quarta-feira, 4 de março de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

Seu Padre


Fotografia da turma de Q EA AL - Almoxarifes, onde Fontes não aparece, comprovando sua timidez

DENTRE o quase meio milhar de alunos da minha turma, a tarjeta Branca formada em 1979, as características psicológicas de um deles ficaram marcadas até hoje em minha mente. Além disso, ainda hoje guardo seu rosto juvenil, como disse o amigo Antônio Pinheiro de Lima, enfermeiro. 

De longe, Fontes (Q EA AL), era o aluno mais tímido da turma. Além de tímido, parecia um tanto quanto enrolado, assim no sentido que dávamos ao termo naquele tempo. Estatura mediana e óculos tipo fundo-de-garrafa, Fontes, ou Seu Padre, alcunha pela qual também era conhecido, vivia a correr, ainda que não estivesse atrasado. Nos finais de semana, não viajava para casa, ao contrário da quase totalidade de cariocas e paulistas. Fontes, na verdade, não era carioca, mas natural do Estado do Rio, não lembrando agora de qual cidade. Penso que nem mesmo nas férias de julho, que eram mais curtas, Fontes ficava na Escola, onde o rango era de graça.

O apelido de "Seu Padre" lhe deram justamente pelo jeito entre que sério, tímido e também por ser estudioso e metódico, sempre de pasta escolar nas mãos. 

Certa vez estávamos em frente ao prédio do Corpo de Alunos, quando um de nós lhe sugeriu que fosse conosco à cidade. "Vamos comer gente, seu Padre". "Preciso estudar Matemática", respondeu Fontes, envergonhado.  "Então, vamos supor que 'aquilo' seja um triângulo isósceles", redarguiu o colega, fazendo um gesto ao unir os dedos polegares e os indicadores, à altura do umbigo.

Uma vez, quatro anos depois da nossa formatura, viajei para o Rio de Janeiro a serviço. Em visita a um colega na antiga DIRMA, este contou-me o seguinte:

"Fontes, cansando-se de trabalhar em meio à bagunça do almoxarifado, tomou um dia uma atitude drástica. Numa sexta-feira, trancou-se no recinto e, para não cair na tentação de sair antes do tempo, jogou a chave para fora, por baixo da porta. Levou sanduíches e talvez algum refrigerante. Quando todos chegaram para o expediente da segunda-feira, surpresos pela falta da chave no claviculário, mais surpreendidos ficaram quando, ao abrirem a porta do almoxarifado,  acharam o Fontes ali, exausto. Passou o final de semana trabalhando na organização daquele local de trabalho. O almoxarifado ficou uma beleza."

Onde andará você, amigo Fontes? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OBRIGADO por comentar e volte sempre ao BLOGUE do Valentim!