domingo, 31 de agosto de 2014

AO BOM combate!

AS PADARIAS são uma genuína e honrosa instituição brasileira. Existem em raros lugares do mundo, os mesmos raros lugares onde se pode tomar um café da manhã com a qualidade que se tem nas padarias nacionais. Exerço esse privilégio sempre que posso, aqui ou em santuários dessa arte, como São Paulo.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

VOCÊ já esqueceu o nome de alguém?

É UMA situação constrangedora quando encontramos alguém e não lembramos seu nome. Fica pior quando a pessoa percebe e pergunta “está lembrado de mim?” E você não lembra quem é.

O que dizer neste momento? E se for você fazendo esta pergunta, de que forma pode ajudar o outro a lembrar quem é você?

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

REMINISCÊNCIAS do front

A importância da formação especializada


NUMA de nossas postagens foi largamente comentado sobre a extinção a EOEIG e o consequente prejuízo sofrido pelo graduado que nutria pretensões de galgar o oficialato. Não lembro bem quando formou a última turma, se 1982 ou 1983. Ora, antes com cinco anos de formado o sargento especialista - de qualquer especialidade - tinha a oportunidade de tentar a matrícula na antiga EOEIG. Uma vez matriculado, sairia de lá como aspirante, podendo chegar a tenente-coronel.

Esse direito nos foi tolhido com o fechamento da antiga Escola.

Ora, a Força se ressentiria largamente da ausência de oficiais especialistas, como os fatos vieram a provar. Como comentou um colega, pareceu produto de perseguição da parte do ministro da época. Se foi, não sabemos o porquê. Ele próprio foi comandante da Escola do Bacacheri.

O ato culminaria numa espécie de hiato, que logo o alto comando, pouco tempo após a passagem do bastão ministerial, se encarregaria de por fim com a criação do EAOf, aproveitando a experiência dos suboficiais, e com a reativação - depois de alguns anos - dos antigos oficiais especialistas em armamento, fotografia, comunicações, aviões, tráfego aéreo, meteorologia e suprimento técnico. Desta vez, porém, exigir-se-ia dos sargentos candidatos o diploma de curso superior, requisito que antes inexistia. Ao mesmo tempo a Academia recebia as primeiras turmas de cadetes de Infantaria, agora com nova designação: não era mais de Guarda mas sim de Aeronáutica.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

DIRETO do Uruguay

Rodaron con viejas “chivas” y con ropa de época



Como un hecho diferente e inusual se realizó ayer el 2do Encuentro de Bicicletas Clásicas en Tacuarembó, con la particularidad que esta actividad fue incluida dentro del pPrograma del tradicional desfile patriótico que se realiza por las calles de la ciudad en conmemoración a la fecha patria. El encuentro pretendía ser un espacio de intercambio bajo el lema “Reviviendo la historia de la bicicleta”.


MÁS de 50 personas con sus respectivas bicicletas se agruparon para desfilar en la mañana con una particularidad: los birrodados debían ser lo más antiguos posibles y además se aconsejaba venir ataviado con vestimenta de época.

Esta idea nació el año pasado cuando un grupo de ciudadanos, fanáticos de la bicicleta decidieron realizar una convocatoria en Plaza La Cruz de la capital departamental.

Todos recuerdan que Tacuarembó fue nominada hace algunas décadas atrás como la ciudad de las bicicletas por la cantidad que se veían en la vía pública.

GAUCHESCAS do Valentim

Os Monarcas: Sistema Antigo


domingo, 24 de agosto de 2014

REMINISCÊNCIAS do front

O caso da piscadela



POR UMA questão de honra, foi meu propósito chegar à primeira colocação no Estágio de Adaptação que realizei em Belo Horizonte, missão a que me candidatei em 2000, tão logo fora promovido à graduação de suboficial em dezembro de 1999.

Preparei-me com afinco para isso, focando a nota dez em todas as disciplinas exigidas. Meu pensamento era que, focando no máximo, e,  não obtendo essa pontuação, chegaria aos nove e meio ou próximo disso. Diante dessa performance, certeza era ser aprovado.

Uma das disciplinas era Língua Portuguesa e Literatura. Eu sempre fui bom em Português, razão pela qual meu pensamento era não dedicar tanto tempo a essa área. Pois bem. Um colega convocou a mim e a mais alguns colegas para estudarmos em uma sala de aula de uma escola lá da quadra 214 Sul. Resolvi ir. Falei comigo mesmo que "se aprendesse uma coisa sequer a mais já teria tido um ganho, ainda mais se pudesse passar algum conhecimento para os colegas". Com esse espírito, fui e aprendi muito mais do que já sabia, além de ter a graça de passar muito mais aos outros irmãos com quem partilhava aquele tempo à noite, duas vezes por semana.



Nem só de virtudes, porém, compõe-se o bicho-homem. 

FAZ hoje 60 anos!

MAIS UMA VEZ, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.

Não me acusam, me insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive que renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário-mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

sábado, 23 de agosto de 2014

REMINISCÊNCIAS do front

Uma questão de tempo


O SER HUMANO é realmente muito complicado, difícil mesmo de ser definido, classificado, rotulado, sem que incorramos em erros ou injustiça. Depende muito de quem observava, este também influenciado por seu modo peculiar de ver a vida e - embora não devamos fazer - julgar o seu semelhante. O Mau julgador por si julga os demais, era o que diziam os antigos.

Há em cada um de nós várias facetas, algumas inatas, outras adquiridas ao longo deste caminho por vezes tortuoso e espinhento, que chamamos de "vida". Convivem, via de regra, as boas sementes - bondade, afeição, serenidade, simpatia, piedade... - que germinam simultaneamente a outras não tão boas, isso tudo num mesmo indivíduo.

Eu mesmo. Vou me apresentar aqui como exemplo. Exemplo que deve ser seguido - quanta modéstia! - e também que não deve ser seguido, como costumava demonstrar nosso antigo comandante, o tenente Arrais, quando chamava um aluno lá na frente da tropa, deixando-o sem graça.


Sempre fui contra alguns paradigmas ou mesmo dogmas conhecidos na Força Aérea e na sociedade em geral: "Errar por excesso", "Direito adquirido", "Mal necessário", "Pra baixo todo santo ajuda", "A corda sempre arrebenta pro lado mais fraco"...

Caminham lado a lado em minha pessoa vários defeitos e uma qualidade, que é a de gostar de ajudar as pessoas. O problema é que esse "ajudar as pessoas" insiste em conviver ao lado da teimosia e da vaidade.

Na administração fabiana, meio em que trabalhei por três décadas, há um "paradigma" em particular que eu sempre combati: "A contar de de..."

É o seguinte. Tentarei explicar.

No ato administrativo, seja ele qual for, aparece lá o "a contar de" ou "a partir de", indicando que a partir daquela data estará valendo o que se, face o princípio da publicidade, o agente público competente manda fazer. "Fulano de Tal foi incorporado às fileiras a contar de 01fev.1970" ou  "foi o servidor Ciclano de Tal foi desligado do efetivo da OM X a partir de 01fev.1988, por ter sido removido para...". 

Trabalhei em setor que confeccionava as chamadas "folhas de alterações" e convivia com o problema. Onde eu quero chegar? O colega Escrevente que trabalhou na área de pessoal vai pegar fácil.

Ora, se o servidor (qualquer que seja ele ou ela, à paisana ou de farda) foi incorporado, matriculado, efetivado, incluído em 01fev.1988, nesse primeiro dia de fevereiro daquele ano o cara estava já incluído, matriculado, efetivado etc., passando a contar seu tempo de serviço a contar dessa data. De outro lado, ele sendo desligado em 01fev.1988, ele nessa data já não estava mais lá, naquela Unidade. Então, o tempo dele naquela OM (repartição, secretaria, ministério etc) somente é contado até 31jan.1988. No dia seguinte, 1º fev., o sujeito não pertencia mais ao dito órgão. Simples e claro.

Acontece que muita gente boa gostava de incluir na contagem do tempo de serviço mais um dia, este tal 1º fev. 1988, resultando numa certidão de tempo incorreta, que não contemplava a realidade do tempo efetivamente servido. 

Metódico e organizado com papéis como penso que sou, tal erro administrativo eu combatia. Mas trata-se - sempre soube disso - de tarefa hercúlea travar combate ao vício, à tradição imposta pelo costume adquirido em décadas. Ah! sempre foi assim, e pronto.

Eu não concordo. Oh cabra teimoso!

Passou-se o tempo e eu, já ao final da carreira em Curitiba, tive a oportunidade e o gostinho de me defrontar com um caso concreto, ocasião em que fiz valer a minha teoria, naturalmente sob protestos da turma da tradição que contava errado o tempo e o fazia  apenas porque "sempre foi assim".  O costume do cachimbo fazia a boca torta.

Naquela quinta-feira às nove da matina, estava lá na Seção de Inativos do II Dacta uma das quase uma dezena de pessoas que costumavam acorrer à nossa Seção nas primeiras horas da manhã em busca de solução para seus problemas. Era um senhor, servidor do Ministério do Trabalho e Emprego, um ex-militar que saíra das fileiras da Força como primeiro-sargento. Servira na de 1º de fevereiro de 1981, com a matrícula na Escola, até 30 de novembro de 1990, a fim de, no dia seguinte, apresentar-se ao atual emprego, ao qual foi convocado em face de sua aprovação em concurso. O homem foi um antigo 1S BCT lotado no então DPV-CT (atual DTCEA-CT), em São José dos Pinhais, quando, à procura de um feijão mais forte, migrou para outro Ministério, abraçando uma carreira mais rendosa e reconhecida.

--Em que tenho a honra de ajudá-lo, senhor?

Seu rosto e suas palavras iniciais expressavam alguma angústia, ao mesmo tempo que uma boa dose de determinação na busca da correção daquele erro de direito, sendo assim estava ali presente para que a administração ministrasse o remédio para o mal que ela própria havia causado. Não solucionado administrativamente, o passo seguinte seria naturalmente bater às portas do Poder Judiciário, trilha um pouco mais longa porém determinante e resolutória, direito de todo cidadão brasileiro, pátria livre e democrática.

Após os cumprimentos de praxe, iniciou-se a contar sua história, mostrando-me algumas folhas de seu histórico militar e uma fotocópia de uma antiga certidão de tempo de serviço. Mal pronunciou algumas palavras e já o interrompi dizendo-lhe já ter compreendido tudo. De fato, minha mente se via mais que treinada naqueles assuntos, objetos que foram de tantas discussões e teimas e que ao final não resultavam em nada, ficando este escriba como voto vencido. 

Dera entrada em seu pedido de aposentadoria, porém surpreendido com a negativa, vez que o órgão de Recursos Humanos da sua repartição detectou uma superveniência de tempo. O ex-sargento não teria como servir no Ministério da Defesa e simultaneamente no Ministério do Trabalho, ainda que por um único dia. O certo seria o servidor ter sido desligado na Aeronáutica em uma data (30nov.) e ser incluído no MTE em 1º de dezembro, dia seguinte. Mas não era isso que dizia a certidão, segundo a qual na contagem de tempo estava incluído o tal dia 1º, data em que já o colega se encontrava em pleno exercício de suas funções no novo Ministério.

Disse-lhe que deixasse comigo. No máximo em uma semana os atos administrativos corretivos teriam sido cumpridos e, ato contínuo, lhe passaríamos a respectiva certidão de tempo com menos um dia, que era o certo. Isto lhe possibilitaria dar andamento no processo de aposentadoria, consoante era seu anseio.

Procurei o mais antigo da Recursos Humanos já sabendo de sua resposta. Tentou convencer-me de que o meu raciocínio estava incorreto, o que eu já sabia ia acontecer. Como que a reforçar seu parecer, chamou um sargento da área de tempo de serviço e o graduado foi da mesma opinião que o chefe. Falou-me ao mesmo tempo que me lançava um sorriso meio debochado, que eu fingir não entender a fim de não me estressar à toa.

Foi apenas por descargo de consciência a minha ida à Recursos Humanos. Voltando de lá, sentei-me à mesa de digitação e fiz o meu arrazoado. Citando a legislação específica, - no caso o Estatuto dos Militares -, ao mesmo tempo que outros pareceres e também a Carta Magna. Utilizando-me do jargão técnico e formal ao douto Consultor Jurídico, finalizei o documento com o "salvo melhor juízo do ilustre consultor".

Dois dias após, retorna-me o documento com o "concordo", acompanhado do parecer correspondente. Beleza! Despachei junto ao chefe e mandei fazer o item de boletim, a publicar no dia seguinte. 

Além de poder ajudar alguém, conforme procurei sempre fazer ao longo da carreira, meu espírito se alegrava com uma vitória que há anos vinha buscando: ver o "a contar de" finalmente ser aplicado corretamente.

Dado um telefonema, duas horas após o ex-colega de farda encontrava-se à minha frente, cumprimentando-me radiante. Seu rosto expressava evidente agradecimento ao nosso trabalho. Talvez não esperasse solução tão expedita.

Dormi naquela noite o sono dos justos.

Pelo fato de ter ajudado alguém? Não apenas. Sobretudo pela vaidade de ter sido, finalmente, reconhecido meu ponto-de-vista. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O DIPLOMÁTICO


Machado de Assis

A PRETA entrou na sala de jantar, chegou-se à mesa rodeada de gente, e falou baixinho à senhora. Parece que lhe pedia alguma cousa urgente, porque a senhora levantou-se logo.

— Ficamos esperando, D. Adelaide? — Não espere, não, Sr. Rangel; vá continuando, eu entro depois.

Rangel era o leitor do livro de sortes. Voltou a página, e recitou um título: "Se alguém lhe ama em segredo." Movimento geral; moças e rapazes sorriram uns para os outros. Estamos na noite de São João de 1854, e a casa é na rua das Mangueiras. Chama-se João o dono da casa, João Viegas, e tem uma filha, Joaninha. Usa-se todos os anos a mesma reunião de parentes e amigos, arde uma fogueira no quintal, assam-se as batatas do costume, e tiram-se sortes. Também há ceia, às vezes dança, e algum jogo de prendas, tudo familiar. João Viegas é escrivão de uma vara cível da Corte.

— Vamos. Quem começa agora? disse ele. Há de ser D. Felismina. Vamos ver se alguém lhe ama em segredo.

D. Felismina sorriu amarelo. Era uma boa quarentona, sem prendas nem rendas, que vivia espiando um marido por baixo das pálpebras devotas. Em verdade, o gracejo era duro, mas natural. D. Felismina era o modelo acabado daquelas criaturas indulgentes e mansas, que parecem ter nascido para divertir os outros. Pegou e lançou os dados com um ar de complacência incrédula. Número dez, bradaram duas vozes. Rangel desceu os olhos ao baixo da página, viu a quadra correspondente ao número, e leu-a: dizia que sim, que havia uma pessoa, que ela devia procurar domingo, na igreja, quando fosse à missa. Toda a mesa deu parabéns a D. Felismina, que sorriu com desdém, mas interiormente esperançada.

Outros pegaram nos dados, e Rangel continuou a ler a sorte de cada um. Lia espevitadamente. De quando em quando, tirava os óculos e limpava-os com muito vagar na ponta do lenço de cambraia, — ou por ser cambraia, — ou por exalar um fino cheiro de bogari. Presumia de grande maneira, e ali chamavam-lhe "o diplomático".

— Ande, seu diplomático, continue.

REMINISCÊNCIAS do front

O galpão de Escreventes


QUANDO eu digo que éramos do jardim da infância pode parecer exagero a muitos que não viveram a condição de aluno da Escola de Especialistas naquele biênio, final da década de 1970. Isso também dizia-nos o mesmo o Professor Evandir (essa profissão deve ser grafada por extenso tão era a grandeza daquele profissional que nos ministrava Educação Física), mas em outras palavras:"Vocês são a fina flor da juventude brasileira".

Pois bem, estávamos todos no galpão de escreventes. Entre uma aula e outra, o intervalo se constituía em festa, tal a algazarra (ainda se diz assim?) que promovíamos. Uma delas era os apelidos que eram atribuídos (e o autor da maioria dos apelidos era o Délio, o nosso zero um) a vários de nós.

O que mais sofria era com certeza o Vieira Lima, cuja alcunha era "porco" por causa da sua fisionomia que lembrava vagamente um suíno. Também havia o "mula", que era o Antunes por causa do seu queixo volumoso. Outro era o Maia, que ganhou do Délio o apelido de "caranguejo". Eu levei o apelido de "pato", talvez em razão do formato de nariz. Por fim, havia o "lua", e o Cosme foi premiado com esse nome por causa do seu rosto cheio que lembrava a lua cheia.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

REMINISCÊNCIAS do front

Na reta final


JÁ ESTÁVAMOS no final do curso e todos - ao menos os da minha esquadrilha - já haviam até retornado dos respectivos estágios. Nossa rotina era, além de riscar a cada dia um número do calendário - oh dia 13 que não chegava! -, somente treinar o pecúlio, a insígnia de terceiro-sargento, da formatura, além de provar a túnica branca e outras peças do enxoval para o grande dia e providências finais.

REMINISCÊNCIAS do front

Erro de halo


O SONHO dourado de muitos sargentos da minha época era um dia servir no exterior, como auxiliar de adido aeronáutico, lá no finalzinho da carreira. Se desse Londres ou Washington, excelente, mas se viesse Lima, Quito ou outra cidade menos cobiçada, ótimo. O importante era passar dois anos em outro país ganhando em dólares e fazer sua independência financeira. Em acréscimo, o ganho cultural e experiência ímpar de comunicar-se fluentemente uma língua estrangeira,  fotografias e muitas histórias e recordações a passar aos netos.

Nesse particular, sempre tive o pé no chão. Segundo me disse um suboficial que já com os seus 36 ou 37 anos conseguiu, depois de muito riscar edições sucessivas do tico-tico e também ter que mexer em Brasília os pauzinhos, ser nomeado para Londres, é mais difícil ao suboficial passar nesse crivo que um coronel ser indicado ao posto de brigadeiro.

Ora, sempre fui apenas de fazer o meu trabalho. Sabia que somente isso não me levaria lugar algum, além das transferências normais do plano de movimentação, além das promoções normais que consegui a custo de muitos sapos engolidos. Aliás, se quisesse mesmo ao menos tentar ser cogitado para tal nem movimentação eu poderia me dar ao luxo de pretender. Ficaria ali na mesma unidade, preferencialmente no mesmo cargo por anos e décadas, pois, como diz o ditado, pedra que muito rola não cria limo. Sabia então da questão do "halo", palavrinha que quer dizer o seguinte: você tem que dançar conforme a música; se toca um samba, não vá querer dançar valsa. Senão, você dança. Tem ainda o temperamento pessoal: se você é falante e risonho, é porque é um boçal; se é tímido, é porque não possui liderança...

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

CLÁSSICOS do Valentim

Marisa Monte:  Balança Pema




REMINISCÊNCIAS do front

Seria só psicologia?


FUI chamado ao comando de uma das esquadrilhas da nossa turma. Não lembro qual esquadrilha, somente seu comandante: tenente Cutrin. Fomos eu e mais dois colegas. O assunto que levou o oficial a nos chamar era a prova de Matemática, a primeira prova dessa disciplina no ensino básico. 

Eu e meus colegas fomos muito mal nessa prova, razão pela qual estávamos ali, em posição de descansar correta, na presença daquele oficial subalterno, um ex-cadete da Academia da Força Aérea. Fomos severamente repreendidos, destratados, insultados, chamados de burros ou coisa parecida. Estávamos pela bola sete, era só mais um vacilo e dificilmente passaríamos de semestre. O nosso destino seria a Companhia IG, pois a legislação da época nos obrigava a cumprir um ano obrigatório de serviço militar, e não apenas cinco ou seis meses. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

LA VISITA de la vieja dama



CON 30 artistas, actores y músicos, interpretando más de 100 personajes y un gran despliegue escénico y técnico, la Comedia Nacional presenta La visita en el Teatro Solís. Una parábola sobre el alma contradictoria de justos y ajusticiados y el poder de corrupción del dinero, que presenta a uno de los grandes personajes femeninos de la literatura dramática. La más célebre de las obras teatrales de Friedrich Dürrenmatt (cuyo título original es La visita de la anciana dama), llega bajo la dirección del distinguido actor y director argentino Sergio Renán, con una extensa trayectoria a nivel regional y mundial que lo posiciona como uno de los diez régisseur más importantes del mundo.

Una poderosa multimillonaria regresa al pueblo de su infancia del que huyó soltera, menospreciada y arruinada cuarenta años atrás. Al volver lo encuentra empobrecido y ofrece su ayuda para solucionar los problemas económicos de su gente. Pero sus favores tienen un precio, y el suyo es demasiado alto. Movida por la venganza, desencadenará notables cambios en un pueblo corruptible.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

EDUARDO Campos morre em acidente aéreo

Candidato à presidência Eduardo Campos morre aos 49 anos. Avião que levava o político caiu em Santos na manhã desta quarta-feira

Eduardo Campos morreu nesta quarta-feira, aos 49 anosFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS


O CANDIDATO à presidência da República Eduardo Campos, que disputava as eleições pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), morreu na manhã desta quarta-feira, após acidente de avião em Santos, no litoral de São Paulo. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do partido.

Além do candidato, também morreram no acidente aéreo em Santos Pedro Valadares Neto, ex-deputado e assessor particular do candidato; Carlos Augusto Percol Filho, assessor de imprensa; Marcelo de Lyra, cinegrafista, e Alexandre Gomes e Silva, fotógrafo. Os pilotos da aeronave Geraldo da Cunha e Marcos Martins também faleceram.

De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), a aeronave Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto de Guarujá, no litoral de São Paulo. "Quando se preparava para pouso, o avião arremeteu devido ao mau tempo", diz a nota. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave. Além disso, a Aeronáutica já iniciou investigações para apurar o que teria causado o acidente. (Zero Hora)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

BREGAS do Valentim

José Roberto: Sílvia Letícia, 1972


PRIMEIRA paraquedista da FAB

FAB forma 1ª mulher paraquedista da área de saúde



NO BRAÇO esquerdo, a faixa com a cruz vermelha. No pé, o coturno marrom. A Sargento Michelle Lima concluiu no final de fevereiro o curso básico de paraquedista oferecido pelo Exército e se tornou a primeira militar da área de saúde a possuir essa capacitação operacional. Ela já está pronta para saltar. “Era um grande sonho”. A paraquedista que salva vidas é do efetivo do Instituto de Medicina Aeroespacial, organização da FAB no Rio de Janeiro.

Em entrevista à Força Aérea FM, a Sargento explicou quais as funções e missões que a partir de agora ela pode atuar, as dificuldades do curso de formação e também a satisfação com a nova habilidade. “É difícil explicar o que sentimos quando o paraquedas abre”, disse.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CLÁSSICOS do Valentim

Mamas and the Papas: California Dreamin, 1966




AZAMBUJA em Cachimbo (final)


ALÉM de mim, poucos sabiam, mas a verdade é que Azambuja recusou participar da confraternização por razões de saúde. A imagem dele perante o comandante ficou como sendo de alguém que não se integra à turma, que se considera diferenciado dos demais colegas. Onde estaria o espírito de corpo?

O AMOR e a loucura

A LOUCURA resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
- Esconde-esconde? O que é isso? - Perguntou a Curiosidade.
- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem.
Ao terminar de contar, eu vou procurar. O primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.

Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
-1,2,3,... - a Loucura começou a contar.
A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer.
A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim.
Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder.
A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele, em baixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.
O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava noventa e nove.
- Cem - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar.
A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não aguentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar.
Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez...
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:
- Onde está o Amor?
Ninguém o tinha visto.. A Loucura começou a procurá-lo.
Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho.
A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitou as desculpas...

Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre. (Mundo das Mensagens)