quarta-feira, 26 de março de 2014

PAYSANDÚ se vendeu para o Internacional em 2002, disse Artur Tourinho




O PAYSANDÚ viveu, entre os anos de 2001 e 2005, talvez o período de maior conquista ao longo de seus 98 anos de história. À época, o time paraense era presidido por Artur Tourinho, um economista amapaense que elegeu Belém para residir e se apaixonou pelo Papão da Curuzu. Foram anos inesquecíveis para o torcedor bicolor, que viu o time se sagrar Campeão Brasileiro da Série B, do Norte e dos Campeões, o que lhe rendeu uma vaga na Copa Libertadores de 2003.


Contudo, quase dez anos depois de deixar o clube, o ex-presidente aceitou conversar com a reportagem do Globoesporte.com para falar de um assunto polêmico: a suspeita de que quatro jogadores do Paysandú teriam se vendido para um empresário ligado ao Internacional na partida válida pela última rodada do Campeonato Brasileiro 2002 que, caso fosse vencida pelos paraenses, culminaria com o rebaixamento da equipe gaúcha para a Série B do campeonato nacional, um feito histórico no futebol.



– Suspeito sim que quatro jogadores do Paysandu se venderam. Provas eu não tenho e, tampouco, citarei nomes, mas suspeito que isso tenha acontecido naquela partida contra o Inter em Belém, no dia 17 de novembro de 2002 – revelou Tourinho que, hoje, preside um órgão público ligado ao Governo do Estado do Pará e está afastado das funções futebolísticas desde que deixou o comando bicolor em 2005.




De acordo com o ex-presidente, os atletas do Paysandú foram assediados ainda durante a semana do jogo, no dia 14 de novembro, uma quinta-feira, quando empresários ligados ao Internacional mantiveram contato com os jogadores paraenses e, supostamente, teriam os incentivado a fazer “corpo mole” para com isso levarem uma boa quantia em dinheiro, valor que o cartola afirma não ter conhecimento exato. 


'Suspeito que quatro se venderam em 2002', disse Tourinho . Após a partida contra o clube gaúcho, Artur Tourinho chegou a confrontar um dos jogadores, mas foi contido pelo técnico Hélio dos Anjos




– Tive informações de fontes seguras que os jogadores estiveram reunidos com os empresários durante um almoço. Mas digo: ninguém do Inter me ligou. Por conta disso, no dia seguinte, fui conversar com um de nossos patrocinadores e consegui um valor de R$ 50 mil para premiar os atletas pela vitória. Juntei aos 50 mil reais mais 20 do caixa do próprio Paysandú e, duas horas antes da partida, fui ao vestiário e comuniquei o ‘bicho’ em caso de vitória – lembrou.

Questionado sobre os momentos, durante a partida, que o levaram a ter ainda mais certeza de que os atletas estariam “vendidos”, Tourinho afirmou que não foi difícil perceber lances individuais comprometedores e, ainda, a falta de vontade em algumas jogadas. O dirigente revelou também que, cinco minutos antes do apito final, desceu até os vestiários do Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, e na chegada dos atletas acabou se desentendendo com um dos jogadores que teve sua atuação questionada.

– Eu desci antes do fim do jogo, mesmo sob o pedido de minha esposa para que ficasse na cabine, pois estava muito nervoso. No vestiário, fui para cima do primeiro que encontrei, mas o Hélio dos Anjos (então treinador do Paysandu) me segurou. Depois disso, o desentendimento foi geral nos vestiários, mas bastava assistir ao tape e perceber – lembrou o dirigente que não pensa em voltar ao clube para exercer função administrativa.


Campanha bicolor em 2002


Em 2002, o Campeonato Brasileiro da Série A era disputado por 26 equipes, sendo classificadas as oito primeiras. Naquele ano, o Santos, da dupla e Robinho e Diego, conquistou a classificação na última rodada e, de quebra, o título do Brasileirão. O Paysandu terminou a competição em 20º lugar, com 29 pontos, sendo nove vitórias, dois empates e 14 derrotas. Já Internacional encerrou sua participação em 21º.

Veja quem entrou em campo:


Paysandu: Marcão; Marcos, Sérgio, Gino e Souza; Vanderson, Sandro Goiano, Velber e Jobson (Clayson Rato); Vandick e Zé Augusto (Albertinho). Técnico: Hélio dos Anjos. // Internacional: Clemer; Chris, Vinicius, Luiz Alberto e Chiquinho; Claiton (Duílio) Alexandre, Cleiton Xavier e Cleitão; Fernando Baiano e Mahicon Librelato (Fabiano). Técnico: Cláudio Duarte.

Gols: Fernando Baiano, aos 8 do segundo tempo, e Mahicon Librelato, aos 11 da etapa complementar. (Globo Esporte)



Ex-dirigente do Paysandu reacende polêmica após quase descenso do Inter.  José Artur Guedes Tourinho garantiu que quatro jogadores se venderam antes do jogo



"QUATRO jogadores do Paysandu se venderam. Não tenho provas e, por isso, não vou citar nomes, mas é certo que aconteceu." Assim, o ex-presidente do clube paraense fala, pela primeira vez, sobre os rumores que cercaram a partida daquele 17 de novembro de 2002. José Artur Guedes Tourinho hoje está afastado do futebol e ocupa a presidência da Junta Comercial de Belém. Na época, presidia o Paysandu. "É a lei da oferta e da procura. A torcida não aceita que um clube do tamanho do Inter caia", observa.

Tourinho revela detalhes de como tudo teria acontecido. Segundo ele, o assédio começou na quinta-feira que antecedeu a partida, quando os primeiros contatos de pessoas ligadas ao Inter ocorreram. No dia seguinte, prevendo que a oferta também chegaria aos jogadores, Tourinho procurou um contraveneno: uma premiação extra para vitória, não para derrota. Buscou junto à Amazônia Celular um bicho extra de R$ 50 mil para dividir entre os atletas. "Na sexta-feira à noite, peguei os R$ 50 mil, juntei com mais R$ 20 mil do caixa do Paysandu e fui para o hotel da concentração. Reuni o grupo, olhei na cara de cada um e disse: "Tem alguém que quer se vender aqui?". Ninguém confirmou. Então, disse que daria os R$ 70 mil para o time ganhar do Inter. O rebaixamento do Inter seria uma notícia mundial, e todo mundo ganharia, inclusive o patrocinador", afirma ele.

Mas o plano teria dado errado. "Os quatro jogadores tiveram uma reunião com um empresário no sábado, véspera da partida. Foi no almoço. Acho que foi ali que acertaram tudo", lembra. Hoje, o empresário citado encontra-se preso em Belém acusado de duplo homicídio.

O ex-presidente do Paysandu conta que, depois do jogo, foi até o vestiário sob um chuva de moedas atiradas pela revoltada torcida. Chegando lá, conta que perdeu a razão e tentou agredir um dos "vendidos". "Fui para cima dele. Mas o pessoal separou", conta. Segundo Tourinho, houve também um sério desentendimento dos quatro atletas com o resto do grupo. Afinal, segundo a versão do dirigente, os quatro receberam uma bolada, enquanto que os outros nem os R$ 70 mil puderam amealhar. (Correio do Povo, Porto Alegre)   


Pois sim. Para mim, essa história não está bem contada. 

Não era difícil identificar esses quatro jogadores que entregaram o jogo para o Inter. Bastava essa tal "fonte segura" dizer.


Ora, a reunião (almoço) foi em local público e jogador de futebol do Paysandú (ou do Remo) em Belém é figura por demais conhecida, ainda mais em final de temporada. Logo, a mesma pessoa que denunciou a reunião ao então presidente do Paysandú ("tive informações seguras" e "Os quatro jogadores tiveram uma reunião com um empresário no sábado, véspera da partida. Foi no almoço".) teria como dizer a Tourinho o nome de cada um desses quatro jogadores. Provavelmente tenha dito, vez que certamente era torcedor do clube.


Então, cabia a Tourinho tão-somente afastá-los do time, não correndo o risco de o Paysandú perder (entregar) a partida. Por que não o fez?


Não, eu não acredito nisso.  O Paysandú estava tranquilo, já livre de rebaixamento, porém sem nenhuma condição de se classificar para a fase seguinte. Um pouco mais de dinheiro não ia fazer mal a ninguém. Já o Inter caía pelas tabelas, necessitando desesperadamente daquela vitória para escapar do rebaixamento para a série B no ano seguinte ("A torcida não aceita que um clube do tamanho do Inter caia"). Artur Tourinho tinha como afastar os quatro jogadores vendidos, mas não o fez. Por quê?

O tempo é senhor da razão. Tourinho, apesar de em suas gestões à frente do Paysandú, ter dado a melhor fase ao clube em toda a sua história, foi  em dezembro de 2007 eliminado do quadro de sócios (expulso) por conta de diversas irregularidades. Algumas dessas irregularidades foi transferência de valores do clube para a empresa de sua esposa e para o empresário Chico Ferreira, o mesmo que foi visto em reunião com os quatro jogadores que se venderam em 2002, e que agora se encontra preso, cumprindo pena de 80 anos de reclusão, por duplo homicídio. Além disso, descobriram que Tourinho desviou dinheiro conseguido com a negociação de, pelo menos, três jogadores.


O costume do cachimbo deixa a boca torta.


Shakespeare tinha razão: existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia. E isso se aplica muito bem ao futebol paraense. 


É a minha opinião, com base nos fatos e nas evidências. Mas toda a verdade só Deus conhece.

5 comentários:

  1. Timinho SUJO,,td q conseguiu foi na MARACUTAIA!

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    1. Obrigado pelo comentário e continue a visitar o BLOGUE do Valentim.

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  2. Para botar pimenta nesse tempero:
    http://m.diarioonline.com.br/esporte/para/noticia-246674-.html

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  3. Esse time é só maracutaia!

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