segunda-feira, 24 de março de 2014

MUTRETAS, gatunagens e armações no futebol paraense (1ª parte)

Miguel A. Pinho
HÁ MAIS coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia, disse há alguns séculos  o dramaturgo inglês William Shakespeare.

Quem tem acompanhado o que venho postando no BLOGUEdoValentim recentemente, tem notado as matérias lá registradas sobre um grande corruptor do futebol paraense, talvez até do futebol brasileiro, vez que suas armações ultrapassaram as fronteiras do futebol paraense. 

Os esquemas de corrupção perpetrados no futebol pelo falecido contraventor Miguel Alexandre Pinho, ex vice-presidente do Paysandú em 1991, também prejudicaram outros clubes brasileiros, consequentemente seus jogadores, funcionários e toda sua massa torcedora. Pontualmente, isso ficou claro em 1991, na segunda divisão do campeonato brasileiro de futebol, numa partida contra o ABC de Natal, naquele fatídico 5 de maio no estádio da Curuzu. Essa armação grotesca indiretamente prejudicou os demais adversários, que cruzaram o caminho do Paysandú, até o jogo final contra o Guarani de Campinas, no Mangueirão. 

A ladroagem não só atingia os rivais paraenses, portanto.

Coitado do ABC. Sem o saber, já entrou em campo desclassificado, vez que o resultado da partida já se sabia de antemão. O Paysandú ganharia pela diferença de dois gols, de uma forma ou de outra.


O resultado desse jogo de futebol gerou uma empolgação e euforia digna de uma final de Copa do Mundo nos torcedores do Paysandú, ao passo que ensejou comentários desairosos dos torcedores rivais, mormente os do Clube do Remo, arquirrival do time alviceleste, tamanhos foram os fatos estranhos praticados. E tinha tudo para ser mais um desses jogos suspeitos, comentados aqui e acolá, mas que ao final tudo teria virado meramente folclore futebolístico, já que ninguém pode provar que a arbitragem favoreceu de forma deliberada uma equipe, em prejuízo da outra, mesmo tendo havido erros flagrantemente absurdos. Errar é humano, é o que diz o ditado popular, e o árbitro é um ser humano sujeito às imperfeições próprias do homem. Onde alguém vê um penal, ele viu apenas uma jogada viril; onde alguém vê razões para um jogador levar cartão vermelho, ele nem falta enxergou; onde notaram jogada faltosa do jogador de um time, ele viu o contrário, invertendo a marcação. E assim por diante.

O mediador da contenda, senhor Manoel Serapião Filho, da Federação Baiana de Futebol, que arbitrou naquela data o jogo, ficou jocosamente conhecido como "Serapapão", alcunha que a torcida do Remo deu curso por mera gozação aos rivais. Daquele episódio jamais se esquecem os torcedores azulinos, que viveram aquela época.

Tudo folclore, então? Não. Desta vez foi diferente.

De forma surpreendente e estarrecedora - é como está no jornal -, o suborno ao árbitro foi confessado abertamente pelo próprio corruptor em programa de televisão de 11 de novembro de 2003, com a presença do jornalista de O Liberal, Carlos Ferreira. O teor da entrevista foi noticiado na edição do dia seguinte no periódico paraense, e hoje circula livremente na internet, ao alcance de um clique.  Portanto, o fato é de domínio público.

Os casos de corrupção envolvendo o Paysandú não ficaram restritos a 1991, 2000 e 2001, como dá a entender o próprio Miguel Pinho. Ficou famoso em todo o território nacional um caso no campeonato brasileiro de 2002, por exemplo, em que o Internacional de Porto Alegre, ameaçado de queda para a Série B, "comprou" a vitória contra a equipe do Paysandú, quando jogou em Belém (em 17nov.2002) , e com isso prejudicado um outro clube - a memória não me deixa dizer, mas é fácil, bastando ir aos arquivos da época disponíveis na internet -, que foi rebaixado para a série B no lugar do time gaúcho. Azar deste último, e nada se pode fazer, ainda que alguém venha a público, como fez o cartola bicolor, confessar o mal feito.

Em um blogue especializado em esportes, cujo titular é um jornalista ligado ao periódico Diário do Pará (Belém -PA), alguém me fez a seguinte pergunta: "Valentim, por que tanto ódio que você tem de Miguel Pinho?". 

É claro que não tenho ódio pessoal a ninguém. Sou católico praticante e, como tal, procuro seguir os ordenamentos do Senhor Jesus, que disse "Amai os vossos inimigos". Não é o caso, portanto, de odiar esta ou aquela pessoa. Se, quando vivo, Pinho acaso me estendesse a mão, cumprimentando-me cordialmente, eu não negaria. Muito menos lhe viraria o rosto, demonstrando desprezo. Jamais.

Jesus de Nazaré somente amou a todos, a ponto de morrer crucificado. No entanto, o Divino Mestre, por amar a todos, principalmente os pobres e oprimidos, jamais se omitiu diante das injustiças praticadas pelos poderosos de sua época. Sim, o bom Jesus batia forte, denunciando fariseus, mestres da lei, escribas, saduceus, que, usando do poder, oprimiam o povo, explorando os mais fracos em nome de uma falsa religião. 

Esse exemplo de Jesus nos mostra que não nos é lícita a omissão. E eu não me omito diante disso, e, se reunisse as condições para tal, faria até publicar um livro a respeito da vida desse contraventor paraense, para que as futuras gerações jamais se esquecessem de seus mal feitos, distanciando-se de tais condutas nefastas.

Pois bem. Voltemos ao nosso personagem Miguel Pinho e companhia limitada.

Na época da velhacaria praticada na segunda divisão daquele ano, o presidente do clube alviceleste paraense era o hoje deputado Asdrúbal Bentes, recentemente condenado de forma inapelável pelo Supremo Tribunal Federal a três anos e um mês de prisão. Isso não é segredo para ninguém, tampouco trata-se aqui de calúnia, difamação ou coisas assim da parte deste blogueiro. Os dois fatos - ser presidente do Paysandú na época e a sua condenação pelo STF - são verídicos e de pleno domínio público.
Deputado Asdrúbal Bentes

Também fazia parte da diretoria do Paysandú o atual presidente da Federação Paraense de Futebol, o coronel de polícia reformado Antônio Carlos Nunes de Lima, que era diretor de futebol do clube bicolor. É fato notório que esse senhor vem se perpetuando no comando da FPF, reelegendo-se continuamente com os votos das ligas de futebol do interior e de clubes amadores, sendo geralmente vencidos os votos de clubes populares, que de fato sustentam o futebol paraense.

Vamos a alguns fatos:

(Continua...)  

2 comentários:

  1. Valentim, o pior que eles querem comparar toda essa história suja com a nossa. Um time sustentado há anos pelo jogo do bicho e corrupção. Postava na voz da galera mas devido a baixaria acabei saindo. Um abraço.

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  2. De fato, amigo, como você possivelmente venha acompanhando, venho postando outras sujeiras, desse contraventor e de outros, como o ex-presidente Artur Tourinho, indivíduo que faliu a Sudam para lavar o dinheiro no Paysandú, e que,além de tantas coisas, era bem relacionado com o assassino Chico Ferreira.
    Asdrúbal Bentes, presidente em 1991, quando Pinho subornou o Serapapão, é outra flor que não se cheira, tendo sido agora condenado por compra de votos.
    Nunes, conselheiro do PSC, e eterno presidente da Federação, é outro.
    Não vamos nem falar em Geraldo Rabelo, Augusto Morback, e outros.

    Continue prestigiando o nosso blogue, caro amigo.

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