sábado, 14 de março de 2015

MEMÓRIAS azulinas

Por ROCILDO OLIVEIRA, via Facebook


Acervo de Rocildo Oliveira

ERA o dia 12fev.1978, um lindo domingo de sol apesar de ser fevereiro. O Mais Querido vinha de uma retumbante vitória em cima do Palmeiras, 3 x 0, com um público de 26.938 torcedores dentro do Baenão, e largava na frente em busca de uma vaga entre os quatro finalistas do Brasileiro de 1977.


O Leão estava um grupo muito difícil que contava ainda com América RJ, Desportiva ES e Santa Cruz PE. Apenas um passaria para a fase final da competição, e nossa sorte estava lançada. Ressalto que o campeonato de 1977 terminou no ano de 1978.

Pois bem. Naquele domingo a cidade já amanheceu em ritmo de festa e todos os caminhos apontavam para o Baenão. Eu às nove da manhã em minha bicicleta, tomei o rumo da José Bonifácio e fiz do Evandro Almeida a minha linha de chegada. Era preciso chegar cedo para garantir o ingresso para o grande jogo, uma vitória por dois gols de diferença daria ao mais querido mais 3 pontos e a liderança isolada do grupo.

Com muito custo consegui comprar o meu ingresso e o ingresso dos meus amigos, grandes parceiros de épicas jornadas. Ao retornar uma surpresa: entro ao lado do supermercado Almirante com a intenção de sair ao lado do Hotel Sagres, e, como vinha em boa velocidade, fui para cima de um cidadão, que segurou na direção da minha bicicleta e me deu um tremendo esporro. Ao levantar a vista percebi que o atropelado era nada mais nada menos do que o grande Manga, famoso goleiro do Botafogo e Seleção Brasileira, e que no momento defendia as cores do Operário. Senti muito realmente não ter naquele momento quebrado os dedos daquela figura, pois seria menos um a tentar barrar a trajetória Remista.

Acervo de Rocildo Oliveira

Missão cumprida, ingressos comprados, eu Rocildo Oliveira, Nego Sávio, Edivaldo, Mandinho, Augusto, Nego Bá, Sérgio Fukushima - o japonês remista -, Augusto e Hélio Gabiru, as 14 horas já estávamos dentro do Caldeirão azul, o nosso Evandro Almeida. Às 17 horas, Leão no gramado, estádio superlotado com 29.934 remistas cantando Remooooooooooo, Remooooooooo, uma loucura. A bola rola, o Mais Querido, desfalcado de Mesquita, sente os primeiros minutos de jogo, mas logo começa a ter o controle da partida. Aos 16 minutos do primeiro tempo Júlio César, o nosso entortador de laterais, o  Uri Geller, envolve com uma sequência de dribles o lateral Paulinho, do Operário, e é parado violentamente com falta, sofrendo uma contusão semelhante a que sofreu Silvio, sub-vinte azulino, nos jogos finais da Copa do Brasil esse ano. No lance, Júlio tem seu ombro esquerdo fora do lugar. Além de Mesquita, Júlio seria mais um desfalque naquele tenso jogo. 

Enquanto Humberto Guerreiro vem para o jogo em substituição ao nosso ponteiro esquerdo, o Mais Querido, empurrado pela massa humana que se acotovela dentro do acanhado Baenão, vem para o ataque. Leônidas entra livre pela direita e dispara um petardo, a bola vai fora. O grito de "uuuuuuuuuuuuuu!!!" ecoa pelo estádio e logo em seguida um grande ruido e uma grande confusão. O alambrado que ficava pela 25 de setembro vem abaixo e uma confusão se estabelece, com muitos feridos e o jogo é interrompido. Logo em seguida, por falta de segurança, o árbitro da partida resolve suspender a partida. Frustração total, porém ficava uma certeza, enfrentaríamos novamente esse mesmo Operário e dessa vez, mais um acontecido faria esse jogo entrar definitivamente para a história do futebol paraense. Porém esse é um capítulo que será contado mais à frente. 

12 de fevereiro de 1978, o dia em que o Baenão desabou.

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