quarta-feira, 2 de julho de 2014

AZAMBUJA em Cachimbo (3ª parte)


OS PREPARATIVOS para a passagem de comando vinham correndo a pleno vapor. A relação de convidados já vinha sendo preparada e os convites, expedidos. O oficial de maior patente seria o diretor do Departamento de Pesquisas, tendo sua presença confirmada.  Os ofícios para o 6º Comando Aéreo e para a Base Aérea pedindo apoio foram levados ao setor de Protocolo para serem enviados a essas unidades. Ao mesmo tempo, nossa equipe de Serviços Gerais, à frente o bravo sargento Lourival, Lourival Ernesto de Campos, dava retoques de elegância às instalações, fazendo pinturas de meio-fio, cortes de grama e os reparos hidráulicos e elétricos necessários. Até mesmo o coronel Camboim já tinha vindo em visita à sua futura Unidade, que estaria sob sua administração direta pelos próximos dois anos. O futuro comandante mandou reservar acomodações no hotel de trânsito de oficiais da Base Aérea, uma vez que, de início, não intencionava ocupar próprio nacional pois sua família ficaria em outro Estado, já que a esposa ocupava cargo público e não obteve licença para acompanhar o marido.


Simultaneamente em Cachimbo providências semelhantes eram ultimadas, e a equipe que estava lá nessa quinzena se desdobrava para deixar a área no ponto ideal -- diziam que o próprio diretor do Departamento de Pesquisas, a quem nossa Unidade era subordinada, visitaria o local no dia seguinte à passagem de comando. Acordavam mais cedo e o café era servido a todos às seis, e por isso a equipe do Rancho estava no batente desde as quatro da matina. Em meia hora as viaturas estavam na frente do Rancho para transportar os militares a seus postos de trabalho. Excepcionalmente, apenas uma fração pequena de tropa, nesses dias, permanecia na área para a cerimônia diária de hasteamento do pavilhão nacional, com um oficial presente, somente rumando para suas atividades após esse evento cívico.

Foi nesse período que Azambuja saiu em férias, depois de quase dois anos na Unidade. Feitas as contas, este foi considerado o período mais apropriado, sob pena de o Primeirão perder esse sagrado direito. Era o regulamento. Contudo, acertou com o comando que sairia somente por quinze dias, retornando em tempo de reunir-se à equipe e seguir para Cachimbo. A Seção de Operações estava ciente desse acerto, assim como em relação a outros militares que tinham o mesmo combinado. Fracionar as férias era prática corriqueira entre nós. A equipe restrita e a necessidade de ser dividida em duas dava ao comando essa faculdade, o que também convinha ao efetivo.

Alguns dias antes da passagem de comando, o comandante havia, em Cachimbo, inaugurado a nova palhoça, que agora, em nome da segurança e solidez, não era mais de palha e sim coberta com telhas de amianto. Também havia no mesmo dia inaugurado a nova ponte sobre o rio Braço Norte, para em seguida inaugurar a nova carpintaria. Foram estas, além dos novos alvos para treinamento aéreo, as principais obras visíveis do período em que Alberto de Sousa Bieniak administrou a área.

Na véspera em solenidade o coronel Bieniak inaugurava sua fotografia ao lado da do comandante que lhe antecedeu. Assim deveria ser em relação ao coronel Camboim, dois anos depois, e assim por diante. Outros eventos se sucederam até que na manhã seguinte se formalizasse em formatura solene a transmissão de comando. Os dois boletins do dia já estavam prontos, os últimos convites já haviam sido entregues por um estafeta que corria a área de Brasília em viatura oficial, e a seção de Intendência já havia se certificado de que a lista de pedidos feita ao rancho do 6º Comando Aéreo fora de fato atendida por completo. Tudo deveria estar certinho, nada podendo faltar e o subcomandante pessoalmente se incumbia de checar tudo. As providências ultimadas em Cachimbo também eram por ele supervisionada, tomando conhecimento de tudo, vez que todos os dias mantinha contato telefônico com o oficial de permanência em Cachimbo, que lhe fornecia detalhados relatórios. 

Chegou o grande dia e a nossa Unidade ganhava novo comandante. 

No dia seguinte Camboim mandou reunir a todos que estavam em Brasília para uma apresentação. Falou em linhas gerais o que pretendia de todos nós e o que almejaria realizar em Cachimbo. Ressaltou em especial qual seria a sua postura em relação ao efetivo, exigindo de todos o certo, nada mais que o certo, além de muito empenho tanto na sede como na área. 

Não sei porque mas a impressão que tive dele me lembrou de uma velha anedota, que eu escutara no início de minha carreira. Era sobre um oficial superior peruano, que costumava dizer: Cuando me acordo que soy coronel del ejército peruano, -- caramba!!! -- tengo miedo de mi mismo!


Continua...

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