode receber adiantado para votar daqui a um mês. Ou seja, até a “coincidência” da datas, que os juízes estão ridiculamente usando como indício de crime, não significa absolutamente nada!

O que os ministros estão fazendo, para o deleite da mídia conservadora, é criminalizar a política brasileira. O discurso de Celso Mello, ontem, representou uma agressão insuportável aos valores democráticos e à nossa própria soberania. Foi um discurso de golpe, com o qual se poderia justificar qualquer violência contra o sufrágio popular. Todos os preconceitos que emergiram com a vitória de Lula voltaram a se manifestar, com força total, nos recentes discursos desses magistrados. Por que não agiram com ira similar quando o réu era Daniel Dantas, um dos maiores corruptores de políticos de que se tem notícia?

Pascal, por sua vez, lembra-nos que “nada é justo em si” e que “nada é tão falível como essas leis que reparam as faltas: quem lhes obedece, porque são justas, obedece à justiça que imagina, mas não à essência da lei, que está encerrada em si: é lei e nada mais”.

Celso Mello e seus colegas deveriam reler Pascal antes de se arvorarem paladinos da justiça, da ética e da moralidade. Não porque não sejam éticos e justos, mas porque esses temas pertencem à esfera da pesquisa filosófica, e mesmo assim, objetos de infinitas controvérsias. Quando entra em jogo a política, então, nos deparamos com uma quantidade de areia muito superior ao caminhãozinho dos juízes.

Não questiono o saber jurídico dos excelentíssimos, mas que se atenham a examinar os autos, que para isso pagamos-lhes os salários. Deixem as interpretações arbitrárias sobre o fazer político para seus momentos de lazer. (Luís Nassif)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

RATINHO e SBT condenados a pagar R$ 311 mil a Falcão


EX-JOGADOR Falcão ganhou ação por danos morais de apresentador do SBT (Reprodução)O apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, e o canal SBT terão que pagar indenização de R$ 311 mil (equivalente a 500 salários mínimos) por dano moral ao ex-jogador de futebol Paulo Roberto Falcão, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O Programa do Ratinho apresentou entrevista na qual a ex-mulher de Falcão o acusava de sequestrar o filho do casal, trazendo-o de forma irregular dos Estados Unidos para o Brasil.

Na sentença do caso, o tribunal considerou a matéria da atração do SBT vexatória e sensacionalista, causando constrangimento público ao ex-comentarista da TV Globo.

Segundo a ministra Nancy Andrighi, ficou claro que "o apresentador conduziu a entrevista de forma tendenciosa, de modo a, no mínimo, potencializar as acusações apresentadas pela entrevistada, transformando a matéria num espetáculo, um show, explorando indevidamente a intimidade do autor, apontando-o como pai que não se importa com o filho, insuflando-o a fazer acordo com a mãe de seu filho".

Inicialmente, Ratinho e a emissora haviam sido condenados em primeira instância ao pagamento de R$ 1 milhão, além de divulgação do resultado do julgamento no programa. Os réus recorreram e conseguiram a redução da pena, porém o STJ manteve a condenação. (Yahoo!)