sexta-feira, 13 de março de 2015

ERA uma vez na Escola de Especialistas...

O Dorminhoco

Corto meu pescoço mas não digo quem foi

LEMBRO até hoje de um episódio, entre pitoresco e engraçado, que ocorreu na nossa turma já ao final de um semestre.

As aulas já estavam para acabar a maioria só estava lá para aumentar a média. Outros ainda tinham que queimar alguma pestana, pois precisavam de notas para conseguir a média mínima numa ou noutra matéria. 

Naquela manhã em particular, depois do toque de alvorada, pouco a pouco os alunos iam se levantando. Nem todos pretendiam ir ao café, porém ainda assim deviam levantar-se e arrumar suas respectivas camas, sob pena de se complicarem disciplinarmente. No entanto, essa rotina já não era tão rigorosa. Todos estavam ansiados pelas férias.

Prestei atenção no aluno-de-dia, que não querendo perder sua autoridade e fazer bem o seu serviço, zelava pela disciplina, ainda que eventualmente fizesse vistas grossas - também ele era humano e estava louco pelo início daqueles dias de férias. Deteve-se logo na entrada da esquadrilha e dirigiu sua atenção a um aluno que, indiferente àquele zum-zum-zum costumeiro e, muito mais, ao horário, insistia em prolongar o sono. Estava à sono solto, com direito a ronco e tudo. Detalhe: totalmente coberto com aquela manta grossa azul barateia. 

"Acorda!", falou o aluno, tom de voz calmo. 

Nada.

"Acorda, aluno!", tornou a dizer o aluno-de-dia, desta vez balançando um pouco o beliche. 

Dava-me a impressão de que o sono do aluno se aprofundava mais ainda e nem o menor sinal de que acordaria com alguma facilidade.

"Acooorrda, aluuuno!!!" Insistiu o aluno-de-dia, desta vez, quase aos berros, e com os braços dava uma sacudidela forte no beliche. 

Não fazia calor, mas notei que o aluno já estava a transpirar diante daquela árdua missão, que era simplesmente acordar o colega dorminhoco.

Eis que quase estava a desistir da tarefa ingrata  quando colega mexeu-se dando a impressão de que finalmente acordaria. O aluno aproximou-se dele.

Subitamente, o colega levantou a manta e abriu largamente os braços de um modo brusco, dando em seguida um prolongado bocejo: "Aaaaahhhhh....!!!"

O aluno quase caiu pelo susto com aquele gesto brusco e já inesperado, com aquelas sobrancelhas de lobisomem, além, é claro, daquele bafo de múmia insuportável. Hilário foi o característico passar de mão pelas ventas denunciando o hálito desagradável.

Demos muita risada.

2 comentários:

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