quinta-feira, 21 de agosto de 2014

REMINISCÊNCIAS do front

O galpão de Escreventes


QUANDO eu digo que éramos do jardim da infância pode parecer exagero a muitos que não viveram a condição de aluno da Escola de Especialistas naquele biênio, final da década de 1970. Isso também dizia-nos o mesmo o Professor Evandir (essa profissão deve ser grafada por extenso tão era a grandeza daquele profissional que nos ministrava Educação Física), mas em outras palavras:"Vocês são a fina flor da juventude brasileira".

Pois bem, estávamos todos no galpão de escreventes. Entre uma aula e outra, o intervalo se constituía em festa, tal a algazarra (ainda se diz assim?) que promovíamos. Uma delas era os apelidos que eram atribuídos (e o autor da maioria dos apelidos era o Délio, o nosso zero um) a vários de nós.

O que mais sofria era com certeza o Vieira Lima, cuja alcunha era "porco" por causa da sua fisionomia que lembrava vagamente um suíno. Também havia o "mula", que era o Antunes por causa do seu queixo volumoso. Outro era o Maia, que ganhou do Délio o apelido de "caranguejo". Eu levei o apelido de "pato", talvez em razão do formato de nariz. Por fim, havia o "lua", e o Cosme foi premiado com esse nome por causa do seu rosto cheio que lembrava a lua cheia.

Mas não ficava só aí, entre nós, alunos. Sobrava também para os sargentos (sem que eles soubessem, evidente). O sargento Expedito foi batizado com o nome de "bule" devido ao seu jeito de fazer a posição de sentido, sempre com as duas mãos juntas ao corpo na altura do umbigo, igual ao utensílio doméstico de café. O Délio, mal dava o intervalo, e fazia a imitação do primeiro-sargento, e nós ríamos muito. O Reis, por ser meio gago, e por dar aula de Contabilidade Financeira, era o "fic-fat".

Uma vez, dado o intervalo, ficamos na sala fazendo a costumeira bagunça e zoando uns dos outros, quando alguém soltou um. Foi justamente aí que o sargento Vesaro entrou na sala a pretexto de alguma coisa e, passando a mão em frente a cara como que na tentativa de afastar o mal cheio característico e inevitável, censurou-nos assim:

-- Vocês não sabem conviver em coletividade.

Era o único sargento azedo e antipático do Curso de Escreventes; os outros eram todos gente boa. Depois que ele virou as costas, demos risada.

Vocês lembram disso, Jeronimo Giglio Lopes, Adão Paulino da Silva, Paulo Sergio Silva, Clemente Nilton, Ailton Afonso dos Santos e Délio Gonçalves Rocha?

Ou vão me deixar mentir sozinho?

Falando em colegas, alguém sabe por onde anda o Arivaldo? Será que é o Arivaldo Menezes Marques, delegado, que localizei na Internet? Ou o delegado é só um homônimo? Se alguém souber...

Em tempo: o colega Arivaldo é hoje delegado da Polícia Federal.

2 comentários:

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