segunda-feira, 17 de março de 2014

MIGUEL Pinho, o cartola do Paysandú que operou esquemas de suborno

O crime perfeito

DESDE de quando me entendi por gente e passei a interessar-me por futebol que eu ouço falar em compra de arbitragem, suborno de jogadores ou treinadores, e coisas desse tipo.

No Pará, quem é torcedor do Paysandú acusa os dirigentes do Remo de comprar resultados ou coisas como apagar as luzes do estádio, interrompendo um jogo em que seu time está perdendo; por outro lado, quem é do Remo, acusa o pessoal do Paysandú de fazer e acontecer para que o resultado final de uma partida de futebol, principalmente aquela final de campeonato, lhe seja favorável.


Quem roubou quem?

É uma discussão que não tem fim, mas nunca ninguém provou nada contra este ou aquele, pois a corrupção não passa recibo. É igual àquele ditado: "Não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem".

Eu era pequeno ainda, lá com os meus 10 anos de idade, e já se comentava aqui e acolá que os resultados de futebol nem sempre aconteciam dentro das quatro linhas. Como remista, sempre ouvia de remistas acusações de que o Paysandú tinha 'roubado' isto ou aquilo.

Pois bem. Essa dúvida caiu por terra em novembro de 2003, quando Miguel Alexandre Pinho (fotos), em entrevista na antiga "Mais TV", de Belém - Pará, revelou sem nenhum melindre que participou de vários esquemas de suborno visando favorecer o seu clube, o Paysandú Sport Clube. Participou desse programa televisivo o jornalista Carlos Ferreira, de "O Liberal", que está aí, vivinho da silva, para confirmar tudo. Outros personagens citados, como o preparador de goleiros Mário Fernando, também estão vivos.

Mas eu duvido muito que ele algum dia venha a se pronunciar, se procurado a falar sobre o assunto. Quanto aos demais ex-presidentes e ex-diretores do Paysandú, se procurados, certamente negarão tudo, dizendo apenas que era tudo brincadeira do falecido, um folclórico e notócio contraventor penal, conhecido também pela sua vaidade, pois dizia aos quatro ventos que "eu compro a minha vaidade", aludindo ao fato de que ele punha dinheiro no Paysandú, tendo direito de mandar e ter seu nome estampado nos jornais.





Mas está aí tudo registrado no jornal, para quem quiser ler.

Jornal O Liberal (Belém - PA), edição do dia 12 de novembro de 2003,  "Cartola revela esquema de suborno". 


"Durante muito tempo, as pessoas suspeitavam e chegavam a comentar em mesa de bar, mas não havia confirmação. Agora é diferente. De forma surpreendente e estarrecedora, Miguel Alexandre Pinho, ex-presidente, grande benemérito e integrante da diretoria de futebol do Paysandú em vários mandatos, confirmou que o clube bicolor subornou árbitros para o Campeonato Paraense de 2000 e os campeonatos brasileiros da segunda divisão de 1991 e 2001.

Na Série B do Brasileiro de 1991, o Papão era presidido por Asdrúbal Bentes, Miguel Pinho era o vice-presidente de futebol e Antônio Carlos Nunes de Lima, hoje presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF), o diretor de futebol. Em 2000, o clube alvi-azul era presidido por Joaquim  Ramos, mas quem dava as cartas no futebol profissional era o presidente do conselho deliberativo, Arthur Tourinho. Em 2001, Arthur Tourinho presidia o Papão e também comandava diretamente o futebol profissional.

Miguel Pinho disse ao colunista Carlos Ferreira, de O Liberal, que participou da entrevista concedida pelo cartola na Mais TV, que o árbitro envolvido no "esquema do Parazão 2000" foi Wagner Tardelli, que dirigiu a decisão contra o Castanhal.

O cartola acrescentou ter havido esquema também para beneficiar o Paysandú no clássico contra o Remo, que precisava vencer por dois gols e ganhou por 1 x 0, mas teve um gol legítimo de Robinho anulado pelo bandeirinha, que era vizinho do jogador bicolor Da Silva, em São Paulo.

O ex-presidente do Paysandú disse ainda que "ninguém é santo" no futebol, e desconhece um clube que nunca tenha se beneficiado de esquema de bastidores - suborno a árbitros, jogadores e treinadores de equipes adversárias. "Não basta você formar um time competitivo. Para ser campeão você tem que fazer esquema. E o torcedor quer saber é do título. Não interessa o que aconteceu", justificou Miguel Pinho.

O ex-presidente do Paysandú se incluiu entre os cartolas que praticavam suborno. Ele revelou que tentou subornar Mário Fernando, ex-goleiro do Paysandú, Remo e Tuna, quando o jogador atuava por um time pequeno (Sport Belém ou Pinheirense), mas não teve êxito. Segundo Pinho, Mário Fernando não quis conversa.

Sobre os dois títulos da Série B conquistados pelo Paysandú em 1991 e 2001, Miguel Pinho afirmou com todas as letras que o clube bicolor se beneficiou de fortes esquemas. Citou o árbitro baiano Manoel Serapião Filho, referindo-se a ele como "Serapapão". Serapião foi o árbitro do jogo entre Paysandú e ABC de Natal, no qual caiu o muro do estádio Leônidas Castro, que fica para a travessa Curuzu, e da final, contra o Guarani, no Mangueirão.

No jogo contra o ABC, Serapião realmente "fez chover". Anulou um gol legalíssimo do ABC, marcado por Rildon, e, de quebra, permitiu que o jogo chegasse ao final sem o mínimo de segurança. "Existem dois tipos de torcida, a pacífica e a aguerrida. A do Paysandú é pacífica", justificou Serapião, para dar continuidade à partida, vencida pelo Paysandú por 3 a 1. O ABC era comandado pelo técnico Givanildo Oliveira, hoje no Remo.

No título paraense conquistado sobre o Castanhal, Miguel Pinho foi mais direto ao se referir a Wagner Tardelli. Disse que o árbitro carioca entrou no esquema montado para o primeiro jogo da decisão do Parazão, contra o Castanhal. O Papão venceu por 1 x 0 com um de pênalti nos acréscimos. No lance seguinte Edil quase empatou, carimbando a trave. Tardelli teria dito a Miguel que, se fosse gol, ele teria anulado.

O ex-cartola bicolor prosseguiu assegurando que o Paysandú continuou se beneficiando das arbitragens de Wagner Tardelli. E que ele, Miguel, foi quem colocou o árbitro carioca na vida do Papão"

Site do ABC de Natal, "O Crime Perfeito do Papão":


"Em 1991, o ABC foi eliminado pelo Paysandú num jogo cheio de irregularidades, em Belém/PA, na Curuzu.

Prescrito o crime (12 anos depois), vem à tona a verdade. Mas agora é tarde. Juristas e policiais afirmam que não existe "crime perfeito". Enganam-se. Quando se unem autoridades corruptas e corruptores competentes, esse crime pode aparecer.

Podem passar mil anos, mas a torcida do ABC jamais irá esquecer a derrota sofrida para o Paysandú nas quartas-de-final da segunda divisão de 1991 e do juiz baiano Manoel Serapião Filho, acusado de ter prejudicado o time natalense na ocasião. Mas o tempo se encarregou  de repor a verdade sobre a podridão existente nos bastidores do futebol brasileiro, doze anos depois daquele fatídico cinco de maio, o ex-presidente do Papão, Miguel Pinho, veio a público e confirmou que seu clube foi beneficiado por esquema com a arbitragem, do qual Serapião era o principal envolvido.

As declarações de Miguel Pinho, dadas ao jornal "O Liberal" caíram como uma bomba e, além de comprovar que o honesto geralmente sai perdendo dentro do futebol, deu a certeza da má vontade com que os membros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tratam as reivindicações e os protestos dos clubes potiguares. O ABC, historicamente, tem sido a principal vítima da "madrasta" CBF, mostrando que na hora da queda de braços, o lado mais fraco nunca vence.

De nada valeram os protestos da diretoria abecedista que, na época, era comandada pelo empresário Eudo Laranjeiras. Mesmo com as imagens de TV e fotos mostrando as precárias condições de segurança no estádio da Curuzu, o alçapão do Papão, que teve uma parte do alambrado derrubada pela torcida e dos grosseiros "erros" de arbitragem cometidos por Serapião, o Tribunal Especial da CBF, na época presidido por César Pinto Palhares, fez vistas grossas ao protesto dos potiguares e tratou de ir cozinhando o ABC em banho-maria. A casa do futebol tinha como presidente em exercício Alfredo Nunes, que viu o jogo no alçapão da Curuzu.

Apesar do restante dos jogos do Paysandú terem sido realizados sub-júdice, o final da história mostrou que os trabalhos de bastidores foram bem realizados. Pois nem o Papão foi punido e o árbitro Manoel Serapião também ganhou como prêmio da comissão de arbitragem o direito de apitar a final, realizada entre Paysandú x Guarani.

Na ocasião, Givanildo Oliveira, que treinava o ABC, protestava dizendo uma frase que mais parecia uma premonição do que estava por vir: Aí mais uma aberração daquelas cometidas pelo árbitro que não será punida. Amanhã ele estará novamente apitando, cometendo suas barbaridades e prejudicando o trabalho honesto dos outros."

Com as declarações do ex-presidente Miguel Pinho, o que parecia ser mais uma daquelas coincidências do futebol, hoje faz muita gente pensar na montagem de um esquema de bastidores bem maior, até porque algumas perguntas são difíceis de responder. Como um árbitro, que teve um trabalho contestado num jogo de quartas-de-final, é escalado para apitar uma final de campeonato? Se o fato de Manoel Serapião ter expulsado cinco jogadores do Guarani no jogo final, gerava apenas alguma desconfiança, uma vez que "errar é humano", o que dizer agora, depois do desmascaramento do esquema?"

(fonte: Site do ABC de Natal)


Pois é. O leitor comum, que não está acostumado às vicissitudes do futebol brasileiro, deve estar horrorizado ao ler estas palavras. Não aqueles que, como eu, sabem que infelizmente essas mumunhas são até bastante comuns num esporte apaixonante como o futebol. E não é de hoje, mas de décadas atrás até hoje.

Eu mesmo em 2007 presenciei um jogo suspeito. Nesse campeonato, o Remo estava em primeiro, seguido do Ananindeua, que era o segundo e seguia bem de perto o time azulino, fazendo uma grande campanha. Nesse mesmo campeonato, o Paysandú corria o risco de não se classificar para a fase seguinte; pior, poderia ficar entre os dois últimos, que ficariam para disputar a chamada 'segundinha', espécie de segunda divisão do campeonato. Esse jogo contra o Ananindeua era decisivo para o Paysandú; teria de ganhar para não correr riscos. Fui ver o jogo, e logo de início vi que algo não estava bem naquela partida. O árbitro era um conhecido por ser simpático ao Paysandú, chamado por muitos pelo nome formado por um dia da semana no grau aumentativo. Não, não era o árbitro que estava no esquema. Ele apitou direitinho. Eram os jogadores do Ananindeua, se era só um, dois ou três, eu não sei, só sei que aquele time foi irreconhecível, perdendo o jogo para o Paysandú por 6 a 1. Uma comédia. Ora, em condições normais o Ananindeua daquele ano jamais perderia esse jogo, quando muito empataria, e acabou sendo goleado daquela forma. Para o leitor ter ideia, o time do Paysandú estava tão ruim nesse ano, que na série C de 2007 não passou da fase inicial, e em seis jogos apenas empatou um, perdendo os outros cinco. Fez apenas um ponto, ficando em 62º lugar de 64 clubes participantes.


Para não perder ou para ganhar, vale qualquer coisa. Até cachorro. Pois isso também aconteceu. Em um dos clássicos entre Remo e Paysandú deste ano de 2014, ocorrido no dia 16 de fevereiro, alguém soltou uma cadela que invadiu o campo de jogo num lance em que o Remo atacava com perigo real de gol. Se sem a cadela, o atacante Ratinho, do Remo, faria aquele gol não se sabe, mas o fato é que alguém liberou o animal com a intenção de atrapalhar a jogada de ataque.
Cadela atrapalhou a finalização do atacante remista Ratinho 
(fonte: Internet)

Incrível!

Sabe aquele jogo em que você foi ao estádio, pegando um ônibus lotado, com sol ou chuva, fila para entrar e tudo mais? E no final o seu time perdeu aquela decisão em circunstâncias que você achou estranhas? Houve pênalti duvidoso marcado contra, houve pênalti claro não marcado a favor do seu time, ou ainda um jogador não se empenhou muito em dar combate àquele atacante adversário que marcou o gol da vitória, ou até mesmo um jogador que forçou uma falta grave para receber cartão vermelho. Tudo é possível. Seu time perdeu o campeonato, perdeu dinheiro, perdeu prestígio, e os torcedores contrários vão tirar sarro de você pela vida inteira. Só prejuízo.

Pois é. O resultado pode ter sido arranjado pelos "miguéis pinhos" da vida, e você passou por otário.


E não adianta processar nem pedir o dinheiro do ingresso de volta, tampouco o time beneficiado será obrigado a devolver o troféu.   Um crime perfeito. 


Ver também:
http://forum.futgol.com.br/forum_posts.asp?TID=6209&title=suborno-wgner-tardelli-fora-da-final e
http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-160165-ETERNA+RECLAMACAO+DE+CLUBES+GANHOU+REFORCO.html)

12 comentários:

  1. EIS o que comentei hoje, 21mar.2014, no blogue do Gerson Nogueira (Belém - Pa):

    "De olho nas manchetes dos jornais, amigo Rocildo e demais azulinos deste blogue democrático. Prestem bem atenção.

    Ontem o Stf condenou, sem mais nenhuma apelação, a pena de prisão de 3 anos e 1 mês, o cabeça do grande esquema de suborno e compra de títulos ocorrido em Belém no dia 05 de maio de 1991, quando o finado contraventor Miguel Pinho comprou o resultado do jogo de Manoel “Serapapão” Filho. Na ocasião Serapião filho, descaradamente e filhadaputamente, não validou um gol legal de Rildon, o mesmo que quando jogava no Remo ficou conhecido como o carrasco do bicola tanto era a quantia de gols que marcou contra o listrado.
    Tudo indica que a cartolagem da Cbf estava mancomunada com tal patifaria, visto que o ‘honrado’ cidadão baiano, também chamado pelo próprio subornante de “Serapapão”, foi premiado com a arbitragem também da final entre Psc x Guarani. É o que se depreende da leitura que se faz de matéria publicada no jornal Tribuna do Norte (Natal – RN), postada no site do ABC, que, por sua vez, é reproduzida no BLOGUE do Valentim.

    Ademais, em razão da queda do muro da mucuruzu, razão suficiente para, por falta de segurança, a arbitragem interromper a peleja, tal qual como aconteceu em 1993,desta vez contra o Remo, que ganhava de 1 a 0, gol de Biro Biro, o dito senhor Manoel Serapião houve por bem prosseguir a partida, vez que o placar desta era favorável às pretensões de seu cliente, o Paysandú S. Club.
    Ora, o deputado que foi condenado ontem pelo STF era o presidente do time de curuzu, e Miguel Alexandre Pinho era seu vice-presidente, além de o atual e eterno presidente da Fpf ser o diretor de futebol.

    E se alguém se doer com estas declarações, que vá processar O Liberal, a Tribuna do Norte, o portal Futebol do Norte, e o próprio STF, que condenou em última instância o companheiro de Miguel Pinho e de Nunes naquela ocasião.

    Está registrado."

    ResponderExcluir
  2. Valentim, responda. Qual o motivo de tanto ódio do ex-presidente bicolor ? Algum problema pessoal envolvendo você e o Miguel Pinho?
    (Pergunta feita em um blogue de esportes para mim por Gil, de Gênova, Itália).

    Minha resposta:

    40. Antonio Valentim | 21 de março de 2014 às 17:44

    Em consideração ao torcedor listrado que, pelas indicações no nickname, mora na Itália, vou aqui gastar meu latim dizendo o que todos que acompanham futebol paraense já há alguns anos conhecem bem. Ora, que coisas como falta de ética, falta de humildade, bravataria, patifaria, velhacaria, exploração de jogatina, não são privilégio do Brasil, tampouco do Pará.
    O comentarista que mora justamente na Itália, cujo histórico nesse metier é por demais conhecido, fazendo até parte do folclore da terra dos césares. Quando se fala em máfia, logo se lembra da Itália, cujas ‘famiglias’ Hollywood imortalizou na mente de tanta gente.

    Considero que o ilustre comentarista seja uma pessoa honesta, tranquila, trabalhadora, ou seja, o amigo é pessoa do bem, como se costuma dizer hoje em dia. É pena que não sei da idade do amigo, porquanto se tem menos de 30 anos ainda caminha na fase da inocência relativa, mormente quando se precisa rememorar fatos ocorridos há 23 anos e que vinham ocorrendo há mais tempo que isso, sem que ninguém fosse punido ou ao menos se soubesse.

    Em defesa da prática desonesta, é possível ao amigo ou a qualquer bicolor dizer que isso também tenha ocorrido no Remo em um jogo ou outro, ou numa decisão de competição ou outra. É possível, é o que eu digo e nesta idade em que me encontro não posso ser ingênuo em dizer que mazelas só existem nas outras pessoas e não nas próximas da nossa família, ou, no caso, do nosso clube de coração.

    continua...

    ResponderExcluir
  3. ...
    Muita gente diz que Manoel Ribeiro tinha por hábito mandar cortar a energia elétrica do estádio ou coisas do gênero. Eu pergunto: onde está escrito? Quem prova? Rumores, boatos, disse-me-disse, isso ocorre a todo instante contra mim, contra ti, contra esta ou aquela pessoa ou instituição.
    Se realmente existiu isso, eu não concordo e nem me vanglorio pelo mal feito. Torço para o Remo ganhar, porém ganhar de forma honesta, com ética, lutando. Ficarei muito envergonhado se descobrir esta ou aquela manobra com o fito de o meu time ganhar sem méritos, em desfavor de outros com mais méritos.

    Bem diferente é o caso do contraventor falecido, já por mim deveras mencionado. Além de, por si mesmo, as atividades ilegais do falecido serem de conhecimento público. O dito era um contraventor, ou seja, alguém que praticava atos ilícitos com o jogo do bicho, explorando a boa-fé de pessoas simples, que acreditavam em ganhar um dinheiro fácil, coisa que a gente sabe não existir. Dinheiro fácil só com meios ilícitos, à margem da lei onde o falecido bicolor se encontrava. Ora, mas o mais ingênuos podem dizer que “ele era gente boa, não fazia mau a ninguém”. Engano, porquanto não se pode sobreviver nessa atividade ilícita se não levar malas de dinheiro e subornar autoridades, delegados de polícia, policiais militares e, quem sabe, até mesmo magistrados.
    Não vou nem dizer muito sobre outros ilícitos ou até mesmo crimes que, durante essa atividade, o mesmo tenha mandado executar. Tudo é possível, visto estarem certamente muitos sob seu soldo de forma que quem quisesse denunciar seria um homem morto.

    continua...

    ResponderExcluir
  4. ...
    Além do mais me causa ojeriza ouvir no rádio, jornais e até na tevê repórteres o entrevistando, lhe dando importância, ainda que todos sabendo ser um contraventor, alguém cujos crimes muitos podem ignorar, porém Deus, que sabe tudo, não ignora. O homem se sentia importante, dizendo mesmo a um outro radialista – que por sinal não tem também muita ética – coisas como “eu pago pela minha vaidade, sendo presidente do Paysandú”, ou então “se eu ponho dinheiro no Paysandú, eu mando”. É particularmente ridículo um radialista – ou dublê de radialista, pois tem padrinho forte – dizer idiotices como “lisos, abandonem o futebol”. O que é isso se não bajular os endinheirados, não interessando a forma como conseguiram formar patrimônio.

    Mas não é isso só. Tudo isso apenas para chover no molhado, dizer coisas que são do domínio público. Os bicolores evitam o nome dele, quando normalmente deveriam exaltá-lo publicamente, porque sabem de tudo isso; ficam com vergonha. Têm razão; eu também ficaria.
    Há outros que ainda estão aí, silentes. Ontem mesmo um deles, por outra razão e até mais séria vez que o homem usava de métodos ilegais para se manter no poder, foi pego pela lei. Ele estava lá em 1991 quando o contraventor, seu vice-presidente, subornou o árbitro da contenda, o baiano Serapião Filho. Eu vi na televisão esse jogo, e o homem fez chover a favor do Paysandú, e o ABC não tinha a menor chance de sair da mucuruzu classificado.
    Pois bem, além deste cuja prisão foi decretada ontem pelo STF, há ainda outro, que na época era diretor de futebol do Psc, e hoje está na Fpf (não de hoje, há não sei quantos mandatos). A gangue ainda está viva.
    Sabendo da impunidade em que vivia, pois se sentia poderoso, fazendo e acontecendo a quem ousasse contrariá-lo, o contraventor foi à televisão, canal Mais TV, e, de peito aberto, disse o que fez em 1991, o que fez em 2000, garfando o Remo e o Castanhal – um deles seria o campeão de 2000, e o que foi feito em 2001, já na gestão de A. Tourinho, aquele que faliu a Sudam para beneficiar o Paysandú, e claro a si mesmo, ele que não era besta.
    Creio que o tempo do programa era curto e não teve tempo para o contraventor contar outras peripécias.
    “Eu faço e aconteço, fiz e aconteci, subornei, manobrei, fabriquei resultados, e ninguém vai fazer nada comigo”, era o que pensava o finado, de tão acostumado a reinar sem ser importunado por ninguém. Quem era louco de mexer com um homem desses? Ao contrário, era paparicado pelos jornais, rádios e tevê.
    Diferente era para os outros, presidente – que ontem foi condenado por outro crime – diretor de futebol, que vem se perpetuando na Federação Paraense de Futebol.

    Então, caro amigo bicolor, o que acha? Se eu, que me considero ético, honesto, trabalhador, devo concordar com alguém assim, então estou sendo fraco eticamente. Vou achar que alguém assim deve estar no futebol, que mantém o emprego de tanta gente?
    Minha obrigação é combater, denunciar, escrever, mas não me conformar com gente assim.

    Pense bem se eu não tenho razão. E ciao!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Valentim, concordo com tudo. Parabéns pelo blog

      Excluir
  5. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  6. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  7. faça-me o favor, divulgue esquema de corrupção do caso petrobras na compra do empreendimento em pasadena e outras falcatruas do PTralhas, que são de maior relevância pra sociedade....dor de cotovelo é foda bando de chorões abestados... futebol não é a coisa mais importante do mundo bando de imbecil....

    ResponderExcluir
  8. Calma, amigos anônimos. A verdade dói.

    ResponderExcluir
  9. a verdade é que seu time é incompetente pra ganhar um título, não se esqueça que os antigos presidente até, e atualmente, eram todos bandos de safados e corruptos que sugaram a leoa e por isso vcs estão nessa lama, mas isso não era/é realidade de só de vcs não. Disso tenho certeza.

    ResponderExcluir
  10. Se fosse esquema e suborno você acha que a CBF ou a FIFA iria deixar impune ? Logo um time do norte do brasil , francamente por isso seu time esta onde está.

    ResponderExcluir

OBRIGADO por comentar e volte sempre ao BLOGUE do Valentim!