sexta-feira, 4 de abril de 2014

EM FUTEBOL há muitas coincidências

QUEM acompanhou a última rodada do campeonato brasileiro de futebol da primeira divisão de 2013 estava vendo algo inusitado, a ocorrer no ano seguinte. Dois clubes grandes, dois clubes cariocas, iriam disputar, simultaneamente, pela primeira vez a segunda divisão brasileira em 2014. Esses clubes eram Vasco e Fluminense.

Como ficariam as transmissões esportivas da Rede Globo de Televisão, só com Flamengo e Botafogo? Como todos sabem, nas tardes de domingo a Rede Bandeirantes costuma transmitir os jogos dos times paulistas, enquanto a Globo transmite as partidas dos times do Rio de Janeiro.

Para o Fluminense a coisa ficaria mais feia, vez que o dono de um patrocínio milionário, que lhe permitiu formar um plantel milionário, era pela terceira vez rebaixado da primeira divisão. Na última vez que isso ocorreu, a CBF resolveu promover uma grande virada de mesa, inventando um torneio chamado Copa João Havellange, justamente o nome de um grande tricolor, que lhe permitiu sair da terceira divisão diretamente para a primeira divisão. Uma senhora virada de mesa.



A última rodada do campeonato então indicava que novamente o Fluminense e sua imensa torcida teriam o desgosto de voltar às divisões inferiores do futebol brasileiro, acompanhado de outro carioca, o Vasco da Gama. Para delírio de seus arquirrivais, os rubro-negros.

Mero engano.
Mal se passaram alguns dias, e eis que a torcida brasileira é surpreendida com a Portuguesa de Desportos sendo apenada com perda de quatro pontos que viriam a lhe impor o rebaixamento tão indesejado, contra o qual a equipe lusitana paulista tanto lutou em campo. O pivô dessa história, como todos sabem, foi a escalação do jogador Héverton, hoje jogando pelo Paysandú Sport Club. Como muitos sabem, o jogador na sexta-feira (6 de dezembro de 2013) anterior ao jogo de domingo fora apenado com a suspensão de dois jogos, com um já cumprido. Portanto, não deveria ter sido escalado nessa fatídica última rodada.

Toda essa história, desde o seu início, me cheira muito mal.

De início, a Portuguesa em sua defesa declarou que ninguém lhe informou da punição dada a seu atleta, nem ao menos sabendo se haveria julgamento. Ninguém sabia, nem o advogado do clube, nem um diretor, nem o técnico que o escalou, tampouco o próprio atleta.

Consultado, o advogado contratado pela Portuguesa para defender o atleta, Osvaldo Sestário Filho, declarou ter notificado por telefone ao advogado da equipe paulista, Valdir Rocha, sobre a pena decretada ao atleta pelo STJD. Este, por sua vez, nega veementemente ter sido informado por Sestário sobre a condenação do atleta em questão.

Em princípio, todos teriam comido mosca. Ninguém na Portuguesa sabia se na sexta-feira, dia 06 de dezembro, ia haver julgamento desse atleta. Consequentemente, se não iria haver julgamento, o atleta estaria liberado para jogar, ficando à disposição do treinador para escalá-lo na partida de domingo, 08 de dezembro, contra o Grêmio.

Julgamento houve, mas, segundo a equipe prejudicada, esta não foi notificada por quem de direito. De outro lado, Sestário jura ter informado ao advogado paulista sobre a condenação do atleta Héverton, inclusive mostrando contas telefônicas que demonstram ter telefonado mais uma vez ao ao seu colega paulista.

Durma-se com um barulho desses. A Portuguesa sabia ou não sabia? O advogado teria ou não teria informado de que Héverton tinha sido suspenso por dois jogos?

Alguém aí está mentindo.

Para mim, particularmente me soa bastante estranho que um clube profissional de gabarito tenha vindo a comer mosca num caso assim. Não, custa-me muito a crer que haja incompetentes aí, ou mesmo inocentes.

Como eu disse antes, seria muito penoso para as torcidas, além de, principalmente, haver grandes prejuízos financeiros para muitos, caso o Fluminense - como se já não bastasse o Vasco da Gama - viesse a disputar a segunda divisão.

Para a Portuguesa, um time que não é tão popular quanto um Corinthians, Palmeiras ou São Paulo, não seria uma tragédia tão grande assim ter de disputar a segundona, onde o clube até está acostumado. 
Há algo de muito estranho nessa história toda.

Fica até estranho ao próprio atleta, alguém já relativamente maduro, com os seus 28 anos de idade, não estar atento ao que se passa em relação ao seu interesse.


Vamos então a algumas coincidências relacionadas ao fato:

O Paysandú contrata o atleta Héverton.

No início do ano visitou o Pará o presidente da CBF, José Maria Marin, que antes havia sido convidado à posse de Antônio Carlos Nunes de Lima como presidente da FPF. Não pôde ir antes por questões de saúde, indo a Belém somente um pouco depois.

A CBF altera a tabela inicial da Copa Verde, pondo o Paysandú para jogar contra adversários mais fracos (Náutico de Roraima), enquanto seu adversário o Remo passaria a jogar contra o Paragominas, diferentemente da tabela inicialmente divulgada.

Já agora em abril, a Portuguesa estava pretensa a desistir da ação na justiça comum para permanecer na primeira divisão, ao contrário do que decretou o STJD.

Héverton anuncia sua aposentadoria do futebol, alegando perseguição ao seu nome, desilusão com esporte e coisas assim. Isto aos 28 anos de idade, muito jovem ainda para deixar de jogar bola.

Aí a Portuguesa decide entrar na justiça comum, ao contrário do que se tinha dito antes.

Então, Héverton volta atrás e diz a  aposentadoria anunciada foi um mal-entendido.

Há algo mais no ar além de aviões de carreira. Um dia a verdade verdadeira virá à tona. Tudo é, por enquanto, apenas coincidência.


Leia mais:

http://espn.uol.com.br/noticia/400517_depois-de-anuncio-de-aposentadoria-heverton-diz-que-pode-voltar-atras
http://globoesporte.globo.com/pa/noticia/2014/01/paysandu-contrata-meia-heverton-pivo-do-caso-fluminense-x-lusa.html
http://globoesporte.globo.com/pa/noticia/2014/01/jose-maria-marin-presidente-da-cbf-visita-belem-nesta-terca-feira.html
http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/bastidores-fc/post/caso-heverton-advogado-mostra-fax-e-conta-telefonica-e-lusa-rebate.html

http://www.superesportes.com.br/app/1,168/2014/01/27/noticia_futebol_nacional,274905/promotor-ve-indicios-de-propina-dentro-da-portuguesa-sobre-o-caso-heverton.shtml

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