quinta-feira, 12 de março de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

A turma da branquinha


Por Emídio Vargas da Silva



O QUE eu sei, é o que vivi. Naquela sexta-feira, contrariando a tradição, a formatura não se realizou, sendo adiada para segunda-feira. Também não permitiram que saíssemos naquele final de semana da Escola, de forma que me convidaram para fazermos uma vaquinha para que o Pará, acho que o Nonato, que ia à cidade, ao dentista, comprasse umas garrafas de pinga.



Esse plano foi feito na quinta-feira, e na sexta-feira cada um deveria procurar amealhar o maior número de tira-gostos possível. Assim foi que pegamos laranjas no café da manhã e no jantar pegamos algumas coxas de galinha. Tão logo tocou o silêncio, fomos para trás do prédio. Éramos mais de vinte, inclusive alunos muito inocentes, como o Lúcio Ivo Wurr, o Claudemir e outros, mas esses, como não tinham o hábito de beber, "abriram" cedo, voltando para a esquadrilha. Ficaram só os "danadões": Eu, o Theones, o Maia, o Nei... 

Quando o tenente Magalhães chegou, sozinho, e chamou os sargentos que estavam postados nos quatro cantos, havia no local apenas oito alunos. Não precisa nem dizer que ficamos bons na mesma hora, o efeito da cachaça passou como que por milagre. Fomos humilhados e levados em forma com as mãos na cabeça. Até hoje não entendo por que. Lá no CA levaram-nos para uma sala contígua à sala do oficial de dia e mandaram que nos despíssemos. Depois mandaram que ficássemos deitados de bruços, com os braços e as pernas abertas. Pense numa posição constrangedora!

Daí chegou o tenente Arrais e falou: "Meus meninos, o que foi que fizeram com vocês? Pra quê isso? Levantem-se, vistam a cueca!" E assim foi que ficamos apenas de cuecas. Depois passaram a nos interrogar individualmente numa sala onde estava o Estado-Maior da Escola, vários oficiais que eu não conhecia e mais os nossos comandantes e o comandante e o subcomandante do CA. 

Por meio desse interrogatório é que chegaram a outros alunos, que iam sendo buscados na esquadrilhas, a medida que iam sendo "dedurados". E uns entregavam os outros, de sorte que pela manhã já havia mais de cinquenta alunos. No início eram apenas oito. Ficamos só com as roupas que estávamos na hora do flagrante, pois nossos armários haviam sido lacrados, só sendo liberados no sábado à tarde.


Emídio Vargas da Silva, o aluno Vargas Q AT CV, é nosso contemporâneo na Escola de Especialistas de Aeronáutica no período de 1977 a 1979, Tarjeta Branca.

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