quarta-feira, 14 de maio de 2014

DANILO, um grande herói brasileiro (1ª parte)

Danilo e seus irmãos Nero Moura (FAB) e Osmar Moura (EB)

DANILO Marques Moura era filho de Gilberto Moura e de Maria Emília Marques Moura. Foi  piloto de combate, nome de guerra "Danilo" tendo ido para a Guerra como Aspirante Aviador da Reserva Convocado; treinou no Panamá, Suffolk e Itália com o 1º GAvCa da Força Aérea Brasileira. Em 28 de outubro de 1944 foi promovido ao posto de 2º Tenente.

Segundo Brigadeiro Rui Moreira Lima no seu livro "Senta a Pua!" ... "Danilo Marques Moura foi, no 1º Grupo de Aviação de Caça, um dos exemplos mais vivos do que pode o homem fazer quando tem vontade, perseverança, coragem, esperteza e, sobretudo, patriotismo."




Danilo fez ginásio em Porto Alegre (RS), Colégio Rosário, se sobressaindo na turma pelo bom senso, bom humor e rapidez ao tomar decisões. Por influência do irmão Nero Moura, oficial dos mais distintos da antiga aviação de Exército, mais tarde comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça e Ministro da Aeronáutica na nova FAB, resolveu ser aviador. O irmão lhe financiou o curso no Aeroclube do Rio Grande do Sul e, em meados de 1941, recebia o brevet de piloto civil. Nesse ano mudou-se para o Rio, empregando-se no Ministério da Agricultura, onde assumiu o comando de uma aeronave de aerofotogrametria.

Em 1942, Danilo deixou o emprego e ingressou no CPOR Aer - Centro de Preparação de Oficiais da Reserva da Aeronáutica, embarcando para Phoenix, Arizona, onde foi aprimorar o curso de pilotagem iniciado no Rio Grande do Sul. Na nova escola de pilotagem voou teco-teco Piper Cub, fazendo o "Civilian Pilot Training", completando, assim, seu curso de piloto civil. De Phoenix partiu, em março, para Cheyenne, Wyoming, em que realizou o aprendizado de voo por instrumentos no avião tipo Waco, terminando o curso com êxito em novembro do mesmo ano.

Com a entrada do Brasil na guerra, a FAB fez gestões junto ao governo dos Estados Unidos, conseguindo que os pilotos que ali se encontravam fizessem um curso militar, com vistas a prepará-los para entrar em ação, se preciso fosse. Essa foi a grande oportunidade do Danilo. Mudou-se para Randolph Field.

Regressou ao Brasil após o curso, sendo convocado como aspirante-aviador e designado para servir na Seção de Aviões de Comando do Gabinete do Ministro. A unidade era comandada diretamente por seu irmão, major Nero Moura. Mais tarde ingressou como voluntário no 1º Grupo de Aviação de Caça com o posto de 2º tenente-aviador, sendo ele quem conduziu a primeira turma de sargentos para o Panamá, organizando, em Albrook Field, junto com os americanos, a recepção das novas turmas que chegavam.

Seus pais eram agricultores, grandes plantadores de arroz em Cachoeira do Sul (RS). Tiveram cinco filhos, sendo Danilo o caçula da família. Talvez por influência dos velhos foi o que mais tempo ficou na fazenda, o que muito lhe ajudou durante sua passagem entre camponeses italianos, quando empreendeu sua longa viagem de volta.

Recebeu as  condecorações Cruz de Sangue, Cruz de Aviação Fita A, Air Medal (EUA), Campanha da Itália, Presidential Unit Citation (EUA).




Foi piloto de combate da esquadrilha verde, acumulando a função de chefe da garagem, tendo realizado 11 missões de guerra. Sua primeira missão foi em 19 de novembro de 1944.


Ao cumprir sua 11ª missão, em 04 de fevereiro de 1945, foi abatido pela artilharia anti-aérea inimiga a sudoeste da cidade de Treviso, Itália, saltou de pára-quedas a baixíssima altura, tendo tocado o solo segundos após a abertura de seu pára-quedas. Caiu sentado e na violência do impacto mordeu sua língua provocando dificuldades para falar. Foi socorrido e escondido por simpatizantes. Cansado da vida de esconderijo, resolveu tentar regressar as linhas amigas, contrariando todas as instruções quanto à fuga. Não obstante, conseguiu retornar às linhas amigas andando a pé e de bicicleta, mais de 340 Km, utilizando a luz do dia e as estradas principais. 
Sua história tem sido narrada muitas vezes em livros e revistas (inclusive por este blogueiro). Ao retornar para Pisa, continuou na sua função de chefe da garagem, porém, não pode efetuar mais nenhuma missão de guerra, pois caso fosse novamente abatido e tomado prisioneiro, poderia ser considerado pelo inimigo como sendo um espião e certamente seria executado.



Um piloto brasileiro atrás das linhas inimigas


ENTRE os gaúchos do 1º Grupo de Caça na Itália, havia um todo especial. Um tipo diferente, ímpar por suas atitudes e reações, completamente despido de maldade, simplório na sua maneira de ser, sem inibições. Enfim, uma figura simpática, apesar de sua barba espessa, que azulava ao sol e parecia estar sempre por fazer. Embora muita gente não concorde comigo, era inteligente e vivo, mas recusava-se terminantemente a pensar durante muito ou mesmo pouco tempo, falando, por isso, de um modo todo peculiar, o que o tornou muito popular entre os fazedores de anedotas, que por sinal, foram muitas a seu respeito. Usava o dialeto gaúcho com perfeição, e até mesmo exagerava, diziam muitos… Tudo isso, mais outras coisinhas, e finalmente a sua fuga – o que contrariou todas as regras do bom senso, especialmente o dos técnicos no assunto -, tornaram-no personagem muito mais importante, pois passou da anedota para a ópera. Sim, uma ópera inédita aos estranhos ao Grupo, em que os poetas do 1º Grupo de Caça “imortalizaram” – para uso interno – os feitos daquele gaúcho de Cachoeira do Sul. É deste pração que ocuparei nesta história, que a muitos parecerá mais uma anedota, mas que é a pura verdade.

Num dia de inverno, ensolarado, mas bastante frio, com a neve ainda cobrindo o norte da Itália, ele saiu para mais uma missão com sua esquadrilha. Estivemos juntos pouco antes, enquanto fazia os últimos preparativos para voar. Estava bonito, bem uniformizado, barbeado com um capricho até mesmo desnecessário, pois sua barba azulada ficaria oculta, de qualquer jeito, pela máscara de oxigênio. Ora! Afinal, ele era todo especial. Parecia pronto para ir ao encontro da buona sera. Vestiu sobre o fardamento caprichado o macacão de voo forrado de tecido peludo e quente, próprio para grandes altitudes, começando a transpirar imediatamente, o que mais realçava o azul de sua barba. Aquela indumentária era realmente muito quente. Conversamos ainda um pouco. Partiu. 

E nessa manhã… ele não regressou! Foi abatido muito ao norte de nossa base. Ninguém soube exatamente o que acontecera. Ouviram-no dizer, pelo rádio, que ia saltar de pára-quedas.


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