terça-feira, 27 de maio de 2014

BARÃO de Mauá, diretamente do Além

A caminho da fundição


ANDO muito preocupado com a situação das coisas. Em um ano eleitoral e com a persistente crise mundial, acho muito importante pensar nos milhares de mauazinhos que estão perdidos por aí, tentando iniciar seu negócio próprio. Conheço as dificuldades desse mundo, fui empreendedor durante o período no Brasil Império, época que o empreendedorismo não desfrutava do prestigio que tem hoje. Criei, por exemplo, a Companhia Fluminense de Transporte. Sem apoio da Unimed e sem apelar para o STJD.


Por isso, li com atenção o tão comentado livro "Capital in the Twenty-First Century", do francês Thomas Piketty. Esse livro está recebendo grande destaque porque nele o autor, com apoio de uma nova metodologia, revela que estamos retornando ao século XIX em termos de desigualdade de renda (eu diria que em muitas outras coisas, mas isso é outro assunto). E vai além: afirma que estamos voltando ao estágio do "capitalismo patrimonial", no qual a economia é dominada não por indivíduos talentosos, mas sim por dinastias familiares. É como se o mundo empresarial fosse, de repente, tomado por uma geração de Fiuks e Wanessas.

Acontece, porém, que nem todo mundo consegue entender esse ponto. Eu que vim de origem humilde, tive que batalhar muito para conquistar meu espaço no mercado e acabei me tornando um dos grandes símbolos do empreendedorismo brasileiro. Eu e a Luiza do Magazine, claro. Enquanto muitos, como nós, se dedicaram ao trabalho árduo em busca do sucesso, há também, hoje em dia, muitos ricos defensores da meritocracia que nunca nem suaram umas três gotinhas. Para muitos desses, o maior mérito da vida foi ter sido um espermatozoide vencedor e nascido na família certa. 

Sei que vocês podem estar me achando alarmista demais. Mas é impossível não ter medo pela possibilidade de tamanha regressão. Nós nem chegamos a instalar um capitalismo efetivo no Brasil e já estão falando em ociosidade e do estabelecimento de oligarquias de riqueza hereditária. Ao que parece, tudo tende a ficar estagnado. Quem é rico vai permanecer rico e quem é pobre vai permanecer sonhando com a tal da mobilidade social. Que hoje, pelo menos, pode ser minimamente experimentada nas redes sociais: você pode se mover de uma pra outra. (Irineu Evangelista de Sousa, no Blog do Além)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

OBRIGADO por comentar e volte sempre ao BLOGUE do Valentim!