quinta-feira, 1 de maio de 2014

REPERCUTE ainda o caso de Daniel Alves, que protestou contra o racismo comendo uma banana que lhe atirou um torcedor contrário

Somos todos macacos?


Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:


A ATITUDE do jogador de futebol Daniel Alves, que no domingo (27abr.) comeu uma banana atirada por um torcedor do Villareal, durante jogo pelo Campeonato Espanhol, desencadeou uma onda de reações por vários países, que a imprensa repercute ainda na quarta-feira (30/4). Paralelamente, os jornais noticiam que o proprietário do time de basquete americano Los Angeles Clippers, Donald Sterling, foi multado em US$ 2,5 milhões e banido para sempre do esporte, por causa de declarações preconceituosas contra negros.

O episódio que envolve o jogador brasileiro é parte de uma longa história de manifestações racistas de torcedores europeus, principalmente contra atletas negros ou mulatos do Brasil e da África. Alves, que atua pelo Barcelona há onze anos, declarou que sempre recebeu esse tratamento preconceituoso e que sua reação de apanhar e comer a banana que lhe atiraram, quando se preparava para fazer um lançamento na lateral do campo, foi uma resposta natural à ofensa.

O atacante Neymar Jr. uma das estrelas do time catalão, foi o primeiro a manifestar publicamente sua solidariedade, postando nas redes sociais uma foto em que ele e seu filho comem bananas. Em seguida, outros atletas, além de artistas, autoridades e celebridades de vários países, se juntaram ao movimento.

Segundo os jornais de quarta-feira (30), uma agência de publicidade já estava preparando uma campanha contra o racismo no esporte, estrelada justamente por Neymar, quando foi surpreendida pela atitude de Daniel Alves. O mote seria: “Somos todos macacos”.

O caso envolve uma equação complicada, na qual se tenta inserir alguma racionalidade no comportamento emocional e basicamente primário das massas de torcedores. Depreciar o adversário é parte do que se espera nas arquibancadas dos estádios. É justamente esse comportamento primário que agrega as multidões nos estádios, cantando e gritando palavrões durante noventa minutos, e é com base nesse complexo de irracionalidades que se faz o espetáculo e se mantém o negócio do futebol.

Bilhões em jogo


Já o caso do proprietário do Los Angeles Clippers aponta para uma questão distinta: Donald Sterling, de 80 anos, foi ouvido enquanto conversava pelo telefone com a namorada, recriminando-a por haver postado nas redes sociais digitais uma fotografia ao lado do ex-jogador de basquete Magic Johnson. Disse também que ela não devia levar seus amigos negros a jogos do Los Angeles Clippers.

A punição imposta pela liga profissional do esporte nos Estados Unidos não apenas o obriga a vender a franquia do time, mas fez com que ele perdesse imediatamente todos os patrocínios; além disso, ele está proibido, pelo resto da vida, de comparecer a qualquer jogo ou evento promovido pela entidade.

O banimento do empresário, que adquiriu o controle do time de Los Angeles em 1981, foi uma decisão corporativa certamente determinada pelo fato de que são negros os principais atletas de basquete dos Estados Unidos, que movimenta a economia daquele país. Segundo a revista Forbes (ver aqui), as trinta equipes que formam a liga profissional americana produziram em 2013 uma receita de US$ 4,5 bilhões. Explica-se, assim, a reação pronta e imediata dos seus dirigentes, para evitar que uma greve de jogadores interrompesse a temporada.

O racismo nos campos de futebol, principalmente em países europeus, tem outra complexidade e não pode ser resolvido por uma decisão administrativa ou por uma campanha publicitária. O melhor caminho é apontado justamente pela atitude de Daniel Alves: ao apanhar a banana e comê-la diante de dezenas de milhares de torcedores do time adversário, ele responde a ofensa com um gesto banal, mostrando o ridículo da atitude preconceituosa.

É interessante observar como o fato repercute na imprensa brasileira, tomada por um sentimento nacionalista, como se não fosse, também essa instituição, repositório do ranço da discriminação que ainda marca a nossa sociedade.

Mais interessante ainda é a reação nas redes sociais digitais, onde apareceu até mesmo uma interpretação, para o fato, digna do movimento modernista de 1922: houve quem dissesse que, ao comer a banana atirada pelo torcedor europeu, Daniel Alves estava repetindo o ato simbólico do antropofagismo, ícone transcendental da nossa formação cultural.

Não muda nada, mas é divertido. (Altamiro Borges)

3 comentários:

  1. Me alegro de que comiera la banana pero no es justo con España este Alves, aquí no somos racistas aunque un energúmeno azotara un plátano y él no es buena persona como bien demuestra en y fuera del campo, saludos

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  2. Digo que me alegro de que se comiera la banana porque le dió en todo el morro al energúmeno, saludos

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  3. Verdade que os espanhóis não são racistas, amigo Silvo. Lamentável é a atitude dessa pessoa que atirou a banana.

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