quinta-feira, 31 de julho de 2014

CLÁSSICOS do Valentim

Charo: Dance a little bit closer, 1977


AZAMBUJA em Cachimbo (5ª parte)



- Trata-se de uma sugestão do Azambuja, comandante... Sei... sei... Pode deixar, comandante, ... direi isso a ele. 

O tenente Ezequias, virando a cabeça para a porta, onde eu estava acompanhado do Nogueira, despediu-se da autoridade. E, olhando para mim e para o cabo:

- Pois não?

Nogueira disse-lhe o que houve, relatando em detalhes que sofrera humilhação da parte do sargento Pedreira,... logo ele, uma longa folha de serviços, mais de vinte anos. Sim, já havia sofrido outros insultos, mas dessa vez o encarregado da Seção de Transportes havia passado dos limites, e - o pior - isso tudo na presença de militares mais modernos. Enxugava com um lenço o rosto a cada vez que falava uma frase. Deixei Nogueira na sala e retirei-me. Dentro de poucos minutos, o tenente Ezequias entra na nossa sala.

- Duas coisas tenho a dizer, Azambuja. A primeira é "negativo", o Zerohum disse que, se você quiser, que faça requerimento. A segunda é "Ajude o Nogueira com a representação".

Azambuja, indicando uma cadeira, pediu a Nogueira que se sentasse. A mim, fez um gesto de cabeça para que eu lhe alcançasse um exemplar do Regulamento Disciplinar, que estava na minha mesa. Abaixou a cabeça um instante e disse: 

- Vou contar uma fábula: 

CASOU-SE com a regência

MEU PROFESSOR de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida
regular como um paradigma da primeira conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
Ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.
Casou-se com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expectativas,
conectivos e agentes da passiva , o tempo todo
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça"

Paulo Leminski (Professora Regina Maciel)

SCOLARI, o perdedor mais bem pago do mundo

FORAM mais de quatro milhões de indenizações por 18 meses de trabalho, 29 jogos com 19 vitórias, 6 empates e 4 derrotas.

Essa é a rescisão de contrato de Luiz Felipe Scolari com a Confederação Brasileira de Futebol assinada ontem quando foi anunciado como novo técnico do Grêmio.

Felipão não ficou nem um mês desempregado. Tem forte ligação com o clube gaúcho onde viveu como treinador de time o seu melhor momento.

Foi campeão estadual, copa do Brasil, Libertadores, perdeu o título mundial para o Ajax de Van Gaal, a quem parece não perdoar até hoje, e a Recopa.

No Palmeiras também conquistou muito. Foi campeão da Copa do Brasil, Libertadores e vice mundial contra o Manchester United.

Depois desses títulos conquistou o Mundial de 2002 com o Brasil, na Ásia, e foi vice-campeão europeu com Portugal perdendo duas vezes para a Grécia.

No jogo de abertura e na final. Foi o maior momento do futebol grego em todos os tempos.

Em clubes não voltou a conquistar grandes títulos a não ser a Copa do Brasil com o Palmeiras, mas depois ajudou a derrubar o time pela segunda vez para a segunda divisão.

No Chelsea foi considerado muito fraco por alguns jogadores e no time de Rivaldo no Usbequistão é algo que não devia constar no seu currículo.

A volta à Seleção Brasileira lhe deu a Copa das Confederações no ano passado e a maior vergonha do futebol brasileiro na Copa que acabou há poucos dias no país.

Os 7 x 1 que tomou da Alemanha e os 3 x 0 na disputa pelo terceiro lugar contra a Holanda são as piores coisas que já aconteceram com o futebol brasileiro em todos os tempos.

Felipão nunca admitiu que errou. Tratou a goleada da Alemanha como pane geral, assumiu por um momento a responsabilidade, mas depois saiu dizendo que o seu trabalho à frente da Seleção foi bom.

Bom não foi, mas foi muito caro para os cofres da CBF que é uma empresa particular e não deve satisfação a ninguém, mas usa o coração dos brasileiros para ganhar muito dinheiro e não divide nada com os clubes dos quais convoca os ditos principais jogadores.

Culpa dos clubes que não se manifestam, não se opõe e votaram em Marco Polo del Nero como antes votaram por anos a fio em Ricardo Teixeira e ajudaram a afundar o futebol brasileiro.

Felipão ganhou por jogo aproximadamente 380 mil reais sem colocar na conta os décimos terceiro e quarto salários também pagos pela CBF como forma de bônus pelos bons serviços prestados.

É ou não é o perdedor mais bem pago do mundo? (Quartarollo)

terça-feira, 29 de julho de 2014

ILUSÃO de ótica


BREGAS do Valentim

The Fevers: Pra cima pra baixo, 1978


sexta-feira, 25 de julho de 2014

CLÁSSICOS do Valentim

Metrô: Tudo pode mudar, 1985



CLÁSSICOS do Valentim

Capital Inicial: Música Urbana, 1986


FUI passear na cidade


Em um instante de relax
NÃO havia muitas opções de diversões numa cidade do porte de Guará naqueles anos, essa foi a minha primeira impressão; e ainda que houvesse, os poucas cédulas de cruzeiro no bolso não me davam como usufruí-las. Ainda assim era melhor que ficar na Escola, e a simples visão de gente diferente, sem uniformes, já era por si só compensadora.

Existia uma praça, a principal da cidade, de formato circular, a praça Rodrigues Alves, que os alunos, irreverentemente, chamavam de errepeeme (rotações por minuto). Fixei a atenção a num grupo em particular; alguns rapazes em conversa animada com uma jovem, que, desinibidamente, correspondia distribuindo sorrisos e simpatia - belo sorriso, sorriso que nunca vira antes, um charme. Se não chegava a ser muito bonita, também não era feia; exibia um quê de diferente.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

AZAMBUJA em Cachimbo (4ª parte)


A MENSAGEM-RÁDIO sobre o C130 vindo do Rio de Janeiro, prontamente repassada ao conhecimento do comandante, nos informava dos dados de voo da aeronave que chegaria três dias depois para fazer a Operação Cachimbo. Tal mensagem era a deixa para que a Seção de Operações fizesse a relação de passageiros, a ordem de serviço com a função que cada um exerceria no Campo, além de confeccionar o manifesto de carga. A Seção de Intendência, ao mesmo tempo, ultimava junto ao rancho do 6º Comando os víveres necessários para alimentar a tropa durante aqueles quinze ou mais dias em Cachimbo, além de mandar para a tesouraria a relação de etapas a serem sacadas de cada um. Também o almoxarifado organizava todo o material a ser despachado. As providências em Cachimbo, visando a passagem de funções, e o regresso da equipe lá destacada, paralelamente tinham andamento, de forma que naquela meia hora em que a aeronave estacionaria na pista todos deveriam colocar seus respectivos substitutos a par das questões específicas, conforme a função a ser exercida por cada um de nós.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

DAS FLANELAS à Universidade de Brasília

  

Ana Paula Lisboa


AOS 52 ANOS, José Mario Silva dos Santos teve a emoção de ver seu nome na lista dos 3.961 aprovados no vestibular da Universidade de Brasília (UnB) na última segunda-feira (14jul.). Ele poderia ser apenas mais um estudante, não fosse a história de superação e persistência. Natural de São Luís (MA), morador de Planaltina, José Mario foi pedreiro, lavador de carros e flanelinha, função que ocupa atualmente. Depois de concluir o ensino médio no Maranhão, ele passou mais de 28 anos longe dos estudos. Mesmo assim conquistou uma vaga para o bacharelado em gestão ambiental no câmpus Planaltina.

“Passar não é um bicho de sete cabeças como as pessoas dizem. Não é tudo isso: basta ter dedicação, insistir, ter perseverança. É chegar em casa e estudar mesmo”, indica. Um dos seus lemas vêm da Canção do Tamoio, de Antônio Gonçalves Dias, que diz que viver é lutar: “A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravo só pode exaltar.”

O que ajudou na aprovação também foi o hábito de buscar conhecimento. “Se eu via livros e cadernos jogados por aí, eu pegava e lia. Tentava resolver os exercícios. Nunca me deixei enferrujar e também já trazia um embasamento do meu passado”, analisa. Desde os tempos de escola, José Mario, ou Maranhão, como é conhecido na rua, tem facilidade e gosto por geografia, história, química, física e matemática.

“Eu gosto muito dessa área que o curso envolve. Também tem a ver com a natureza”, esclarece. A maior dificuldade foi na redação, em que obteve nota 5 no vestibular. “Em São Luís, aprendi o sistema de redação narrativo, mas, nas provas, é cobrado o texto dissertativo. Tive que aprender a dissertar e a ter coerência e coesão”, lembra.
Uma bolsa concedida pelo cursinho pré-vestibular MFE, de Planaltina, foi importante para superar esse obstáculo. “Eu cheguei lá e pedi para estudar porque queria passar na UnB. Eles não me levaram a sério, mas, depois de insistir, toparam me dar um mês e meio de bolsa”, lembra. O diretor do cursinho, Fernando Gonçalves, foi vencido pelo cansaço. “Ele ia ao cursinho incessantemente pedindo para estudar. Nós tínhamos medo pelo preconceito que outros alunos poderiam ter pelo fato de o José ser flanelinha, mesmo assim, decidimos dar uma oportunidade a ele em agosto do ano passado”, conta Fernando.

A chance oferecida logo deu resultados e, em dezembro de 2013, José Mario apareceu entre os aprovados para o curso de geografia no vestibular da Universidade Estadual de Goiás (UEG). “Fui aprovado, mas não classificado, mas foi por pouco. Meu déficit em português fez com que meu desempenho em redação não fosse bom”, lembra. “Quando os professores do cursinho viram que eu estava levando a sério, resolveram me dar bolsa por mais tempo. Estudei, então, até o vestibular”, disse.

A professora de geografia Aracelly Castro foi uma das grandes incentivadoras de José Mario. “No início, ele estava mais inseguro, achava que não ia passar e pensou em desistir. Muita gente o estimulou a ficar. Ele é um aluno muito participativo e não volta para casa com dúvidas”, afirma a professora.

Para as colegas de cursinho Flávia Magalhães, 24 anos, e Marilda Rodrigues, 20, o vigia de carros é uma inspiração. “Ele é um guerreiro e uma motivação para os outros alunos”, afirma Flávia. “Ele é um exemplo e mostra que é possível conciliar trabalho e estudos. Ele não tem vergonha de errar e vai atrás do que quer”, finaliza Marilda. 

Para Maranhão, a aprovação no vestibular significa um novo começo. “Eu queria me reintegrar à sociedade ou por meio do vestibular ou por meio de um concurso público. Não estou cheio de glamour, mas estou satisfeito. Tenho a sensação de dever cumprido”, comemora. “Fui a uma igreja evangélica uma vez, e o pastor disse que Deus estava preparando uma universidade para mim. Eu acreditei naquilo piamente. Acreditei, estudei e passei”, conta.

Segundo Maranhão, chegar ao ensino superior é algo que ele deveria ter feito há mais tempo. “Minha irmã, tias, todo mundo da minha família tem nível superior. O meu problema foi que, muito cedo, eu arrumei mulher e filha e fui trabalhar para sustentar a família. Assim, deixei os estudos para trás”.

Pai de quatro filhas com quem não têm contato há anos, veio tentar a vida em Brasília, há nove anos, depois de terminar um casamento que durou 13 anos. “Minha irmã mora no DF, mas não me queria na casa dela. Fui para a rua. Depois, fui trabalhando e melhorando, até conseguir morar de aluguel. Agora, estou morando na casa de uma tia. Isso me deu tranquilidade - e menos despesas - para estudar para o vestibular”, disse.

Segundo José Mario, o faturamento como flanelinha era maior antes de ter de conciliar estudo e trabalho. “Depois que passei a estudar no cursinho, passei a tirar de R$ 800 a R$ mil por mês. Até as pessoas reclamavam que não me achavam mais porque eu estava estudando.” Como aluno da UnB, José Mario pretende deixar de vigiar carros. “Conversei com o diretor do câmpus da UnB Planaltina para saber dos benefícios que eu poderia ter. Posso ter auxílio-alimentação, auxílio-moradia… Vou ir atrás de tudo isso para não ter que vigiar nem lavar carro. UnB é casamento: tenho que me dedicar a ela por inteiro”, brinca.

Entre os planos do calouro para o período de curso está abrir uma roda de capoeira na UnB. “Sempre gostei muito e sou mestre de capoeira. No câmpus Darcy Ribeiro já tem um grupo, mas em Planaltina não. Quero passar a dar aulas lá e tirar algum dinheiro para viver”, planeja. Outra meta é continuar estudando, agora, para outro vestibular. “Vou fazer o curso de gestão ambiental e ficar estudando para passar, pelo Enem, para comunicação social ou direito”.



quarta-feira, 16 de julho de 2014

NO MEIO do caminho...

... tinha um cemitério


HOUVE um tempo em que a cidade de Vespasiano não tinha estradas, mas trilhas que se formavam pela passagem constante de animais; inclua-se, aí, o bicho-homem.

Pois bem, Herculano era um rapaz de boa aparência... e namorador. Entretanto – seria trauma de infância? – tinha pavor de duas coisas: escuro e cemitério. Apaixonou-se, perdidamente por Efigênia – filha de Josemiro e da Dona Luíza – que morava pelas bandas de Nova Granja. Apaixonou-se, por dois motivos: porque ela era linda e porque ela era loira. Ele não resistia aos encantos de uma loira. Se tivesse olhos azuis, então... hummmmmmm...

Para ir à casa de Efigênia, só havia um caminho, ou melhor, trilha; e esta trilha passava em frente ao cemitério. Assim sendo, todas as vezes em que ia à casa de sua amada, Herculano tinha o cuidado de controlar o tempo, de forma que ao sair de lá e, levando em consideração a distância e o tempo de caminhada, passasse em frente ao cemitério, antes da meia-noite. Afinal, eram tantas as histórias...

Certa vez, justamente no dia em que Efigênia estava deslumbrante e fogosa – rendendo-se às suas ousadas carícias –, Herculano descuidou-se das horas. Quando olhou no relógio, sentiu um frio na barriga e algo não menos frio descer-lhe pela espinha. Fez e refez os cálculos, mentalmente. Não haveria como passar em frente ao cemitério antes da temida meia-noite.

- Cê tá passando mal, benzinho? – perguntou Efigênia, ao ver que ele estava suando.
- Nada não, um mal-estar repentino. Acho que fomos longe demais... – respondeu, sorriso amarelo no rosto.
- Num vô deixá ocê ir embora assim, não. – E para a sua felicidade, gritou: - Ô paiê!!! O Herculano pode dormir aqui, hoje? Ele num tá passando bem...
- O Herculano já tá fazendo hora extra! Já passou da hora de se mandar! – a voz, vinda lá de dentro, era grossa, ríspida, impaciente, sem a menor vontade de negociar.
-É, benzinho, num tem jeito! Ocê vai divagarinho, viu?

Devagarinho??? Só até ter a certeza de que não mais era visto por sua amada. Assim que fez a curva – no meio do mato – Herculano desatou a correr; a lua cheia clareava o caminho. “Tem que dar tempo... tem que dar tempo!” – pensava, esbaforido.

Não deu. Olhou para o relógio, em pânico, e viu que os ponteiros estavam se amando. Parou... não adiantava mais correr. Uma nuvem encobriu a lua... escuridão total. Precisava sair dali.
“Ajudai-me, Nossa Senhora dos Aflitos”, começou a rezar. A lua voltou a iluminar a noite e ele já podia vislumbrar, ao longe, o cemitério. Herculano tremia... e caminhava. Tremia... e rezava.

De repente... “Nossa Senhora, obrigado por ouvir as minhas preces!” De repente, ele vislumbrou – à luz da lua – um vulto de mulher, em frente ao cemitério. Ganhou ânimo... ganhou coragem... apressou o passo. Chegando mais perto, para sua surpresa e alegria, viu que a mulher era uma estupenda loira, de olhos azuis.

- Boa noite! – cumprimentou, excitação na voz.
- Boa noite! – respondeu a loira, sensualidade na voz.
- O que você está fazendo, por aqui, a esta hora? – quis saber, curioso.
- Eu moro aqui! – respondeu a loira, enigmática.
- Eu também! – respondeu Herculano, excitado e distraído. – E acrescentou: - Você não tem medo de passar, a esta hora, em frente ao cemitério? 
- Quando eu era viva, eu tinha! - respondeu a loira.

Herculano sentiu que o coração ia saltar pela boca. Sentiu um líquido quente molhar as suas calças – frente e verso – e, por puro instinto de sobrevivência, disparou numa desabalada carreira.

Nunca mais foi visto em Vespasiano. Consta que está correndo... até hoje.

Alexandre Brito, Belo Horizonte 24jan.2011

domingo, 13 de julho de 2014

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

Éramos todos do jardim da infância


COM ABSOLUTA certeza o maior dos perrengues por que passei naquele primeiro semestre de 1979, e derradeiro como aluno da EEAer, foi exatamente o serviço de aluno-de-dia ao Corpo de Alunos (CA), para o qual fui escalado tão logo principiou o semestre. Foram vinte e quatro horas compridas! 

Na verdade os serviços de aluno-de-dia e demais serviços dados pelos alunos visavam a prepará-los à rotina que enfrentariam mais tarde como sargentos na futura unidade onde seriam classificados. Creio que a maioria de nós não detinha pleno conhecimento disso. Pelo menos esse era o meu caso, ignorante de uma série de coisas e das enormes vicissitudes que a vida futura teria reservado à minha pessoa. Eu, um Forrest Gump, que viria a testemunhar no futuro uma série de situações inusitadas, mas que não poderia avaliar no momento o real sentido de cada um dos fatos presenciados.

Fui um dos primeiros a ser escalado para aquela difícil missão, talvez a mais dura para um aluno com quase nenhuma experiência militar, malgrado aqueles três semestres de instrução que eu vinha experimentando no piloto automático. Essa era toda a minha experiência como militar até então: quase zero. Como aluno-de-dia a minha figura ficaria em evidência perante mais de duas mil almas, ação para a qual aquele guri não estava em absoluto preparado. Os eventuais acertos figurariam como meros detalhes, reles obrigação, detalhes imperceptíveis, ao passo que os erros seriam severamente observados e criticados, sendo isso motivo de galhofas no círculo da alunada. Começava tudo errado.

sábado, 12 de julho de 2014

A GRANDE viagem

ESTAVA lá eu naquela multidão. Jovens dos dezesseis aos 23, todos ali para aquela prova de Português. Era o primeiro dia de três. Ainda viriam a de Matemática e a de Ciências, e nesses dois dias seguintes vi que o grupo estava bem menor que no primeiro. Quedei-me um pouco antes de tudo iniciar a observar em torno de mim, aquele estádio cheio e incertezas me povoaram a mente: teria eu condições de vencer?

Os sargentos já distribuíam os cadernos de questões e o formulário de respostas. E já que eu estava lá, era correr os olhos ao questionário e tentar decifrar as questões ali lançadas, optando por uma das quatro respostas. 


Para mim, aquele exame foi dificílimo
Nessa primeira etapa, tudo certo e o meu nome estava lá na lista dos convocados para os exames seguintes. Vieram os exames médico e psicológico, e então era só aguardar para a convocação final para seguir destino a Guaratinguetá, São Paulo, a fim de cursar dois anos de semi-internato na Escola de Especialistas.  Um avião da Força Aérea iria nos levar a Guará.


Chegou o dia tão esperado. Verifiquei a lista e...

VAI que é tua, Gavião Bueno!


quarta-feira, 2 de julho de 2014

AZAMBUJA em Cachimbo (3ª parte)


OS PREPARATIVOS para a passagem de comando vinham correndo a pleno vapor. A relação de convidados já vinha sendo preparada e os convites, expedidos. O oficial de maior patente seria o diretor do Departamento de Pesquisas, tendo sua presença confirmada.  Os ofícios para o 6º Comando Aéreo e para a Base Aérea pedindo apoio foram levados ao setor de Protocolo para serem enviados a essas unidades. Ao mesmo tempo, nossa equipe de Serviços Gerais, à frente o bravo sargento Lourival, Lourival Ernesto de Campos, dava retoques de elegância às instalações, fazendo pinturas de meio-fio, cortes de grama e os reparos hidráulicos e elétricos necessários. Até mesmo o coronel Camboim já tinha vindo em visita à sua futura Unidade, que estaria sob sua administração direta pelos próximos dois anos. O futuro comandante mandou reservar acomodações no hotel de trânsito de oficiais da Base Aérea, uma vez que, de início, não intencionava ocupar próprio nacional pois sua família ficaria em outro Estado, já que a esposa ocupava cargo público e não obteve licença para acompanhar o marido.