domingo, 13 de outubro de 2013

FUTEBOL: Qual é a maior torcida do Pará?

Isso eu já sabia!


Por Vinícius Paiva 

UMA das principais controvérsias envolvendo a construção das arenas da Copa do Mundo reside na escolha da representante para o Norte do Brasil. Manaus, com vocação turística e encravada no coração da Floresta Amazônica, foi selecionada. Mas muitos alegam que o legado (na figura de um imponente estádio) deveria colocar a vocação esportiva acima do turismo. São as vozes que defendiam Belém como a melhor opção. Ao menos no tocante à paixão e à existência de fortes torcidas locais, os adeptos desta corrente estavam cobertos de razão. É com inenarrável satisfação que apresentamos mais um resultado da parceria do Blog Teoria dos Jogos com o Instituto GPP: eis os números do Pará, importante reduto futebolístico brasileiro, até então desconhecido quanto à sua configuração de torcidas:
Fig-012 (1)
Remo é o segundo no coração dos paraenses, ficando depois do Flamengo - RJ
A existência de clubes locais parece não ser barreira para a avassaladora presença da torcida do Flamengo no Norte do Brasil. O rubro-negro lidera as preferências paraenses com 26,9% da população total, quase o dobro do segundo colocado. Se é que se pode falar em “segundo colocado” mediante o incrível empate técnico envolvendo Remo (14,5%) e Paissandu (14%). O Corinthians mostra força (9,7%) ao deixar para trás a tradicional torcida do Vasco da Gama (6,3%). E o São Paulo (4,6%) se vê representado, junto a Palmeiras(3,4%), Santos (1,8%) e Botafogo (1,7%).

O percentual atingido pela dupla Re-Pa é um oásis em termos de Região Norte. O único paralelo se daria em estados nordestinos com clubes locais fortes, como Pernambuco e Ceará. E mais: considerando os quase 8 milhões de habitantes estimados para o estado em 2013 (dados do IBGE), significa que Remo e Paissandu possuem mais de um milhão de torcedores cada. Patamar possivelmente superado apenas por Sport e Bahia em todo o Norte-Nordeste. Um verdadeiro colosso.
Agora, uma novidade: a divisão dos números entre Belém e o interior do Pará:
Fig-022
Tanto na RMB como interior, Clube do Remo está na frente do Paysandú
A região metropolitana, como não poderia deixar de ser, é o principal reduto de Remo (30,5%) e Paissandu (27,8%). Mas não significa que ambos desapareçam no interior, pelo contrário. Marcando respectivamente, 8,2% e 8,6%, a dupla da capital denota ascendência nada desprezível sobre a população do estado. O interior, a propósito, é amplamente flamenguista (33,9%). Se dependesse da força rubro-negra em Belém, o Flamengo se sairia mal. Por lá, Nação apresenta o mesmo tamanho da Fiel corintiana (9,6%), torcida que apresenta incrível estabilidade na distribuição capital-interior. Outro que se salva no interior é o Vasco, já que todos os paulistas o superam em Belém. Destaque final para a ausência de citações à Tuna Luso, tradicional equipe paraense.
Fig-03

Praticamente todas as torcidas crescem em meio aos homens, menos a do Corinthians – situação recorrente nas pesquisas publicadas em 2013. Outra recorrência é o crescimento corintiano entre jovens: o clube sai de míseros 1,8% em idade avançada para 17,4% abaixo de 24 anos. Neste patamar, apenas o Flamengo oferece resistência: embora de maneira menos vigorosa, o rubro-negro também cresce a 33,2%. Remo e Paissandu se enfraquecem – especialmente o Papão, que dominava o Pará no passado (38,9% acima de 60 anos). Ao caírem para níveis inferiores a 8%, os locais perdem espaço para os ascendentes Vasco, São Paulo e Palmeiras.

Por nível de instrução e renda:
Fig-04

Fig-05

Remo e Paissandu colam no Flamengo entre pessoas com maior nível de instrução. A torcida do Santos também avança à medida com que aumentam os anos de estudo. Por renda, o Flamengo amplia a liderança entre os que auferem mais de 5 salários mínimos, em direção oposta à maior parte da concorrência.

Diante do exposto, é incrível a penúria em que vivem os clubes do Pará – especialmente o Remo, excluído até da Série D do Brasileirão. A falta de visibilidade faz com que estes clubes angariem patrocínios na casa dos R$ 100 mil mensais, equivalentes a equipes de menor expressão no Rio ou em São Paulo. A demanda reprimida remista – quase sem partidas oficiais no segundo semestre – levou nada menos que 23.294 torcedores ao Mangueirão numa partida sub-20 contra o Flamengo, há apenas duas semanas. Na ocasião, o médico do Flamengo prestou atendimento a um atleta do Remo pois não havia médicos no quadro de funcionários do azulino. A solução de tantos problemas deveria passar, inequivocamente, pela enorme paixão alimentada pelos paraenses ao futebol. (Blog Teoria dos Jogos e Gerson Nogueira)


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